Teologia

Educação superior cristã, por David Naugle

By 20 de setembro de 2019 No Comments

Uma defesa de uma educação superior que é cristã

O esforço da Baylor University de reafirmar sua identidade cristã como parte de sua agressiva Visão para 2012 criou controvérsia entre seus membros. Um professor de filosofia da Texas Christian University sugeriu numa publicação institucional recente que o “Christian” [cristão] fosse removido do nome da universidade porque suscita mal-entendidos e dificuldades. Há mal-entendidos públicos consideráveis sobre as universidades cristãs também. Essas circunstâncias exigem uma defesa da educação superior que é cristã.

As teorias e práticas educacionais não são livres de valores, mas supercarregadas filosoficamente. O pensamento educacional moderno é amplamente baseada no naturalismo. A educação superior cristã é derivada de uma perspectiva bíblica que é mais substancial no conteúdo e generosa no espírito do que imaginam seus críticos.

Primeiro, a educação superior cristã inclui Deus em sua visão da realidade. Este Deus é trinitário em seu ser, amoroso e justo em seu caráter, é o criador, juiz e redentor do mundo. Ele é o princípio explanatório do universo. Ele é o ponto de referência crucial para o conhecimento. “Admita um Deus”, disse o Cardeal Newman em seu The Idea of a University [A Ideia de uma Universidade], “e você introduz dentre os objetos de seu conhecimento um fato abrangendo, encerrando, absorvendo cada outro fato concebível”. Como Paulo disse: “Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Colossenses 2.3). Se Deus existe, então nenhuma disciplina acadêmica é verdadeiramente compreensível sem ele. Se Deus existe, então o excluir da consciência educacional é o reducionismo mais colossal. A questão da existência de Deus é superlativa para a academia. Uma falha em lidar com ela ou respondê-la verdadeiramente é de consequências imensas.

Segundo, a educação superior cristã promove uma cosmovisão bíblica coerente que responde às grandes questões e dá sentido à vida. Onde eu estou? Quem eu sou? Por que eu estou aqui? O que deu errado? Qual é o remédio? As universidades cristãs encorajam os estudantes a lutar com questões de sentido como essas. Ela propõe que os temas da criação, queda e redenção são o que melhor as responde. A despeito de sua importância, muitas instituições banem tais investigações carregadas de valores para a periferia, considerando-as com um ceticismo típico. Em seu lugar, elas focam em cultivar competências relevantes para o mercado. A educação é um passaporte para privilégios. As universidades cristãs repudiam esse empobrecimento da missão clássica da experiência colegial ao ensinar estudantes não só a sobreviver, mas sobre como viver.

Terceiro, a educação superior cristã afirma que a verdade existe e pode ser conhecida. Se Deus existe e o universo é a sua criação, então verdade multifacetada existe. Os seres humanos são a imagem de Deus dotada de razão e outras habilidades cognitivas e podem conhecê-la. Embora o pecado tenha efeitos intelectuais, a Escritura serve como “lentes” clarificadoras capacitando aqueles que as usam a “ver” a verdade sobre Deus, o mundo e eles mesmos. A verdade está disponível nos “livros” da natureza e da Escritura, ambos do mesmo divino autor. As universidades cristãs declaram que toda verdade é verdade de Deus onde quer que tenha sido descoberta. Eles encorajam os estudantes a buscá-la vigorosamente, mui frequentemente em fontes fora de sua própria tradição num espírito de liberdade acadêmica, raramente encontrado em universidades públicas onde o relativismo reina e a busca por verdade religiosa é proibida.

Quarto, a educação superior cristã trata da existência objetiva da bondade e da beleza. A santidade de Deus é o fundamento da ordem moral e das qualidades estéticas do universo. Há “semáforos” divinamente ordenados governando a vida humana. Há certos e errados objetivos que têm o bem-estar humano em vista. Toda uma série de virtudes enriquecedoras deve ser cultivada. Vícios desfigurantes devem ser evitados. O objetivo é moldar uma vida exemplar e produtiva tanto na esfera pública quanto na privada. Adicionalmente a beleza encontrada por toda a criação e em todas as artes é o reflexo de um Deus que é a fonte de todo brilho e esplendor. Como imagem de Deus, os seres humanos tem a capacidade de criar algo belo e se deleitar nisso (A. Kuyper). Ao avançar essas perspectivas, as universidades cristãs fornecem alternativas educacionais necessárias numa sociedade que perdeu suas influências morais e está encoberta em perversidade e lixo artísticos.

Finalmente, uma educação superior cristã direciona todos os seus esforços para o amor. A atividade humana, Cristo diz, só é cumprida em amar a Deus supremamente e a nosso próximo como a nós mesmos (Marcos 12.28-34). As universidades cristãs são estabelecidas com base nessa visão de amores bem-ordenados, e o seu corolário do serviço, como sua própria raison d’être. Será que outras instituições têm objetivos mais nobres?

Por que, à luz desses fatores, há tanta controvérsia ou vergonha acerca da educação superior que é cristã?

Veja a obra de David Naugle, Cosmovisão: a história de um conceito, publicada pela Editora Monergismo.

Tradução: Guilherme Cordeiro