Outras Categorias

6 de maio de 2010
 

A Separação Marxista da Igreja e o Estado

Mais artigos de »
Escrito por: R. J. Rushdoony
Tags:

Um entendimento da doutrina marxista da separação da igreja e o Estado é urgentemente necessário, porque há uma crescente confusão entre a visão marxista e a antiga posição americana.

No mundo marxista, como na União Soviética, a separação da igreja e o Estado significa que a igreja deve ser totalmente separada de cada área da vida e pensamento. Ela não tem a permissão de educar ou influenciar a educação, muito menos influenciar o Estado. Porque as crianças são vistas como propriedade do Estado, a igreja não pode influenciar ou ensinar as crianças. Em todas as esferas, a igreja é isolada do mundo e vida dos seus tempos e requer-se que ela seja irrelevante e impotente. Na visão marxista, a separação da igreja e o Estado é um grande obstáculo e penalidade legal impostos sobre a igreja. É na verdade uma separação da relevância, do poder de influenciar, e da liberdade para funcionar.

Na visão americana histórica, a Primeira Emenda coloca todas as restrições sobre o governo federal, que é impedido de estabelecer, governar, controlar ou regular a igreja. A visão marxista algema a igreja; a visão americana algema o Estado.

Em anos recentes, o Estado, Congresso, os tribunais e vários presidentes têm manifestado, em diferentes graus, uma aderência à visão marxista. Assim como o poder estatal invadiu todas as outras esferas da sociedade, agora ele está invadindo a igreja. Assegura-se que o Estado tenha total jurisdição sobre cada esfera, e os tribunais em anos recentes têm se pronunciado sobre absurdos tais como código de vestimenta nas escolas e tamanho do cabelo de um garoto. Nenhuma questão é demasiadamente insignificante para ser ignorada pelos tribunais em seu zelo por jurisdição totalitária. Sem serem marxistas, eles compartilham da crença marxista da jurisdição total do Estado. Como esperado, eles estão se movendo na mesma direção.

Isso não deveria nos surpreender. Dada a crença humanista no homem ou Estado como absolutos, qualquer liberdade ou poder alegado pela igreja é visto como irrelevante ou errado. O humanista está sendo fiel à sua fé, às suas pressuposições.

O fato triste é que muitos teólogos compartilham da visão marxista. Para eles a separação da igreja e o Estado significa que a igreja nunca deve se envolver com algo que seja de preocupação política. Sou com frequência informado por leitores sobre pastores e líderes de igreja que não permitem a menção de aborto, homossexualidade, eutanásia e questões semelhantes no púlpito, e nem mesmo nas instalações da igreja. Tais assuntos, insistem eles, são “políticos” e “violam” a separação da igreja e o Estado. Eles chamam de ortodoxia a sua confusão, covardia e heresia.

Os profetas, pregadores de Deus de outrora, eram ordenados pelo Senhor a proclamarem a lei-palavra de Deus com respeito a todas as coisas e a corrigir e repreender reis e governadores. Quando o nosso Senhor promete aos seus discípulos que eles seriam levados diante de governadores e reis por Sua causa, e “para testemunho contra eles” (Mt 10.18), ele não quis dizer que então eles deveriam repudiar a fé, ignorar o aborto e o homossexualismo, e ficarem calados sobre os pecados do Estado!

Não há limites para a área do governo, lei e controle soberano de Deus. Não pode haver limites para as áreas de testemunho da igreja, nem para a sua pregação e preocupações ordenadas.

 

Fonte: Christianity and the State, de R. J. Rushdoony

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto, maio/2010

 



Sobre o Autor

R. J. Rushdoony
R. J. Rushdoony
O Rev. R.J. Rushdoony  (1916-2001), importante teólogo e filósofo calvinista, foi o fundador da Chalcedon Foundation. Ele era especialista no assunto Igreja/Estado e escreveu inúmeras obras sobre a aplicação da lei bíblica à sociedade.



 
 

 

Apontamentos da história da Assembleia de Westminster

A Assembleia de Teólogos de Westminster (1643-1649) foi um grande marco histórico e teológico que fechou um ciclo dourado de produção de documentos confessionais.
por Raneire Menezes
 

 
 

29 de janeiro: meu dia.

29 de janeiro sempre foi dia de festa em minha casa. Ao menos em meu coração. O dia continua impregnado em minha alma, embora com um sabor diferente desde 2006. Afinal, em 16 de julho de 2005 faleceu Francisco Sabino de Araú...
por Felipe Sabino
 

 
 

Jesus Cristo, o ungido do Senhor, reina para sempre

O salmo dois, exuberantemente messiânico e centrado no senhorio de Deus sobre todas as coisas, principia revelando aquela que é a essência do pecado, a rebelião do homem contra o criador; e a recusa do homem em se submeter ...
por José Mario Silva
 

 

 

A linguagem do amor

Um correspondente perguntou-me recentemente (em um tom um tanto acusatório) por que gasto tanto tempo escrevendo sobre as questões do movimento LGBT.
por Carl Trueman
 

 
 

A adoração a Baal

Eis o novo lançamento em kindle da Monergismo.
por Felipe Sabino
 

 
 

Bavinck em kindle.

O teólogo holandês Herman Bavinck (1854-1921) foi um dos maiores teólogos reformados dos últimos séculos. A Editora Monergismo acaba de lançar uma das suas mais importantes obras, ao lado da sua dogmática: A filosofia ...
por Felipe Sabino