Vida Cristã

Porque Eu Tenho Este Espinho? por Jon Bloom

By 7 de novembro de 2018 No Comments

Eu tenho um “espinho na carne”. Eu não gosto disso. Eu muitas vezes gostaria de não tê-lo. Às vezes estou exasperado com isso. Isso torna quase tudo mais difícil, diariamente me perseguindo enquanto eu cuido da minha família, vocação e responsabilidades ministeriais – quase tudo que faço. Isso me enfraquece. Muitas vezes sinto que seria mais eficaz e frutífero sem isso. Eu supliquei a Deus, às vezes em lágrimas, para que seja removido ou por mais poder para superá-lo. Mas ele permanece.

Não, não vou explicar o que é. Os detalhes não são pertinentes ao ponto que quero fazer, e acho que eles realmente tornariam este artigo menos útil. Porque você tem seu próprio espinho na carne, ou se você viver o suficiente você terá um (ou mais). O seu será diferente do meu, mas o seu propósito será semelhante. Porque nos são dados espinhos que nos enfraquecem significativamente, a fim de nos tornar mais fortes.

O Espinho Mais Famoso
Recebemos o termo “espinho na carne” do apóstolo Paulo:

E, para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de não me exaltar. (2 Coríntios 12:7)


O espinho de Paulo está entre as aflições mais famosas da história, e nem sequer sabemos o que era. Tem havido muita especulação ao longo dos anos. O espinho de Paulo poderia ter sido uma aflição física. Isto é plausível, dada toda a violência física e privação que ele sofreu (2 Coríntios 11:23-27), e alguns pensam que ele pode ter sofrido de uma doença ocular (Gálatas 4:15).

Ou desde que ele se referiu ao seu espinho como um assediador “mensageiro de Satanás”, ele poderia ter sido vulnerável a significativas lutas espirituais e psicológicas. Isto é plausível, dado o trauma cumulativo de perseguir violentamente os cristãos, sofrendo perseguição violenta, vivendo em constante perigo como cristão, e depois vivendo diariamente com “ansiedade por todas as igrejas” (2 Coríntios 11:28).

Ou dado o contexto de 2 Coríntios 11–12, seu espinho poderia ter sido os “super-apóstolos” e os falsos irmãos constantemente o perseguindo e causando estragos nas igrejas que ele plantou (2 Coríntios 11 5,26). Ou pode ter sido algo completamente diferente.

O fato de que nós realmente não sabemos o que o espinho de Paulo se mostrou ao mesmo tempo misericordioso e instrutivo para nós. É misericordioso porque, dadas as várias possibilidades, todos nós podemos nos identificar com Paulo até certo ponto em nossas aflições. É instrutivo porque o espinho de Paulo não é o ponto. O ponto é o propósito de Deus para o espinho.

Enviado pelas Mãos de Deus
Paulo faz duas declarações surpreendentes e, de certo modo, inicialmente perturbadoras, sobre seu doloroso espinho – na mesma frase:

E, para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de não me exaltar. (2 Coríntios 12:7)

A primeira afirmação incrível que Paulo faz é que Deus lhe deu seu espinho. É claro a partir do contexto que Paulo identificou Deus como doador do seu espinho, não Satanás. E ele entendeu que o propósito de Deus era manter Paulo humilde e dependente do poder de Cristo (2 Coríntios 12:9).


Agora, a maioria de nós não consegue se identificar com os tipos de revelações que Paulo recebeu, e quando lemos os tipos de sofrimento que Paulo experimentou (2 Coríntios 11:23-27), é provavelmente seguro assumir que nossos espinhos não são profundos como o dele. Mas o propósito de Deus em nossos espinhos é semelhante.

O orgulho, em todas as suas manifestações, é o nosso pecado mais penetrante e o mais perigoso para nós espiritualmente. Qualquer coisa que Deus nos dê para nos manter humildes e em espírito de oração, depende dele é um grande presente – mesmo quando esse dom nos causa dor. E aqui vemos claramente que Deus disciplina seus filhos com aflição, a fim de protegê-los de terem sua alegria destruída pelo pecado do orgulho. Pense nisso: a dor pode nos proteger da dor; a dor redentora pode nos proteger da dor destrutiva.

Assédio Satânico
Mas a segunda alegação surpreendente que Paulo faz é mais chocante: a dor redentora que Deus deu a Paulo para protegê-lo da dor destrutiva de seu orgulho foi entregue a ele por “um mensageiro de Satanás”. De repente, nos encontramos em uma parte ainda mais profunda da piscina teológica. E dada a facilidade com que Paulo diz isso, ele claramente espera que os cristãos possam nadar aqui.

Satanás nos perfura com um espinho de Deus? Sim. Isso nos incomoda? Nos incomoda que isso não tenha incomodado Paulo? Paulo não sente necessidade de qualificar ou explicar como Deus pode dar ao seu filho um presente redentor da dor através de meios malignos. Por quê? Porque esse fenômeno ocorre em toda a Bíblia. Paulo conhece o seu Antigo Testamento como as costas da mão, e tem verdades como esta tecida em toda a parte: “Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande.” (Gênesis 50:20). E ele sabe que o dom mais redentor da dor na história, a morte de Cristo, o Senhor, nos foi dado pelos meios mais malignos.

Nossos espinhos redentores também podem ser entregues por um mensageiro satânico. Mas podemos saber isso: será apenas mais uma maneira pela qual Deus “E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.” (Colossenses 2:15). Nosso Deus é tão poderoso e tão sábio que ele pode trabalhar todas as coisas – incluindo nossos espinhos satanicamente entregues – para o nosso bem (Romanos 8:28). Confiança neste tipo de soberania é o que alimenta nossa satisfação alegre e confiante, enquanto experimentamos a fraqueza e o cansaço de nossa aflição.

Perfurado para um Propósito
Assim como os de Paulo, nossos espinhos nos enfraquecem. Às vezes eles são visíveis para os outros, mas muitas vezes estão escondidos da visão pública, conhecidos apenas por aqueles que nos conhecem melhor. E eles nunca são românticos, nunca são heróicos. Em vez disso, quase sempre nos humilham de maneiras constrangedoras e não nobres. Eles não apenas parecem impedir nossa eficácia e frutificação, mas também são mais propensos a diminuir em vez de melhorar nossa reputação. É por isso que nós, como Paulo, pedimos a Deus para removê-los (2 Coríntios 12:8).

Mas é assim que nossos espinhos devem ser. Porque, se fossem nobres e heróicos, se aprimorassem nossa reputação, não nos ajudariam em nada nos proteger de nosso orgulho difundido. É por isso que, como com Paulo, Deus frequentemente responde aos nossos pedidos de libertação com um “não”. Porque sem o espinho, nunca experimentaríamos que “a graça [de Deus] é suficiente para [nós]”, que o seu “poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Coríntios 12:9).

É por isso que temos nossos espinhos. Eles são enfraquecedores que nos fortalecem. Sem eles, escolheríamos uma força mais fraca e perderíamos a experiência da glória da poderosa graça de Deus e obteríamos menos alegrias como resultado. É apenas mais um paradoxo maravilhoso do reino: nossos espinhos agonizantes acabam produzindo maior alegria em nós e, finalmente, nos tornam mais eficazes e frutíferos. Quanto mais pressionamos esse paradoxo, mais diremos com Paulo,

De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte.   (2 Coríntios 12:9-10)

Jon Bloom (@Bloom_Jon) serve como autor, presidente do conselho e co-fundador da Desiring God. Ele é autor de três livros, Not by Sight, Things Not Seen, and Don’t Follow Your Heart.  Ele e sua esposa moram em Twin Cities com seus cinco filhos.

Fonte: Why You Have That Thorn

Traduzido por Felipe Barnabé