Apologética

15 de março de 2013
 

Propriedades das duas Cidades ― a Terrestre e a Celeste

Mais artigos de »
Escrito por: Santo Agostinho
Tags:, ,

 

Dois amores fizeram as duas cidades: o amor de si até ao desprezo de Deus ― a terrestre; o amor de Deus até ao desprezo de si ― a celeste.

Aquela glorifica-se em si própria ― esta no Senhor;

aquela solicita dos homens a glória ― a maior glória desta consiste em ter Deus como testemunha da sua consciência;

aquela na sua glória levanta a cabeça ― esta diz ao seu Deus:

            Tu és minha glória, tu levantas a minha cabeça;

aquela nos seus príncipes ou nações que subjuga, e dominada pela paixão de dominar ― nesta servem mutuamente na caridade: os chefes dirigindo, os súbditos obedecendo;

aquela ama a sua própria força nos seus potentados ― esta diz ao seu Deus:

            Amar-te-ei, Senhor, minha fortaleza;

por isso, naquela, os sábios vivem como ao homem apraz ao procurarem os bens do corpo, ou da alma, ou dos dois: e os que puderam conhecer a Deus

não o glorificaram como Deus, nem lhe prestaram graças, mas perderam-se nos seus vãos pensamentos e obscureceram o seu coração insensato. Gabaram-se de serem sábios, (isto é, exaltando-se na sua sabedoria sob o império do orgulho)

tornaram-se loucos ― e substituíram a glória de Deus incorruptível por imagens representando o homem corruptível, aves, quadrúpedes e serpentes.

(porque à adoração de tais ídolos conduziram os povos ou nisso os seguiram)

e veneraram e prestaram culto a criaturas em vez de ao Criador que é bendito para sempre,

― mas nesta só há uma sabedoria no homem: a piedade que presta ao verdadeiro Deus o culto que lhe é devido e que espera, como recompensa na sociedade dos santos (tanto dos homens como dos anjos),

que Deus seja tudo em todos.

 

Fonte: Santo Agostinho, A Cidade de Deus, Vol. II (Edição da Fundação Calouste Gulberkian, abril 1993; tradução de J. Dias Pereira), p. 1319-1320.



Sobre o Autor

Santo Agostinho
Nascido no século IV da era cristã, Santo Agostinho, bispo de Hipona, foi um dos primeiros filósofos-teólogos a sistematizar uma soteriologia monergista, isto é, um sistema teológico da salvação cuja ênfase está na soberania de Deus como a causa eficiente e absoluta da salvação humana. Além disso, ele veio a se tornar um dos principais colaboradores ao pensamento ocidental, tanto no campo da teologia quanto no da filosofia.



 
 

 

Introdução à filosofia e apologética cristãs

Está disponível para kindle uma das melhores introduções à filosofia e apologética cristãs. O autor é um dos mais fiéis seguidores do pressuposicionalismo clarkiano: Carl F. H. Henry. Compre agora:  
por Felipe Sabino
 

 
 

Um Grupo de Pandas

~ 1 ~ Sou cristão, filósofo/logicista novato e cientista em biologia molecular. Estou lendo seus livros Questões Últimas e Confrontações Pressuposicionais. Neste último, você afirma o seguinte sobre a confiabilidade ...
por Vincent Cheung
 

 
 

Univocidade: Trueman, Clark e Henry

Carl Trueman é definitivamente um dos melhores teólogos presbiterianos dos nossos dias. Contudo, o exemplo abaixo mostra como mesmo os grandes erram, e erram feio: notion of univocity (that, for example, the word ‘good&...
por Felipe Sabino
 

 

 

Considerações sobre a Filosofia da Idéia Cosmonômica

O filósofo reformado Herman Dooyeweerd acaba de ser introduzido no mercado literário brasileiro, através da publicação, pela editora Hagnos, de sua obra In the twilight of the western thought, em português, intitulada: ...
por Filipe Fontes
 

 
 

Lógica Pressuposicional

Preciso dizer isso de novo. Sou um aprendiz lerdo. Dãr! Ora, após 30 anos pensando que era pressuposicionalista, o Dr. Greg Bahnsen mudou a minha mente. Eu estava perto, mas não o suficiente. Há duas coisas que desafiam tod...
por Ian Hodge
 

 
 

O Dia em que o Avião de Francis Schaeffer Quase Caiu

Uma vez eu estava voando à noite no Atlântico Norte. Foi em 1947, e eu estava voltando da minha primeira visita à Europa. Nosso avião, um desses DC4 antigos com dois motores em cada asa, estava a dois ou três minutos no me...
por Francis Schaeffer