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11 de setembro de 2012
 

O Juízo Final vs. Relativismo

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Escrito por: Gary North
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A doutrina do Juízo Final de Deus testifica contra todas as formas de relativismo. É por isso que o liberalismo secular rejeita esta doutrina cristã. O conservadorismo secular também. A doutrina do Juízo Final de Deus anuncia que certas ideias são eternamente verdadeiras e, portanto, que outras ideias são eternamente falsas. Deus irá impor sanções negativas irreversíveis contra aquelas pessoas que acreditam em determinadas doutrinas teologicamente incorretas, como a negação das seguintes verdades: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. (Jo 3.36) “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. (Jo 14.6) A doutrina do Juízo Final faz com que os transgressores do pacto fiquem sem escapatória. Não há saídas. Não haverá acordos judiciais no Dia do Juízo.

O Juízo Final de Deus é o fundamento dos julgamentos temporais dos homens. A habilidade dos homens de julgarem corretamente somente existe porque os homens são criados à imagem de Deus. Os homens podem exercer juízo preliminar porque Deus irá exercer o Juízo Final. Se Deus não irá exercer o Juízo Final então todos os julgamentos humanos não tem fundamento moral ou estético. Tudo que os homens fizessem seria sugado pelo relativismo e impessoalidade cósmica.

Há três visões científicas sobre a história cósmica, a parte da doutrina da Criação e Juízo Final. A primeira é a morte térmica do universo. Esta é a posição cosmológica mais popular em nossos dias. Defende que o mundo está se acabando. Se estiver, então seu fim será o triunfo da insignificância e impessoalidade do zero absoluto sobre toda a vida e sobre todo processo natural que supostamente pode levar a vida no cosmos. A segunda visão mais popular é a ideia da história cíclica. Tudo se repete. A versão da ciência cósmica desta doutrina antiga é a eterna expansão e contração do universo. E a terceira é a visão da criação e destruição contínua. Átomos de hidrogênio aparecem e desaparecem do nada. (Esta teoria estacionária do universo não é popular entre cientistas. Foi dificultada pela falha dos satélites orbitais em detectar a radiação que a teoria exige). Todas as três visões refletem uma impessoalidade cósmica. Não há Deus para imputar sentido a história ou natureza.

A ideia de imputação é a ideia de julgamento. Imputar é exercer juízo. Os homens avaliam o sentido, propósito ou papel histórico deste ou daquele evento. Como poderiam fazer isso com base na própria autoridade? Qual sentido, propósito ou papel tem o julgamento de qualquer pessoa? Depois que ele morrer, qual sentido, propósito ou papel sua vida de julgamentos possuirá em retrospectiva? Quais de seus sucessores temporais determinará isso com autoridade? Como qualquer sucessor poderá impor seus julgamentos retroativamente? Ele também é mortal. Ele morrerá. O último juiz humano no processo terá a última palavra. Mas, se ele também, enfim, for engolido pela insignificante e impessoal força natural da morte, então ninguém terá a palavra final. Tudo acabará sendo revelado como sem sentido quando não há agente capaz de exercer juízo retrospectivamente.

O homem moderno prefere declarar uma doutrina oficial de relativismo. Ele declara essa doutrina com autoridade. “Tudo muda, nada é permanente”. Esta é uma visão revisada da doutrina de Heráclito de que, na história, tudo flui. “A mudança é a essência da realidade”. Mas isso significa um mundo sem significância final, um mundo sem julgamentos fixos. Isso significa o triunfo do relativismo. O homem pagão moderno imita o pagão da antiguidade e prefere o relativismo em vez do Juízo Final de Deus. O relativismo é o transgressor do pacto dizendo para si mesmo em seu próprio “juízo final”: “Inocente!”.

Relativismo Cristão

A apresentação do Evangelho – as boas notícias de Jesus Cristo – necessariamente envolve a doutrina do Juízo Final por Jesus Cristo: a notícia terrível. As sanções positivas da salvação de Deus sobre alguns somente faz sentido no contexto das sanções negativas da condenação de Deus sobre outras pessoas. Portanto, os cristãos devem exercer um juízo preliminar contra aqueles que rejeitam a doutrina da expiação substituta de Cristo. Eles dizem aos ouvintes: “Nenhuma decisão é, na verdade, uma decisão: uma decisão contrária”. Estão certos. Julgamento é um conceito inevitável. Ao ignorar Jesus Cristo, os homens estão exercendo juízo contra Ele. Nenhuma decisão é também uma decisão. O pecado original começa com uma decisão contra Cristo. Cristãos pressupõe isso quando anunciam o direito legal de Cristo sobre seus ouvintes.

Ao mesmo tempo, cristãos sentem-se ressentidos com os julgamentos feitos contra eles por outros cristãos. Acusam seus críticos cristãos de serem muito críticos, como fariseus. Dizem que estão com Jesus contra o farisaísmo. Eles não se fazem a seguinte pergunta decisiva: “Sob que base legal Jesus acusou os fariseus se não foi sua visão correta sobre Deus, o homem, a Lei, sanções e o tempo?” Julgamento é um conceito inevitável.

A questão divisória aqui não é a existência de julgamento. Julgamento é inevitável. Não existe neutralidade na vida. A questão é se o julgamento é correto ou não: a legitimidade da autoridade do juiz para exercer juízo, a autoridade de seus padrões, a precisão de sua aplicação destes padrões sobre eventos e ideias específicas. Cristãos ingênuos preferem citar Mateus 7.1: “Não julgueis, para que não sejais julgados”. Eles não compreendem que Jesus deu este aviso no Sermão da Montanha, no qual ele emitiu sanções verbais negativas e positivas. Eles não compreendem que Jesus estava convocando seus discípulos para exercer julgamentos de forma bíblica como afirmação do direito de ser julgado de forma bíblica:

“Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão”. (Mateus 7.1-5)

O que Ele queria não era afirmar a necessidade moral de não julgar lascas nos olhos dos outros. O que ele queria mostrar é que críticos precisam julgar com precisão a condição visual dos próprios olhos como um passo preliminar para julgar a condição visual dos outros. Mas muitos cristãos são cegos quanto a isso. Eles livremente julgam o status judicial de não cristãos, mas depois relegam questões morais e doutrinárias a um status periférico na Igreja. Este é um posicionamento esquizofrênico, mas é popular.

Todo cristão quer ficar na sua zona de conforto moral, teológico e estético ao mesmo tempo em que exerce juízo contra os antinomistas a sua esquerda e os legalistas a sua direita, cuja autoridade ele rejeita. Mas a seguinte pergunta epistemológica é inevitável: Qual é o padrão? Católicos Romanos expulsaram a Igreja Ortodoxa em 1054. O Leste respondeu da mesma maneira. Os Protestantes deixaram o Catolicismo Romano no século dezesseis. Mais anátemas mutuas por toda parte.

A Primeira Carta de Paulo aos Coríntios

A epístola lida com a importância de exercer juízo: dentro da Igreja e contra o mundo. Paulo pressionou a Igreja a se posicionar contra uma pessoa que havia cometido incesto (capítulo 5). Ele também mandou que eles evitassem ir a tribunais seculares para resolver disputas com outros cristãos (capítulo 6). Em nenhum dos dois casos, ele manda que evitassem julgamentos.

A epístola é baseada na necessidade de exercer juízo na vida, começando com o juízo de si mesmo. Por que isso é necessário? Por causa do Juízo Final de Deus. “A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo”. (I Co 3.13-15)

Ray Sutton costumava dizer que a melhor maneira para um pastor novo dividir a congregação é começar seu ministério na Igreja com uma série de sermões sobre I Coríntios. Não tenho dúvidas de que a constatação de Sutton é correta. Ele recomenda começar com um dos Evangelhos. Isso é sábio se o objetivo do pastor for evitar divisões na congregação. Mas não estou persuadido de que este é sempre o objetivo correto. Algumas congregações precisam se dividir rápido pelo poder divisor da mensagem bíblica de julgamento. A unidade que Paulo proclama no capítulo 12 só poderia existir pela imposição de excomunhão no capítulo 5.

Sutton também recomenda que a Ceia seja semanal, mas ele diz que isso também causa divisão: o meio eclesiástico de impor as sanções de Deus. As sanções que Deus trás por meio do sacramento da Ceia do Senhor não podem ser evitadas. Paulo, no capítulo 11, avisa sobre o perigo de tomar a Ceia em pecado: Sede meus imitadores, como também eu de Cristo. “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem. Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados”. (I Co 11.1-31) As sanções de Deus são verdadeiras. É importante julgar a si mesmo como meio de evita-las.

A Igreja é limpa do pecado e pecadores por meio de pregações que falam da inevitabilidade do Juízo, da Ceia que trás o Juízo e da disciplina formal previsível. Estas são as três marcas de uma igreja fiel. Sem o juízo piedoso não há uma igreja. Há somente um encontro semanal.

 

 

Tradução: Frank Brito

Fonte: Juízo e Domínio – Um Comentário de I Coríntios



Sobre o Autor

Gary North
Gary North
Dr. Gary North recebeu o seu título de Ph.D. em História pela Universidade da Califórnia, em 1972. Já escreveu inúmeros livros, abordando temas como teologia, economia, ética e história.



 
 

 
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