YAHWEH versus MARDUQUE

Publicado em 17 de novembro de 2009 – 14:43

por Tiago Abdalla

Diante da derrota de Judá pelos babilônios, com uma boa parte do povo exilado em terra estrangeira e a destruição final de Jerusalém pelas mãos de Nabucodonosor, um questionamento natural, certamente, brotaria no coração dos judeus: “Será que Yahweh é, de fato, o Rei e Deus Soberano da história? Será que Ele teria poder para vencer impérios e trazer seu povo de volta à terra natal?”.  No pensamento do Oriente Médio Antigo, a vitória de uma nação sobre outra não apenas implicava em supremacia militar, mas também, indicava a superioridade do deus vitorioso sobre a divindade do povo vencido, como os babilônios fizeram questão de enfatizar, quando alcançaram sua independência em relação aos assírios e os derrotaram, no final do século VII a.C:

O estado dos acontecimentos mudou quando Nabopolassar, no final do século VII, uma vez mais, reivindicou o controle independente sobre a Babilônia. Marduque triunfou sobre Ashur. Ele, novamente, é o grande deus, o senhor dos deuses, o supremo rei de Igigi, pai de Annunaki – todos os títulos que os assírios gostavam de amontoar sobre Ashur. Pode-se perceber a ansiedade de Nabopolassar em enfatizar a nova ordem das coisas, ao atribuir a Marduque o que, anteriormente, fora reivindicado para Ashur.

A riqueza do império babilônico, seus belos templos e festivais pomposos, além do conforto que desfrutava a comunidade judaica de exilados, indubitavelmente, formavam um quadro tentador para a apostasia hebraica.

Perante tal situação, a mensagem visionária de Isaías (Is 40 – 55) oferecia uma resposta teológica profunda e pertinente ao povo cativo, mostrando Yahweh como o Soberano da história, o Deus supremo e singular.  O texto de Isaías 40.25-26 é um exemplo disto, em que o profeta do século VIII faz uso da polêmica como recurso literário para enfatizar a supremacia de Yahweh sobre os deuses babilônios. Para se entender a polêmica teológico-literária em questão, faz-se necessária uma compreensão adequada do contexto religioso da época.

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O estado dos acontecimentos mudou quando Nabopolassar, no final do século VII, uma vez mais, reivindicou o controle independente sobre a Babilônia. Marduque triunfou sobre Ashur. Ele, novamente, é o grande deus, o senhor dos deuses, o supremo rei de Igigi, pai de Annunaki – todos os títulos que os assírios gostavam de amontoar sobre Ashur. Pode-se perceber a ansiedade de Nabopolassar em enfatizar a nova ordem das coisas, ao atribuir a Marduque o que, anteriormente, fora reivindicado para Ashur.[2]

A riqueza do império babilônico, seus belos templos e festivais pomposos, além do conforto que desfrutava a comunidade judaica de exilados, indubitavelmente, formavam um quadro tentador para a apostasia hebraica.[3]

Perante tal situação, a mensagem visionária de Isaías (Is 40 – 55) oferecia uma resposta teológica profunda e pertinente ao povo cativo, mostrando Yahweh como o Soberano da história, o Deus supremo e singular.[4] O texto de Isaías 40.25-26 é um exemplo disto, em que o profeta do século VIII faz uso da polêmica como recurso literário para enfatizar a supremacia de Yahweh sobre os deuses babilônios. Para se entender a polêmica teológico-literária em questão, faz-se necessária uma compreensão adequada do contexto religioso da época.


[1] BRIGHT, John. História de Israel. 7 ed. São Paulo: Paulus, 2003. p. 425; CALVIN, John. Commentary on the prophet Isaiah. Albany, OR: AGES, 1998. v. 2. p. 71.

[2] JASTROW, Morris. The religion of Babylonia and Assyria. Boston, USA: Ginn and Company, 1893. p. 116.

[3] BRIGHT, John. Op cit. p. 417; RAWLINSON, George. The seven great monarchies of the ancient eastern world. [s.l.]: [s.d]. v. 4. p. 87-88.

[4] Cf. VON RAD, Gerhard. Teologia do Antigo Testamento. 2 ed. São Paulo: ASTE, 2006. p. 663-665.

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