Academia Monergista

O Significado da Justificação por Joseph Mizzi

By 10 de agosto de 2018 No Comments

“O que justifica o perverso e o que condena o justo abomináveis são para o Senhor, tanto um como o outro.” (Provérbios 17.15)

Nós naturalmente ficamos indignados diante da injustiça. Deus, que é perfeitamente justo, detesta a injustiça ainda mais do que nós.

O papel do juiz é simples: eles devem ser justos e imparciais. “Em havendo contenda entre alguns, e vierem a juízo, os juízes os julgarão, justificando ao justo e condenando ao culpado” (Deuteronômio 25.1). Depois de considerar a evidência, o juiz deve decidir se o acusado é culpado de violar a lei. Se sim, ele deve prolatar uma sentença condenatória. O juiz deve condenar o perverso. Por outro lado, se o acusado tivesse cumprido o padrão da lei, o juiz deveria justificá-lo. Ele deveria pronunciar um reconhecimento dele como justo e livrá-lo de qualquer penalidade. Isso é justiça.

Pelo contrário, é uma injustiça flagrante quando um juiz “justifica o perverso” ou “condena o justo”, como às vezes acontece nos tribunais humanos. “O que justifica o perverso e o que condena o justo abomináveis são para o Senhor, tanto um como o outro” (Provérbios 17.15). Podemos ter certeza de que isso nunca vai acontecer no tribunal de Deus.

Mas isso não é muito reconfortante para nós já que somos todos transgressores da lei. Todos nós temos pecado. Tomos temos desobedecido aos mandamentos de Deus, Todavia, a Bíblia fala de Deus justificar o ímpio!

O que isso significa? Quer dizer que Deus nos torna justos? Não. Justificar não significa “tornar justo”, mas, como vimos, a justificação ´uma sentença judicial, uma declaração de que a pessoa é “justa” e “não culpada”. Se “justificar o ímpio” significa que o juiz o torna justo, isso certamente seria uma coisa boa de se fazer e não algo “abominável” para o Senhor. Mas esse não é o trabalho do juiz. Ele não torna o acusado bom ou mau, mas simplesmente prolata uma sentença sobre ele.

“Justificar” é o exato oposto de “condenar”. Quando um juiz condena um criminoso, ele não o torna ruim, mas simplesmente afirma o que ele realmente é. Semelhantemente, quando um juiz justifica uma pessoa, ele não o torna inocente, mas simplesmente o declara como tal. A justificação, então, não significa “tornar justo”, mas “declarar justo”.

A implicação é mais séria. Nunca podemos ser justificados perante Deus se Ele simplesmente lidar conosco apenas com base na justiça. Deus seria injusto e falso se Ele nos declarasse justos. Como o salmista, precisamos admitir perante Ele: “Se observares, Senhor, iniquidades, quem, Senhor, subsistirá?” (Salmos 130.3).

Nenhum de nós será justificado com base no nosso histórico moral. Precisamos recorrer à misericórdia e graça de Deus, mas ainda sabemos que Deus não pode ser e nunca seria injusto no seu trato conosco. Há alguma solução para este dilema? Sim, a justiça e a misericórdia se abraçam no Evangelho de Jesus Cristo. Deus age tanto como um Juiz quanto como um Redentor, em perfeita justiça e maravilhosa graça.

Este é o capítulo 2, do livreto Right with God de Joseph Mizzi.

Tradução por Guilherme Cordeiro.

Foto: Joseph Barrientos.