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	<description>O Maior Portal de Teologia Reformada em Português</description>
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		<title>O Valor do Conhecimento</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 14:51:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Teologia Sistemática]]></category>

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		<description><![CDATA[A ciência, o conhecimento e o aprendizado certamente são boas dádivas que descem do Pai das Luzes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>por Herman Bavinck</em></p>
<p style="text-align: justify;">A ciência, o conhecimento e o aprendizado certamente são boas dádivas que descem do Pai das Luzes e portanto devem ser levadas em alta estima. Quando Paulo chama a sabedoria do mundo de loucura diante de Deus (1 Co 3.19) e quando ele em outro lugar nos adverte contra a filosofia (Cl 2.8), ele tem em mente a falsa e inútil suposta sabedoria que não reconhece a sabedoria de Deus em sua Revelação Geral e em sua Revelação Especial (1Co 1.21) e que se tornou nula em seus próprios raciocínios (Rm 1.21). Mas no restante, Paulo e as Sagradas Escrituras em sua totalidade colocam o conhecimento e a sabedoria em um plano de grande importância. E não poderia ser de outra forma pois a Bíblia afirma que Deus é sábio, que Ele tem conhecimento perfeito de Si mesmo e de todas as coisas, que pela Sua sabedoria Ele estabeleceu o mundo, que Ele manifesta a Sua multiforme sabedoria à Igreja, que em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento e que o Espírito é o Espírito da sabedoria e do conhecimento que perscruta até mesmo as profundezas de Deus (Pv 3.19; Rm 11.33; 1Co 2.10; Ef 3.10; Cl 2.3). Um livro do qual procedem mensagens como essas não pode subestimar o conhecimento nem pode desprezar a filosofia. Pelo contrário, nele aprendemos que a sabedoria é mais preciosa do que pérolas e tudo o que podemos desejar não pode ser comparado a ela (Pv 3.15); ela é um dom Daquele que é o Deus do conhecimento (Pv 2.6; 1Sm 2.3).</p>
<p style="text-align: justify;">O que a Escritura exige é um conhecimento cuja origem seja o temor do Senhor (Pv 1.7). Quando essa conexão com o temor do Senhor é rompida, o nome de conhecimento é mantido, embora sob falsas pretensões, mas ele vai se degenerando gradualmente até se transformar em uma sabedoria mundana, que é loucura diante de Deus. Qualquer ciência, filosofia ou conhecimento que pense poder se manter sobre suas próprias pressuposições e que pode tirar Deus de consideração, transforma-se em seu próprio oposto e qualquer pessoa que construa suas expectativas sobre isso ficará desiludida.</p>
<p style="text-align: justify;">
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fonte: </strong><em>Teologia Sistemática</em>, Herman Bavinck, Editora SOCEP, págs. 20, 21.</p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Bênção Abundante</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Feb 2010 01:10:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Proféticos]]></category>
		<category><![CDATA[Calvino]]></category>

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		<description><![CDATA[Devocionais e orações com João Calvino.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>por João Calvino</em></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Considerai, eu vos rogo, desde este dia em diante, desde o vigésimo quarto dia do mês nono, desde o dia em que se fundou o templo do SENHOR, considerai nestas coisas. Já não há semente no celeiro. Além disso, a videira, a figueira, a romeira e a oliveira não têm dado os seus frutos; mas, desde este dia, vos abençoarei.<br />
Ageu 2.18 e 19
</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span class="cap">A</span> “semente” refere-se não ao que fora colhido, mas ao semeado. O profeta fala da bênção de Deus sobre a colheita que havia de vir. Como os judeus ainda estavam em suspense, Ageu anuncia-lhes que a bênção de Deus estava pronta para eles. A verdade da profecia seria conhecida de fato quando Deus cumprisse o que dissera pela boca do seu servo. Era-lhe necessário falar da maneira apropriada à compreensão do povo, como o mestre experimentado que instrui crianças e adultos de maneira diferenciada. O profeta insiste em dois pontos: condena os judeus por negligência e mostra que eram ímpios e ingratos a Deus, pois menosprezavam a edificação do templo; depois, a fim de animá-los e fazê-los mais ativos na obra que haviam iniciado, mostra-lhes o que havia acontecido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Oração</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="cap">C</span>oncede, ó Deus onipotente, que assim como ainda estamos embaraçados pelos nossos cuidados terrenos e somo incapazes de subir ao céu com o zelo e a alegria com que deveríamos, — ó concede, visto que diariamente nos supres de provisão tão abundante à vida presente, que ao menos possamos entender que és nosso Pai e, ao mesmo tempo, que não devemos fixar a mente nessas coisas perecíveis, mas aprendamos a elevar mais alto os nossos pensamentos, avançando de contínuo no teu serviço espiritual, até que ao fim alcancemos a plena e completa fruição da bendita vida celestial que nos prometeste e adquiriste para nós mediante o sangue do teu Filho unigênito. Amém.</p>
<blockquote style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
Fonte: <span style="font-weight: normal;"><em>Devotions and prayers of John Calvin, 52 one-page devotions with selected payers on facing pages</em>. Org. Charles E. Edwards. Old Paths Gospel Press. S/d. Pags. 88 e 89. Tradução: Marcos Vasconcelos, fevereiro/2010. </span></strong></p>
</blockquote>
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		<title>Soberania Divina e Autocompatibilidade</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Feb 2010 23:31:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apologética]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Cheung]]></category>
		<category><![CDATA[Recomendado!]]></category>

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		<description><![CDATA[ Existe uma incompatibilidade entre a soberania divina e a liberdade humana.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>por Vincent Cheung<span style="font-style: normal;"> </span></em></p>
<p style="text-align: justify;">O Deus soberano contradiz a ideia de que o homem exercita o livre-arbítrio no que diz respeito a qualquer assunto, incluindo-se a salvação. A soberania divina e a liberdade humana são mutuamente excludentes. Afirmar uma delas significa negar a outra. Por consequência, a pessoa que insiste em ter aceitado Cristo por causa do livre-arbítrio, e não por causa da escolha soberana de Deus e de sua ação direta na alma, é incapaz de asseverar ao mesmo tempo o Deus soberano. Pelo fato de o único Deus apresentado na Bíblia ser absolutamente soberano, a pessoa que assevera o livre-arbítrio humano é incapaz de sustentar a crença em Deus sem contradição.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns teólogos percebem esse dilema, e dessa forma escolhem crer em uma contradição. No entanto, isso faz com que pareçam estúpidos, e alguns deles não conseguem tolerar a humilhação. Assim eles inventam uma saída, e dizem que a soberania de Deus é “compatível” com a escolha humana. Às vezes afirmam até que a soberania divina é compatível com a “liberdade” humana no sentido de que o homem não é coagido ao fazer uma escolha, e sim que ele escolhe de acordo com o próprio desejo. <span style="color: #ff0000;">*</span></p>
<p style="text-align: justify;">É claro que o homem faz escolhas, mas o que o leva a escolher? Qual é a metafísica da escolha humana? E qual é a explicação metafísica do seu desejo? Se Deus é totalmente soberano, então ele também decide e causa a escolha e o desejo humanos. E se Deus é quem decide e causa a escolha e o desejo do homem, logo dizer que a soberania divina e escolha humana são compatíveis equivale apenas a afirmar que Deus é compatível consigo mesmo. Mas já sabemos disso, e o homem ainda não é livre.</p>
<p style="text-align: justify;">A escolha humana é irrelevante, pois ela surge debaixo da soberania divina. Dizer que o homem não é coagido implica apenas em declarar que nesse caso Deus não faz um efeito do seu poder se chocar com outro efeito do seu poder, como acontece quando ele faz dois objetos colidirem. Contudo, se não há contradição quando Deus faz dois objetos colidirem, então mesmo a coação não acarreta nenhuma contradição. Isso poderia significar apenas que ele faz uma pessoa desejar uma coisa e escolher outra, enquanto o próprio Deus permanece compatível consigo mesmo. Qual seria o problema com isso?</p>
<p style="text-align: justify;">De fato, a soberania absoluta de Deus e a responsabilidade moral do homem são compatíveis. Talvez seja por isso que os teólogos estejam tão incomodados. No entanto, o homem é moralmente responsável apenas pelo fato de Deus ter decidido fazer com que ele preste contas de seus atos. Isso não possui ligação necessária com a escolha ou a liberdade. Nem mesmo a coação elimina a responsabilidade. O que uma tem que ver com a outra? A responsabilidade moral do homem depende da soberania absoluta de Deus, e de nada mais. Portanto, dizer que o home é responsável, mais uma vez, significa afirmar apenas que Deus é compatível com ele mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Então permanece a incompatibilidade entre a soberania divina e a liberdade humana. Para que o homem seja livre em qualquer sentido relevante, ele deve ser livre de Deus, e se ele for livre de Deus em qualquer sentido e grau, Deus não é então totalmente soberano. Rejeita-se o Deus da Bíblia.</p>
<p style="text-align: justify;">
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff0000;">* </span>Refiro-me à doutrina do compatibilismo. Ela ensina uma forma de liberdade humana e apoia a responsabilidade moral nessa liberdade. Já a refutei ao demonstrar que o tipo de liberdade ensinado por ela é irrelevante ao debate sobre a soberania divina, e que não há relação necessária entre a liberdade e responsabilidade. De fato, a Bíblia nega esse relacionamento. (V. Vincent Cheung, <em>O autor do pecado</em>.)</p>
<p style="text-align: justify;">Alguém afirmou que eu representei essa doutrina de forma equivocada ao declarar que ela assevera um tipo de liberdade humana e que ela lança a responsabilidade moral sobre essa liberdade. Essa pessoa disse que a doutrina apenas declara que a soberania divina é compatível com a escolha humana, e que por isso o homem não é coagido, mas escolhe de acordo com o próprio desejo. E indicou John Frame como representante dessa doutrina — e dessa forma como uma pessoa cuja visão eu representei erroneamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, citaremos John Frame. Ele escreveu no livro <em>Free Will and Moral Responsibility</em>: “Um conceito alternativo à liberdade, coerente com a teologia reformada e sustentado por um número de filósofos […] é chamado designado com frequência ‘compatibilismo’, pois com base nele, o livre-arbítrio e o determinismo (o conceito de que todos os acontecimentos na criação são causados) são compatíveis. O compatibilismo afirma de maneira simples que a tomar decisões morais, somos livres para fazer o que quisermos, par seguirmos nossos desejos. […] A teologia reformada reconhece que todas as pessoas contam com a liberdade na acepção compatibilista. […] Creio que a liberdade compatibilista é o tipo principal de liberdade necessária à responsabilidade moral”. Frame afirma de modo explícito que o compatibilismo ensina uma forma de liberdade, e ela é imprescindível à responsabilidade moral.</p>
<p style="text-align: justify;">A pessoa que me acusou de representar equivocadamente também disse que o compatibilismo não assevera que o homem é livre de Deus, como escrevi. Ele me entendeu mal. Compreendo que o compatibilismo não declara o homem livre de Deus, e por essa razão é irrelevante. Meu ponto é a impossibilidade da existência de qualquer tipo de liberdade que preconize a liberdade de Deus, e qualquer tipo de liberdade que não preconize a liberdade de Deus é irrelevante. O fato de o homem não ser coagido também é irrelevante, pois sendo Deus soberano, é ele quem causa o desejo e a escolha dos seres humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto à minha posição, digo que a soberania divina e liberdade humana são incompatíveis e mutuamente excludentes, e pelo fato de Deus ser soberano, o homem não é livre. Aparentemente, a pessoa que me acusou gostaria de debater sobre este ponto, mas não soube como proceder. E não há como fazê-lo. Talvez a confusão tenha sido alimentada pela recusa em aceitar que sua doutrina acalentada tenha sido apresentada tão facilmente como algo ridículo e irrelevante.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Tradução: Rogério Portella</p>
<p style="text-align: justify;">(Este é um excerto da futura edição revisada de <em>Questões últimas</em>.)</p>
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		<title>O Templo Glorioso</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jan 2010 14:37:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Proféticos]]></category>
		<category><![CDATA[Calvino]]></category>

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		<description><![CDATA[Devocionais e orações com João Calvino.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>por João Calvino</em></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Minha é a prata, meu é o ouro, diz o SENHOR dos Exércitos. Ageu 2.8
</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span class="cap">P</span>or que o profeta fala em prata e ouro? Ele faz isso segundo o que era habitual e comum, porque sempre que os profetas se referem ao reino de Cristo, esboçam ou prefiguram o seu esplendor em termos metafóricos, condizentes com seus próprios dias. Ao predizer a restauração da Igreja, Isaías declara que ela seria toda de ouro e prata e que tudo reluziria com pedras preciosas. Ademais, no capítulo seis ele apresenta a magnificência do templo, como se as nações do mundo inteiro devessem trazer em sacrifício todas as suas coisas preciosas. Isaías fala figuradamente, como fazem também todos os demais profetas. Mas precisamos levar em conta o caráter espiritual do sacerdócio, pois desde que Cristo veio ao mundo não é vontade de Deus ser servido com vasos de ouro ou prata; assim como também não há altar sobre o qual as vítimas devam ser sacrificadas, nem o candelabro. Em síntese, todos os símbolos da lei cessaram. Vemos assim como a glória do segundo templo tem de ser maior que a do primeiro, pois ainda que os judeus amontoassem os tesouros de uma miríade de mundos, essa glória não seria senão corruptível. No entanto, quando Deus Pai apareceu na pessoa de seu próprio Filho, ele glorificou o seu templo de tal maneira que nada faltou à perfeição total.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Oração</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="cap">C</span>oncede, ó Deus onipotente, já que por natureza somos por demais inclinados à superstição, que consideremos cuidadosamente qual seja o modo verdadeiro e certo de te servir, conforme desejas e aprovas que nos ofereçamos espiritualmente a ti, e não busquemos outro altar, mas sim Cristo, e, confiados em nenhum outro sacerdote, tenhamos a esperança de ser aceitáveis e consagrados a ti, para que ele infunda em nós o Espírito cuja plenitude foi nele derramada, de sorte que possamos nos dedicar a ti de coração, e, prosseguindo pacientemente na nossa carreira com a mente voltada para o alto, avancemos sempre para a glória, ainda como que escondida sob a esperança, até que ela se manifeste no tempo oportuno de Cristo, quando o teu Filho unigênito surgir com os anjos eleitos para a nossa redenção final. Amém.</p>
<blockquote style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
Fonte: <span style="font-weight: normal;"><em>Devotions and prayers of John Calvin, 52 one-page devotions with selected payers on facing pages</em>. Org. Charles E. Edwards. Old Paths Gospel Press. S/d. Pags. 86 e 87. Tradução: Marcos Vasconcelos, janeiro/2010. </span></strong></p>
</blockquote>
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		<title>Sarcasmo e Soberania</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 18:46:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apologética]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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		<category><![CDATA[Cheung]]></category>
		<category><![CDATA[predestinação]]></category>
		<category><![CDATA[Recomendado!]]></category>
		<category><![CDATA[soberania]]></category>

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		<description><![CDATA[Todas as coisas são determinados por Deus, incluindo o mal.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>por Vincent Cheung</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">(O que segue foi adaptado de uma correspondência por e-mail)</p>
<p style="text-align: justify;">
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;">Se Deus é soberano sobre todas as coisas, e tudo, incluindo a Queda, aconteceu pela sua vontade, por que eu deveria me importar com alguma coisa?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;">Eu jamais tive a opção de existir ou não ― ele me criou como pecador; então por que eu deveria me importar? E se Deus é soberano, por que ele deveria se importar de algum modo? Ele está simplesmente obtendo o que deseja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;">Estou muito confuso, e preciso me arrepender disso ― mas Deus não almeja no presente momento o arrependimento na minha vida.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Sua pergunta assume que você deveria se importar com uma coisa apenas se ela não fosse determinada ou controlada por Deus. Essa premissa é necessária para a sua pergunta ser racional ou fazer algum sentido. Logo, a menos que a premissa seja estabelecida, sua pergunta é arbitrária ― sons aleatórios no ar sem uma conexão lógica. Por que alguém deveria se importar em respondê-la?</p>
<p style="text-align: justify;">Estabelecer a suposição é importante, e isso não apenas para que alguém como eu se importe com ela, mas para dar também sentido a alguma alternativa. Isto é, ainda que seus pensamentos e ações não sejam determinados e controlados por Deus, por que você deveria se importar? Ainda que Deus não tenha determinado ou mesmo causado a Queda, por que você deveria se importar? Ainda que ele não tenha criado você como pecador, por que você deveria se importar? Se ele criou você neutro, por que você deveria se importar em escolher ser reto ou ímpio? Por que você deveria se importar? Se ele criou você como uma pessoa reta, por que você deveria se importar em permanecer reto? Por que você deveria se importar? O que, você não gostaria de se tornar pecador e sofrer as consequências? Mas por quê? Por que você deveria se importar?</p>
<p style="text-align: justify;">Se os seus pensamentos e ações não são determinados e causados por Deus, mas produzidos totalmente pela própria soberania e controle que você tem sobre si mesmo, de sorte que seus pensamentos e ações são livres e produzem efeitos atribuídos totalmente a seu poder metafísico, e daí? A menos que demonstre por que e de que forma o sentido, o significado e a razão para se importar são coisas estabelecidas a partir do indeterminismo da liberdade humana, você ainda não encontrou uma razão para se importar.</p>
<p style="text-align: justify;">Que tipo de pessoa não se importa com Deus e com a vida, com a verdade, com a adoração e com o amor ao próximo, ainda que Deus tenha decretado vários mandamentos com respeito a essas coisas? Que tipo de pessoa desprezaria as ordens divinas porque Deus é soberano e o homem não é livre e porque a soberania divina é incompatível com a liberdade humana? Uma pessoa perversa e desprezível.</p>
<p style="text-align: justify;">Então você diz: “se Deus é soberano, por que ele deveria se importar de algum modo? Ele está simplesmente obtendo o que deseja.” Por que ele deveria se importar se obtém o que deseja?! Em que sentido isso é diferente de dizer “Por que Deus deveria se importar? Ele está obtendo o que lhe importa”? Ou “Por que ele deveria querer alguma coisa? Ele está obtendo o que ele quer”. Quer dizer que ele deveria se importar apenas se não obtivesse o que lhe importa? Quer dizer que ele deveria querer uma coisa apenas se não obtivesse o que ele quer? Quer dizer que se importar e querer são, por definição, ininteligíveis a menos que o importar-se e o querer sejam frustrados? Se não é isso o que você quer dizer, então é o quê? Você mesmo sabe? Se é de fato isso o que você quer dizer, por que eu deveria aceitar essa premissa? Ou se trata apenas de uma afirmação descuidada e inútil que estou valorizando demais?</p>
<p style="text-align: justify;">Você está certo ao dizer que está confuso e que precisa se arrepender. E espero que você não esteja sendo sarcástico sobre Deus conceder arrependimento, pois é de fato Deus quem o concede ou nega. Jesus diz: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair” (João 6.44). Paulo escreve “Portanto, Deus tem misericórdia de quem ele quer, e endurece a quem ele quer”, e que corrigimos pessoas “na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento, levando-[as] ao conhecimento da verdade” (2 Timóteo 2.25), implicando que cabe a Deus a concessão do arrependimento, mas que ele poderia não concedê-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Você terá de me desculpar por ser áspero, mas eu me importo se uma pessoa questiona a verdade e age de forma sarcástica nisso. Se Deus não lhe concedeu arrependimento para crer no evangelho ou se você pensa que ele o concedeu, mas uma subsequente pertinácia contra a palavra de Deus atesta que na verdade ele não o concedeu, isso significa que você ainda está em seu pecado e que também queimará no inferno quando morrer. Mas mesmo neste caso você pode se consolar no fato que, sendo isso determinado por Deus, ainda que venha a sofrer um tormento consciente extremo e infindável no inferno, provavelmente você não se importará com isso.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Recomendado:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Escolhidos em Cristo</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O Autor do Pecado</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>As Lutas Humanas e a Soberania Divina</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<blockquote><p>Tradução: Marcelo Herberts</p>
<p>27/01/2010</p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>A Importância da Pregação</title>
		<link>http://monergismo.com/?p=2209</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 16:37:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Homilética]]></category>
		<category><![CDATA[Prática da Pregação]]></category>
		<category><![CDATA[sermão]]></category>

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		<description><![CDATA[Devemos combinar nossa defesa da inerrância bíblica com uma demonstração positiva do poder transformador da Palavra de Deus.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">por Joel R. Beeke</p>
<p style="text-align: justify;">
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Vede, pois, como ouvis” — Lucas 8:18</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">João Calvino freqüentemente instruía sua congregação sobre a forma correta de se ouvir a Palavra de Deus. Ele os ensinou como vir ao culto público e como ouvir a Palavra de Deus pregada. Calvino queria que pais e filhos abraçassem a importância da pregação, para que pudessem desejá-la como uma benção suprema, e participar ativamente no sermão. Calvino dizia que os ouvintes deveriam ser “prestos em obedecer a Deus completamente e sem reservas”. [1]</p>
<p style="text-align: justify;">Calvino insistiu com seus ouvintes a respeito da pregação da Palavra por duas razões importantes: Primeiro, ele cria que poucas pessoas ouviam bem os sermões. Mais de trinta vezes em seus comentários e nove vezes em suas Institutas, Calvino se refere ao fato de que poucas pessoas recebem a pregação da Palavra com fé salvadora. Ele diz: “Se o mesmo sermão é pregado, digamos, para uma centena de pessoas, vinte o recebem com a pronta obediência da fé, enquanto o restante o toma como sem valor, risível, desprezível, ou repugnante.” [2] Se isto era um problema nos dias de Calvino, quanto mais hoje, quando ministros têm de competir pela atenção de pessoas bombardeadas diariamente pelos vários tipos de mídia?</p>
<p style="text-align: justify;">Em segundo lugar, Calvino insistiu com seus ouvintes a respeito da maneira apropriada de ouvir os sermões em razão da alta consideração que tinha pela pregação. Calvino via a pregação como um meio usado por Deus para abençoar e salvar. Ele dizia que o Espírito Santo é o “ministro interior” que usa o “ministro exterior” da pregação da Palavra. O ministro exterior “articula a palavra audível e ela é recebida pelos ouvintes”, mas o ministro interior “verdadeiramente comunica aquilo que é proclamado, [que] é Cristo.” [3] Assim,  Deus fala através da boca de Seus servos pelo Seu Espírito: “Sempre que o evangelho é pregado, é como se Deus, em pessoa, estivesse entre nós.” [4] A pregação fiel é o meio pelo qual o Espírito faz Sua obra salvadora de iluminar, converter, e confirmar os pecadores. Calvino dizia: “Há&#8230;uma eficácia interna do Espírito Santo quando emprega seu poder sobre os ouvintes, de modo que podem abraçar um discurso [sermão] pela fé.” [5]</p>
<p style="text-align: justify;">Como Calvino, os Puritanos tinham uma alta consideração pela pregação. Como amantes da Palavra de Deus, os Puritanos não estavam contentes meramente em afirmar a infalibilidade, inerrância, e autoridade da Escritura. Eles também liam, estudavam, ouviam, e cantavam a Palavra com deleite, buscando aplicar o poder do Espírito Santo que acompanhava a Palavra. Eles consideravam os 66 livros da Bíblia Sagrada como a biblioteca do Espírito Santo. Para os Puritanos, a Escritura era Deus falando a Seu povo como um pai fala a seus filhos. Na pregação, Deus entrega Sua Palavra como verdade e poder. Como verdade, a Bíblia é confiável no tempo e eternidade. Como poder, ela é o instrumento de transformação usado pelo Espírito de Deus para renovar nossas mentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Como protestantes evangélicos do século XXI, devemos combinar nossa defesa da inerrância bíblica com uma demonstração positiva do poder transformador da Palavra de Deus. Este poder deve ser manifesto em nossas vidas, nosso lares, nossas igrejas, e nossas comunidades. Devemos mostrar que, embora outros livros possam nos informar ou mesmo reformar, somente um Livro pode nos transformar, conformando-nos à imagem de Cristo. Somente como “cartas vivas de Cristo” (2 Co. 3:3) podemos esperar vencer a batalha pela Bíblia em nossos dias. Se gastarmos muito de nossa energia em conhecer e viver as Escrituras, quantos mais não poderão se prostrar perante seu poder transformador?</p>
<p style="text-align: justify;">O movimento Puritano nos ensina muito sobre cultivar o poder transformador da Palavra. Pregadores puritanos expuseram claramente como a Palavra efetua transformação pessoal. Eles ofereceram direções práticas sobre como ler e ouvir a Palavra de Deus. [6] O Catecismo Maior de Westminster resume estes conselhos Puritanos na Questão 160: “Exige-se dos que ouvem a pregação da Palavra que a acolham com perseverança, preparação e oração; que comprovem o que ouvem com as Escrituras; que recebam a verdade com fé, amor, mansidão e ânimo pronto, como a Palavra de Deus; que nela meditem e sobre ela conversem; que a escondam no coração e manifestem os seus frutos em suas vidas.” [7]</p>
<p style="text-align: justify;">Juntamente com Lucas 8:18, “Vede, pois, como ouvis,” irei oferecer alguns ensinos Puritanos juntamente com minhas próprias observações sobre como ouvir a Palavra de Deus, dividindo o assunto em três partes: como se preparar para a pregação da Palavra, como receber a pregação da Palavra, e como praticar a Palavra pregada. Ao estudar cada um desses pontos, devemos nos perguntar: Eu realmente ouço a Palavra de Deus? Eu sou um bom ouvinte do evangelho proclamado, ou sou apenas um ouvinte descuidado ou crítico? Eu faço com que cada sermão, como disse Charles Simeon, “aumente ou nossa salvação ou nossa condenação”? [8] Eu estou ensinando meus filhos a serem bons ouvintes?</p>
<p style="text-align: justify;">[1] &#8211; Leroy Nixon, <em>John Calvin, Expository Preacher</em> (Grand Rapids: Eerdmans, 1950), 65.</p>
<p style="text-align: justify;">[2] &#8211;  John Calvin, <em>Institutes of the Christian Religion</em>, Ed. John T. McNeill, trans. Ford Lewis Battles (Philadelphia: Westminster Press, 1960), 2.24.12.</p>
<p style="text-align: justify;">[3] &#8211;  John Calvin, <em>Tracts and Treatises</em>, tans.. Henry Beveridge (Grand Rapids: Eerdmans, 1958), 1:173.</p>
<p style="text-align: justify;">[4] &#8211;  John Calvin, <em>Commentary on the Synoptic Gospels</em> (Edinburgh: Calvin Translation Society, 1851), 3:129.</p>
<p style="text-align: justify;">[5] &#8211;  John Calvin, <em>Commentary on Ezekiel</em>, 1:61.</p>
<p style="text-align: justify;">[6] &#8211;  Samuel Annesley, “How May We Give Christ a Satisfying Account [of] Why we Attend upon the Ministry of the Word?,” in <em>Puritan Sermons 1659-1689, Being Morning Exercises at Cripplegate </em>(Wheaton, Ill.: Richard Owen Roberts, 1981), 4:173-198; David Clarkson, “Hearing the Word”, <em>The Works of David Clarkson </em>(Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1988), 1:428-446; Thomas Manton, “The Life of Faith in Hearing the Word,” <em>The Complete Works of Thomas Manton</em> (London: James Nisbet, 1873), 15:154-74; Jonathan Edwards, “Profitable Hearers of the Word,” <em>The Works of Jonathan Edwards: Sermons and Discourses 1723-1729</em>, ed. Kenneth P. Minkema (New Haven: Yale, 1997), 14:243-77; Thomas Senior, “How We May Hear the Word with Profit,” in <em>Puritan Sermons</em>, 2:47-57; Thomas Watson on hearing the Word effectually, <em>A Body of Divinity</em> (Grand Rapids; Sovereign Grace Publishers, 1972), 377-80; três pequenas obras de Thomas Boston, <em>The Complete Works of the Late Rev. Thomas Boston</em> (Wheaton, ill.: Richard Owen Roberts, 1980). 2:427-454; Thomas Shepard’s Of Ineffectual Hearing the Word, <em>The Works of Thomas Shepard </em>(Ligonier, Penn,: Soli Deo Gloria, 1992), 3:363-84.</p>
<p style="text-align: justify;">Há muitas fontes do século XIX na tradição puritana: uma carta de John Newton intitulada “Hearing Sermons,” <em>The Works of John Newton</em> (Edinburgh: Banner of Thuth Trust, 1985), 1:218-25; um ensaio de John Elias intitulado “On hearing the Gospel,” <em>John Elias: Life, Letters and Essays</em> (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1973), 356-360; e o mais profundo e útil tratamento do assunto, Edward Bickesteth, <em>The Christian Hearer</em> (London: Sceleys, 1853).</p>
<p style="text-align: justify;">[7] &#8211;  <em>Westminster Confession of Faith</em> (Glasgow: Free Presbyterian Publications, 1997), 253. [Catecismo Maior de Westminster comentado, J.G. Vos. Ed. Os Puritanos, São Paulo: 2007. p. 516. Tradução: Marcos Vasconcelos].</p>
<p style="text-align: justify;">[8] &#8211;  Charles Simeon, <em>Let Wisdom Judge: University Addresses and Sermon Outlines </em>(nottingham: Inter-Varsity Fellosship, 1959), 19.</p>
<p style="text-align: justify;">
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Tradução: Márcio Santana Sobrinho</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Fonte: </strong><em>The Family at Church</em>. Cap.1.</p>
</blockquote>
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		<title>João Calvino: o Reformador Suíço</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 03:36:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[História da Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Calvino]]></category>
		<category><![CDATA[Recomendado!]]></category>

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		<description><![CDATA[Calvino era acima de tudo um pregador e expositor das Sagradas Escrituras.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>por Herman C. Hanko</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Introdução</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-weight: normal;">Quando Karl Barth estava preparando uma série de palestras sobre João Calvino, ele escreveu a um amigo:</span></strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Calvino é uma catarata… falta-me completamente os recursos, as ventosas, até mesmo para assimilar esse fenômeno, isso para não falar sobre a sua apresentação satisfatória. O que recebo é apenas um pequeno e tênue jorro e o que posso dar em retorno, então, é apenas uma porção ainda menor desse pequeno jorro. Eu poderia feliz e proveitosamente assentar-me e passar o resto de minha vida somente com Calvino.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Impossível alguém questionar a asserção de que João Calvino é o maior reformador de todos os tempos. Mais livros têm sido escritos sobre ele e sua teologia do que sobre qualquer outra figura na história da igreja. Todos aqueles que nos últimos 450 anos têm estimado as doutrinas da graça reivindicam Calvino como seu líder espiritual. E todos os que confessam uma teologia inteiramente bíblica e incorporada em todos os grandes credos dos séculos XVI e XVII chamam a teologia deles de calvinismo. Além das próprias Escrituras Sagradas, há poucos livros, se os há, que têm exercido a influência nos séculos subseqüentes mais do que as <em>Institutas da Religião Cristã</em> têm exercido até o presente.</p>
<p style="text-align: justify;">Não obstante, Calvino, depois que iniciou sua vida de trabalho, jamais se afastou para longe de Genebra, uma cidade relativamente pequena na Suíça Francesa. Foi aqui que ele apareceu em uma noite tempestuosa; foi aqui que ele permaneceu, alarmado pela ameaça de William Farel; foi aqui que ele realizou toda a sua obra. Porém, agora a obra dele circula pelo globo. A única explicação para isso só pode ser a de que Deus, mediante Calvino, trazia a reforma à sua igreja sitiada.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Contexto na Suíça</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A parte da Suíça que nos interessa era denominada Suíça Francesa, porque fazia fronteira com a França e se falava ali o francês. Era composta dos cantões de Genebra, Vaud e Neûchatel. No cantão de Genebra encontrava-se a cidade de mesmo nome às margens de um lago também chamado Genebra.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo de Genebra exige uma breve explanação pois que tinha de desempenhar um papel considerável na Reforma lá. Os cidadãos da cidade encontravam-se anualmente na Assembléia Geral para eleger quatro síndicos e um tesoureiro. Os cidadãos, por seu turno, eram governados por um Pequeno Conselho de 25, o qual incluía os síndicos correntes e aqueles dos anos anteriores. O Conselho de 60, nomeado pelo Pequeno Conselho, decidia assuntos políticos de maior monta. Em 1527 um Conselho de 200 foi adicionado, o qual incluía o Pequeno Conselho e 175 outros escolhidos por este. Foi sobretudo esse último grêmio que proporcionou a Calvino muitos de seus problemas.</p>
<p style="text-align: justify;">A Reforma chegara não somente à Alemanha, mas se espalhara para outras partes da Europa. Na Suíça, Zuínglio efetuara a maior parte da obra, e em Genebra o caminho para Calvino fora preparado pelo fervoroso e radical reformador, William Farel.</p>
<p style="text-align: justify;">Berna, ao norte de Neûchatel, juntara-se à Reforma em 1528 e enviou mensageiros à Suíça Francesa para pregar ali o evangelho. Farel foi o líder e uma figura mais poderosa dificilmente podia ser achada.</p>
<p style="text-align: justify;">Todo o trabalho de Farel foi levado a efeito com grande esforço e em turbulência e em 1532 Farel foi expulso da cidade. Em 1534 regressou e através de controvérsias e pregações conquistou um pouco de descanso para os protestantes que se converteram sob sua pregação. Contudo, a seu favor estava o fato de que, por Genebra ser tão pequena, estava tecnicamente sob o governo da Basiléia, e a Basiléia apoiava a Reforma. Gradualmente os padres, frades e freiras começaram a deixar a cidade, e a Reforma foi oficialmente estabelecida em 1535 e 1536. Mas a cidade continuava a herdeira do catolicismo romano: um lugar de assustadoras condições morais.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>A Juventude de Calvino</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Calvino nasceu em 10 de julho de 1509 em Noyon, França, 26 anos após o nascimento de Lutero. Ao passo que esse nasceu em uma parte da igreja onde se enfatizava a piedade e a religião, Calvino nasceu em uma parte daquela que tinha em grande conta  educação e cultura. Pouco se sabe de sua mãe; seu pai era secretário apostólico do bispo de Noyon, mas caiu em dificuldades financeiras, tornou-se um constrangimento à igreja e foi excomungado.</p>
<p style="text-align: justify;">Quase desde o princípio Calvino estava destinado ao clero, e aos doze anos recebeu parte da receita de uma capelania que o sustentava em seus estudos. Esses, apesar de em várias escolas, deram-se principalmente em Paris. Talvez eles todos possam ser mais bem resumido pela seguinte descrição do trabalho dele no Colégio de Montaigu, uma famosa escola conhecida por sua disciplina austera e sua comida ruim. Erasmo, que estudou aqui poucos anos antes de Calvino, queixou-se mais tarde dos ovos estragados que era forçado a comer no refeitório. Os contínuos problemas de Calvino com indigestão e insônia provavelmente se derivavam da rígida alimentação e de sua inclinação por estudar até altas horas em Montaigu. Reza lenda posterior que, durante esses anos, seus colegas de estudo premiaram Calvino com o apelido de “o caso acusativo”. Embora isso não seja verdade, Beza, em sua adorável biografia, reconheceu que o jovem estudante era de fato “um rigoroso censor de todas as coisas imorais em seus companheiros”. Enquanto seus colegas estavam pinoteando nas ruas ou festas turbulentas, Calvino estava ocupado com as minúcias da lógica nominalista ou com as quaestiones da teologia escolástica.</p>
<p style="text-align: justify;">De modo geral, Calvino recebeu uma das melhores educações nas humanidades disponíveis naquela época e emergiu de sua educação um humanista consumado. Ele tornou a teologia o objeto de seus estudos, mudou para o direito, e depois retornou à teologia. Em 1532, ainda aparentemente intocado pela graça, escreveu um comentário a respeito do antigo ensaio pagão romano de Sêneca, “Sobre a Misericórdia”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>A Conversão e o Trabalho Inicial de Calvino</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Porém, Deus começara Sua obra em Calvino. Já as primeiras influências algo benéficas vieram de dois mestres, um de nome Cordier, que mais tarde se tornou um protestante, e o outro chamado Wolmar, de profissão luterana.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário de Lutero, Calvino sempre foi reticente acerca de si mesmo e de sua conversão. Beza nos relata que o pai de Calvino persuadiu a esse para estudar teologia porque Calvino “era por natureza inclinado [a teologia]; porque mesmo com pouca idade era notavelmente religioso, e também um censor rigoroso de todas as coisas depravadas em seus companheiros”. Calvino, em uma nota autobiográfica encontrada em sua carta ao Cardeal Sadoleto, escreveu:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, embora eu haja realizado todas estas coisas (reparação pelas ofensas e fuga para os santos), ainda que eu tivesse alguns intervalos de sossego, ainda estava longe da verdadeira paz de consciência; pois, sempre que eu descia para dentro de mim mesmo, ou alçava minha mente a ti, o extremo terror se apoderava de mim – terror que nem expiações nem reparações podiam curam.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Isso soa muito como Lutero.</p>
<p style="text-align: justify;">Calvino chegou a Paris na mesma época em que as idéias reformadoras estavam alterando o pensamento de muitos. Em 1533 Nicholas Cop tornou-se reitor da Universidade de Paris e transmitiu um apelo por reforma em seu discurso inaugural, o qual alguns alegam que foi preparado pelo primeiro. A perseguição irrompeu quando um texto, fortemente crítico da massa, foi largamente distribuído em Paris e uma cópia pregada à porta do palácio. Cop e ele foram forçados a fugir para salvar suas vidas. E assim Calvino foi trazido ao ponto onde repudiou a igreja de Roma e escreveu sua primeira obra teológica, por incrível que pareça um ensaio sobre o sono da alma.</p>
<p style="text-align: justify;">Por cerca de três anos Calvino perambulou como um evangelista no sul da França, na Suíça e na Itália. Parte do tempo esteve debaixo da proteção da Rainha Margarida de Navarra, irmã do rei da França; parte do tempo esteve em Ferrara da Itália na corte da Duquesa de Renee; e parte do tempo vistou a Basiléia, onde entrou em contato com alguns dos reformadores suíços.</p>
<p style="text-align: justify;">Esses devem ter sido anos de intenso estudo nas Escrituras, porque durante esse período Calvino começou sua obra sobre as <em>Institutas</em>, cuja primeira edição foi publicada em 1536.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, quisesse Calvino ou não, Genebra tinha de ser seu lar pelo restante de sua vida. Tudo começou quando Calvino, a caminho da Basiléia, foi forçado a desviar por Genebra. Nesta cidade ele passou a noite pensando que viria e iria sem ser observado. Porém, sua presença foi notada e Farel foi informado dela. Esse incontinenti o visitou e lhe implorou para que ficasse em Genebra e ajudasse com a obra de reforma. Calvino estava inflexível em sua recusa. Tímido por natureza e determinado a devotar sua vida ao mundo acadêmico e aos estudos, ele não queria tomar parte na barafunda resultante dos esforços para tornar Genebra uma cidade devotada à verdade escriturística. Contudo, depois de invocar do céu maldições sobre Calvino caso este não aceitasse, Farel persuadiu-o de que o lugar desse era verdadeiramente na cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Primeira Estadia em Genebra</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E assim começou a obra de Calvino nessa cidade. A data era 6 de setembro de 1536.</p>
<p style="text-align: justify;">A cidade, com os efeitos de muitos séculos debaixo do catolicismo romano entrelaçados na trama de sua vida, estava repleta de toda imoralidade e requeria grande labor para trazer seus cidadãos sob o jugo do evangelho. Para realizar isso, Calvino começou ensinando, convencido de que a instrução na verdade era a única estrada para a reforma. Ele deu início a palestras expositivas sobre Paulo e o Novo Testamento, e um ano mais tarde era ordenado pastor.</p>
<p style="text-align: justify;">Juntos, Farel e Calvino compuseram uma confissão de fé e regras de disciplina que foram aprovadas pelo Conselho. Na verdade, este apoiou todos os esforços em prol da reforma na doutrina, na liturgia e na moral.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, isso não significou que a oposição tenha sido persuadida. Gradualmente os inimigos de Calvino puderam dispor em ordem suas forças. A oposição deles era sobretudo contra o catecismo e as leis que foram passadas contrárias aos pecados predominantes. À medida que ganhavam força, ganhavam números no Conselho e conseguiam moderar os esforços rumo à reforma.</p>
<p style="text-align: justify;">Duas coisas em especial chegaram a um ponto crítico. O Conselho dos 200 decidiu instruir os reformadores a praticarem a comunhão aberta de sorte que ninguém fosse barrado da mesa do Senhor. Isso era um golpe de morte na disciplina de Calvino. A segunda questão foi uma decisão do Conselho de fazer uso da liturgia bernense no culto. Calvino não objetava quanto à liturgia utilizada em Berna, porém, objetava vigorosamente contra o direito do Conselho de decidir semelhantes matérias para a Igreja. Nenhuma das duas partes quis ceder e o resultado foi que o Conselho decidiu expulsar Calvino e Farel da cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Calvino em Estrasburgo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Depois de uma breve estadia na Basiléia, Calvino foi para Estrasburgo, uma cidade no sul da Alemanha onde a reforma suíça já se havia arraigado. Os três anos que passou nessa cidade foram provavelmente os mais felizes de sua vida. Ele não precisou combater um Conselho, não precisou batalhar contra inimigos por toda parte. Ele teve paz e quietude, tempo para estudar e escrever, oportunidade para efetuar o trabalho nos campos da liturgia e do governo da igreja.</p>
<p style="text-align: justify;">Calvino foi nomeado para a faculdade da Universidade na cidade e chamado para ser pastor de uma igreja de refugiados franceses. Ele teve ocasião para se encontrar com teólogos luteranos e aprofundar seus próprios pontos de vista teológicos. Trabalhou nas revisões de suas <em>Institutas </em>e desenvolveu suas concepções sobre governo eclesiástico, cujos princípios básicos estão incorporados em nossa própria “Ordem Eclesiástica de Dordrecht”. Desenvolveu uma liturgia para a igreja que incluía uma ordem de culto (muito semelhante à que ainda usamos), formas litúrgicas, bem como versões dos Salmos.</p>
<p style="text-align: justify;">Esses foram anos produtivos. Calvino ocupou-se com uma volumosa correspondência com todas as principais figuras da Europa. Ele escreveu várias de suas obras importantes, um dos quais foi sua missiva a Sadoleto. Sadoleto era um cardeal católico romano que escreveu uma carta ao povo de Genebra num esforço para os ganhar de volta para Roma. De certo ponto de vista humano, um trabalho magistral e persuasivo. A resposta de Calvino foi sem qualquer amargura ou rancor contra os genebrenses, mas a mais clara e útil defesa da reforma que podia ser encontrada em algum lugar. É uma leitura “obrigatória” a qualquer um que deseje saber por que a reforma no século XVI era necessária.</p>
<p style="text-align: justify;">Calvino até se casou durante sua permanência em Estrasburgo. Sua esposa era Idelette de Bure, a viúva de um eminente anabatista a quem Calvino convertera à fé verdadeira e que morrera na peste. Ela era a mãe de vários filhos, porém, pobre e de débil saúde. Calvino tomou a responsabilidade por eles tanto quanto por ela, todavia, viveu com essa somente nove anos. Ficou solteiro o resto de sua vida. Com Idelette Calvino teve um filho que faleceu na infância, uma perda que suportou pelo resto da vida.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Segunda Estadia em Genebra</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Porém, os anos felizes em Estrasburgo logo chegaram a um fim. A situação em Genebra deteriorava-se constantemente. Três partidos estavam se rivalizando pelo poder e a cidade estava mergulhando na anarquia.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1541 pediram formalmente a Calvino que regressasse. Estrasburgo tinha relutância em deixá-lo ir. Ele estava até mais relutante em deixar sua vida feliz ali e aceitar os horrores de Genebra. Mas, compelido por Deus, retornou ao turbilhão (termo de Calvino) da contenda e controvérsia, onde permaneceu até que a morte o tomasse para a igreja triunfante.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma comprovação da estatura do homem foi sua conduta em seu retorno. No primeiro domingo ele entrou no púlpito de Saint Pierre perante uma enorme multidão agrupada em parte para o ouvir outra vez, mas em outra parte para o ouvir ralhar com seus oponentes e todo cheio de si proclamar “eu vos disse isso”. Contudo, em uma carta a Farel, Calvino conta o que fez: “Depois de um preâmbulo, retomei a exposição onde eu havia parado – pelo que eu indiquei que tinha interrompido meu ofício de pregar momentaneamente, não que tivesse desistido inteiramente”. Nada podia ter sido mais prosaico e, todavia, mais eficaz. Era como se Calvino reiniciasse seu ministério com as palavras: “Como eu estava dizendo&#8230;”</p>
<p style="text-align: justify;">As lutas com o Conselho não foram por muito tempo, e os esforços para subjugar a cidade para que o governo de Cristo se fizesse presente não cessaram até que muitos que se opunham a Calvino partissem para outros lugares. Seus inimigos eram detestáveis e não tinham medo de exibir isso. As pessoas davam a seus cachorros o nome de Calvino, abertamente o insultavam nas ruas, por vezes ameaçavam a vida dele, perturbavam-no em seus estudos, e juravam fazer mal à família dele. Calvino suportou a tudo isso pregando, ensinando, escrevendo, levando o jugo do sofrimento de Cristo pela causa do evangelho. Dinheiro e prazer nada significavam para ele. Ele repetidamente recusava mais dinheiro oferecido a ele pelo Conselho. Ele vivia de modo frugal e sem luxo. Esteve disposto até a vender seus amados livros quando se tornou necessário. O próprio papa ficou tão impressionado com a total falta de cupidez de Calvino que expressou sua firme convicção de que, se apenas tivesse em seu séquito doze homens como Calvino, poderia conquistar o mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Calvino pregava regularmente na igreja em Genebra, às vezes, numa freqüência de cinco vezes por semana; seus sermões foram anotados em escrita cursiva, e muitos publicados. Resultaram esses em uma literatura muito atilada. Ele estabeleceu a famosa Academia em Genebra, a qual virou um centro de aprendizagem para estudantes de todas as partes da Europa, os quais, tendo recebido sua educação em Genebra, regressaram para suas terras para disseminar o evangelho da Reforma ao próprio povo deles. John Knox estudou em Genebra, e foi ele quem observou que a mais perfeita escola de Cristo que podia se encontrar na terra desde os dias dos apóstolos era a cidade de Genebra. Na Academia ele deu aulas, e seus comentários, ainda dos melhores, foram os produtos de tais dissertações. Raramente, se é que alguma vez já ocorreu, eu preparo um sermão sem verificar o que Calvino tinha a dizer sobre um dado texto.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Controvérsias de Calvino</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dentro da cidade mesma os conflitos de Calvino se davam com um partido denominado Patriotas. Eram eles os descendentes dos cidadãos originais da cidade, católicos romanos inflexíveis quando Calvino chegou, e mui dados à vida descomedida. Visto como grande número de refugiados de todas as partes da Europa se mudavam para Genebra para escaparem da perseguição, os Patriotas se ressentiam do fato de que o controle da cidade estava passando para mãos estrangeiras. Odiavam Calvino e faziam tudo que estava em seu poder para o destruir. Quando a Igreja finalmente conseguiu excomungar os líderes por sua licenciosidade e o Conselho aprovou, esses homens fugiram.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas as controvérsias teológicas eram as mais importantes. Calvino escrevia contra o papado para mostrar os males desse e demonstrar quão longe o segundo se apartara das doutrinas de Cristo. Ele tinha de lutar para defender as verdades da trindade e da divindade de Cristo contra muitos que atacavam tais doutrinas, dentre os quais estava Serveto, queimado na estaca em Genebra por blasfêmia.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, suas controvérsias giravam sobretudo acerca de sua defesa das verdades da graça soberana e particular na obra de salvação. E, como normalmente se dá, os mais perversos ataques se concentravam contra a doutrina da predestinação soberana. Muitos detestavam esta doutrina e procuravam destruí-la. Talvez a mais interessante controvérsia sobre tal doutrina foi com o herege Bolsec. Este interrompeu a pregação de um dos pastores de Genebra para se levantar no meio do sermão e fazer um discurso contra a verdade da predestinação. O que Bolsec não sabia era que Calvino havia adentrado o santuário e estava escutando a arenga. Depois que aquele terminou, Calvino subiu ao púlpito e, em um magistral sermão, extemporâneo mas de uma hora de duração, explicou a doutrina e a provou pelas Escrituras.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, Bolsec não se dissuadiu e continuou a pelejar publicamente em Genebra contra a verdade. Foi preso por sua oposição à Igreja e ao Conselho e foi julgado por heresia e difamação pública dos ministros. A opinião dos outros reformadores e igrejas suíços foi buscada antes dele ser condenado. Para amarga decepção de Calvino, com a exceção de Farel, nenhuma igreja ou reformador pôde ser achado para endossar a sua posição por completo e sem transigência. A cautela ou discordância era a respeito da doutrina de Calvino da predestinação.</p>
<p style="text-align: justify;">Não obstante, esse perseverou e Bolsec foi condenado e banido da cidade. Da controvérsia emergiu uma das mais importantes obras de Calvino, “Um Tratado sobre a Eterna Predestinação de Deus”, uma obra que, junto com uma outra acerca da Providência, foi publicada no livro “O Calvinismo de Calvino”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Morte e Importância de Calvino</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Calvino partiu para estar com seu Senhor em 27 de maio de 1564. Ele sofrera muitas enfermidades antes de sua morte, na verdade, tantas que é de se admirar como pôde superá-las todas. Um estudante da história da igreja afirma que Calvino tinha não menos do que 12 grandes doenças no final de sua vida, muitas das quais acarretavam dor excruciante.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 19 de maio Calvino mandou chamar os pastores de Genebra e lhes deu adeus. Desde então ficou de cama, embora continuasse a ditar a um secretário. Farel, agora com 80 anos de idade, veio para ver seu velho amigo, apesar de Calvino insistir com ele para que não viesse. Passou seus últimos dias em oração quase contínua e suas orações eram na maior parte citações dos Salmos. Conquanto a voz dele estivesse definhada pela asma, seus olhos e mentes continuavam fortes. Via que todos desejavam vir, mas pedia que antes orassem por ele. À medida que o sol estava se pondo, por volta das 8:00 caiu em um calmo sono do qual não se despertou até acordar na glória. Ele tinha vivido 54 anos, 10 meses e 17 dias.</p>
<p style="text-align: justify;">Calvino é a prova de que Deus emprega homens segundo Sua boa vontade. Fraco e tímido por natureza, Calvino foi lançado na entrada do turbilhão da reforma. Foi um papel que ele jamais desejou, e o qual ele denominou de sua cruz diária. Contudo, ele conhecia como poucos homens conhecem que o discipulado é caracterizado exatamente pela negação de si mesmo, tomando sua cruz, e seguindo o Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">E assim Deus o usou como a figura chave na Reforma e na história subseqüente da igreja. Ainda que, ressalvada a doutrina dos sacramentos, Lutero e Calvino concordassem sobre todos os pontos da doutrina, aquele foi ordenado por Deus para arrebentar a imponente e aparentemente indestrutível cidadela do catolicismo romano. O segundo foi divinamente nomeado para erigir sobre as ruínas uma casa nova, um templo glorioso, a igreja onde Deus faz Sua habitação.</p>
<p style="text-align: justify;">Calvino era um homem de vontade férrea. Durante quase toda sua estada em Genebra ele esteve enfermo. Todavia, venceu todas as suas indisposições e nunca deixou que a moléstia e a dor interferissem com seu trabalho. Ele trabalhou incessantemente com pouco ou nenhum descanso que até mesmo sua esposa, exasperada, pediu um pouco de tempo para o ver.</p>
<p style="text-align: justify;">Calvino era acima de tudo um pregador e expositor das Sagradas Escrituras. Sua pregação era seu forte e permanece como de influência sem paralelo até o presente. Sua teologia estava arraigada na exegese porque a Palavra de Deus era para ele o padrão de toda verdade e direito. Seus comentários ainda são os melhores dentre todos os disponíveis, e os modernos comentários “eruditos”, muitos dos quais realmente vendidos à alta crítica, mal parecem dignos de nota em comparação.</p>
<p style="text-align: justify;">A influência de Calvino espalhou-se por toda a Europa e no fim por todo o mundo. E essa influência não foi apenas a teologia dele, mas também sua liturgia, sua política eclesiástica e sua piedade. A herança de Calvino é – que isso jamais seja  olvidado – também a herança da piedade genuinamente reformada. Seria bom se fosse escrito um livro somente sobre tal aspecto da vida de Calvino.</p>
<p style="text-align: justify;">Calvino não era a personalidade dramática que Lutero era. Nem “abria seu coração”, como este abria. Particularmente na velhice, Lutero se tornou algo caturra e falava com veemência muitíssimo demasiada em sua oposição àqueles que discordavam dele sobre a doutrina da Ceia do Senhor. Porém, Calvino sempre respeitou Lutero pelo grande trabalho que esse fez na obra de reforma. Dizia a outros, não tão generosos para com o segundo, que, mesmo se Lutero o chamasse de diabo, ainda o honraria como vaso escolhido de Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, ele podia apreciar Lutero pelo que esse fez porque a vida de Calvino estava consumida pela glória de Deus. Seus inimigos denominavam-no um homem intoxicado de Deus – embriagado de Deus! Que coisa mais maravilhosa se podia dizer de um homem? O mais profundo princípio de sua teologia era a glória de Deus e a real essência de tudo que escreveu era essa grande verdade. Mas era também a vida de Calvino. Ele viveu e morreu tendo a glória de Deus como seu mais profundo desejo. Ele é um nessa nuvem de testemunhas cuja voz brada a nós pelos corredores do tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>O autor: </strong>Professor Herman C. Hanko (nascido em 1930) foi ordenado ao ministério das <em>Igrejas Reformadas Protestantes</em> em 1955. Depois de pastorear congregações em Michigan e Iowa, em 1965 foi designado professor de Novo Testamento e História Eclesiástica na Escola Teológica das Igrejas Reformadas Protestantes em Grandville, Michigan. Serviu nessa função até a sua aposentadoria em 2001. Em sua aposentadoria, continua ocupado  ensinando em vários cursos de seminário, liderando classes bíblicas, pregando em diferentes igrejas e escrevendo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fonte: </strong><em><a href="http://www.prca.org/books/portraits/toc.htm" target="_blank">Portraits of Faithful Saints</a></em>, de Herman Hanko</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tradução:</strong> Vanderson Moura</p>
</blockquote>
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		<title>Termos Bíblicos do Novo Nascimento</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 02:10:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Depravação Total]]></category>
		<category><![CDATA[Soteriologia]]></category>
		<category><![CDATA[Gill]]></category>

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		<description><![CDATA[Regeneração é o primeiro princípio de graça infundido na alma. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>por John Gill</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">A regeneração pode ser considerada de forma mais ampla, incluindo a chamada eficaz, a conversão e a santificação; ou de forma mais restrita, designando o primeiro princípio de graça infundido na alma. [Isto] faz da alma um objeto preparado para a chamada eficaz, um vaso apropriado à conversão, sendo também a fonte daquela santidade que é gradualmente desenvolvida na santificação e aperfeiçoada no céu. No que diz respeito à regeneração, os seguintes fatos devem ser examinados com atenção: o que é a regeneração ou&#8230; a sua natureza, que é tão misteriosa, desconhecida e inexplicável para um homem natural, como o foi para Nicodemos, embora ele fosse um mestre em Israel. Nós a compreenderemos melhor observando as expressões e termos pelos quais a regeneração é apresentada:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1.</strong> <em>Nascer de novo</em> — isto é o que a regeneração significa (veja Jo 3.3, 7; 1 Pe 1.3, 23). Esta expressão supõe um nascimento anterior, um primeiro nascimento, em relação ao qual a regeneração é o segundo. Se observarmos a diferença entre os dois nascimentos, os conceitos ficarão mais claros. Esses nascimentos são opostos entre si: o primeiro vem de pais pecadores e acontece à imagem deles; o segundo vem de Deus e acontece à imagem dEle. O primeiro é de semente corruptível, o segundo, de incorruptível. O primeiro acontece em pecado, o segundo, em santidade e justiça. Por meio do primeiro nascimento, os homens são corrompidos e depravados; pelo segundo, eles se tornam consagrados e começam a ser santos. O primeiro nascimento é carnal; o segundo é espiritual, transformando os que passam por ele em homens espirituais. Por meio do primeiro nascimento, os homens são loucos e insensatos; nascem como crias de asnos monteses. Por meio do segundo nascimento, eles se tornam instruídos e sábios para a salvação. Por meio do primeiro nascimento, eles são escravos do pecado e das paixões carnais: sua condição de escravo é inata. Por meio do segundo nascimento, eles se tornam os libertos de Cristo. Por meio do primeiro nascimento, eles são transgressores e seguem um caminho de pecado, até que são interrompidos pela graça. No segundo nascimento, eles param de cometer pecados, isto é, param de seguir o caminho de pecado, passando a viver em santidade. Sim, aquele que é nascido de Deus não vive em pecado. Por meio do primeiro nascimento, os homens são filhos da ira e estão sob o desprazer divino; no segundo nascimento, eles se tornam objetos do amor de Deus, sendo a regeneração o fruto e o efeito desse amor&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. </strong><em>Nascer do alto</em> — assim poderia ser traduzida a expressão de João 3.3, 7. O apóstolo Tiago disse, de um modo geral, que toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto; e a regeneração, sendo esse tipo de dádiva, deve vir do alto&#8230; “Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade” (Tg 1.17-18). O autor desse nascimento é do alto; e os que nasceram de novo nasceram de Deus Pai, que está no céu. A graça concedida na regeneração vem de cima (Jo 3.27). A verdade no íntimo, a sabedoria no espírito ou a graça de Deus no coração, produzida na regeneração, é a sabedoria que vem do alto (Tg 3.17). Assim são os nascidos de novo, pois eles são nascidos do alto, têm excelente nascimento, são participantes da vocação soberana e celestial de Deus, em Cristo Jesus, e certamente a possuirão (1 Pe 1.3-4; Hb 3.1; Fp 3.14).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3.</strong> É comum a regeneração ser expressa por <em>novo nascimento</em>; e com grande propriedade, visto que o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo estão juntos, como que significando a mesma coisa. A regeneração produz o que as Escrituras chamam de nova criatura e novo homem, e os nascidos de novo são chamados de crianças novamente nascidas (Tt 3.5; 2 Co 5.17; Ef 4.24; 1 Pe 2.2). É um novo homem em oposição ao velho ou ao princípio da natureza corrupta, que é tão antigo quanto o homem. Mas o princípio da graça infundido na regeneração é novo. É algo novo, inserido no coração; é algo que antes nunca esteve na natureza humana, nem mesmo em Adão, quando vivia em seu estado de inocência. Não é uma influência sobre os velhos princípios da natureza, nem a elevação deles a um grau superior. Não é uma melhoria dos velhos princípios, nem uma correção da imagem de Deus corrompida e arruinada no homem. É uma obra totalmente nova. É chamada de nova criatura; é uma obra realizada pelo poder onipotente, uma nova criatura, um novo homem constituído de várias partes, todas elas novas. Nessa nova criatura, existem um coração novo, um espírito novo, uma mente nova, para conhecer e entender coisas que antes não podiam ser conhecidas nem entendidas — um novo coração para conhecer a Deus, não como o Deus da natureza e da providência, e sim como o Deus da graça, Deus em Cristo, Deus em um Mediador, o amor de Deus nEle, a aliança da graça e as bênçãos dessa aliança estabelecida nEle. [É um novo coração para conhecer] a Cristo e a plenitude da graça nEle, o perdão do pecado por meio de seu sangue, a justificação por meio de sua justiça, a redenção por meio do seu sacrifício, aceitação diante de Deus por meio dEle e completa salvação por intermédio dEle — coisas sobre as quais Adão nada sabia no Paraíso.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste novo coração, há novos desejos por esses objetos, para conhecer mais sobre eles; há novas afeições colocadas sobre eles, novos deleites neles e novas alegrias que surgem deles (Ez 36.26; 1 Jo 5.20; 1 Co 2.9). Este novo homem enxerga com novos olhos. Deus não concede a algumas pessoas olhos para ver coisas divinas e espirituais, mas Ele os concede para os nascidos de novo. Eles têm olhos que vêem, feitos pelo Senhor (Dt 29.4; Pv 20.12), com os quais eles vêem seu estado de perdição, sua condição natural, a excessiva corrupção do pecado, sua incapacidade de se redimir por meio do que possam fazer. [Vêem] a insuficiência de sua justiça, sua incapacidade de fazer boas obras e a falta de poder para ajudarem a si mesmos a livrarem-se do estado e da condição em que estão. [Vêem sua necessidade] do sangue, da justiça e do sacrifício de Cristo, e da salvação por intermédio de Cristo. Eles têm os olhos da fé com os quais contemplam as glórias da pessoa de Cristo, a plenitude de sua graça, a excelência de sua justiça, a virtude de seu sangue e sacrifício, o benefício e a perfeição de sua salvação. Neste aspecto, a regeneração não é outra coisa senão luz espiritual no entendimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, o novo homem tem novos ouvidos. Nem todos têm ouvidos para ouvir. Alguns têm e os receberam do Senhor; e benditos são eles (Ap 2.11; Dt 29.4; Pv 20.12; Mt 13.16-17). Ouvem a Palavra de um modo como nunca ouviram antes. Eles a entendem e passam a amá-la; por meio dela, distinguem a voz de Cristo da voz de um estranho, de modo que sentem-na agir neles com eficácia e tornar-se o poder de Deus para a salvação deles. Conhecem o jubiloso som e regozijam-se em ouvi-lo!</p>
<p style="text-align: justify;">O novo homem também tem novas mãos com as quais pode agir: a mão de fé para receber a Cristo como Salvador e Redentor, para apropriar-se dEle para a vida e a salvação, para recebê-Lo, para apegar-se a Ele e não deixá-Lo ir embora. [Eles têm mãos] para tocá-Lo, a Palavra da vida, e receber dEle graça sobre graça. Têm mãos com as quais podem servir motivados por princípios melhores, a fim de atingir objetivos melhores do que os anteriores.</p>
<p style="text-align: justify;">Eles têm novos pés, com os quais correm para Cristo, a Cidade de refúgio; andam pela fé, prosseguem nEle, assim como O receberam; atravessam com alegria os caminhos de suas ordenanças, seguem-No com empenho e continuam a conhecê-Lo. Têm novos pés com os quais podem correr e não se fatigar, andar e não desfalecer.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4.</strong> A regeneração é expressa por ser <em>vivificado</em>. Assim como há, na criação natural, um momento em que a vida passa a existir, na regeneração acontece o mesmo. “Ele vos deu vida” (Ef 2.1). Antes da regeneração, os homens estão mortos, embora vivam; ainda que estejam fisicamente vivos, estão moralmente mortos; estão mortos em um sentido moral para as coisas espirituais, em todas as forças e capacidades de sua alma. Não as conhecem, não têm afeição por elas, amor por elas ou poder de realizá-las, à semelhança de um homem morto em relação às coisas naturais. Entretanto, na regeneração um princípio de vida espiritual é infundido no homem; é um tempo em que o Senhor lhes transmite vida e a produz neles. Cristo é a ressurreição e a vida neles. [Ele] os ressuscita da morte do pecado para uma vida de graça. O espírito da vida de Cristo entra neles.</p>
<p style="text-align: justify;">A regeneração é uma passagem da morte para a vida. É um princípio de vida espiritual implantado no coração, em conseqüência do qual um homem inspira um senso espiritual. Onde há fôlego, há vida. Deus soprou em Adão o fôlego de vida, e este se tornou uma alma vivente, uma pessoa viva que, em resposta, respirou. Assim, o Espírito de Deus sopra em ossos secos, e eles vivem e passam a respirar. A oração é a respiração espiritual de um homem regenerado. “Ele está orando” (At 9.11) é algo observado sobre Saulo após sua regeneração. Um pouco antes ele respirava ameaças e morte contra os discípulos de Cristo. Um homem regenerado respira oração a Deus e suspira por Ele, por conhecê-Lo mais em Cristo, por ter comunhão com Ele, por manifestações de seu amor e, em especial, pela benevolente graça e misericórdia. Às vezes, estas respirações e desejos são expressos apenas por suspiros e gemidos, mas ainda são sinais de vida. Se um homem suspira, é claro que está vivo.</p>
<p style="text-align: justify;">O homem regenerado deseja intensamente o alimento espiritual; e isso demonstra que ele foi vivificado. Logo que uma criança nasce, ela procura o seio materno em busca de leite. Assim, os recém-nascidos espirituais desejam o genuíno leite da Palavra, por meio do qual eles podem crescer. Seus sentidos espirituais são exercitados em assuntos espirituais. Têm o que corresponde aos sensos da vida natural: o ver, o ouvir e, como já observamos, o sentir. Eles sentem o fardo do pecado na consciência e as obras do Espírito de Deus em seu coração; e confiam em Cristo, a Palavra da vida — isso deixa evidente o fato de que estão vivos: um morto nada sente. Têm uma inclinação espiritual, um deleite nas coisas espirituais; a Palavra de Cristo lhes é mais doce ao paladar do que o mel ou o favo de mel&#8230; Eles provam que o Senhor é gracioso e convidam outros a provar e ver também quão bom Ele é. Eles se deleitam com as coisas de Deus e não dos homens. Cristo e sua graça lhes são agradáveis&#8230; Estes sensos espirituais e o exercício deles&#8230; mostram que estão vivos, que nasceram de novo. Essas pessoas levam uma vida de fé; vivem por fé — não a fé em si mesma, mas em Cristo, o objeto da fé. Crescem em Cristo, a Cabeça deles, de quem recebem sustento e assim crescem no crescimento que vem de Deus; e isto é uma evidência de vida. Resumindo, eles vivem uma vida nova, diferente da que tinham antes; não vivem mais para si mesmos ou para as paixões dos homens, e sim para Deus e para Cristo, que morreu e ressuscitou por eles. Andam em novidade de vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5.</strong> A regeneração é demonstrada pela <em>formação de Cristo na pessoa convertida</em> (Gl 4.19). A imagem dEle é gravada na regeneração; não a imagem do primeiro Adão, e sim a do segundo Adão. Pois o novo homem é feito segundo a imagem dAquele que o criou de novo, é a imagem de Cristo. Os eleitos de Deus são predestinados a serem conformados a esta imagem; e isso acontece na regeneração (Rm 8.29; Cl 3.10). As graças de Cristo — fé, esperança e amor — são produzidas no coração da pessoa regenerada e logo se tornam visíveis. Sim, o próprio Cristo vive neles. O apóstolo Paulo disse: “Não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé” (Gl 2.20). Cristo e o crente vivem mutuamente um no outro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6.</strong> A regeneração é explicada como o ser <em>co-participante da natureza divina</em> (2 Pe 1.4). Isto não significa que o nascido de novo se torna participante da natureza essencial de Deus: uma criatura não pode participar da essência divina, e esta não pode ser comunicada à criatura. Isto seria deificar os homens. Muitas das perfeições divinas são totalmente incomunicáveis, como a eternidade, a imensidade, etc. Os nascidos de novo também não participam da natureza divina da mesma maneira como Cristo participa, pela união pessoal e hipostática das duas naturezas nEle, a união em que a plenitude da divindade habita corporalmente nEle. Mas a regeneração produz na alma uma semelhança com a natureza divina em espiritualidade, santidade, bondade, benevolência, etc.; por isso, a regeneração também recebe essa designação.</p>
<p style="text-align: justify;">
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Dr. John Gill nasceu na Inglaterra, em 1697. Ainda muito jovem, foi instruído em latim clássico, grego e hebraico. Recebeu seu título de Doutor em divindade pela universidade de Aberdeen; foi ministro batista e pastoreou sua igreja (que mais tarde se tornou o<em> Metropolitan Tabernacle</em>, de Spurgeon) por 51 anos. Foi autor de diversos livros e tratados teológicos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fonte: </strong><a href="http://www.editorafiel.com.br/" target="_blank">Editora Fiel</a></p>
</blockquote>
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		<title>Começando por Baixo</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 01:58:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bibliologia]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia Sistemática]]></category>

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		<description><![CDATA[por Cornelius Van Til
Olhai adiante, pois, santos de Deus. Sim, olhai para o dia em que aquela grandiosa multidão haverá de entoar o cântico de Moisés e o cântico do Cordeiro e, então, tendo cantado aquele cântico, haverá de cantar também o cântico da criação: “Tu és digno, ó Senhor, de receber glória, honra, poder: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Cornelius Van Til</em></p>
<p style="text-align: justify;">Olhai adiante, pois, santos de Deus. Sim, olhai para o dia em que aquela grandiosa multidão haverá de entoar o cântico de Moisés e o cântico do Cordeiro e, então, tendo cantado aquele cântico, haverá de cantar também o cântico da criação: “Tu és digno, ó Senhor, de receber glória, honra, poder: pois tu criaste todas as coisas, e para o teu deleite elas são e foram criadas” (Ap. IV, 11). Mas ao olhar adiante, olhai também para trás. De onde procede tal multidão? Como será que ela se arrependeu de seus pecados? A resposta é que “o justo viverá pela fé” (Rom. I, 17). Mas de onde vem essa fé? Será que os homens naturalmente têm esse tipo de fé? Eles não têm, vós dizeis. Os homens naturalmente, porque são feitos à imagem de Deus, também o conhecem. Contudo, “ao conhecer Deus, não o glorificaram como Deus” (Rom. I, 21). Os homens “retêm a verdade pela injustiça” (Rom. I, 18). Eles “transformaram a verdade de Deus numa mentira e adoraram e serviram à criatura mais que ao criador, o qual é bendito eternamente!” (Rom. I, 25). “Portanto, da mesma forma que por um homem o pecado entrou no mundo, e a morte, pelo pecado; dessa forma a morte passou para todos os homens, pois todos pecaram” (Rom. V, 12). Não é verdade, portanto, que “o homem natural não recebe as coisas do Espírito de Deus: pois tais coisas lhe são loucuras. Nem pode ele conhecê-las, pois são espiritualmente discernidas” (1Cor II, 14)? E não é verdade que “o deus deste mundo cegou as mentes daqueles que não creem, a fim de que a luz do glorioso evangelho de Cristo, o qual é a imagem de Deus, não brilhasse neles” (2Cor. IV, 4)?</p>
<p style="text-align: justify;">Ora pois, em um mundo onde satanás cegou os corações dos homens para que não cressem, em um mundo onde os homens estão mortos em suas transgressões e pecados e, por si sós, não podem crer, como será que Cristo preparou para si essa multidão que ninguém pode contar?</p>
<p style="text-align: justify;">A resposta reside, é claro, na graça de Deus – o Deus Triúno da Escritura. Deus o Pai tanto o mundo amou que enviou seu Filho para salvar o mundo. Deus o Filho se entrega em resgate por muitos. “Pois ele o tornou em pecado em nosso lugar, pois não conhecia pecado algum; para que assim fôssemos tornados, nele, em justiça de Deus” (2Cor. V, 21). “Cristo nos redimiu da maldição da lei, tendo-se tornado maldição por nós: pois está escrito: ‘Maldito é todo aquele que é pendurado num madeiro’, a fim de que a bênção de Abraão pudesse vir aos gentios por meio de Jesus Cristo” (Gal. III, 13-14a). Deus o Espírito regenerou os corações dos pecadores a fim de que eles pudessem receber a salvação destinada a eles em Cristo.</p>
<p>—–</p>
<blockquote><p>O autor: Cornelius van Til (1895-1987) nasceu en Grootegast (Holanda) e imigrou nos EUA com sua família enquanto criança. É considerado um pioneiro da apologética reformada, tendo escrito o famoso livro<em> The Defense of the Faith</em> sob influência direta de Dooyeweerd e Bavinck. Foi professor de apologética em Princeton e, depois, no Westminster Seminary.</p></blockquote>
<blockquote><p>Traduzido por: Lucas G. Freire (Jan. 2010)</p>
<p>Fonte: <a href="http://neocalvinismo.wordpress.com/" target="_blank">http://neocalvinismo.wordpress.com/</a></p></blockquote>
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		<title>Esperança no Futuro, Apesar da Ciência</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 01:30:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cosmovisão Calvinista]]></category>
		<category><![CDATA[cosmovisão]]></category>

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		<description><![CDATA[O futuro próximo pode bem ser a porção deste século e de satanás, mas o longo prazo pertence com efeito a Cristo. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">por Herman Bavinck</p>
<p style="text-align: justify;">
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>Nota Editorial: Este texto, escrito há muito tempo, permanece relevante ao nosso contexto, principalmente quando dúvidas começam a surgir sobre a fé científica ortodoxa no chamado “aquecimento global” e em outras teorias a respeito do suposto “declínio” gradual do nosso planeta. Além disso, serve de bom antídoto à mentalidade platonista predominante no evangelicalismo atual, que considera o final de todas as coisas como um “escape”, e a peregrinação cristã nesta terra como um “fardo”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">—–</p>
<p style="text-align: justify;">A falência completa, moral e espiritual, é onde termina a cosmovisão moderna. Ela confirma a notável palavra de Paulo de que aquele que está sem Deus e sem Cristo está também sem esperança no mundo. Nós, cristãos, contudo, graças a Deus, temos outra esperança, e uma expectativa melhor fundamentada. Podemos falar de coisas mais gloriosas, visto que Deus no-las revelou na sua palavra. A Bíblia Sagrada é um livro maravilhoso. Ela narra a criação do homem feito à imagem divina, bem como sua terrível queda em pecado e morte. Mas, logo em seguida, lemos também a descrição de como Deus, em infinita graça, preparou salvação para a humanidade perdida com o Herói nascido de uma virgem. Enquanto permite que o descrente siga seu próprio caminho, ela relata em história e profecia, em salmo e provérbio, os resgates que ele trouxe ao seu povo. E, finalmente, ela nos leva à manjedoura, coloca-nos ao pé da cruz onde Cristo morreu levando nosso pecado e reconciliando o mundo com Deus. E, no fim, aponta-nos a gloriosa perspectiva de um novo céu e de uma nova terra, nos quais Deus haverá de habitar com seu povo de uma vez por todas.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal é a “doutrina do desenvolvimento”, e tal é o curso da história segundo as Escrituras. Esta é a expectativa do futuro, e esta é também a esperança e o anseio dos filhos de Deus. Sim, eles preservam esta esperança sem qualquer temor de que sejam dela privados pela ciência. Afinal, que pode a ciência saber acerca do amanhã? De fato, são tolas as expectativas que a ciência utiliza no intuito de abalar a esperança dos cristãos. De fato, não existe escolha alguma, senão aquela entre a ruína de todas as coisas existentes (tal como ensina a ciência contemporânea) e a esperança da glória dos filhos de Deus (tal como proclamada nas Sagradas Escrituras). E será que este é um dilema difícil? É claro que este futuro do Cristo não será realizado, exceto por uma crise e por um conflito violento. Jesus veio à terra não para trazer paz, mas a espada; e para colocar o homem em confronto com seu pai, e filha contra a mãe, e nora contra a sogra. Aqueles da própria casa se enfrentarão. Todavia, o futuro é glorioso e a esperança é certa. Os fundamentos de Deus permanecem corretos, possuindo este selo: o Senhor conhece todos aqueles que são dele. As portas do inferno não prevalecerão contra sua Igreja. O futuro próximo pode bem ser a porção deste século e de satanás, mas o longo prazo pertence com efeito a Cristo. Se nada conhecêssemos além de um autodesenvolvimento imanente, não teríamos fundamento algum para tal esperança. O reino dos céus não veio, nem sequer uma vez, por progresso gradual. Nem será assim no futuro. Não é por baixo, mas lá de cima, que esperamos a justiça e a vida; a bem-aventurança e a glória de Deus. Mas é Cristo, que desceu à terra, que também subiu aos céus, a fim de que completasse todas as coisas. E ele é exaltado a fim de que, um dia, todo joelho se dobre diante dele, e toda língua o confesse como Senhor, para a glória de Deus Pai.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">—–</p>
<p style="text-align: justify;">
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">O autor: Herman Bavinck (1854-1921) é considerado um dos pais do neocalvinismo, tendo sucedido Abraham Kuyper como professor de teologia sistemática na Universidade Livre de Amsterdã. Além de ter escrito a prestigiosa Gereformeerde Dogmatiek (4 vols.), também foi nomeado para o Senado do Parlamento holandês, tendo encorajado os cristãos reformados do seu país a fundar diversas escolas sem usar recursos públicos.</p>
</blockquote>
<blockquote><p>Traduzido por: Lucas G. Freire (Jan. 2010)</p>
<p>Fonte: <a href="http://neocalvinismo.wordpress.com/" target="_blank">http://neocalvinismo.wordpress.com/</a></p></blockquote>
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