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Autor Tópico: Cristo desceu ao inferno?  (Lida 29851 vezes)
Neto
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"O povo... viu uma grande luz" Is 9.2 e Mt 4.16


« : Junho 12, 2009, 04:54:43 »

Estava lendo um texto interessante do John Piper, que falava sobre um tema que justamente EU estava em dúvida:

Dizem que Jesus desceu ao inferno, ficou 3 dias lá, pregou, tomou as chaves das mãos do diabo e, depois, ressuscitou.

Dois textos parecem afirmar que Jesus desceu ao inferno:
Efésios 4:9 - "Ora, isto - ele subiu - que é, senão que também desceu às partes mais baixas da terra?"
e
1 Pedro 3.18-20 - "Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito; no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas se salvaram através da água,"

Tenho certeza de que os irmãos já ouviram esse ensino, de que "Jesus ficou 3 dias no inferno". O R. R. Soares (e outros pregadores por aí) tem a audácia de afirmar que Ele [Jesus] teve que ficar 3 dias no inferno, ainda pagando os nossos pecados!!!! A Cruz não foi suficiente?? ? ??

O que os irmãos acham? Pela Palavra, podemos dizer que Jesus foi mesmo ao Hades e retornou?

Obs: Depois posto o texto do Piper!  Piscar
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“A vida má não causa grande dano a não ser a si mesma, mas o ensinamento errado é o maior mal neste mundo, porque leva multidões de almas ao inferno. Não estou preocupado se és bom ou mau, mas eu atacarei teu ensinamento venenoso e mentiroso que contradiz a palavra de Deus.”
Martinho Lutero!
Paulo Sérgio de Araújo
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« Responder #1 : Junho 12, 2009, 10:19:24 »

Salve, amado irmão Neto! Beleza?



     Meu querido, dê uma olhada em outro texto que mostra que a alma de nosso Senhor foi, sim, ao Sheol/Hades, e lá ficou durante os três dias em que Seu corpo ficou no sepulcro. Em sua pregação à multidão no dia de Pentecostes, o apóstolo Pedro (citando o Salmo 16) disse acerca da ressurreição de Jesus:

Pois não deixarás a minha alma no hades, nem permitirás que o teu santo veja a corrupção...  Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no hades, nem a sua carne viu a corrupção. (At 2.27, 31)

     Assim, a alma de Cristo foi ao "inferno" (= Sheol/Hades), ficando no compartimento reservado aos justos, conhecido por "seio de Abraão" (Lc 16.22, 23)/"paraíso" (Lc 23.43). Ou seja, Jesus não ficou no compartimento dos perdidos, sofrendo por nossos pecados. O sofrimento dEle deu-se somente na cruz.

     Agora, o que Jesus fez durante aqueles três dias em que esteve no Sheol/Hades -- ainda mais quando sabemos que Ele "pregou aos espíritos em prisão" (1Pe 3.18-20) -- é uma questão bem difícil, Neto.  A dificuldade desse trecho reside, sobretudo, em sabermos a identidade desses "espiritos em prisão".  Porém, há uma segunda dificuldade: saber
o teor dessa pregação que Jesus fez.       
     As duas interpretações que mais se encaixam ao trecho de 1Pedro 3.18-20, e que parecem ter mais sentido, são as que defendem que esses "espíritos em prisão" eram anjos caídos OU espíritos de pessoas ímpias que haviam morrido nos dias de Noé.   
     Via de regra, aqueles que dizem que esses "espíritos em prisão" eram anjos caídos associam esses anjos aos "filhos de Deus" de Gênesis 6.1-4, que teriam praticado relações sexuais com mulheres (Jd 6, 7), e que por isso teriam sido encarcerados no tártaro (2 Pe 2.4).   
     Particularmente, tenho a tendência (não a certeza, haja vista a dificuldade do texto) de acreditar que esses "espíritos em prisão" eram espíritos de pessoas ímpias.   Entretanto, também acho bastante possível que tais seres sejam anjos caídos.   Em síntese, tenho 51% de certeza de que esses "espíritos em prisão" são espíritos de homens, e 49% de certeza de que são anjos caídos... rs Estou, digamos, quase em cima do muro... rs
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Bunyan
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« Responder #2 : Junho 12, 2009, 11:46:31 »

A Paz do Senhor!

Olha só não podemos esquecer do versículo anterior, Ef 4:8 - "Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E deu dons aos homens."

Creio que Jesus não só desceu ao inferno como levou o "Seio de Abraão" à sua presença, trazendo separação total entre este e o Sheol. Só não acredito muito no equívoco de alguns cristãos que falam que "houve festa" no Inferno quando Jesus morreu na cruz.
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Raniere Menezes
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« Responder #3 : Junho 13, 2009, 01:10:35 »

Recomendações de literatura reformada sobre o assunto para pesquisa:

“Descendit ad Inferna”: Uma Análise da Expressão “Desceu ao Hades” no Cristianismo Histórico, Heber Carlos de Campos: http://www.thirdmill.org/files/portuguese/13874~9_19_01_10-42-34_AM~heber1.htm

Cristo Desceu ao Inferno? John Piper: http://www.monergismo.com/textos/inferno/Cristo-desceu-inferno_piper.pdf

Tenho a revista Os Puritanos especial sobre esse tema do tópico, se alguém desejar me peça por e-mail, o arquivo tem 3megas, envio na hora. Piscar
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CARLOS ANTUNES
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« Responder #4 : Junho 13, 2009, 12:37:13 »

BOM DIA COMPANHEIROS DE LUTAS.

NÃO CONCORDO COM O PARECER DE ALGUNS IRMÃOS SOBRE O ASSUNTO. QUE É MUITO DIFÍCIL E VAGO NAS ESCRITURAS.

BASTA RESSALTAR, POR EXEMPLO, QUE O SENHOR JESUS DISSE NA CRUZ:
1) HOJE MESMO ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO (PARA O LADRÃO);
2) EM TUAS MÃOS ENTREGO MEU ESPIRÍTO (PARA O PAI).

ESTAS DUAS FRASES NÃO DÃO BRECHA PARA QUE O SENHOR JESUS ESTIVESSE NO INFERNO POR 03 DIAS.


CREIO QUE A PRÓPRIA MENSAGEM PODEROSA DA CRUZ, MINISTROU AOS ESPIRITOS EM PRISÃO. A MENSAGEM DA CRUZ JUNTAMENTE COM A RESSURREIÇÃO, SÃO FATOS POUCO ENTENDIDOS NO MEIO EVANGÉLICO.

É BOM LER OS LIVROS DE JONH STOTH SOBRE ESSE ASSUNTO. (A CRUZ DE CRISTO )

ESPERO TER AJUDADO OU COLOCADO MAIS LENHA NA FOGUEIRA.
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« Responder #5 : Junho 13, 2009, 01:35:49 »

Este é um dos argumentos contra a descida: "HOJE MESMO ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO (PARA O LADRÃO)"

***

Gostaria de perguntar aos que creem na descida, vamos chamar assim:

Qual o propósito de Cristo pregar no inferno?
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Bunyan
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« Responder #6 : Junho 13, 2009, 02:04:43 »

Este é um dos argumentos contra a descida: "HOJE MESMO ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO (PARA O LADRÃO)"

***

Gostaria de perguntar aos que creem na descida, vamos chamar assim:

Qual o propósito de Cristo pregar no inferno?

Acredito em uma pregação "retórica", apenas por testemunho.  Outra coisa... Tanto no céu como no inferno não existe tempo. Prá quem tava vivo foram três dias, prá quem morreu (como o ladrão) o mesmo dia, segundo ou minuto.

Tem algo que me deixa encucado... só uma pergunta: e aqueles que ressuscitaram no dia da ressurreição de Cristo, quem são?
"E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados;
 E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos." (Mateus 27:52,53)

« Última modificação: Junho 13, 2009, 02:09:44 por Bunyan » Registrado
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« Responder #7 : Junho 13, 2009, 02:58:57 »

Sobre os que ressuscitaram é melhor abrir um novo tópico! Piscar

Bunyan, "pregação retórica, apenas por testemunho" não faz sentido! Qual o propósito?
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« Responder #8 : Junho 13, 2009, 04:11:16 »

Dizer que Cristo pregou durante o período entre a sua morte e sua ressurreição é perigoso  pois leva a algumas doutrinas malignas.

Quem são esses espíritos e que prisão é esta?

Alguns dizem que se trata de espíritos malignos (demônios) ou as almas de pessoas condenadas no inferno.

Outros pensam que sejam as almas do povo do AT, como se fosse uma “sala de espera” que aguardava Cristo.

Se qualquer dessas posições estiver correta, o que teria pregado Cristo a eles?

Será que Cristo veio anunciar que sua obra estava consumada e aqueles ouvintes agora poderiam sair do Hades e ir ao Céu? (muitos pensam assim).

Outros pensam que Cristo desceu ao Hades para anunciar a condenação dos ímpios e dos demônios, agora estava tudo selado para sempre, pois Ele triunfou sobre Satanás! (muitos pensam assim). – Se esta pregação tivesse um título poderia ser: “O profundo tormento do inferno, a pregação mais tenebrosa de todos os tempos”.

Apesar de tantas especulações, há somente uma pista: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43).

Em Lucas 16.23,25 não há nenhuma sala de espera.

A Bíblia desconhece qualquer pregação aos mortos, seja aos mortos abeçoados ou aos mortos condenados.

Por que haveria pregação no inferno? Hein???

Pregacão é um meio de graça aos homens enquanto ainda estão num estado de prova nesta vida presente. Uma vez que nossa condição espiritual for selada pela morte estamos além de qualquer possibilidade de mudança. Se é assim, então pregação não teria valor nenhum, pois a pregação tem como fim transformar o homem.

Pensar de outro modo é dar brecha para a criação de um Purgatório ou um tipo de purgatório.

Aqui temos uma pista:

1 Pe 4.6 -- pois, para este fim, foi o EVANGELHO PREGADO também a mortos, para que, mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus.

EVANGELHO PREGADO! (se entrarmos no propósito da pregação teremos duas cosmovisões: teocêntrica (monergística) e antropocêntrica (sinergística), ou seja, o homem pode ou não reagir a pregação, ativa ou passivamente! – Isso muda muda coisa, pois se Cristo pregou o Evangelho para os não-eleitos foi uma pregação muito estranha. Se a visão for arminiana, aí faz sentido: pois Cristo ta dando mais uma chance para os que rejeitaram a sua Palavra em vida. (Quem não ia aceitar para poder sair do inferno?).

É importante lembrar que o pano de fundo para o pensamento de Pedro é a iminência do Dia do Juízo.

O Evangelho foi pregado enquanto as pessoas estavam vivas, antes do juízo!

O contexto aponta que, como nos dias de Noé, há um juízo divino que se posta sobre o mundo contemporâneo, pelo que urge pregar e conduzir-se fielmente enquanto há tempo (4.7, 17-18).

Cristo pregou o evangelho as pessoas que estavam em prisão e morte espiritual!
Cristo continua pregando aos que estão mortos agora!

Lutero achava esta passagem a passagem mais obscura da Bíblia, chegou ao ponto de dizer que não sabia o que Pedro quis dizer. Rsrs Sorriso forçado

Há muitas interpretações sobre esta passagem ao longo da história. Não é um texto fácil!

O que posso resumir com base em algumas pesquisas hermenêuticas:

1.   Descarto a idéia que Cristo pregou para oferecer uma segunda chance de crer.
2.   Não vejo o porquê Cristo ter ido ao inferno proclamar a sua vitória e selar a condenação dos ímpios.
3.   Acho estranho que Cristo tenha ido pregar para os que morreram no Dilúvio e os retirou da “sala de espera”.
4.   Igualmente estranho que Cristo tenha ido pregar aos demônios para demonstrar sua vitória.
5.   Creio que Cristo pregava no AT através dos patriarcas, dos profetas, assim como pregou em seus dias de peregrinação aqui na terra e prega ainda hoje.

Informação importante:

Embora esteja incluído no Credo Apostólico em uso desde muitos séculos, de fato, não formou parte do credo até o ano 390, o que não é exatamente uma prova de sua ortodoxia primitiva! (Paul Wickham)

***


Talvez não seja uma resposta completa mas é uma direção para uma compreensão verdadeira.
Piscar
« Última modificação: Junho 13, 2009, 08:04:43 por Raniere Menezes » Registrado
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« Responder #9 : Junho 13, 2009, 07:31:58 »

Bom... enquanto não chegarmos a verdade absoluta (risos), fico com a opção 4. Acho que faz sentido. Partindo do ponto de vista da história de Jó, faz sentido.
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« Responder #10 : Junho 13, 2009, 07:45:05 »

Pregar aos demônios?

Pregou o Evangelho?
« Última modificação: Junho 13, 2009, 07:46:47 por Raniere Menezes » Registrado
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« Responder #11 : Junho 13, 2009, 07:51:33 »

Visão da Tradição Reformada

Na teologia reformada, a expressão “desceu ao Hades” é muitas vezes omitida inteiramente do Credo dos Apóstolos. Quando, todavia, a expressão aparece, ela substitui “sepultado,” sendo a palavra Hades entendida como uma referência ao “sheol,”43 a região dos mortos, ou como uma referência ao estado de morte.44 Outras vezes, como pensa Calvino, o Hades significa o sofrimento e morte de Jesus como expressão do recebimento da justiça divina.

Calvino sustentava que a descida ao Hades foi a experiência das dores do inferno na alma de Jesus, enquanto o seu corpo ainda estava pendurado na cruz, especialmente a experiência da ira divina contra o pecado que ele suportou no lugar dos seres humanos, que se evidencia numa dor espiritual resultante do abandono de Deus. Ali na cruz, Cristo tomou sobre si as dores da punição que eram devidas a todo o seu povo.45

Estas idéias de Calvino foram transmitidas a alguns segmentos da Igreja da Inglaterra, no período do rei Eduardo VI, através dos ensinos do bispo anglicano John Hooper, que assim comentou a cláusula descendit ad inferna do Credo Apostólico, por volta de 1549:

Eu creio também que enquanto ele estava sobre a dita cruz, morrendo e entregando o seu espírito a Deus seu Pai, ele desceu ao inferno; isto quer dizer que provou verdadeiramente e sentiu a grande aflição e peso da morte, e igualmente as dores e tormentos do inferno, o que quer dizer a grande ira de Deus e o seu severo julgamento sobre si, até ter sido totalmente esquecido por Deus... Este é simplesmente o meu entendimento de Cristo em sua descida ao inferno.46

Toda a tradição reformada sustenta, em alguma medida, o que foi dito acima, com algumas pequenas variações, mas sem qualquer prejuízo do entendimento geral de que a descida de Cristo ao Hades deve ser entendida como algo que aconteceu enquanto ele estava sob a ira de Deus no Calvário ou, no máximo, quando foi sepultado.

Heber Campos.
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« Responder #12 : Junho 13, 2009, 07:52:04 »

Bom dia Companheiro "Bunyan".

Vc disse:  Bom... enquanto não chegarmos a verdade absoluta (risos), fico com a opção 4. Acho que faz sentido. Partindo do ponto de vista da história de Jó, faz sentido

Gostaria de saber o seu ponto de vista com o que tem a ver a história de Jó, pertinente ao assunto.


A propósito RANIERE, excelente sua abordagem referente ao assunto.
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« Responder #13 : Junho 13, 2009, 08:01:37 »

O que a fé reformada aceita

A fé reformada também aceita o Credo Apostólico como expressão da fé genuína dos pais da igreja. Contudo, o entendimento dos reformados com respeito ao Hades é diferente do de muitos cristãos evangélicos. Os símbolos de fé reformados explicam o sentido da expressão “desceu ao Hades,” inserida no Credo de Aquiléia no quarto século, como uma expressão substitutiva para descrever o que aconteceu a Jesus Cristo, como nosso representante, na cruz.

Observe-se a resposta à pergunta 44 do Catecismo de Heidelberg:

P. Por que se acrescentou: “Ele desceu ao Hades”?

R. Para que em minhas maiores tribulações eu possa estar seguro de que Cristo, meu Senhor, através de indizíveis terrores, dores e angústias que sofreu em sua alma na cruz e antes dela, redimiu-me da angústia e dos tormentos do inferno.

Veja-se a resposta do Catecismo Maior de Westminster à pergunta 50:

P. Em que consistiu a humilhação de Cristo depois da sua morte?

R. A humilhação de Cristo, depois da sua morte, consistiu em ser ele sepultado, em continuar no estado dos mortos e sob o poder da morte até ao terceiro dia, o que, aliás, tem sido expresso nestas palavras: Ele desceu ao inferno (Hades).

De maneira diferente do Catecismo de Heidelberg, o Catecismo de Westminster interpreta o Hades como sendo sepultura ou, ainda melhor, o estado de morte.

Contudo, entre os escritores reformados prevalece a idéia dos símbolos combinados. A significação de Hades, no Credo Apostólico, é a de que Jesus Cristo experimentou a condenação divina que se evidencia na humilhação de morrer e ser sepultado, ficando sob o poder da morte, mas tais escritores incluem, sobretudo, os seus sofrimentos agonizantes antes e durante o tempo que passou na cruz. Experimentar o inferno é experimentar o doloroso abandono da presença confortadora de Deus. Foi exatamente isso que Cristo experimentou. A ira de Deus desceu sobre o Filho encarnado e se manifestou não somente nas dores infernais do seu corpo, mas também nas angústias infernais que se apoderaram de sua alma. Portanto, Jesus nunca desceu ao Hades literal e espacialmente, mas experimentou intensivamente todas as coisas que o Hades representa, descritas acima. Ele experimentou o inferno antes da morte e na própria morte, mas nunca depois dela, numa viagem de final-de-semana a um lugar chamado Hades.

Por causa da experiência infernal que Cristo teve em face do juízo divino, aqueles por quem ele morreu são libertos para sempre da condenação do inferno. É esse o sentido que os reformados dão para a frase descendit ad inferna. Nessa obra libertadora de Jesus Cristo nos regozijamos e por ela a Deus bendizemos!

Heber Campos


Também fiquei curioso com a afirmação de Bunyan, aguardo resposta.
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"O povo... viu uma grande luz" Is 9.2 e Mt 4.16


« Responder #14 : Junho 13, 2009, 10:56:35 »

Antes de eu comentar qualquer coisa, vou postar o texto original que eu lí:

Cristo desceu ao Inferno?

Por Jonh Piper

Há duas passagens no Novo Testamento que, tomadas de certa forma, pareceriam indicar que Cristo desceu ao inferno. Uma está em Efésios 4:9, onde é dito que Cristo desceu às partes mais baixas da terra. Isso provavelmente significa que ele desceu à terra, que é as partes mais baixas. O “da” ali não significa que ele estava afundando na terra. Assim, não penso que o texto garanta a interpretação que ele desceu ao inferno.

O outro texto é 1 Pedro 3:18-20, onde é dito que Cristo foi pregar aos espíritos que agora estão em prisão. Isto é, eles tinham morrido – tendo vivido nos dias de Noé – e estão agora em prisão; e Cristo foi pregar a eles. Alguns tomam isso como significando que entre a Sexta Feira da Paixão e o Domingo da Ressurreição, Cristo desceu ao inferno e pregou o evangelho ali. Mas tampouco penso que esse seja o significado desse texto. Acredito que ele significa que, quando essas pessoas estavam vivas nos dias de Noé, o Espírito de Cristo pregou a eles através da pregação de Noé; e agora eles estão em prisão.

Assim, minha conclusão é que não existe nenhuma base textual para crer que Cristo desceu ao inferno. De fato, ele disse ao ladrão sobre a cruz: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.” Essa é a única pista que temos quanto ao que Jesus estava fazendo entre a morte e a ressurreição. Ele disse, “Hoje — na tarde dessa Sexta, após estarmos mortos — você e eu estaremos no Paraíso juntos.” Não penso que o ladrão foi ao inferno e que o inferno seja chamado Paraíso. Acredito que ele foi para o céu, e que Jesus estava ali com ele.

Dessa forma, eu não digo aquela frase “ele desceu ao inferno [hades]” quando recito o Credo Apostólico. Estude você mesmo e veja se encontra outros fundamentos para tal afirmativa. Quanto a mim, diria que o fundamento para essa sentença particular no Credo Apostólico é, biblicamente falando, muitíssimo fraco.

Extraído do site Desiring God


Texto do Blog Sola Scriptura (http://armandomarcos.blogspot.com/2009/06/cristo-desceu-ao-inferno.html)
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