Ministério da Igreja

5 de janeiro de 2012
 

O Uso do Vinho na Santa Ceia

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Escrito por: Felipe Sabino
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Nota do tradutor: O texto abaixo foi extraído de um documento produzido pela Michiana Covenant Church em 2004.

A Sessão da Michiana Covenant Church sustenta que o uso do vinho na Santa Ceia, tendo sido instituído por Cristo, é conveniente e apropriado. O uso de suco de uva, embora não seja pecaminoso, desvia-se da prática bíblica. Em suporte da nossa posição, oferecemos as seguintes considerações:

O vinho, usado apropriadamente, é uma bênção de Deus

Deus dá “o vinho que alegra o coração do homem”, assim como ele dá “o pão que fortalece o coração do homem” (Sl 104.14,15). Deus promete ao seu povo obediente que Ele o abençoará com uma abundância de vinho (Dt 7.13, 11:14; Pv 3.10). Usado incorretamente, o vinho torna-se uma maldição (Pv 23.29-35). A Bíblia condena uniformemente a embriaguez (1Co 5.11, 6.10; Ef 5.18; Gl 5.21).

Salmos 104.14-15 – “Faz crescer a erva para o gado, e a verdura para o serviço do homem, para fazer sair da terra o pão, e o vinho que alegra o coração do homem, e o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que fortalece o coração do homem.”

Deuteronômio 7:13 – “E amar-te-á, e abençoar-te-á, e te fará multiplicar; abençoará o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, o teu grão, e o teu mosto, e o teu azeite, e a criação das tuas vacas, e o rebanho do teu gado miúdo, na terra que jurou a teus pais dar-te.”

Deuteronômio 11.14 – “Então darei a chuva da vossa terra a seu tempo, a temporã e a serôdia, para que recolhais o vosso grão, e o vosso mosto e o vosso azeite.”

Provérbios 3.10 – “E se encherão os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares.”

1 Coríntios 5.11 – “Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais.”

1 Coríntios 6.10 – “Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.”

Efésios 5.18 – “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito.”

Gálatas 5.21 – “Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.”

O vinho, como mencionado na Bíblia, contém álcool

A Bíblia não traça nenhuma distinção entre vinho e suco de uva ou entre vinho fermentado e vinho não fermentado. O mesmo vinho (hebraico yayin) que deixou bêbado Noé (Gn 9.21), Ló (Gn 19.32-35), Nabal (1Sm 25.37), Assuero (Et 1.7, 10), e outros (Is 28.1, 7; Jr 23.9), foi dado a Abraão por Melquisedeque (Gn 14.18), mantido nos armazéns dos reis de Israel (1Cr 27.27; 2Cr 11.11; Ne 5.18) e permitido a todo o povo de Deus (Dt 14.26).

Gênesis 9.21 – “E bebeu do vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda.”

Gênesis 19.32-35 – Vem, demos de beber vinho a nosso pai…”

1 Samuel 25.37 – “Sucedeu, pois, que pela manhã, estando Nabal já livre do vinho, sua mulher lhe deu a entender aquelas coisas; e se amorteceu o seu coração, e ficou ele como pedra.”

Ester 1.7, 10 – “E dava-se de beber em copos de ouro, e os copos eram diferentes uns dos outros; e havia muito vinho real, segundo a generosidade do rei… E ao sétimo dia, estando já o coração do rei alegre do vinho, mandou a Meumã, Bizta, Harbona, Bigtá, Abagta, Zetar e Carcas, os sete camareiros que serviam na presença do rei Assuero.”

Isaías 28.1 – “Ai da coroa de soberba dos bêbados de Efraim, cujo glorioso ornamento é como a flor que cai, que está sobre a cabeça do fértil vale dos vencidos do vinho… Mas também estes erram por causa do vinho, e com a bebida forte se desencaminham; até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos pelo vinho; desencaminham-se por causa da bebida forte; andam errados na visão e tropeçam no juízo.”

Jeremias 23.9 – “Quanto aos profetas, já o meu coração está quebrantado dentro de mim; todos os meus ossos estremecem; sou como um homem embriagado, e como um homem vencido de vinho, por causa do SENHOR, e por causa das suas santas palavras.”

Gênesis 14.18 – “E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo.”

1 Crônicas 27.27 – “E sobre as vinhas, Simei, o ramatita; porém sobre o que das vides entrava nas adegas do vinho, Zabdi, o sifmita.”

2 Crônicas 11.11 – “E fortificou estas fortalezas e pôs nelas capitães, e armazéns de víveres, de azeite, e de vinho.”

Neemias 5.18 – “E o que se preparava para cada dia era um boi e seis ovelhas escolhidas; também aves se me preparavam e, de dez em dez dias, muito vinho de todas as espécies; e nem por isso exigi o pão do governador, porquanto a servidão deste povo era grande.”

Deuteronômio 14.26 – “E aquele dinheiro darás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, e por ovelhas, e por vinho, e por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; come-o ali perante o SENHOR teu Deus, e alegra-te, tu e a tua casa.”

Jesus usou vinho na Última Ceia

A Última Ceia foi instituída com vinho, não suco de uva. Não havia disponibilidade de suco de uva não fermentado durante a primavera na antiga Palestina, muitos meses após a colheita da uva. Carecendo de refrigeração ou pasteurização, o suco teria fermentado rapidamente. Jesus falou do “cálice” como cheio do “fruto da vide” (Mt 26.29; Marcos 14.25; Lucas 22:18) para designar o vinho usado na Páscoa e na noite do Sabbath. Não existe nenhuma indicação na Bíblia que o nosso Senhor realizou um milagre e criou suco de uva novinho para a primeira Santa Ceia. E fica claro que os apóstolos ensinaram à Igreja o uso de vinho na ceia pelo fato de alguns ficarem embriagados na celebração da Santa Ceia (1Co 11.21).

Mateus 26.29 – “E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai.”

Marcos 14.25 – “Em verdade vos digo que não beberei mais do fruto da vide, até àquele dia em que o beber, novo, no reino de Deus.”

Lucas 22.18 – “Porque vos digo que já não beberei do fruto da vide, até que venha o reino de Deus.”

1 Coríntios 11:21 – “Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome e outro embriaga-se.”

A importância do vinho na Santa Ceia

O vinho, muito mais do que o suco de uva, simboliza o sangue de Cristo, que foi derramado por nossos pecados. É o corpo glorificado e o sangue de Cristo que nos trazem a bênção do eschaton. A semelhança do vinho com o sangue de Cristo não encontra-se apenas em sua cor, mas de maneira mais importante em seu poder para alegrar o coração do homem.

É por isso que o conteúdo alcoólico do vinho, resultado da transformação pela fermentação, é importante. A “glorificação alcoólica” do suco de uva tem importância teológica e escatológica. Da mesma forma que o fraco suco de uva dá lugar para o vinho da bênção, a antiga aliança dá lugar para a nova e melhor aliança. O suco de uva está morto, mas o vinho passou da vida para a morte por meio da fermentação.

A pasteurização, processo criado pelo homem através do qual o suco de uva é fabricado, interrompe o processo de fermentação ordenado por Deus, matando o agente daquela transformação. Há uma conexão entre a produção moderna de suco de uva e a hermenêutica moderna extra-bíblica que requer o uso desse suco na Santa Ceia, ambas inovações do século 19. Ao burlar o desenvolvimento do suco de uva em vinho, mutilamos o significado biblicamente atribuído deste cálice de bênção.

Portanto, a sessão determinou o retorno da prática de usar vinho na Ceia do Senhor. Todavia, para o bem daqueles que possuem consciências fracas, a sessão também mantém o uso do suco de uva por enquanto.

 

Fonte: The Pattern of Worship at Michiana Covenant Church.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – 04de janeiro de 2011.



Sobre o Autor

Felipe Sabino
Felipe Sabino
O autor é Bacharel em Ciências da Computação pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e mestre em Filosofia (Conceito CAPES 5) pela Universidade de Brasília (UnB). Presbiteriano por convicção, é membro da IPB desde 2002. É atualmente Presbítero da Igreja Presbiteriana Semear (Brasília-DF).



 
 

 
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