Doutrina/Teologia

7 de janeiro de 2012
 

O Deus do Processo

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Escrito por: R. J. Rushdoony
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As origens do modernismo remontam aos primeiros ataques sobre Gênesis 1-11, e sobre a lei mosaica. Esses eram vistos como evidência dos mitos primitivos e da lei primitiva. O século dezenove via muito interesse nos antigos códigos legais; esses supostamente mostravam elementos comuns com a lei mosaica, e dessa forma foi sustentado que a lei mosaica era derivada, não original. Similarmente, mitos em todo o mundo sobre a criação, um dilúvio universal e coisas similares, supostamente provavam a natureza mitológica do relato bíblico; parece que não ocorreu a esses estudiosos que o relato bíblico fosse verdadeiro, e os outros derivados deste.

Vemos hoje um desenvolvimento similar nos círculos evangélicos e reformados. Primeiro, a lei de Deus foi abandonada como pertinente apenas às tribos hebraicas e, portanto, “primitiva” e rural em sua orientação. Mas a lei é a vontade do Soberano para o seu povo, e abandonar a lei de Deus é negar-lhe soberania. Dessa forma, não é surpresa que muitos círculos dentro do fundamentalismo, tendo negado a lei de Deus, têm negando qualquer Senhorio atual a Jesus Cristo. Se ele não tem nenhuma lei agora, ele não pode ser Senhor. Dessa forma, a lógica do mundo de Deus tem levado muitos antinomianos, se não quase todos, a negar o Senhorio a Jesus Cristo.

Em alguns círculos evangélicos e reformados, bem como em outras tradições teológicas, há hoje um antinomianismo militante e uma hostilidade à historicidade de Gênesis 1-11. Alguns pastores expressam abertamente o seu desprezo por aqueles que defendem Gênesis capítulos 1 ao 11. Supostamente, os que aceitam a Escritura têm lido ingenuamente material simbólico como se fosse história. Sem dúvida, o texto bíblico fala claramente como história, e enfatiza os dias da criação como dias reais de 24 horas.

Tal abordagem tem grandes implicações para a teologia e interpretação bíblica. Se Gênesis capítulos 1 ao 11 não são história literal, por que não ler os relatos da ressurreição como simbólicos também? Certamente os relatos do nascimento virginal soam às vezes como poesia, então por que não chamá-los de simbólicos também?

Os campões da visão simbólica desprezam aqueles que afirmam a historicidade de Gênesis 1-11. Seus argumentos contra Gênesis 1-11 são vagos e capciosos, mas o seu desprezo é muito real. Tendo em efeito adotado uma visão não bíblica de Deus, eles não podem admitir a veracidade da sua Palavra. O deus deles é o processo, não o Criador.

Deus como processo é básico para aqueles que querem a evolução juntamente com uma fé religiosa que de alguma forma retenha o conceito deus. A evolução é um processo cujo deus é o tempo. A alternativa ao Deus bíblico é o acaso, e, há tempos, tem sido sustentado que, tendo tempo suficiente, o acaso poderia realizar qualquer coisa. Julian Huxley e outros têm mantido essa visão; tendo tempo suficiente, qualquer coisa pode acontecer num mundo de acasos. Se um grande número de macacos escrevessem em máquinas datilográficas por um tempo sem fim, eles eventualmente reproduziriam todas as obras de Shakespeare. Mas essa ilustração famosa é uma farsa. Ela pressupõe vários macacos, máquinas de escrever e armazéns cheios de papéis, os quais de alguma forma alimentariam as máquinas de datilografia. De onde vêm todas essas coisas? E o que mantém os macacos nas máquinas de escrever por anos, e evita que eles as destruam? Essa ilustração absurda desmente o acaso e a evolução. De tais suposições ridículas o mito da evolução é construído.

O deus da evolução é o processo; o processo requer bilhões de anos, e isso é assumir demais. De alguma forma, um átomo original veio à existência, possuindo em si mesmo toda a potencialidade desse cosmos e todavia inconsciente, um deus tão grande quanto o Deus bíblico, mas convenientemente sem consciência ou tribunal! Que Deus conveniente para pecadores!

Não se engane sobre isso. Esses pastores piedosos, que querem que nós assumamos as visões mais “inteligentes” deles sobre Gênesis 1-11, estão ocupados em fazer deuses para nós! Não surpreendentemente, um teólogo ortodoxo oriental que promovia tais visões expressava abertamente o seu desprezo pelo “biblicismo” e “bibliolatria”, mas promovia outro deus e uma igreja apropriadamente estética! Ele considerava o Protestantismo com sua fé na Escritura como “primitivo”.

Embora esses tolos letrados estejam ocupados em nos condenar, temos o fato interessante da perspectiva deles ser uma de derrota, como pessoas que negam seus próprios artigos de religião e a sua carta régia, a Bíblia.

Lembre-se que muitos dos “pais” da igreja primitiva, sendo greco-romanos em sua perspectiva, achavam a Bíblica dolorosamente “ingênua” para intelectuais como eles. A igreja cresceu a despeito deles, pois havia o suficiente de pessoas “simples” que tomaram a palavra de Deus séria e literalmente. O futuro não pertence a homens que odeiam o Deus vivo, pois o deus do processo que eles têm não pode criar nem salvar. Sem dúvida, o deus que os pecadores desejam é um que lhes permita serem criadores, os arquitetos de uma nova ordem mundial. Os capitólios do mundo estão cheios de tais deuses, assim como as vilas e cidades. Mas devem as igreja estar cheias deles também?

 

Fonte: Faith for All of Life, fevereiro de 1998.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – 06 de janeiro de 2011.



Sobre o Autor

R. J. Rushdoony
R. J. Rushdoony
O Rev. R.J. Rushdoony  (1916-2001), importante teólogo e filósofo calvinista, foi o fundador da Chalcedon Foundation. Ele era especialista no assunto Igreja/Estado e escreveu inúmeras obras sobre a aplicação da lei bíblica à sociedade.



 
 

 

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