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Guilherme

Casamento e FamíliaVida Cristã

Sexo por Peter Leithart

Os cristãos entendem o sexo errado quando começam da ponta errada. Começamos com os desejos, paixões, impulsos biológicos e “necessidades” humanas. Eles são tratados como dados, como a realidade natural que é a condição de base da sexualidade humana. Então chegamos na Bíblia e encontramos, para a nossa surpresa, que Deus coloca todo tipo de restrição sobre como podemos expressar e canalizar essas necessidades e desejos. A lei inclui mais “nãos” em relação ao sexo do que a qualquer outra atividade humana. Os “nãos” são tão variados quanto as expressões de sexualidade humana: não adulterarás, não te deitarás com a esposa do teu pai ou a esposa do teu tipo ou a tua nora ou a tua irmã, não te deitarás com um homem como se fosse uma mulher, não se aproxime de um animal para acasalar com ele. Quando não tem nãos estritos, há consequências drásticas por passar dos limites: durma com uma virgem e logo você vai se ver negociando com o pai dela sobre um dote (Êxodo 22.16-17). E então Jesus coloca a cereja do bolo: “Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela”. Ah não!…
7 de dezembro de 2018
Casamento e Família

Será que realmente corremos o risco de idolatrar a família? por Kevin DeYoung

“Uma das idolatrias aceitáveis dentre cristãos evangélicos é a idolatria da família” Eu tweetei isso semana passada. Para ser honesto, eu não pensei muito sobre isso. Eu disse coisas semelhantes em sermões pela última década e eu já tuitei coisas semelhantes antes. Mas dessa vez, como me foi dito por amigos que seguem o Twitter mais de perto do que eu, essa afirmação assumiu vida própria à medida que essa frase foi curtida 1.600 vezes e rodou as redes sociais pelos próximos dias. Sem eu saber, eu estava (dependendo de quem estiver opinando) subitamente falando algo maravilhosamente corajoso ou terrivelmente mal direcionado. Deixe-me esclarecer as coisas. Até onde eu sei, eu falei essa frase pela primeira vez (ou algo parecido) em um sermão de 2010 em Marcos 3.31-35 intitulado a Real Família de Jesus. O próprio tweet vem de um sermão mais recente sobre o milagre em Caná da Galileia. O meu ponto em ambos os casos foi que um compromisso com a família não pode vir antes de um compromisso com Deus. Eu comecei o sermão de Marcos 3 observando duas noções opostas da família na nossa cultura: a família como uma camisa-de-força (como no filme de 1998, Pleasantville…
5 de dezembro de 2018
Igreja

Entretenimento e Culto por Joe Thorn

Em cada igreja e a cada geração de cristãos, existe uma chance de perder o nosso foco nas coisas que são mais importantes (Hb 2.1). Precisamos constantemente nos relembrar disso e recentralizar as nossas igrejas para que não nos vejamos confiando em algo que não seja o evangelho de Deus e a Palavra de Deus. Um dos desvios mais perigosos acontecendo nas igrejas locais hoje está dentro do nosso culto público. Em muitas igrejas, há uma ausência de ênfase nos meios da graça (Escritura, oração e os sacramentos ou ordenanças) e uma dependência do entretenimento. Alguns tentam equilibrar os dois em nome de alcançar mais pessoas com o evangelho, mas há um perigo inescapável em superestimar o entretenimento e implementá-lo no culto público. Isso não é um fenômeno recente. O pastor do século XIX, Charles Spurgeon, dizia: “o diabo raramente teve uma ideia mais sagaz que sugerir à igreja que parte da sua missão é fornecer entretenimento para as pessoas, tendo em vista conquistá-las”. Pode não ser recente, mas é crescentemente popular, especialmente à luz da nossa cultura motivada pelo entretenimento. Vemos isso em cânticos seculares tocados por bandas de louvor para animar a platéia. É difícil perder o valor…
3 de dezembro de 2018
Vida Cristã

Peça para que Deus te Perdoe, Não para que Ele te Desculpe: Cinco Lições de C.S. Lewis por Joe Rigney

Deus existe em todo lugar e em todo tempo. Ele é eterno e onipresente. E não só ele está presente em todo lugar, mas também ele está em todo lugar nos procurando. Ele é o caçador, o rei, o marido, se aproximando numa velocidade infinita. É central para a visão de C.S. Lewis da vida cristã o fato básico de que estamos sempre na presença e na mira de Deus. Esse fato básico sobre a realidade nos dá uma escolha básica. Podemos ou abraçar e receber essa realidade, entregando-nos a esse Deus eterno, onipresente e que vai atrás, ou podemos tentar em vão nos esconder dele, resistir aos seus avanços, rejeitar a sua oferta. Assim, embora seja verdade que sempre estamos na presença de Deus, é igualmente verdade que somos perpetuamente chamados a vir até a presença de Deus, para que nos revelemos a ele. “Todos nós somos piores do que pensamos” Um dos principais componentes desse revelar é a confissão dos nossos pecados. Se é para virmos até a presença de Deus, precisamos vir honestamente. Precisamos vir como somos. E o que somos é um aglomerado de pecados, temores, necessidades, desejos e ansiedades, de forma que a nossa honestidade…
30 de novembro de 2018
Teologia

Esperança para além da frustração por Peter Leithart

Sabedoria bíblica para o apocalipse cultural Pode ser frustrante ser um cristão. Alegamos conhecer o segredo do universo e o conhecemos pessoalmente. Jesus é o centro da história, o Caminho, a Verdade e a Vida, aquele em quem tudo, tudo, se ordena. As nossas boas novas são boas novas sobre tudo e para todos, o tipo de notícia que todo mundo precisa saber se é para evitar o desastre total. Grandes números de pessoas não ouvem. Não importa quão atrativo tornamos a fé cristã. Não importa que expliquemos que as boas novas seguem o fluxo do desígnio do mundo. Para muitos, isso viola completamente o senso comum. Eles não pensam ser minimamente plausível. Quando falamos das boas novas, eles não reconhecem e não podem reconhecer como boas novas. A frustração provavelmente tem sido uma tentação perene, mas ela é especialmente intensa hoje. Argumentamos que o aborto é um ataque contra os mais vulneráveis, que ele constitui uma guerra contra uma das glórias da mulher: a capacidade de conceber, dar à luz e nutrir um novo ser humano. Insistimos que o casamento foi feito para ser uma união-em-diferença que prefigura o destino último do cosmos. Argumentamos que as biotecnologias contemporâneas mecanizam…
5 de novembro de 2018
História da Igreja

Por que a Arca da Aliança Nunca Será Encontrada por Michael S. Heiser

Eu ainda posso lembrar a emoção de ver Indiana Jones: Os Caçadores da Arca Perdida nos cinemas. Já no ensino médio, eu já tinha sido infectado com o “vírus da arqueologia”. Esse filme levou os meus interesses a um nível inteiramente novo. Seguindo o caminho da Providência, eu segui o caminho de Indiana Jones, ao menos academicamente. Eu ainda estou fascinado pela arca, mas eu não acredito mais que ela está perdida e precisa ser descoberta. E a culpa é de Jeremias. A ideia de que a arca da aliança sobreviveu à invasão de Nabucodonosor a Judá se baseia na ausência de qualquer referência explícita à arca dentre os utensílios de ouro levados para a Babilônia (2Cr 36.5-8). Da mesma forma, a lista de itens levados de volta para Judá depois do fim do exílio não menciona a arca (Ed 1.5-11). A explicação mais simples é que a arca estava dentre os “utensílios de ouro no templo do Senhor” que Nabucodonosor deixou em pedaços (2Rs 24.13). Ninguém pagaria para ver um filme assim. Desde tempos antigos até os dias de hoje, as pessoas têm resistido à ideia de que Deus permitira Nabucodonosor destruir o objeto mais sagrado de Israel. Testemunhando…
2 de novembro de 2018
Ética

Educando para a Liberdade por Peter Leithart

“Educar” vem do latim educare, “guiar para fora”. Toda educação promete um êxodo das trevas da ignorância para a luz do conhecimento. Toda educação proclama liberdade para os cativos. A questão é: que escravidão? Qual liberdade? Não podemos responder definindo escravidão como “o que quer que iniba a minha vontade”, nem liberdade como “o poder de fazer tudo o que eu quiser”. Tais noções absolutistas de liberdade são autocontraditórias. Se a liberdade é limitada por qualquer coisa além da minha vontade e desejos individuais, então a liberdade não é mais absoluta. Mas o desejo é, ele próprio, um limite. Quando eu tenho fome ou sede, eu busco satisfações particulares: comida e bebida. O desejo sexual se impele em direção à gratificação sexual. Os desejos podem ser desviados, reprimidos, mascarados, mas eles retêm a mesma estrutura teleológica. O desejo é ordenado a fins, vinculado a um telos. “Liberdade de fazer o que quer que eu deseje” acaba com essa estrutura. Isso deixa o desejo sem fins. A poeta russa, Vera Pavlova, expressa esse ponto sobre liberdade e desejo concisamente num poema arrebatador. Numa tradução feita pelo seu marido, Steven Seymour, ela escreve: Eu estou amando, logo, sou livre para viver pelo…
24 de outubro de 2018
Reforma

No fundo do mundo está a Palavra: Martinho Lutero por Michael Laffin

Aprendendo a provar a Palavra de Deus com Martinho Lutero Há muitas boas razões para ler Martinho Lutero, especialmente neste ponto da história quando estamos celebrando o aniversário de quinhentos anos das suas célebre teses pregadas na porta do castelo em Wittenberg. Lutero é evidentemente uma figura histórica de suma importância, um grande formador da língua alemã e um grande teólogo, cada um desses sendo uma boa razão para lê-lo. Mas a coisa mais importante que podemos aprender lendo Lutero hoje é o que pode acontecer quando colocamos a Palavra de Deus em primeiro lugar, até mesmo no nosso entendimento da vida pública. Para Lutero, a Palavra de Deus é a realidade fundamental de que todo o resto se segue. E isso inclui a realidade tangível, material. A criação, para Lutero, nomeia o tempo e o espaço que é sustentado pela presença pessoal contínua da Palavra, que cumpre o que ela diz. Mesmo os pássaros e peixes “não são nada senão nomes na regra divina da linguagem”, como ele coloca de forma tão bela em suas Palestras em Gênesis. É essa ênfase na primazia da Palavra eficaz que Oswald Bayer chama de “a descoberta da Reforma” de Lutero. Essa descoberta…
22 de outubro de 2018
CosmovisõesUncategorized

Desigualdade Erótica por Peter Leithart

Não vamos confundir diferença com desigualdade É uma verdade reconhecida universalmente: 2 + 2 = 4. Qualquer 2 pode entrar no lugar de um dos dois 2 na equação e o resultado vai ser um mesmo. Um problema de adição representa uma igualdade absoluta, uma igualdade enquanto identidade. Fora dos confins rarefeitos da matemática, a igualdade nunca é tão simples. Dizer que 2 maçãs + 2 maçãs = 4 maçãs especifica uma igualdade somente com respeito ao número de maçãs. As primeiras duas maçãs podem ser verdes e da marca Granny Smiths e as outras duas, da Yellow Delicious. Quando você as soma, você tem quatro maças, mas o conjunto das quatro é dividido em dois por cor, variedade e sabor. Eu tenho duas maçãs maduras e você tem duas maçãs podres. Podemos dizer que o total é quatro, mas se precisarmos delas para alimentar quatro crianças famintas do jardim de infância, o fato de que temos quatro não vale nada. 2 + 2 ainda é igual a 4, mas quem liga? Você só tem duas que são úteis para a tarefa. Assim que você mete maçãs na matemática, a igualdade se torna uma característica limitada, qualificada e muitas vezes…
19 de outubro de 2018
Reforma

Sola Scriptura: o que isso quer, e o que não quer, dizer por P. Andrew Sandlin

No 500º aniversário da Reforma protestante, é proveitoso rever os cinco solae da Reforma, dos quais o sola Scriptura pode ser o mais bem-conhecido. O que isso quer, e o que não quer, dizer? Não é autoridade exclusiva Sola Scriptura não quer dizer que a Bíblia é a nossa única autoridade. A Bíblia deixa claro que Deus estabelece autoridades humanas subordinadas: autoridades válidas sob a sua autoridade soberana. Deus, por assim dizer, delega a certas instituições a execução da sua vontade. É por isso que Deus diz em Romanos 13 que se resistirmos à autoridade civil, resistimos à autoridade de Deus. Vivemos num tempo obcecado com autonomia individual. Autonomia significa “lei para si”. A nossa era é profundamente resistente a qualquer tipo de autoridade externa. Vivemos numa cultura de rebeldes. Isso inclui aversão à autoridade civil (como a polícia), autoridade familiar, autoridade eclesiástica, autoridade do empregador, autoridade dos professores e muito mais. Críticos sociais frequentemente declaram que a nossa sociedade é cética com todas as instituições. Isso na verdade é só outra forma de dizer que as pessoas são ressentidas com a autoridade. É obviamente o que acontece com a nossa sociedade mais ampla: desrespeito à polícia, desobediência aos professores,…
17 de outubro de 2018