Doutrina/Teologia

15 de outubro de 2012
 

“O Amor e Eu”: Um Mistério

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Escrito por: C. H. Spurgeon
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Eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles esteja” (João 17.26).

Por várias manhãs de sábado minha mente tem se dirigido para temas que eu poderia com propriedade denominar as profundidades de Deus. Penso que nunca senti mais plenamente a minha incompetência do que ao tentar lidar com aqueles. É um solo em que se pode cavar e cavar o mais fundo que quiser e, ainda assim, jamais exaurir as pepitas de outro que nele jazem. Entretanto, conforto-me com este fato: que tais temas são tão frutíferos que, mesmo que só lhes possamos arranhar a superfície, deles obteremos colheita. Li uma vez sobre as planícies da Índia, que eram tão férteis que você só tinha que coçá-las com uma enxada que elas riam às gargalhadas, e com certeza textos como esse podem ser descritos como igualmente prolíficos, ainda que sob nossa débil lavra. As pérolas aqui jazem tanto na superfície quanto no fundo. Basta procurarmos em sua superfície e mexermos um pouco no solo para nos espantarmos diante da plenitude de riqueza espiritual que está perante nós. Ó, que o Espírito de Deus nos ajude a desfrutar as benditas verdades aí expostas! Eis aqui o tesouro de valor inestimável, mas que fica escondido até que ele o revele a nós.

Veja que este texto é tirado da última oração de nosso Senhor com seus discípulos. Foi como se ele dissesse: “Eu estou para deixá-los, eu estou para morrer por vocês; por um momento não me verão; mas agora, antes de nos separarmos, vamos orar.” É um daqueles impulsos que vocês já sentiram por si próprios. Quando você está para deixar aqueles a quem ama, ficando eles em dificuldade e perigo, talvez, sente que não poderia fazer nada além de dizer, “que nos aproximemos de Deus”. Seu coração de forma alguma encontra um modo de se expressar tão adequado, tão congenial, tão satisfatório quanto se achegar ao grande Pai e expor o caso diante dele. Ora, uma oração de alguém tal como Jesus, nosso Senhor e Mestre; uma oração em uma tal companhia, com os onze que ele havia escolhido, os onze que se haviam associado com ele desde o início; uma oração sob tais circunstâncias, justamente quando ele estava à beira do riacho de Cedrom, para cruzar aquele soturno curso de água, subir ao Calvário e lá entregar sua vida – uma oração tal como essa, tão animadora, sincera, amorosa e divina, merece as meditações mais atentas de todos os fiéis. Convido-os a trazer até aqui seus melhores pensamentos e habilidades para navegar nesse mar. Não é um córrego ou baía, mas o próprio oceano. Não podemos esperar que conseguiremos medir sua profundidade. Isso vale para qualquer frase dessa oração incomparável; mas, para mim, a obra de exposição se torna extraordinariamente pesada, porque meu texto é a conclusão e o clímax dessa maravilhosa súplica: é o mistério central de tudo. Na mais baixa profundeza há ainda ali uma profundeza a mais para descer, e esse versículo é uma daquelas profundezas que excederão ainda mais a fundura restante. Ó, quanto precisamos do Espírito de Deus. Ore pelo orvalhar dele: ore para que suas balsâmicas influências desçam ricamente sobre nós agora.

(Leia o restante do sermão em PDF)



Sobre o Autor

C. H. Spurgeon
C. H. Spurgeon
Charles Haddon Spurgeon (1834-1892), inglês, se converteu aos 15 anos. Pregou pela primeira vez com 17 anos. Aos 19 anos já era pastor na Park Street Chapel, em Londres. Era um devorador de livros e se tornou conhecido como o "príncipe dos pregadores". Sua teologia fluía da palavra de Deus e da experiência com o próprio Deus. Sua vida espiritual e sua teologia estavam em completa harmonia.



 
 

 
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