All Posts By

C. H. Spurgeon

Teologia

“O Amor e Eu”: Um Mistério

Eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles esteja” (João 17.26). Por várias manhãs de sábado minha mente tem se dirigido para temas que eu poderia com propriedade denominar as profundidades de Deus. Penso que nunca senti mais plenamente a minha incompetência do que ao tentar lidar com aqueles. É um solo em que se pode cavar e cavar o mais fundo que quiser e, ainda assim, jamais exaurir as pepitas de outro que nele jazem. Entretanto, conforto-me com este fato: que tais temas são tão frutíferos que, mesmo que só lhes possamos arranhar a superfície, deles obteremos colheita. Li uma vez sobre as planícies da Índia, que eram tão férteis que você só tinha que coçá-las com uma enxada que elas riam às gargalhadas, e com certeza textos como esse podem ser descritos como igualmente prolíficos, ainda que sob nossa débil lavra. As pérolas aqui jazem tanto na superfície quanto no fundo. Basta procurarmos em sua superfície e mexermos um pouco no solo para nos espantarmos diante da plenitude de riqueza espiritual que está perante nós. Ó, que o Espírito de…
15 de outubro de 2012
Igreja

A Importância do Caráter

Meus caros irmãos, quando lhes dizemos que cuidem bem da sua vida, queremos dizer que sejam cuidadosos até com as minudências do seu caráter. Evitem as pequenas dívidas, a impontualidade, fazer mexericos, dar apelidos, contendas minúsculas, e todos aqueles pequenos males que enchem de moscas o unguento. As auto-indulgências que têm rebaixado a reputação de muitos, não podemos tolerar. As familiaridades que têm lançado suspeita sobre outros, temos que evitar castamente. Da grosseria que tem tornado alguns odiosos, e das futilidades que tornaram muitos desprezíveis, temos que nos descartar. Não podemos permitir-nos correr grandes riscos por causa de pequenas coisas. Tenhamos o cuidado de conduzir-nos de acordo com a regra: “Não dando nós escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado”. Com isto não se quer dizer que devemos manter-nos presos a quaisquer caprichos da sociedade em que nos movemos. Em regra, odeio as modas da sociedade e detesto os convencionalismos, e se eu achasse que a melhor atitude seria pisar numa regra de etiqueta, sentir-me-ia gratificado ao fazê-lo. Não; somos homens, não escravos; e não devemos renunciar à nossa liberdade varonil para sermos lacaios dos que fingem gentileza ou alardeiam polidez. Entretanto, irmãos, de tudo…
3 de julho de 2012
História da Igreja

O Motivo Mais Importante para o Arrependimento

“Olharão para aquele a quem traspassaram.” (Zacarias 12.10) O quebrantamento santo que faz um homem lamentar o seu pecado surge de uma operação divina. O homem caído não pode renovar seu próprio coração. O diamante pode mudar seu próprio estado para tornar-se maleável, ou o granito amolecer a si mesmo, transformando-se em argila? Somente aquele que estendeu os céus e lançou os fundamentos da terra pode formar e reformar o espírito do homem. O poder de fazer que da rocha de nossa natureza fluam rios de arrependimento não está na própria rocha. O poder jaz no onipotente Espírito de Deus… Quando Deus lida com a mente do homem, por meio de suas operações secretas e misteriosas, Ele a enche com uma nova vida, percepção e emoção. “Deus… me fez desmaiar o coração” (Jó 23.16), disse Jó. E, no melhor sentido, isso é verdade. O Espírito Santo nos torna maleáveis e nos tornamos receptíveis às suas impressões sagradas… Agora, quero abordar o âmago e a essência de nosso assunto. O enternecimento do coração e o lamento pelo pecado são produzidos por olharmos, pela fé, para o Filho de Deus traspassado. A verdadeira tristeza pelo pecado não acontece sem o Espírito de…
6 de fevereiro de 2009
História da Igreja

Um Evangelho Digno de Morrermos por Ele

“Para testemunhar o evangelho da graça de Deus.” (Atos 20.24) Paulo disse que, em comparação com o seu grande propósito de pregar o evangelho, não considerava sua preciosa para si mesmo; mas temos certeza de que Paulo valorizava a sua própria vida. Como todo homem, ele tinha amor pela vida e sabia que sua própria vida era importante para a igreja e a causa de Cristo. Certa vez Paulo disse: “Por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne” (Fp 1.24). Ele não estava cansado da vida, nem era uma pessoa tola que tratava a vida como fosse algo que podia lançar fora nos esportes. Paulo valorizava a vida, visto que valorizava o tempo, que constitui a vida, e usava de modo prático cada dia e hora, “remindo o tempo, porque os dias são maus” (Ef 5.16). Apesar disso, Paulo falou aos presbíteros da igreja de Éfeso que não considerava a sua vida preciosa, em comparação com o dar testemunho do evangelho da graça de Deus. De acordo com o versículo que ora consideramos, o apóstolo considerava a vida como uma carreira que tinha de realizar. Ora, quanto mais rapidamente corrermos, tanto melhor será a carreira. Com certeza, a extensão…
6 de fevereiro de 2009