Apologética

27 de julho de 2010

Redenção: a família de Cristo

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Escrito por: Vincent Cheung
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“E porei inimizade entre você e a mulher, e entre sua semente e a semente dela; esta lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar” (Gn 3.15).

Todas as coisas acontecem pela vontade e pelo poder de Deus — de acordo com seu conhecimento. Com isto quero dizer que um acontecimento se dá apenas pelo fato de ele o ter desejado e causado. Não há poder independente dele ou que compita com ele. Caso não houvesse outro motivo, isto seria necessariamente verdadeiro pelo fato de Deus se revelar como o detentor do controle total e ativo sobre todas as coisas, de modo que se exclui a própria possibilidade de um segundo poder. Seu conhecimento é completo; assim ele conhece todos os acontecimentos, até os pensamentos e os atos humanos. Visto que Deus decide e causa todas as coisas, seu conhecimento está necessariamente ligado à sua vontade e poder. Isto é: ele conhece todos os acontecimentos porque os decide e causa, e conhece seus próprios planos e propósitos.

A queda do homem não foi um acidente. Se o pardal não pode morrer à parte da vontade de Deus, e se o homem é incapaz de tornar o cabelo preto ou branco, então à semelhança de todos os acontecimentos, a queda do homem ocorreu porque Deus a decretou e causou. Isto não significa que o próprio Deus realizou o mal, mas que ele fez o homem realizar o mal de forma soberana e justa. Todas as tentativas de refutar esta posição acabam por diminuir a pessoa de Deus — o soberano por direito e poder —, cujos decretos e ações estabelecem a própria definição de bondade e justiça. Não há padrão maior à parte de Deus, e pelo qual se possa julgá-lo. Não admitimos um padrão para julgar a bondade divina ou para lhe restringir o que é permitido fazer; em vez disso, derivamos o padrão da bondade do aprendizado do que ele pensa e faz.

Assim, a queda do homem foi um passo do plano de Deus. A Escritura ensina que o maior propósito de Deus é glorificar a si mesmo, e que ele o decidiu fazer por intermédio de seu Filho, Jesus Cristo, que resgataria o povo eleito, subjugaria todas as coisas, e entregaria ao Pai um reino de sacerdotes, de verdadeiros adoradores. A fim de cumprir esse propósito, era necessário lançar toda a humanidade no pecado, na morte espiritual e no juízo, para que Deus salvasse alguns por meio de Jesus Cristo.

Este plano de salvação foi revelado, em termos gerais, imediatamente após a queda do homem. Adão era o cabeça da raça humana, e quando pecou, todos os seus descendentes caíram com ele. Desse momento em diante, todo homem e mulher seriam concebidos com a natureza pecaminosa e com a culpa incidente na condenação. Foi nesse ponto que Deus pôs em prática o passo seguinte do seu plano, e declarou a divisão da humanidade. Ele disse que nem todos os homens seguiriam Satã, e que haveria uma linhagem humana que se oporia ao diabo e a seus filhos. Essa hostilidade chegaria ao ponto culminante ao receber o cumprimento final em um homem. No tempo devido, ele nasceria de uma mulher e se tornaria o campeão da linhagem dos justos. Ele salvaria seu povo e destruiria o poder do diabo.

Deus fez acréscimos a essa promessa e a desenvolveu por meio de sua revelação, narrada e registrada por seus profetas; no entanto, a ideia básica foi anunciada, e os que esperavam por ela e criam nela eram declarados membros da linhagem justa dentre a humanidade. Essa mensagem permaneceu inalterada ao longo dos séculos. A diferença era a quantidade de informações disponíveis a seu respeito. Exigia-se de cada geração afirmar o que Deus já revelara até o momento. À medida que os detalhes eram descobertos, tornava-se mais evidente que esse homem seria plenamente divino e humano, e que isso se tornaria possível por meio da encarnação de Deus. A plenitude da revelação foi manifesta em Jesus Cristo, e exposta por seus apóstolos.

Foram feitos muitos acréscimos à declaração inicial, mas a promessa permaneceu inalterada. Desde o princípio, a promessa se referia à vinda de Jesus Cristo para salvar seu povo eleito. Não se trata de um anacronismo, mas de um auxílio para a unidade do nosso entendimento, declarar que todos os crentes na promessa ao longo da história humana, incluindo-se os que creram antes da vinda de Cristo, devem ser chamados cristãos. Desse modo, Hebreus 11 diz que Moisés preferiu sofrer a reprovação por causa de Cristo a usufruir os tesouros do Egito. E Pedro escreveu que o Espírito de Cristo estava nos profetas, e lhes revelou os tempos e as circunstâncias que envolviam a encarnação e o ministério do Salvador. Portanto, da perspectiva da revelação completa, percebemos agora que a humanidade estava dividida entre a linhagem de Cristo e a linhagem de Satã, ou em cristãos e não cristãos.

Esses grupos são as duas famílias que se antagonizam ao longo da história, e esse conflito continuará até a consumação de todas as coisas. A hostilidade não foi diminuída; ao contrário, foi acentuada pela vinda de Jesus Cristo. Ele disse que não veio trazer paz, mas a espada. Ele seria a causa do aumento da rixa entre nações, culturas e familiares. A pregação do evangelho compele os homens à escolha de um lado, ou melhor, revela em que lado eles se encontram. Quando anunciamos o Senhor Jesus, a família de Satã suscita a oposição, mas a família de Cristo é estimulada à fé e justiça, toma suas armas espirituais, e se une à luta para a glória de Deus.

 

Tradução: Rogério Portella



Sobre o Autor

Vincent Cheung
Vincent Cheung é autor de trinta livros e centenas de palestras sobre uma gama de assuntos em teologia, filosofia, apologética e espiritualidade. Através dos seus livros e palestras, ele está treinando cristãos para entender, proclamar, defender e praticar a cosmivisão bíblica como um sistema de pensamento abrangente e coerente, revelado por Deus na Escritura. Vincent Cheung reside em Boston com sua esposa Denise.




 
 

 

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