Ministério da Igreja

16 de julho de 2012
 

Como plantar uma igreja presbiteriana

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Escrito por: Ross W. Graham
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A Orthodox Presbyterian Church [Igreja Presbiteriana Ortodoxa] tem uma forma de iniciar novas igrejas que parece intuitiva para os ministros e presbíteros que abraçaram e fizeram uso dela para começar dezenas de novas congregações entre seus dezessete presbitérios na última década.

Colocando de forma simples, é algo mais ou menos assim: inicie um grupo, forneça a supervisão de um presbítero, convoque um pastor organizador, espere até que o grupo se amadureça como corpo de Cristo, organize esse grupo como uma nova congregação, e espere que ela assuma o seu lugar entre as igrejas (igrejas que trabalham, servem e ofertam) que a ajudaram a começar. Mas esse processo sm seis estágios precisa ser descompactado para que apreciemos sua conformidade bíblica, sua consistência presbiteriana, seu caráter reformado e sua simplicidade de funcionamento.

1. Comece com um grupo

O apóstolo Paulo usou esse método em seu ministério de plantação de igreja. “Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los [na sinagoga]…” (Atos 17.2). O Espírito Santo escolheu revelar que Paulo tinha um plano regular de abordagem — ir onde crentes tementes a Deus honravam a Escritura e buscavam a Esperança de Israel. Ali ele reuniu grupos que formariam o núcleo das igrejas que ele estabeleceu na Ásia Menor e Europa.

Começar com um grupo de cristãos sinceros faz muito sentido. Isso assegura que Deus está agindo no processo de ajuntamento e que há razão para crer que uma nova igreja deveria ser estabelecida. Grupos podem ser reunidos com o propósito de iniciar novas igrejas de várias formas. Anunciar e então conduzir um estudo bíblico numa comunidade alvo; realizar uma reunião exploratória e informativa sobre se uma nova igreja poderia ser iniciada; e conduzir alguns cultos de adoração são meios que têm sido eficazmente usados para reunir nomes de famílias e indivíduos interessados. Não importa por quais meios as pessoas sejam reunidas, coisas tais como presença regular, disposição para gastar tempo e energia no trabalho, convites para amigos e parentes se envolverem, e início da prática de um suporte financeiro regular do trabalho são evidências objetivas. Essas evidências ajudam àqueles que estão iniciando o estabelecimento da nova igreja a determinar se a mão de Deus está agindo ou não.

2. Forneça a supervisão de um presbítero para o grupo

Quando Paulo iniciou seu ministério de plantação de igreja em Corinto, em Atos 18, ele trabalhou com Áquila e Priscila no comércio de fazer tendas, e argumentava e persuadia o povo na sinagoga local (versículos 1–4). Mas quando Silas e Timóteo chegaram, Paulo estava “ocupado com a palavra”, testificando aos judeus que Jesus era o Cristo (versículo 5). Foi quando a pluralidade de presbíteros estava presente que o trabalho e testemunho da igreja se desenvolveram. As companhias de viagem de Paulo eram mais do que assistentes e estagiários. Ele viajava com uma pluralidade de presbíteros que foram emprestados para direcionar e governar as novas igrejas recém-plantadas e em desenvolvimento até que seus próprios presbitérios pudessem ser instalados.

Fornecer presbíteros para supervisionar o novo trabalho desde o seu começo, em vez de depender da liderança de um único indivíduo, tem a vantagem de iniciar a igreja da forma como ela funcionará para o restante da vida. E permite que toda a igreja veja um exemplo do tipo de homens que ela desejará escolher no futuro a partir do seu próprio meio.

Presbíteros regentes e ministros (presbíteros docentes) de outras igrejas são rotineiramente emprestados para esse trabalho na OPC. Algumas vezes é toda a sessão de outra congregação que é designada para essa responsabilidade. Outras vezes o presbitério designa oficiais de várias congregações como um comitê para fornecer tal ajuda. Esses homens desinteressadamente tomam o tempo necessário para organizar e supervisionar a adoração e a pregação, a recepção de membros, a administração dos sacramentos e o início do treinamento e preparações para o grupo se tornar uma nova congregação do povo de Deus.

3. Convoque um pastor organizador para trabalhar com os presbíteros a fim de moldar o grupo numa igreja.

“Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi” (Tito 1.5). Essa declaração simples fornece a descrição do trabalho para o pastor organizador de uma obra missionária. Ele é um homem que foi especialmente chamado por Deus e está tão intensamente apegado à importância da doutrina da igreja que, na reunião do seu presbitério, ele está disposto a se mudar para um lugar onde ele é necessário; está disposto a amar e a servir um grupo de pessoas temporariamente até que Deus os constitua como um corpo amadurecido de Cristo. E ele é capaz de considerar seu trabalho completo se a igreja decidir chamar outro homem para ser o seu pastor.

Observe que o pastor organizador chega num grupo que já tem uma história. Assim, ele não funciona necessariamente como o precursor ou líder visionário nesse processo. Mas esse é um ministério difícil e exigente. Somente os rudimentos da vida da igreja foram estabelecidos até o momento da sua chegada. Ele deve ser um homem de grande fé para ser capaz de ver, no núcleo das famílias com quem trabalha, a igreja que eles se tornarão. Ele deve fazer também o trabalho de um evangelista para ver a adição de novas famílias conforme Deus envia. E ao longo de seu serviço especializado como um pastor organizador, ele deve modelar uma fé sincera num Deus que suprirá as suas necessidades e as necessidades da igreja e levantará homens para se unir a ele no ministério como presbíteros e diáconos piedosos.

4. Espere até que o grupo se amadureça como corpo local de Cristo

Na mensagem de Paulo aos gálatas errantes, que passaram “tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho” (Gl 1.6), ele os repreende por sua loucura, mas também os ensina algumas lições importantes sobre a igreja. Ele se dirige a eles como “meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós” (Gl 4.19). Paulo emprega o pronome no plural: todos vocês. Ele sugere que há um tempo na vida de um grupo reunido antes dele ser apropriadamente chamado o corpo de Cristo. O Espírito Santo passa a residir na vida de um indivíduo num ponto no tempo em que se pode dizer que ele nasceu de novo; assim também o Espírito forma um grupo de crentes que pode então ser chamado um corpo local de Cristo num ponto no tempo após eles terem inicialmente se reunido. Leva tempo para que esse grupo se desenvolva em unidade e maturidade. E o processo pelo qual o Espírito faz isso não pode ser apressado.

O processo de produzir maturidade na vida corporativa de um grupo de pessoas que se reuniam com seus presbíteros emprestados e designaram um pastor organizador pode levar de dois a três dias para funcionar. Ele envolve pelo menos quatro áreas da vida da igreja. Primeiro, é vital desenvolver meios para promover o crescimento espiritual do povo do trabalho missionário, estabelecendo práticas de adoração sadias, uma educação e discipulado sólidos, e ministérios para fortalecer e manter as famílias saudáveis. Segundo, é necessário desenvolver e garantir ministérios contínuos de divulgação e evangelismo para cumprir fielmente a Grande Comissão. Essas coisas envolvem, por um lado, ministérios contínuos que façam o trabalho da igreja conhecido ao povo da comunidade na qual a congregação ministra. Envolvem, por outro lado, atividades evangelísticas diretas que apresentem as justas exigências de Deus e o seu plano de salvação dos seus eleitos diante do povo dessa mesma comunidade. Terceiro, é importante desenvolver ministérios de misericórdia para demonstrar a compaixão de Cristo para com a família da fé e para com todos os portadores da imagem de Deus também. Quarto, é importante também que práticas e procedimentos administrativos saudáveis sejam colocados em ação para que a vida e o ministérios da igreja possam ser protegidos e assegurados.

5. Organize o grupo numa igreja nova e separada.

Em Efésios 4.11–16, Paulo descreve o que Cristo fez para tomar as coisas que os crentes têm em comum e edificá-los num corpo maduro de Cristo, num determinado local. O objetivo da plantação de igreja não é simplesmente reunir um grupo de indivíduos que compartilham de interesses em comum, mas estabelecer um corpo de Cristo maduro que seja capaz de cuidar de si mesmo e ministrar Cristo ao mundo em sua volta.

Espera-se que o trabalho realizado ao longo de meses ou anos tenha como resultado final a produção de um corpo maduro de Cristo. Mas esse trabalho deve ser cuidadosamente avaliado pelo escrutínio de presbitérios sábios e objetivos. Determinar a maturidade do grupo e a presença do corpo de Cristo neles não é uma tarefa fácil. Não é tão fácil quanto contar cabeças e dólares e dizer sim quando houve o suficiente deles. Aqueles envolvidos no processo de plantação de igrejas na OPC têm aprendido que fazer várias perguntas e receber respostas consistentes e esperadas é a melhor forma de determinar a capacidade de o grupo continuar por contra própria com seu próprio pastor e oficiais eleitos e assim assumir o seu lugar entre as igrejas (igrejas que trabalham, servem e ofertam) que a ajudaram a começar.

Dessa forma, procuramos respostas para perguntas como as que seguem: O grupo demonstra um comprometimento com uma piedade de conduta, uma comunidade do pacto, uma adoração teocêntrica, uma constância na oração, em ver pessoas transformadas por Cristo através do evangelho, e numa visão e alcance mundial? Os membros do grupo amam, respeitam e preferem uns aos outros? A adoração a Deus como uma congregação une-os e encoraja os seus corações? Eles partilham dos mesmos interesses e preocupações da denominação? Estão orando e contribuindo financeiramente com os seus ministros?

6. Espere que a nova igreja tome o seu lugar entre as igrejas que a ajudaram a começar.

“E sabeis também vós, ó filipenses, que, no início do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber, senão unicamente vós outros; porque até para Tessalônica mandastes não somente uma vez, mas duas, o bastante para as minhas necessidades” (Fp 4.15–16). Paulo estava satisfeito com um papel exemplar que a igreja em Filipo tinha desempenhado em seus esforços de plantar igrejas. Ele estava sutilmente sinalizando: “Se vocês querem ver uma igreja que está realmente assumindo sua carga, olhem para os seus irmãos e irmãs em Filipo”.

Se esse tipo de participação madura com outras igrejas (de mesma confissão) no trabalho do evangelho é esperado, isso deve ser instilado desde o começo do processo de plantação da igreja. Um axioma da prática presbiteriana de plantação de igrejas é que a forma como uma igreja se inicia determinará em muito como ela funcionará quando amadurecer. Se ela há de ser uma igreja presbiteriana, então a presença e supervisão de presbíteros piedosos e competentes deveria estar ali desde o começo. Se há de ser uma igreja que se relaciona, então sua interação com pessoas de outras igrejas deve ser fomentada e modelada desde os primeiros dias. Se há de ser uma congregação que mantém a rica tradição da fé reformada, então os documentos confessionais devem ser conhecidos, ensinados e mencionados nos sermões desde o começo da igreja.

Congregações recém-organizadas que seguem esse modelo filipino não encontram dificuldade em se envolverem na obra do seu presbítero e na vida de sua denominação. Elas têm visto isso praticado e esperam assumir um papel ativo nos assuntos da sua igreja maior.

Conclusão

A plantação de igreja é do começo ao fim um trabalho espiritual. É a implantação de tudo o que a Bíblia ensina com respeito à natureza e propósito da igreja. Mas deve ser lembrado que isso é também um assalto frontal às forças de Satanás. Assim, aqueles que estão envolvidos nesta obra devem permanecer no temor do poder de Deus e na verdade expressa pelo Senhor Jesus em Mateus 16.18: “Eu edificarei a minha igreja”.

O autor é secretário geral do Comitê sobre Missões Nacionais e Plantação de Igrejas.

 

 

Fonte: New Horizons, July-August 2012.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – julho/2012



Sobre o Autor

Ross W. Graham
Ross W. Graham
O autor é ministro na OPC e secretário geral do Comitê sobre Missões Nacionais e Plantação de Igrejas.



 
 

 
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