Doutrina/Teologia

13 de abril de 2011

Salmo 1 e 2 sobre Graça Incomum

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Escrito por: Angus Stewart

Nas quatro últimas edições do News, consideramos cinco Salmos (5, 11, 69, 73 e 92) que se opõem à falsa doutrina da graça comum. Mas os Salmos têm muito mais a dizer em defesa da graça soberana, particular e incomum de Deus. Dada a importância desse assunto e o interesse e apoio considerável dos nossos leitores – alguns inclusive mencionando Salmos específicos que desejariam que fossem incluídos – proponho lidar com mais Salmos, começando com o primeiro e o segundo.

A primeira palavra do Salmo 1, tanto em hebraico como em português, é “bem-aventurado”, uma palavra-chave no debate sobre graça comum. Um homem “bem-aventurado” (Sl 1.1) é alguém bendito e tornado feliz pelo fato de Deus o ter trazido à comunhão viva com ele mesmo. Que Deus nos abençoa significa que ele tem uma atitude favorável de graça e de misericórdia para conosco, que ele interna e graciosamente restringe o pecado em nós e que ele nos capacita a fazer boas obras que são agradáveis aos seus olhos por meio de Jesus Cristo. O caminho da bem-aventurança e da felicidade para nós como povo de Deus é aquele da prática da antítese, a separação espiritual dos ímpios – nenhum “andar”, “deter-se”, “assentar” em comunhão com eles (1). O versículo 1 é contrário à noção de muitos defensores da graça comum, os quais afirmam que os crentes devem ser amigos dos incrédulos e deveriam cooperar com os “não cristãos de boa vontade” na construção do reino de Deus sobre a Terra. Embora o versículo 1 declare, negativamente, o que o homem bem-aventurado não faz, o versículo 2 apresenta, positivamente, seu deleite e meditação na Palavra de Deus. Ao evitar o ímpio (1) e banquetear-se com as Sagradas Escrituras (2), o santo fiel é comparado a uma árvore bem regada e frutífera (3).

A segunda metade do primeiro Salmo volta-se para os ímpios (4-6), começando com a declaração simples e devastadora: “Não são assim os ímpios” (4). Contrário ao povo de Deus (1-2), os não convertidos reúnem-se em seu pecado e desprezo pela Palavra de Deus. Enquanto o homem piedoso é “bem-aventurado” (1), “não são assim os ímpios” (4). A atitude de Deus para com eles não é de amor e favor, mas de ira. Jeová não opera graciosamente neles para refrear o pecado e tornar suas obras parcialmente justas aos seus olhos. Eles não produzem nenhum “fruto” bom e não “prosperam” espiritualmente (3). Não existe nenhuma graça comum aqui!

O Salmo 1.6 observa que “o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá”. Obviamente, o Deus onisciente “conhece” os caminhos dos crentes e dos incrédulos, se “conhece” aqui simplesmente significa “estar intelectualmente ciente”. Esse texto está dizendo, portanto, que Jeová “conhece [com o conhecimento íntimo de amor]” o “caminho” (i.e., estilo de vida, comportamento) dos seus santos. O paralelismo hebraico do Salmo 1.6 nos ensina que Deus não “conhece” (i.e., ama) o “caminho” (i.e., estilo de vida, comportamento) dos ímpios; ele odeia o “caminho” deles porque os réprobos são totalmente depravados, assim como todas as suas obras (Pv 6.16-19; Rm 3.10-18). Dessa forma, não somente os ímpios serão condenados no grande dia do juízo (Sl 1.5) e lançados como a palha perante o vento (4), mas Deus detesta tanto o comportamento e estilo de vida deles que até mesmo “o caminho dos ímpios perecerá” (6)!

O Salmo 2 fornece uma excelente refutação da graça comum e do que ela é supostamente capaz de fazer. Os “pagãos” (KJV), os “povos”, os “reis da terra” e os “governos” (1-2) são os judeus, os gentios e seus líderes, Herodes e Pôncio Pilatos, de acordo com Atos 4.25-28.

De acordo com a teoria da graça comum, o império romano e as pessoas com domínio terreno, supremacia militar, prosperidade material, estradas excelentes, jurisprudência desenvolvida e alto nível de civilização foram grandemente abençoadas por Deus. Enquanto os romanos pagãos tinham a graça comum mais politicamente, os judeus incrédulos tinham supostamente a graça comum mais religiosamente (por meio de sua possessão externa da lei e da descendência física de Abraão, etc.).

Mas o que os romanos e judeus ímpios fizeram com todo esse suposto amor de Deus por eles, para eles, sobre eles e neles? O Salmo 2 diz que eles atacaram Jeová e o “seu ungido” (2) ou Messias (do hebraico) ou Cristo (do grego) e pregaram o Filho encarnado de Deus na cruz! Esses supostos promotores da “lei natural” (os romanos) e da lei do Antigo Testamento (os judeus) rejeitaram a lei de Deus e romperam suas “ataduras” e “cordas” (3). Quantas boas obras produzidas pela graça comum!

Será que esses judeus e gentios ímpios frustraram o propósito divino de salvar o seu povo e exaltar o seu Filho? Não! “Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião” (6). Existe algum amor divino por esses incrédulos que receberam tantas coisas boas na providência (não graça) de Deus? Não! O Senhor ri e zomba deles (4). Ele não abençoa ou fala bem deles ou a eles; ele lhes fala “em sua ira” (5). De forma alguma ele está satisfeito com eles ou com suas obras; ele os turba “no seu furor” (5).

A crucificação de Cristo foi seguida por sua ressurreição (7; Atos 13.33) e ascensão à mão direita de Deus (Sl 2.6) e governo sobre todas as nações (8-9). E o que dizer do governo providencial de Cristo sobre os ímpios réprobos? É esse parcialmente um governo de amor para eles e parcialmente um governo de ira santa contra eles? Não, é inteiramente desse último tipo: “Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro” (9). Em termos teológicos, os eleitos estão debaixo do reino de graça de Cristo; os réprobos estão debaixo do seu reino de poder (não graça).

O chamado do evangelho está presente no Salmo 2: “confiem” em Cristo (12), “sede prudentes” e “deixai-vos instruir” (10). “Servi ao SENHOR com temor, e alegrai-vos com tremor” (11). “Beijai o Filho” — um ato de homenagem e submissão — para que não “pereçais” sob o seu furor e “ira”, algo que pode acontecer “em breve” (12).

O Salmo 2 terminar da forma que o Salmo 1 começa, com uma afirmação da bem-aventurança do povo eleito de Deus: “Bem-aventurados todos aqueles que nele confiam” (Sl 2.12). Aqueles que não creem não são bem-aventurados, mas malditos (Gl 3.6-14; Dt 27.11-28.68).

 

Fonte: http://www.cprf.co.uk/crnews/crnmay2010.htm

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – abril/2011



Sobre o Autor

Angus Stewart





 
 

 
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