Apologética

24 de outubro de 2010

E a rebimboca da parafuseta?

Suponha que eu deseje que você faça algum trabalho duro para mim. Você pergunta: “Qual é o pagamento?”. E eu respondo: “Verdadeiro pagamento consiste de amigos, felicidade e uma vida longa. Ademais, o trabalho envolve um monte de levantamento de peso, de forma que será um bom exercício e contribuirá para uma vida longa”. Você está convencido? Ou pensa que estou evitando sua pergunta? Minha resposta pode ter algum valor em outro contexto, mas não é relevante para a sua preocupação. Antes, estou impondo outro significado sobre um termo chave, e estou me dirigindo a esse significado. Você pensaria que sou estúpido ou desonesto.

Quando você pergunta sobre o pagamento, você está se referindo ao dinheiro, à quantia de dólares americanos que irei transferir da minha conta para a sua. Sua preocupação não tem nada a ver com verdadeiras riquezas ou o significado profundo da vida. O significado do termo está estabelecido em sua pergunta, e mesmo que o dicionário liste várias outras definições, somente uma importa neste contexto, e essa é aquela que você está usando. Ora, minha resposta parece ridícula: “Verdadeiros dólares americanos consiste de amigos, felicidade e uma vida longa”. Isso é obviamente irrelevante. A resposta verdadeira é: “Não, eu não vou te pagar”.

Quando a mesma palavra é usada com dois significados diferentes, uma ou ambas as palavras podem ser substituídas, quer por palavras diferentes, ou com expressões que representem os significados que se pretende passar com essas palavras. Podemos reproduzir o diálogo dessa forma: “Qual é a quantia de dólares americanos que você me dará?” “Eu lhe darei $0. Contudo, você receberá um tipo diferente de recompensa que consiste de amigos, felicidade e uma vida longa”. Em outras palavras, quando X é usado de duas formas, é sempre possível declarar a questão em termos de Y e Z. Se X é mais apropriadamente associado com um dos dois significados num determinado contexto, então a questão pode ser declarada em termos de X e Y, ou Y e X. Isso é muito mais claro, mas preciso admitir o fato que te darei $0, embora tente te convencer a trabalhar para mim ao oferecer-lhe outro tipo de motivação. Isso torna a minha posição mais honesta.

Agora considere algo que lemos na Teologia Sistemática de Louis Berkhof. Escreve ele: “Dizem que a doutrina da perseverança é incoerente com a liberdade humana. Mas esta objeção parte da falsa pressuposição de que a verdadeira liberdade consiste na liberdade da indiferença, ou no poder de fazer escolha contrária em questões morais e espirituais. Contudo, isto é errôneo. A verdadeira liberdade consiste exatamente na autodeterminação rumo à santidade. O homem nunca é mais livre do que quando se move conscientemente em direção a Deus. E o cristão está com essa liberdade pela graça de Deus”.

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Sobre o Autor

Vincent Cheung
Vincent Cheung é autor de trinta livros e centenas de palestras sobre uma gama de assuntos em teologia, filosofia, apologética e espiritualidade. Através dos seus livros e palestras, ele está treinando cristãos para entender, proclamar, defender e praticar a cosmivisão bíblica como um sistema de pensamento abrangente e coerente, revelado por Deus na Escritura. Vincent Cheung reside em Boston com sua esposa Denise.




 
 

 

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