O Que Deus Requer de Nós
por João Calvino
Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus. Mq 6.8
É evidente que, quanto aos dois primeiros particulares, o profeta se refere à segunda tábua da lei. Ou seja, praticar a justiça e amar a misericórdia. Não surpreende que Miqueias comece falando do dever de amar, pois embora a adoração a Deus prevaleça a esses dois deveres, e assim deve ser corretamente considerada, a justiça exercida em favor dos homens é a verdadeira demonstração de religião. Por isso, o profeta menciona a justiça e a misericórdia, não porque Deus põe de lado a prioridade — a adoração do seu nome —, mas porque mostra com provas ou ações o que é a verdadeira religião. Em seguida ele acrescenta o que vem em primeiro lugar, isto é, literalmente: “andes humildemente com o teu Deus”. Não há dúvida que o nome de Deus é mais excelente do que tudo no mundo inteiro, por isso a adoração a Deus deve ser considerada como de importância superior a todos os deveres pelos quais demonstramos o nosso amor aos homens. Mas o profeta, conforme eu já disse, não se deteve nos pormenores da ordem de importância. Sua intenção principal era apontar de que maneira os homens devem demonstrar com seriedade que temem a Deus e guardam a sua lei; depois ele fala da adoração a Deus. Mas é especialmente notável o seu modo de falar quando afirma que os homens devem ser humildes para que possam andar com o Deus deles.
Oração
Concede, ó Deus onipotente, que assim como nos fizeste conhecer a tua lei, além do evangelho que também acrescentaste, no qual nos convocas ao teu serviço e nos convidas também com toda benignidade a participar da tua graça; — ó concede que não sejamos surdos ao teu mandamento nem às promessas da tua graça, mas nos submetamos sempre a ti e aprendamos assim a consagrar-te todas as nossas faculdades, para confessarmos de fato que, na tua lei, nos foi entregue a regra de vida santa e religiosa; para que nos apeguemos firmemente às tuas promessas e não permitas que, pelas seduções do mundo ou lisonjas e enganos de Satanás, a nossa mente seja apartada do amor que manifestaste definitivamente para conosco em teu Filho unigênito, no qual nos confirmas diariamente pela doutrina do evangelho, até que ao fim desfrutemos da plenitude desse amor na herança celestial que compraste para nós com o sangue do teu único Filho. Amém.
Fonte: Devotions and prayers of John Calvin, 52 one-page devotions with selected payers on facing pages. Org. Charles E. Edwards. Old Paths Gospel Press. S/d. Pags. 64 e 65. Tradução: Marcos Vasconcelos, novembro/2009.

