Ministério da Igreja

7 de janeiro de 2012
 

Ajuda no Uso dos Idiomas Originais na Pregação

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Escrito por: Jay Adams
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“Por que eu preciso de ajuda? Afinal de contas, nunca houve tempo na história da pregação onde houvesse mais traduções boas do que agora”.

O argumento parece bom; mas aquele que faz a objeção falha em perceber o fato óbvio de que quanto mais possibilidades de traduções tivermos para escolher, mais precisaremos conhecer (ao menos algo a respeito) os idiomas originais; além disso, quando as traduções diferem (e elas diferem!), como saber qual está correta? A partir de qual devemos pregar? Qual representa mais fielmente o texto original dos escritores? Este é um problema especial hoje, quando tantas traduções têm decidido se tornarem interpretativas. A própria riqueza das opções modernas deve (ainda mais) apontar para a necessidade de um conhecimento dos idiomas originais.

“Onde posso adquirir este conhecimento?” Atualmente (veja os dois artigos anteriores deste jornal)[1] estamos tendo uma revisão do hebraico bíblico. Livros auto-instrucionais e cursos de idiomas impressos, tanto do grego como do hebraico, existem. Mas (mais fácil) muitos institutos bíblicos, todos os seminários conservadores e várias outras escolas fornecem cursos nos idiomas originais. Qualquer pastor que nunca teve grego ou hebraico (mesmos que ele não tenha jamais terminado um seminário) deve fazer estes cursos. “Por que?”. Bem, não somente para decidir entre traduções, mas:

  • Para ser capaz de “captar o sentimento” de uma passagem. As traduções tendem a desviar-se do tom original dos escritores. Somente tornando-se familiarizado com o original isto pode ser restaurado. Este “sentimento” é essencial para uma boa pregação.
  • Para estar apto a usar os melhores comentários e ler as melhores referências da Bíblia (a maioria das quais se refere ao texto original). Sem certo conhecimento dos idiomas, ninguém pode seguir o raciocínio que está por trás das traduções sugeridas.
  • Estar apto a avaliar outros livros que (novamente, não usando o original) podem estar bem longe em suas interpretações e/ou uso de muitas passagens.
  • Pregação que flui do estudo de uma passagem no original avança em chão mais seguro; outras pregações frequentemente manquejam. Uma certa confiança deriva de se ter examinado o texto por si mesmo.

“Mas eu nunca vou ser um erudito em grego ou hebraico”. Correto! Isto é verdadeiro para a maioria dos pastores. E bem aí reside o problema. Muitos bons homens, que poderiam ter se beneficiado de um uso sensível dos idiomas originais foram desestimulados por professores de seminários que ensinaram a eles o estudo dos idiomas como se sua profissão tivesse que ser ensinar Literatura Clássica ou Semítica em universidades. Eles nunca recomendaram atalhos (e.g., como esquecer tudo sobre as regras para acentos gregos – aprender isto é uma tarefa quase totalmente desnecessária. Alguns podem progredir bem aprendendo apenas aqueles acentos diferenciados que contam). Eles tentaram construir uma consciência contra o uso de léxicos e traduções interlineares (duas referências de grande valor que ninguém deveria se sentir culpado de usar livremente). Eles falam negativamente sobre livros tais como Reader’s Lexicon de Kubo e não contam aos alunos sobre o plágio de Spiros Zodhiates da gramática de Machen. Todo esse “purismo” é pura tolice. Quem se importa que um pastor tende para a referência de Bagster? Quem se importa como uma pessoa consegue as respostas corretas para as suas questões exegéticas concernente aos idiomas originais, conquanto que ela as consiga? Certamente alguém deveria usar o Englishman’s Hebrew and Chaldee Concordance se ele achá-la útil. Por que não?

Com tudo que um pastor ocupado tem para fazer, é totalmente correto que ele use toda ajuda disponível que ele possa comprar, para manter suas mãos no uso contínuo do hebraico e do grego. Ele seria um mau mordomo de seu tempo e energia se não o fizesse. Muitos homens têm perdido certa habilidade com o idioma uma vez adquirido porque acreditaram (o que lhes fora dito, ou o que fortemente os levava a pensar) que era errado usar qualquer coisa além do simples texto e dos dicionários, gramáticas e léxicos padrões. Absoluta e pura tolice! Pastor, se usar uma tradução interlinear o ajudará a voltar ao grego e hebraico, use-a – deixe-me emancipá-lo das correntes de culpa forjadas nas fábricas de professores de idiomas que nunca tiveram de lidar com problemas do dia-a-dia do pastorado. Use-a! Use o que estiver à disposição. De fato, todo professor de hebraico e grego num seminário teológico deveria tomar tempo para comparar e contrastar essas ajudas, dando sua opinião sobre qual é a melhor (e por que) e instruir pastores para o uso mais efetivo e inteligente de cada uma delas.

Pregue; pregue a partir do estudo do texto original, e você pregará com confiança e prazer.

NOTAS:

[1] O artigo faz parte de uma série que apareceu no The Journal of Pastoral Practice, vol. 3, no. 3.

 

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 10 de Junho de 2005.



Sobre o Autor

Jay Adams
O Dr. Jay Edward Adams pastoreou igrejas na Pennsylvania e em New Jersey. Lecionou no Westminster Theological Seminary, foi o diretor do programa de doutorado do Westminster Theological Seminary na Califórnia e ainda, como pastor, trabalhou plantando igrejas na Carolina do Sul. Foi também o fundador do CCEF (Christian Counseling and Educational Foundation na Filadélfia), do NANC (National Association of Nouthetic Counselors), e da Timeless Texts, editora que agora publica seus livros. Ele escreveu em sua vida mais de 60 livros. Dr. Adams e sua esposa Betty Jane têm quatro filhos.



 
 

 

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