Timothy Keller
O evangelho é o elemento central da vida cristã e renova continuamente o crente e a Igreja. Este artigo apresenta quinze maneiras pelas quais o evangelho afeta o crente e oito maneiras pelas quais nutre a Igreja.
PRINCÍPIO
Em Gálatas 2.14, Paulo estabelece um princípio poderoso. Ele confronta o orgulho racial e a covardia de Pedro, declarando que este não estava vivendo “segundo a verdade do evangelho”. Vemos, com isso, que a vida cristã é um processo de renovação de todas as dimensões da nossa vida — espiritual, psicológica, comunitária e social —, à medida que pensamos, esperamos e vivemos segundo as “linhas” ou os desdobramentos do evangelho. O evangelho deve ser aplicado a todas as áreas do pensamento, dos sentimentos, dos relacionamentos, do trabalho e do comportamento. As implicações e aplicações de Gálatas 2.14 são vastas.
PARTE I: IMPLICAÇÕES E APLICAÇÕES
IMPLICAÇÃO Nº 1 — O PODER DO EVANGELHO
Primeiro, Paulo nos mostra que aplicar a verdade do evangelho a todas as áreas da vida é o meio pelo qual somos transformados pelo poder de Deus. A Bíblia descreve o evangelho nos termos mais extraordinários. Os anjos anelam perscrutá-lo incessantemente (1 Pedro 1.12). Ele não apenas nos concede poder, mas é o próprio poder de Deus, pois Paulo afirma: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação” (Rm 1.16). É também a bênção de Deus, cujos benefícios alcançam qualquer pessoa que dela se aproxime (1Co 9.23). Chega a ser chamado de a própria luz da glória de Deus: “não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo… Porque Deus… resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” (2Co 4.4, 6).
Depois que o evangelho nos regenera e somos convertidos, ele se torna o instrumento de todo crescimento contínuo e progresso espiritual: “em todo o mundo, está produzindo fruto e crescendo, tal acontece entre vós, desde o dia em que ouvistes e entendestes a graça de Deus na verdade” (Cl 1.6). Aqui aprendemos várias coisas: (1) O evangelho é algo vivo (cf. Rm 1.16), como uma semente ou uma árvore que produz cada vez mais vida — produzindo fruto e crescendo. (2) O evangelho é “plantado” em nós para produzir fruto somente à medida que compreendemos profundamente sua grandeza e suas implicações — entendestes a graça de Deus na verdade. (3) O evangelho continua crescendo em nós e nos renovando ao longo de toda a nossa vida — desde o dia em que ouvistes. Esse texto nos ajuda a evitar tanto uma abordagem exclusivamente racionalista quanto uma abordagem mística da renovação. Por um lado, o evangelho tem um conteúdo — é uma doutrina profunda. É verdade e, especificamente, é a verdade acerca da graça de Deus. Por outro lado, porém, essa verdade é um poder vivo que expande continuamente sua influência em nossa vida, assim como uma plantação ou uma árvore cresce, espalha-se e passa a dominar uma área cada vez maior com suas raízes e seus frutos.
IMPLICAÇÃO Nº 2 — A SUFICIÊNCIA DO EVANGELHO
Em segundo lugar, Paulo mostra que, na vida cristã, nunca “ultrapassamos o evangelho” para chegar a algo mais avançado. O evangelho não é o primeiro degrau de uma escada de verdades; é, antes, como o eixo de uma roda de verdades. O evangelho não é apenas o bê-á-bá, mas tudo, de A a Z, do cristianismo. O evangelho não é a doutrina mínima necessária para entrar no reino, mas o meio pelo qual fazemos todo o nosso progresso dentro dele.
Não somos justificados pelo evangelho para depois sermos santificados pela obediência; antes, o evangelho é o meio pelo qual crescemos (Gl 3.1-3) e somos renovados (Cl 1.6). Ele é a solução para cada problema, a chave para cada porta fechada, o poder que nos faz transpor todas as barreiras (Rm 1.16-17). É muito comum, na igreja, pensar da seguinte maneira: “O evangelho é para os não cristãos. É necessário para a salvação. Mas, depois de salvo, você cresce por meio do esforço e da obediência”. Colossenses 1.6, porém, mostra que isso é um erro. Tanto a confissão quanto o “esforço árduo” que não brotam do evangelho nem estão em conformidade com ele não o santificarão — antes, o sufocarão. Todos os nossos problemas decorrem de não aplicarmos o evangelho. Por isso, quando Paulo deixou os efésios, ele os entregou “à palavra da sua graça, que tem poder para vos edificar” (At 20.32).
O principal problema da vida cristã, portanto, é que não refletimos suficientemente sobre as profundas implicações do evangelho; não “utilizamos” o evangelho em todas as áreas da nossa vida nem o aplicamos a todas elas. Richard Lovelace afirma que os problemas da maioria das pessoas decorrem simplesmente de não estarem orientadas pelo evangelho — de não o compreenderem nem crerem nele plenamente.[1] Lutero afirma: “[A verdade do evangelho] é também o artigo principal de toda a doutrina cristã. […] É, portanto, absolutamente necessário que conheçamos bem esse artigo, que o ensinemos aos outros e o mart elemos continuamente na cabeça deles”.[2] O evangelho não é fácil de compreender. Paulo afirma que o evangelho realiza sua obra de renovação em nós somente à medida que o compreendemos em toda a sua verdade. Todos nós, em alguma medida, vivemos em torno da verdade do evangelho, mas não chegamos a “entendê-la”. Assim, a chave para uma renovação espiritual e um avivamento contínuos e cada vez mais profundos é a redescoberta contínua do evangelho. A descoberta de uma nova implicação ou aplicação do evangelho — a percepção de mais uma dimensão de sua verdade — é uma etapa importante de qualquer renovação. Isso vale tanto para o indivíduo quanto para a igreja.
APLICAÇÕES
Os dois “ladrões” do evangelho
Como Paulo emprega a metáfora de estar “alinhado” com o evangelho, podemos entender que a renovação pelo evangelho ocorre quando evitamos nos desviar dessa linha, seja para a direita, seja para a esquerda. Uma das chaves para refletir sobre as implicações do evangelho é considerá-lo uma terceira via entre dois extremos equivocados. Entretanto, precisamos compreender que o evangelho não é uma solução de compromisso a meio caminho entre esses dois polos — ele não produz algo intermediário, mas algo diferente de ambos.
Tertuliano, escritor cristão dos séculos II e III, afirmou: “Assim como Cristo foi crucificado entre dois ladrões, também essa doutrina da justificação está sempre crucificada entre dois erros opostos”. Ele queria dizer que existem duas maneiras fundamentalmente falsas de pensar, cada uma das quais nos “rouba” o poder e o caráter distintivo do evangelho, puxando-nos para um lado ou para o outro da “linha do evangelho”. Esses dois erros são muito poderosos porque representam a tendência natural do coração e da mente humanos.
(O evangelho é “revelado” por Deus [Rm 1.17] — a mente humana, entregue a si mesma, não consegue concebê-lo.) Esses “ladrões” podem ser chamados, de um lado, de moralismo ou legalismo e, de outro, de hedonismo ou relativismo. Outra maneira de expressar isso é dizer que o evangelho se opõe tanto à religião quanto à irreligião (ver Mt 21.31; 22.10). De um lado, o moralismo/a religião enfatiza a verdade sem a graça, pois afirma que precisamos obedecer à verdade para sermos salvos. De outro, o relativismo/a irreligião enfatiza a graça sem a verdade, pois afirma que todos somos aceitos por Deus (se é que Deus existe) e que precisamos decidir por nós mesmos o que é verdadeiro. Mas a “verdade” sem a graça não é realmente verdade, e a “graça” sem a verdade não é realmente graça. Jesus era “cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). Qualquer religião ou filosofia de vida que diminua a importância de uma dessas verdades ou a perca de vista cai no legalismo ou na libertinagem e, em ambos os casos, a alegria, o poder e a libertação proporcionados pelo evangelho nos são roubados.
O ladrão do moralismo-religião. Como o moralismo/a religião roubam a alegria e o poder?
O moralismo é a concepção de que você se torna aceitável (para Deus, para o mundo, para os outros e para si mesmo) por meio de suas realizações. Os moralistas não precisam ser religiosos, mas frequentemente o são. Quando são, sua religião costuma ser bastante conservadora e repleta de regras. Às vezes, os moralistas têm uma concepção de Deus como alguém muito santo e justo. Essa concepção os levará a uma de duas coisas: (a) odiar a si mesmos (porque não conseguem corresponder aos padrões) ou (b) engrandecer a si mesmos (porque acreditam ter correspondido aos padrões). É irônico que os complexos de inferioridade e de superioridade tenham exatamente a mesma raiz. Se o moralista acaba presunçoso e convencido de sua superioridade ou arrasado e consumido pela culpa, isso depende apenas de quão elevados são os padrões e de suas vantagens naturais, como família, inteligência, aparência e força de vontade. Pessoas moralistas podem ser profundamente religiosas — mas não há nelas alegria nem poder transformadores.
O ladrão do relativismo-irreligião. Como o relativismo rouba a alegria e o poder?
Os relativistas geralmente não são religiosos ou, então, preferem o que se chama religião “liberal”. À primeira vista, parecem mais felizes e tolerantes do que as pessoas moralistas/religiosas. Embora possam ser extremamente idealistas em algumas áreas (como a política), acreditam que cada pessoa precisa determinar por si mesma o que é certo e errado. Não estão convencidos de que Deus é justo e precisa punir os pecadores. Suas crenças a respeito de Deus tendem a retratá-lo como amoroso ou como uma força impessoal. Podem falar muito sobre o amor de Deus, mas, como não se consideram pecadores, o amor de Deus pela humanidade não lhe custa nada. Se Deus nos aceita, é porque ele é muito acolhedor ou porque não somos tão maus assim. A concepção do amor de Deus apresentada pelo evangelho é muito mais rica, profunda e eletrizante.
O que as pessoas religiosas e irreligiosas têm em comum?
Elas parecem muito diferentes, mas, do ponto de vista do evangelho, são, na verdade, iguais.
Ambas procuram evitar Jesus como Salvador e manter o controle da própria vida.
As pessoas irreligiosas procuram ser suas próprias salvadoras e senhoras por meio do orgulho “mundano”. (“Ninguém vai dizer a mim como viver ou o que fazer; eu determino o que é certo e errado para mim!”) Mas as pessoas moralistas e religiosas procuram ser suas próprias salvadoras e senhoras por meio do orgulho “religioso”. (“Sou mais moral e espiritual do que os outros, portanto Deus tem a obrigação de ouvir minhas orações e me levar para o céu. Deus não pode simplesmente permitir que qualquer coisa me aconteça — ele me deve uma vida feliz. Eu a mereci!”) A pessoa irreligiosa rejeita Jesus por completo; a pessoa religiosa usa Jesus como exemplo, ajudador e mestre — mas não como Salvador. Em seu romance Wise Blood, a personagem principal de Flannery O’Connor, Hazel, pensa “que a maneira de evitar Jesus [é] evitar o pecado”. São duas maneiras diferentes de fazer a mesma coisa — controlar a própria vida. (Observe: ironicamente, os moralistas, apesar de toda a ênfase nos padrões tradicionais, são, em última análise, egocêntricos e individualistas, porque se colocaram na posição de seus próprios salvadores. Os relativistas, apesar de toda a ênfase na liberdade e na aceitação, são, em última análise, moralistas, porque ainda precisam corresponder aos [seus próprios] padrões ou cair em desespero. E frequentemente se orgulham muito de sua própria abertura de espírito e julgam os que não a possuem.)
Ambas se baseiam em concepções distorcidas do Deus verdadeiro.
A pessoa irreligiosa perde de vista a lei e a santidade de Deus, e a pessoa religiosa perde de vista o amor e a graça de Deus; no fim, ambas perdem inteiramente o evangelho. Pois o evangelho consiste no fato de que, na cruz, Jesus cumpriu a lei de Deus por amor a nós. Sem uma compreensão plena da obra de Cristo, a realidade da santidade de Deus fará sua graça parecer irreal, ou a realidade do amor de Deus fará sua santidade parecer irreal. Somente o evangelho — o fato de sermos tão pecadores que precisamos ser salvos inteiramente pela graça — nos permite ver Deus como ele realmente é. O evangelho nos mostra um Deus muito mais santo do que o legalista pode suportar (ele teve de morrer porque não podíamos satisfazer suas santas exigências) e, ao mesmo tempo, muito mais misericordioso do que um humanista pode conceber (ele teve de morrer porque nos amava).
Ambas negam nosso pecado — e, por isso, perdem a alegria e o poder da graça.
É evidente que as pessoas relativistas e irreligiosas negam a profundidade do pecado e, por isso, a mensagem “Deus ama você” não tem poder para elas. Mas, embora as pessoas religiosas possam estar extremamente arrependidas e pesarosas por seus pecados, veem os pecados simplesmente como uma incapacidade de corresponder aos padrões pelos quais estão tentando salvar a si mesmas. Não enxergam o pecado como a justiça própria e o egocentrismo mais profundos por meio dos quais procuram viver independentemente de Deus. Assim, quando recorrem a Jesus em busca de perdão, fazem-no apenas como um meio de encobrir as falhas em seu projeto de autossalvação. E, quando alguém diz: “Sei que Deus perdoa, mas não consigo perdoar a mim mesmo”, o que quer dizer é que rejeita a graça de Deus e insiste em ser digno de seu favor. Portanto, até mesmo as pessoas religiosas com “baixa autoestima” estão, na verdade, nessa condição porque se recusam a reconhecer a profundidade do pecado. Veem-no apenas como transgressão de regras, não como rebelião e tentativa de salvar a si mesmas.
UMA MANEIRA INTEIRAMENTE NOVA DE VER DEUS
Os cristãos passaram a adotar uma maneira inteiramente nova de se aproximar de Deus. Talvez tenham passado por fases tanto religiosas quanto irreligiosas no passado, mas chegaram à conclusão de que os motivos de sua irreligião e de sua religião eram essencialmente os mesmos — e essencialmente errados! Os cristãos passam a perceber que tanto seus pecados quanto suas melhores obras foram maneiras de evitar Jesus como Salvador. Passam a compreender que o cristianismo não é, fundamentalmente, um convite para se tornar mais religioso. O cristão passa a dizer: “Embora muitas vezes eu tenha deixado de obedecer à lei moral, o problema mais profundo era por que eu tentava obedecer a ela. Até mesmo meus esforços para obedecer à lei não passavam de maneiras de tentar ser meu próprio salvador. Com essa mentalidade, mesmo quando obedeço ou peço perdão, na verdade estou resistindo ao evangelho e colocando a mim mesmo na posição de salvador”. “Compreender” o evangelho é abandonar a autojustificação e confiar nos méritos de Jesus para ter um relacionamento com Deus. Os irreligiosos não se arrependem de modo algum, e os religiosos se arrependem apenas de seus pecados; os cristãos também se arrependem de sua justiça. Essa é a distinção entre os três grupos — cristãos, moralistas (religiosos) e pragmatistas (irreligiosos).
RESUMO
Sem o conhecimento da extrema gravidade do nosso pecado, o preço pago na cruz parece trivial e não nos arrebata nem nos transforma. Mas, sem o conhecimento da vida e da morte de Cristo, que satisfizeram plenamente as exigências divinas, a consciência do pecado nos esmagaria ou nos levaria a negá-lo e reprimi-lo. Elimine-se o conhecimento do pecado ou o conhecimento da graça, e a vida das pessoas não será transformada. Elas serão esmagadas pela lei moral ou fugirão dela com indignação. Portanto, o evangelho não consiste em passarmos da irreligiosidade à religiosidade, mas em percebermos que os motivos de ambas, nossa religiosidade e nossa irreligiosidade, eram essencialmente os mesmos e essencialmente errados. Estávamos tentando ser nossos próprios salvadores e, assim, manter o controle da nossa vida. Quando confiamos em Cristo como nosso Redentor, deixamos de confiar, para nossa salvação, tanto na autodeterminação quanto na abnegação, tanto no hedonismo quanto no moralismo.
UMA MANEIRA INTEIRAMENTE NOVA DE VER A VIDA
Paulo nos mostra, portanto, que não devemos simplesmente perguntar, em cada área da vida: “Qual é a maneira moral de agir?”, mas: “Qual é a maneira de agir que está em conformidade com o evangelho?”. Precisamos refletir continuamente sobre as implicações do evangelho para evitar que sigamos nossas tendências habituais ao moralismo ou ao individualismo. Precisamos colocar tudo em conformidade com o evangelho.
Observação: Os relativistas (como vimos acima) são, em última análise, moralistas e, portanto, só conseguem respeitar outras pessoas que acreditam que tudo é relativo! Os cristãos, porém, não podem se sentir moralmente superiores aos relativistas.
PARTE II: A CHAVE PARA TUDO
O evangelho é o meio pelo qual qualquer coisa é renovada e transformada por Cristo — seja um coração, um relacionamento, uma igreja ou uma comunidade. Ele é a chave para toda a doutrina e para nossa maneira de encarar a vida neste mundo. Portanto, todos os nossos problemas decorrem da falta de orientação pelo evangelho. Em termos positivos, o evangelho transforma nosso coração, nosso pensamento e nossa maneira de encarar absolutamente tudo.
A. O EVANGELHO E O INDIVÍDUO
1. A postura diante do desânimo. Quando uma pessoa está deprimida, o moralista diz: “Você está transgredindo as regras — arrependa-se”. O relativista, por outro lado, diz: “Você só precisa amar e aceitar a si mesmo”. Sem o evangelho, trataremos das questões superficiais em vez de lidar com o coração. O moralista trabalhará o comportamento, e o relativista trabalhará as próprias emoções. Mas (supondo que não haja uma causa fisiológica para a depressão) o evangelho nos leva a examinar a nós mesmos e dizer: “Algo em minha vida se tornou mais importante do que Deus, um pseudossalvador, uma forma de justiça pelas obras”. O evangelho nos conduz ao arrependimento, e não simplesmente a mobilizar nossa força de vontade contra problemas superficiais.
2. A postura diante do mundo físico. Alguns moralistas são indiferentes ao mundo físico e o consideram “sem importância”. Outros moralistas têm verdadeiro medo do prazer físico e, como procuram conquistar sua salvação, preferem concentrar-se nos pecados de natureza física, como a falta de domínio sobre os impulsos sexuais e outros apetites. É mais fácil evitar esses pecados do que os pecados do espírito, como o orgulho. Por isso, os moralistas preferem considerar os pecados do corpo piores do que os de outras espécies. O legalismo resultante geralmente leva à aversão ao prazer. O relativista, por outro lado, frequentemente é um hedonista, alguém dominado pelo prazer e que faz dele um ídolo. O evangelho nos leva a reconhecer que Deus criou tanto o corpo quanto a alma e, portanto, redimirá tanto o corpo quanto a alma, embora ambos tenham sido corrompidos pelo pecado. Assim, o evangelho nos leva a desfrutar do mundo físico (e a combater os males físicos, como a doença e a pobreza), mas também a exercer moderação no uso das coisas materiais.
3. A postura diante do amor e dos relacionamentos. O moralismo frequentemente transforma os relacionamentos em um “jogo de atribuição de culpa”. Isso acontece porque o moralista fica profundamente abalado diante de críticas muito severas e preserva sua autoimagem de boa pessoa culpando os outros. Por outro lado, o moralismo pode fazer da conquista do amor o meio de “conquistar nossa salvação” e nos convencer de que somos pessoas dignas. Isso frequentemente produz o que se chama “codependência” — uma forma de autossalvação que consiste em precisar das pessoas ou em precisar que elas precisem de você (isto é, salvar a si mesmo salvando os outros). Por outro lado, boa parte do relativismo reduz o amor a uma parceria negociada em benefício mútuo. Você mantém o relacionamento apenas enquanto ele não lhe custa nada. Portanto, sem o evangelho, a escolha é entre usar egoisticamente os outros ou permitir, também por egoísmo, que os outros usem você. Mas o evangelho nos leva a não fazer nenhuma dessas coisas. Nós de fato nos sacrificamos e assumimos compromissos, mas não por necessidade de convencer a nós mesmos ou aos outros de que somos aceitáveis. Podemos amar alguém o suficiente para confrontá-lo quando necessário e, ainda assim, permanecer ao seu lado mesmo quando isso não nos traz benefício algum.
4. A postura diante do sofrimento. O moralismo adota a postura dos “amigos de Jó”, fazendo você se sentir culpado. Você simplesmente presume: “Devo ser uma pessoa má para estar sofrendo”. Por trás da culpa, porém, sempre existe raiva de Deus. Por quê? Porque os moralistas acreditam que Deus lhes deve alguma coisa. O objetivo do moralismo é justamente colocar Deus em dívida com você. Como você tem sido tão moral, sente que realmente não merece sofrer. O moralismo o dilacera, pois, em certo sentido, você pensa: “O que fiz para merecer isso?”, mas, em outro sentido, pensa: “Provavelmente fiz tudo para merecer isso!”. Portanto, quando o moralista sofre, precisa sentir raiva de Deus (porque tem se comportado bem), ou raiva de si mesmo (porque não tem se comportado bem), ou ambas. O relativista/pragmatista, por outro lado, sente-se justificado em evitar o sofrimento a qualquer custo — mentir, trapacear e quebrar promessas são coisas aceitáveis. Mas, quando o sofrimento chega, o pragmatista põe a culpa em Deus, alegando que ele deve ser injusto ou impotente. A cruz, porém, nos mostra que Deus nos redimiu por meio do sofrimento. Deus sofreu não para que nós não sofrêssemos, mas para que, em nosso sofrimento, pudéssemos nos tornar semelhantes a ele. Como tanto o moralista quanto o pragmatista ignoram a cruz, ambos ficarão perplexos e arrasados diante do sofrimento.
5. A postura diante da sexualidade. O relativista vê o sexo como um apetite meramente biológico e físico. O moralista tende a considerar o sexo algo sujo ou, pelo menos, um impulso perigoso que leva constantemente ao pecado. Mas o evangelho nos mostra que a sexualidade deve refletir a entrega de Cristo. Ele se entregou completamente, sem condições, portanto não devemos buscar intimidade enquanto insistimos em manter o controle da nossa vida. Se nos entregamos sexualmente, devemos nos entregar também legalmente, socialmente, pessoalmente — por inteiro. O sexo deve ocorrer somente dentro de um relacionamento matrimonial permanente, caracterizado por um compromisso total.
6. A postura diante da própria família. O moralismo pode torná-lo escravo das expectativas dos pais, ao passo que o relativismo não vê necessidade de lealdade à família nem de cumprir promessas e alianças quando estas não “satisfazem minhas necessidades”. O evangelho o liberta de transformar a aprovação dos pais em algo absoluto ou em uma espécie de salvação psicológica, pois lhe mostra que Deus se torna o Pai supremo. Assim, você não será excessivamente dependente de seus pais nem excessivamente hostil a eles.
7. A postura diante do domínio próprio. Os moralistas nos dizem que devemos controlar nossas paixões por medo da punição. Essa é uma abordagem centrada na vontade. O relativismo nos diz que devemos nos expressar e descobrir o que é certo para nós. Essa é uma abordagem centrada nas emoções. O evangelho nos diz que a graça gratuita e incondicional de Deus nos “educa” a “renegar” nossas paixões (Tt 2.12), se lhe dermos ouvidos. Essa é uma abordagem que envolve a pessoa inteira, começando com a verdade que desce ao coração.
8. A postura diante do testemunho. O pragmatista negaria por completo a legitimidade do evangelismo. O moralista, por sua vez, acredita no proselitismo, porque “nós estamos certos e eles estão errados”. Esse tipo de proselitismo é quase sempre ofensivo. Mas o evangelho produz em nós um conjunto diferente de características: primeiro, somos impelidos a compartilhar o evangelho por generosidade e amor, não por sentimento de culpa. Segundo, somos libertos do medo de sermos ridicularizados ou magoados pelos outros, pois já temos o favor de Deus pela graça. Terceiro, aprendemos a ser humildes ao lidar com os outros, porque sabemos que somos salvos somente pela graça, não por termos discernimento ou caráter superiores. Quarto, temos esperança em relação a todos, até mesmo aos “casos difíceis”, porque nós mesmos fomos salvos unicamente pela graça, não porque parecêssemos pessoas propensas a se tornar cristãs. Quinto, tratamos as pessoas com cortesia e consideração. Não precisamos pressioná-las nem coagi-las, pois é somente a graça de Deus que abre os corações, não nossa eloquência ou persistência, nem sequer a receptividade delas. Todas essas características produzem não apenas um evangelista cativante, mas também um excelente vizinho em uma sociedade multicultural.
9. A postura diante da autoridade humana. Os moralistas tendem a obedecer excessivamente às autoridades humanas (família, tribo, governo, costumes culturais), pois dependem muito de sua autoimagem de pessoas morais e decentes. Os relativistas obedecerão à autoridade humana em excesso (pois não têm uma autoridade superior pela qual possam julgar sua cultura) ou muito pouco (talvez obedeçam somente quando sabem que serão descobertos se desobedecerem). Isso significa autoritarismo ou anarquia. Mas o evangelho lhe oferece tanto um padrão pelo qual se opor à autoridade humana — quando ela contradiz o evangelho — quanto uma motivação para obedecer de coração às autoridades civis, mesmo quando poderia desobedecer impunemente.
10. A postura diante da dignidade humana. Os moralistas frequentemente têm uma visão bastante negativa da natureza humana — veem principalmente o pecado e a depravação humanos. Os relativistas, por outro lado, não têm uma boa base para tratar as pessoas com dignidade. Em geral, não possuem crenças religiosas acerca do que são os seres humanos. (Se as pessoas são apenas produtos fortuitos da evolução, como sabemos que têm mais valor do que uma pedra?) Mas o evangelho nos mostra que todo ser humano é infinitamente caído (perdido no pecado) e infinitamente exaltado (feito à imagem de Deus). Portanto, tratamos todo ser humano como alguém precioso, mas perigoso!
11. A postura diante das diferenças culturais. Os moralistas tendem a ter muito orgulho de sua cultura. Caem facilmente no imperialismo cultural e atribuem significado espiritual às normas de sua cultura. Isso acontece porque as pessoas moralistas são muito inseguras; levam a lei eterna muito a sério, mas sabem, no íntimo, que não conseguem cumpri-la. Por isso, usam as diferenças culturais para reforçar seu senso de justiça própria. Os relativistas, por outro lado, acreditam que toda cultura deve ser aceita em seus próprios termos e que todas as expressões culturais são igualmente boas. O evangelho nos ensina a discernir o bem e o mal em cada cultura e nos capacita a amar e honrar uns aos outros apesar das diferenças culturais. Toda pessoa foi criada à imagem de Deus, portanto toda cultura refletirá essa imagem de maneiras singulares. Ao mesmo tempo, toda cultura, inclusive a nossa, está sujeita à queda e manifesta ídolos culturais, de modo que não podemos nos sentir moral ou culturalmente superiores a ninguém.
12. A postura diante da culpa. Quando você diz: “Não consigo perdoar a mim mesmo”, isso significa que existe algum padrão, condição ou pessoa que ocupa um lugar mais central em sua identidade do que a graça de Deus. Se você não consegue perdoar a si mesmo, é porque falhou diante de seu verdadeiro deus, de sua verdadeira justiça, e isso o mantém cativo. O falso deus do moralista costuma ser um deus de sua imaginação, santo e exigente, mas desprovido de graça. O falso deus do relativista costuma ser alguma realização ou algum relacionamento. Deus é o único Deus que perdoa — nenhum outro “deus” o fará.
13. A postura diante da autoimagem. Sem o evangelho, sua autoimagem depende de corresponder a determinados padrões — sejam os seus, sejam os que outras pessoas lhe impõem. Se você corresponder a esses padrões, terá confiança, mas não humildade. Se não corresponder, terá humildade, mas não confiança. Somente no evangelho você pode ser ao mesmo tempo extremamente ousado e profundamente sensível e humilde. Pois você é tanto perfeito quanto pecador!
14. A postura diante da alegria e do humor. O moralismo corrói a alegria e o senso de humor — porque o sistema do legalismo o obriga a levar muito a sério a si mesmo (sua imagem, sua aparência, sua reputação). O relativismo, por outro lado, tenderá ao cinismo com o passar do tempo. Esse cinismo nasce da falta de esperança para o mundo: no fim, o mal triunfará — não haverá julgamento nem justiça divina. Mas, se somos salvos somente pela graça, o próprio fato de sermos cristãos é uma fonte constante de alegria e admiração. Nada em nossa vida é simplesmente natural; não há nenhum “é claro” quando se trata de nossa vida. É um milagre sermos cristãos, e temos esperança. Portanto, o evangelho, que produz uma humildade ousada, deve nos proporcionar um profundo senso de humor. Não precisamos levar a nós mesmos tão a sério, e estamos cheios de esperança para o mundo.
15. A postura diante do “viver corretamente”. Jonathan Edwards ressalta que a “verdadeira virtude” só é possível para aqueles que experimentaram a graça do evangelho. Qualquer pessoa que esteja tentando conquistar sua salvação faz “a coisa certa” para entrar no céu, melhorar sua autoestima ou por algum outro motivo essencialmente egoísta. Mas as pessoas que sabem que já são plenamente aceitas fazem a coisa certa pelo puro prazer da justiça em si mesma. Somente no evangelho você obedece a Deus por amor a Deus, e não pelo que Deus lhe dará. Somente no evangelho você ama as pessoas por amor a elas (não a si mesmo), faz o bem pelo próprio bem (não por interesse próprio) e obedece a Deus por amor a ele (não a si mesmo). Somente o evangelho faz com que praticar o que é certo seja uma alegria e um prazer, não um fardo ou um meio para alcançar um fim.
B. O EVANGELHO E A IGREJA
1. A postura diante do ministério no mundo. O moralismo tende a concentrar toda a ênfase na alma humana individual. Os religiosos moralistas insistirão em converter os outros à sua fé e à sua igreja, mas ignorarão as necessidades sociais da comunidade em geral. Por outro lado, o “liberalismo” tenderá a enfatizar apenas a melhoria das condições sociais e a minimizar a necessidade de arrependimento e conversão. O evangelho conduz ao amor, que, por sua vez, nos leva a oferecer ao próximo tudo aquilo de que ele necessita — conversão ou um copo de água fria, evangelismo e preocupação social.
2. A postura diante da adoração. O moralismo conduz a um tipo de adoração austero e sombrio, que pode ter muita dignidade, mas pouca alegria. Por outro lado, uma compreensão superficial da “aceitação”, desacompanhada do senso da santidade de Deus, pode levar a uma adoração frívola ou informal demais. (Enquanto isso, a ausência do senso tanto do amor de Deus quanto de sua santidade resulta em um culto que mais parece uma reunião de comissão!) Mas o evangelho nos leva a reconhecer que Deus é transcendente e imanente. Sua imanência torna sua transcendência consoladora, enquanto sua transcendência torna sua imanência extraordinária. O evangelho produz tanto reverência quanto intimidade na adoração, pois o Santo agora é nosso Pai.
3. A postura diante dos pobres. O pragmatista tende a desprezar a fé dos pobres e a vê-los como vítimas indefesas que precisam da ajuda de especialistas. Isso nasce da descrença na graça comum de Deus concedida a todos. Ironicamente, a mentalidade secular também descarta a realidade do pecado e, portanto, qualquer pessoa pobre deve ser oprimida, uma vítima indefesa. Os moralistas, por outro lado, tendem a desprezar os pobres como fracassados e fracos. Consideram que, de alguma maneira, eles são culpados por sua situação. Mas o evangelho nos leva a ser (a) humildes, sem qualquer sentimento de superioridade moral, sabendo que estávamos espiritualmente falidos, mas fomos salvos pela generosidade gratuita de Cristo; (b) graciosos, sem nos preocuparmos excessivamente com quem é “merecedor”, pois não merecíamos a graça de Cristo; e (c) respeitosos para com os cristãos pobres que creem, reconhecendo-os como irmãos e irmãs com quem podemos aprender. Somente o evangelho pode levar as pessoas a cultivar respeito humilde e solidariedade para com os pobres.
4. A postura diante das particularidades doutrinárias. O “já” do Novo Testamento nos torna ousados em nossa proclamação. Podemos, sem dúvida alguma, ter certeza das doutrinas centrais que sustentam o evangelho. Mas o “ainda não” exige caridade e humildade quanto às crenças não essenciais. Isso significa que devemos ser moderados naquilo que ensinamos, exceto quando se trata da cruz, da graça e do pecado. Em nossas posições, especialmente em nossas opiniões sobre questões a respeito das quais os cristãos não conseguem chegar a um acordo, devemos ser menos inflexíveis e triunfalistas (como se acreditássemos ter alcançado a compreensão intelectual definitiva). Isso também significa que nosso discernimento do chamado e da vontade de Deus para nós e para os outros não deve ser propagado com a certeza arrogante de que nossa percepção não pode estar errada. (Ao contrário dos pragmatistas, devemos estar dispostos a morrer por nossa fé no evangelho; ao contrário dos moralistas, devemos ter em mente que nem todas as nossas crenças merecem ser defendidas até a morte.)
5. A postura diante da santidade. O “já” do evangelho significa que não devemos tolerar o pecado. Com a presença do reino, somos feitos “coparticipantes da natureza divina” (2Pe 1.4). O evangelho nos dá a confiança de que qualquer pessoa pode ser transformada, de que qualquer hábito escravizador pode ser vencido. Mas o “ainda não” do evangelho significa que o pecado permanece em nós e jamais será eliminado até que venha a plenitude do reino. Portanto, devemos evitar respostas simplistas e não esperar soluções rápidas. Ao contrário dos moralistas, devemos ser pacientes diante do crescimento lento ou das recaídas e estar conscientes da complexidade da transformação e do crescimento na graça. Ao contrário dos pragmatistas e dos cínicos, devemos insistir que uma transformação milagrosa é possível.
6. A postura diante dos milagres. O “já” do reino significa que o poder para realizar milagres e curas está disponível. Jesus demonstrou o reino curando os enfermos e ressuscitando os mortos. Mas o “ainda não” do evangelho significa que a natureza (inclusive nós mesmos) ainda está sujeita à corrupção (Rm 8.22-23) e, portanto, a doença e a morte continuam inevitáveis até a consumação final. Não podemos esperar que os milagres e a ausência de sofrimento sejam aspectos tão normais da vida cristã que atravessemos nossos dias tranquilamente, sem nenhuma dor. Ao contrário dos moralistas, sabemos que Deus pode curar e realizar milagres; ao contrário dos pragmatistas, não procuramos pressionar Deus a eliminar o sofrimento.
7. A postura diante da saúde da igreja. O “já” do reino significa que a igreja é agora a comunidade do poder do reino. Portanto, ela é capaz de transformar profundamente a comunidade em que está inserida. É possível um evangelismo pelo qual o Senhor acrescente à igreja, “dia a dia, os que iam sendo salvos” (At 2.47)! É possível uma comunhão amorosa que destrua “a parede da separação que estava no meio, a inimizade” (Ef 2.14) entre diferentes raças e classes sociais! Mas o “ainda não” do reino significa que Jesus ainda não apresentou sua noiva, a igreja, “gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante” (Ef 5.27). Portanto, não devemos criticar severamente as congregações imperfeitas nem passar impacientemente de uma igreja para outra por causa de defeitos que percebemos. O erro jamais será completamente erradicado da igreja. O “ainda não” do reino também significa que devemos evitar uma aplicação excessivamente severa da disciplina eclesiástica e de outros meios destinados a produzir uma igreja perfeita já no presente.
8. A postura diante da transformação social. Não devemos esquecer que Cristo, mesmo agora, governa, em certo sentido, sobre a história (Ef 1.22-23). O “já” da graça significa que os cristãos podem esperar utilizar o poder de Deus para transformar as condições sociais e as comunidades. Mas o “ainda não” do pecado significa que haverá “guerras e rumores de guerras”. O egoísmo, a crueldade, o terrorismo e a opressão continuarão existindo. Os cristãos não alimentam ilusões acerca da política nem esperam condições utópicas. O “ainda não” significa que os cristãos não depositarão sua confiança em nenhuma agenda política ou social para estabelecer a justiça aqui na terra. Assim, o evangelho nos preserva tanto do pessimismo excessivo do fundamentalismo (moralismo) em relação à transformação social quanto do otimismo excessivo do liberalismo (pragmatismo).
RESUMO
Todos os problemas, pessoais ou sociais, decorrem da incapacidade de aplicar o evangelho de maneira radical, da incapacidade de viver “segundo a verdade do evangelho” (Gl 2.14). Todas as patologias da igreja e toda a sua ineficácia decorrem da incapacidade de permitir que o evangelho se expresse de maneira radical. Se o evangelho for exposto e aplicado em toda a sua plenitude em qualquer igreja, essa igreja começará a adquirir características verdadeiramente singulares. As pessoas encontrarão nela tanto convicção moral quanto compaixão e flexibilidade.
Direitos autorais © 2000, Timothy Keller. Este artigo foi publicado em forma adaptada no capítulo 3 do livro Center Church, de Timothy Keller (Grand Rapids: Zondervan, 2012).
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[1] Ver Richard Lovelace, Dynamics of Spiritual Life: An Evangelical Theology of Renewal (Downers Grove, Ill.: Inter-Varsity Press, 1979), p. 211: “Muito do que interpretamos como uma deficiência de santificação entre os membros da igreja é, na verdade, consequência de terem perdido o rumo no que diz respeito à justificação”.
[2] Martin Luther, A Commentary on St. Paul’s Epistle to the Galatians (Londres: James Duncan, 1830), capítulo 2, versículos 4 e 5.
Tradução: Equipe Monergismo



