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Acerca de Douglas Wilson: Relatório da CREC

Em outubro de 2015, a pedido da Christ Church e da Trinity Reformed Church, um comitê foi formado a fim de determinar se a liderança das igrejas havia cometido erros, pecados ou equívocos ao lidar com os casos de Steven Sitler e Jamin Wight. Embora ambos os casos tenham ocorrido há quase uma década, ambos têm sido tema de debate e controvérsia, especialmente nas mídias sociais.

O comitê, formado pelos pastores Alan Burrow, Tim Bushong, Garrett Craw, Todd Davis, Duane Garner, Rich Lusk e Jack Phelps, presidentes dos presbíterios da Communion of Reformed Evangelical Churches [CREC], contou com assistência da MinistreSafe (https://ministrysafe.com), um grupo de consultoria especializado em auxiliar igrejas a lidar com questões como essas.

O comitê realizou entrevistas e avaliou a documentação disponível, e reconhece que não houve alegações de que qualquer membro da liderança seja pessoalmente culpado, ou suspeito de qualquer impropriedade sexual ou ofensa criminal. 

O comitê reconhece que “a avaliação dos casos tem a vantagem de ser retrospectiva” — afinal, é mais fácil dizer o que deveria ter sido feito. E declara “não haver dúvidas de que a liderança agiu de boa fé baseada no que se sabia no momento”, além de fazer recomendações e exortações quanto a aspectos nos quais mais sabedoria pode ser exercida.

O relatório foi apresentado no dia 15 de agosto de 2017 e está disponível no site da Christ Church: https://www.christkirk.com/crec-presiding-ministers-report-2017/

Na segunda parte do relatório, o comitê apresenta algumas sugestões aos cristãos nas redes sociais. Alguns trechos bíblicos e princípios são dignos de destaque:

Não espalhem calúnias entre o seu povo. Não se levantem contra a vida do seu próximo. Eu sou o Senhor. Não guardem ódio contra o seu irmão no coração; antes repreendam com franqueza o seu próximo para que, por causa dele, não sofram as conseqüências de um pecado. Não procurem vingança, nem guardem rancor contra alguém do seu povo, mas ame cada um o seu próximo como a si mesmo. Eu sou o Senhor” (Lv 19.16-18, ênfase acrescentada).

“Não faça declarações falsas e não seja cúmplice do ímpio, sendo-lhe testemunha mal-intencionada. Não acompanhe a maioria para fazer o mal […]” (Êx 23.1, 2, ênfase acrescentada).

O primeiro a apresentar a sua causa parece ter razão, até que outro venha à frente e o questione” (Pv 18.17, ênfase acrescentada).

“Uma só testemunha não é suficiente para condenar alguém de algum crime ou delito. Qualquer acusação precisa ser confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas. Se uma testemunha falsa quiser acusar um homem de algum crime, os dois envolvidos na questão deverão apresentar-se ao Senhor, diante dos sacerdotes e juízes que estiverem exercendo o cargo naquela ocasião. Os juízes investigarão o caso e, se ficar provado que a testemunha mentiu e deu falso testemunho contra o seu próximo, dêem-lhe a punição que ele planejava para o seu irmão. Eliminem o mal do meio de vocês. O restante do povo saberá disso e terá medo, e nunca mais se fará uma coisa dessas entre vocês” (Dt 19.15-20, ênfase acrescentada).

Mesmo que alguém nos “odeie” ou nós o consideremos um “inimigo”, nada justifica um tratamento injusto ou desonesto. Isso não exclui o debate honesto, incluindo responder “ao tolo segundo a sua estultícia” (Pv 26.5), mas exclui usar “todos os meios necessários” para ferir sua reputação.

“A verdade e a justiça demandam uma cuidadosa ordenação e avaliação de todas as evidências relevantes”, e as informações não devem ser usadas apenas com viés de confirmação — como é comum nas mídias sociais.

“A justiça bíblica exige que lembremos que acusações e indignação exacerbadas não são evidências”. […] “Uma das primeiras instruções que um juiz dá a um júri é que a acusação ou acusação contra o réu não é prova. A evidência tem a ver com fatos — o que realmente aconteceu, não com o que supostamente aconteceu. A justiça na Internet, como a justiça popular, normalmente tem pressa para formar a opinião pública e, portanto, não depende de uma triagem cuidadosa de evidências, mas de acusações e indignação para formar rapidamente uma multidão para aceitar o grito. A premissa subjacente é que, se uma acusação é repetida muitas vezes com muita indignação, ela deve ser verdadeira. Mas como nem acusação nem indignação constituem prova, repetir mil vezes uma acusação com indignação crescente é mil vezes zero — o que ainda é zero”.

“Se apresentarmos provas na mídia social (e aqui é importante lembrar que mídia social não é uma corte civil ou eclesiástica) sugerindo que alguém deve ser condenado ou censurado aos olhos do público, nos colocamos funcionalmente na posição de promotor. Um dos requisitos para os promotores é que eles divulguem todas as provas relevantes e admissíveis em sua posse, especialmente quaisquer provas favoráveis ao acusado, incluindo provas que tendam a minar a credibilidade das testemunhas de acusação. Esses princípios têm suas raízes na justiça bíblica e no devido processo jurídico e, como cristãos, devemos prestar atenção a eles nas mídias sociais.”

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Há uma grande diferença entre compilar ou citar um compilado de documentos e ser uma testemunha. Assim como há muita diferença entre acreditar no argumento de quem compilou os documentos e saber a verdade sobre o ocorrido.

Cristãos deveriam ser os mais cuidadosos com julgamentos emitidos por um tribunal de exceção, com uma condenação apressada, sem direito do contrário, afinal, foi exatamente assim que o seu Senhor foi condenado…

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