Vida Cristã

O Lugar Mais Perigoso Para Se Viver: Os perigos sutis do passado por Greg Morse

By 17 de agosto de 2018 No Comments

Enquanto o passado é um lugar excelente para se visitar, também é um lugar ameaçador para se viver.

A esposa amargurada, irritada porque o marido com quem se casou não é o namorado que ela namorou; o pai autoritário, desesperado para reviver sua carreira atlética através de seu filho; o jovem adulto sentindo falta das liberdades e dos amigos da faculdade, temendo suas horas de trabalho; o desanimado cristão, desejoso de voltar ao zelo que uma vez teve, mostra-nos que poucas coisas hoje ameaçam como as alegrias de ontem. Risos abundaram uma vez. A família foi unida por um tempo. Nós éramos lindos.

Mas Deus não queria que nossos corações vivessem no ontem. Ele nos dá novas misericórdias a cada dia para desfrutar (Lamentações 3:22-23). Mas, passando isso, podemos viajar de volta às nossas mentes para reviver a felicidade daquela época. Ontem, as esperanças eram altas e a vida valia a pena. O hoje se mostra muito decepcionante. Assim, com os olhos vidrados e as almas deprimidas, nos tornamos os espantalhos de nossos antigos “eus” que, cada vez mais, diminuem no aqui e agora para fugir para dias melhores. Nossos corações ainda podem bater, mas nós paramos de viver.

Quando as antigas bênçãos diminuem a gratidão presente; quando Deus deu aquele trabalho, aquele namorado, aquele sucesso – e a vida depois é pior; quando nos tornamos criaturas azedas que se aborrecem com o outono porque uma vez tivemos a primavera; quando nós suspiramos através de nossos dias e nos retiramos em nossas memórias; nós saímos do caminho seguro. Dirigindo para frente enquanto olhamos o espelho retrovisor, tornamos as experiências anteriores uma espécie de deus. E, infalivelmente, quando nos ajoelhamos diante do passado, o presente se torna uma maldição.

O Que Há de Errado com a Nostalgia?

Nós chamamos isso de habitar no passado.

Considerada uma desordem psicológica do século XVII até recentemente, a nostalgia é o anseio pelo passado que é visto como melhor que o presente ou o futuro. Do grego, nostos (voltar para casa) e algos (dor), nostalgia é saudade aguda dos dias passados. Ela escapa da infelicidade presente (ou tédio) indo para o que era e não pode ser novamente.

E como a nostalgia cobiça aquela época que nós esperamos durar muito mais tempo, a pergunta que a sabedoria nunca faz ameaça rastejar até nossos corações,

Não diga: “Por que os dias anteriores foram melhores que esses?” Pois não provém da sabedoria essa pergunta. (Eclesiastes 7:10)

A sabedoria, um inquisidor com muitas perguntas, fica ofegante quando é pronunciada. Esta é a pergunta da nostalgia. Mas por que não perguntar isso?

1. Nós Não Somos Bons Juízes.

Fazer a pergunta pressupõe a conclusão: que os dias anteriores eram, de fato, melhores. Mas isso não deve ser assumido. Nós não temos uma compreensão completa do passado, nem do presente.

Como o tio Rico nos ensina em Napoleon Dynamite, o passado, quando recontado e adorado, torna-se exagerado. Os dias anteriores ficam melhores e melhores, e as conquistas se tornam mais altas quanto mais nos distanciamos delas. Mesmo o passado sombrio pode ser lembrado com carinho – os israelitas imaginavam comer carne e pão ao máximo, embora fossem escravos (Êxodo 16:3). Ouça isso deles; eles eram reis naquela época.

Assim é conosco: nós usamos photoshop no passado em nossas mentes. Esquecemos as brigas, a frustração, a dor e as incertezas da época – as irritações atuais sempre parecem mais agudas. Mas também não temos uma boa visão das nossa atual época. Os santos mais velhos contam muitas histórias para verificar a verdade do que Samuel Rutherford atestou: Deus mantém seu melhor vinho no porão do sofrimento – e os porões podem parecer como uma prisão quando estamos trancados lá dentro. Mas Deus prepara uma mesa para nós em meio a nossas tristezas. E lá, Ele se senta para comer conosco.

2. A Nostalgia Critica Nosso Pai.

A questão de por que o passado é melhor que o presente é sempre endereçada a alguém. Mãe Terra. Carma. Dr. Phil. Mas para a maioria, Deus.

Mas a fé em Deus não se aprofunda na questão. A incredulidade questiona Deus e nos diz para amaldiçoá-lo e morrer quando ele tira o bem de nós. A confiança fica nas cinzas e diz entre soluços: “o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!”(Jó 1:21).

“Por que os dias anteriores foram melhores que esses?” – insatisfeito com a resposta óbvia de que Deus, em sua perfeita vontade e governo, entendeu ser melhor permitir novas dificuldades, recusando-se a abençoar seu nome. Ele chama o Todo-Poderoso para o banco das testemunhas para prestar contas. Ele interroga sua bondade. Ele examina suas alegações de benevolência. Ele processa Deus por alegações de abuso infantil – ele dava pedras e serpentes quando seus filhos queriam pão e peixe. Por que Deus agora me deu cascalho para mastigar? Nunca é uma boa pergunta.

3.  Nós Temos Mais Capítulos Para Viver.

A questão também não é sábia porque interrompe o progresso. Nos tenta a acreditar que o Deus da “misericórdia da manhã” de ontem, distribui rações para as quais não vale a pena acordar. Então nos sentimos penalizados, apertamos o botão de soneca e dormimos em direção à morte.

Mas ouça o conselho de Gandalf a Frodo, enquanto ele lamenta sua vida presente longe do Condado:

Frodo: Eu queria que o Anel nunca tivesse vindo para mim. Quem me dera que nada disto tivesse acontecido.

Gandalf: E também todos os que vivem para ver esses tempos, mas isso não é para eles decidirem. Tudo o que temos que decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado.

Muitos experimentam dias em que eles não escolheriam viver. Mas não cabe a nós decidir se Deus dá ou tira. O que devemos decidir é o que faremos com o tempo que Deus nos presenteou. Nós temos mais vida para viver. Talvez mais do que queríamos, mas não mais do que deveríamos ter.

O Lar Está Diante de Nós

A fruta de hoje, embora talvez mais amarga que a de ontem, é sempre a melhor fruta que podemos comer. Por quê? Porque é a fruta que nosso Pai nos entrega. E a fruta que nos é dada por quem sabe o que precisamos para hoje, antes de perguntarmos a Ele, é sempre o melhor de todos os frutos.

Mas é o melhor fruto de todos nesta vida. Para quebrar o feitiço do espelho retrovisor, devemos considerar o que nos espera à frente. Não importa quão delicioso foi o fruto do passado, não importa quão comum seja o fruto de hoje – nenhum desses é o fruto do céu. Se o bem de hoje fosse bom para o céu, então o pessimismo seria virtuoso. Mas não é. O que recebemos aqui são lanches para nos sustentar em nossa jornada para onde Aquele que não poupou seu próprio Filho nos dará inteiramente, graciosamente, todas as coisas.

Paulo descreve nossa vida, por enquanto, com a palavra “aguardando” (Tito 2:13). Não murchando. Não relembrando. Não morando no passado. Deus nos chama para lembrar o passado para gerar gratidão e esperança para as futuras misericórdias que se estenderão além das fronteiras deste mundo. Nós não nos sentamos sem vida, olhando para os melhores momentos aqui. Nós ansiamos pelos melhores momentos a serem vividos lá. E enquanto esperamos, renunciamos às alegrias vazias da nostalgia, agradecemos a Deus pelo nosso passado, mas colocamos nossa esperança no que está por vir.

Greg Morse é um escritor da equipe de funcionários da DesiringGod.org e graduado no Bethlehem College & Seminary. Ele e sua esposa, Abigail, moram em St. Paul, Estados Unidos.

Traduzido por Felipe Barnabé.

Fonte: The Most Dangerous Place to Live

SEO: O passado é um lugar maravilhoso para se visitar e um lugar ameaçador e destruidor de almas para viver. Cuidado com os perigos sutis e sérios da nostalgia.