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João Calvino

ÉticaTeologia

Acerca do litígio entre cristãos

1Co 1.1: Ousa algum de vós, tendo alguma questão contra outro, ir a juízo perante os injustos, e não perante os santos? Aqui ele passa a censurar outro erro entre os coríntios, a saber, a excessiva avidez por litígio, e esse vício era oriundo da ganância. Mas esta repreensão consiste de duas partes. A primeira é que, ao exibirem suas disputas perante os tribunais de incrédulos, estavam dando ao evangelho uma péssima fama e expondo-o ao ridículo público. A segunda é que, embora os cristãos, por um lado, devam enfrentar as injúrias, por outro estavam causando prejuízo a outrem, em vez de se guardarem de envolvimento em problemas de qualquer gênero. Assim, a primeira parte é particular; a segunda, geral. 1. Ousa algum de vós. Esta é a primeira parte da repreensão. Se alguém tem alguma disputa com um irmão, esta deve ser resolvida perante juízes crentes, e não perante incrédulos. Se porventura alguém desejar saber o porquê, já disse que a razão é porque o evangelho cai em descrédito e o nome de Cristo é exposto, por assim dizer, ao escárnio dos ímpios. Pois os ímpios, inspirados por Satanás, se acham em constante alerta, ávidos pela oportunidade de descobrirem…
6 de junho de 2020
TeologiaVida Cristã

Esposo Santificado e Filhos Santos

Comentário sobre 1 Coríntios 7.14 14. Porque o esposo descrente é santificado pela esposa. Paulo resolve uma dificuldade que poderia deixar os crentes preocupados. A intimidade conjugal é singular, porque a esposa é a metade do homem e ambos se tornam uma só carne; e o esposo é a cabeça da esposa e ela é a companheira do esposo em todas as formas. Assim, aparentemente é impossível a um homem crente viver com uma esposa descrente, ou vice-versa, sem que haja contaminação numa relação tão íntima. Paulo, pois, aqui declara que esse matrimônio não é em nada menos santo e legítimo, e que não deve pairar qualquer temor de haver contaminação, como se a esposa fosse poluir o esposo. Além disso, lembremo-nos de que ele aqui não está falando de novos contraentes conjugais, e, sim, da manutenção daqueles que já consumaram o contrato. Porque onde se indaga se um homem crente se casaria com um homem descrente, então este conselho se faz relevante: “Não vos ponhais em jugo desigual entre os incrédulos, porque não há harmonia entre Cristo e Belial!” . Mas o homem que já está casado não mais tem a liberdade de escolha; por essa razão se torna…
26 de janeiro de 2012
TeologiaVida Cristã

Sermão sobre Jó 8.1-6

Para bem aproveitarmos o que está aqui contido no presente capítulo, devemos nos recordar do que já declaramos, a saber, que os amigos de Jó se ocupam com um mau caso, tendo, contudo, bons argumentos e boas razões. É fato que eles o aplicam mal; entretanto, a doutrina em si é santa e útil. Desta sorte, quando tomamos o que é dito aqui genericamente, descobrimos boas proposições. E, com efeito, esta é a principal coisa pretendida por Bildade – sustentar que Deus é justo ao punir os homens, e que não há motivo algum para o acusar. Ora, inqüestionavelmente, toda essa doutrina não somente é boa, mas é ainda um dos principais artigos de nossa fé: não há erro, a não ser pelo fato de Bildade querer aplicar suas palavras à pessoa de Jó. Pois, como já vimos, a intenção do santo personagem não era acusar a Deus, tampouco se levantar contra esse.
4 de janeiro de 2012
TeologiaVida Cristã

Sermão sobre Jó 1.9-12

Embora o Diabo aqui esteja fazendo seu mister, que é o de perverter todo o bem, acusando falsamente a Jó, como se este fosse um hipócrita, sem embargo, ele descobre o mal que existe voluntariamente nos homens, ao qual somos inclinados por natureza. Pois, como é astuto e velhaco, sabe bem de que lado nos atacar. Reparemos então que aqui o diabo revela um vício pelo qual estamos todos manchados até que Deus nos cure dele por sua graça: isto é, que nos períodos de prosperidade conseguimos bendizer a Deus. Contudo, se esse nos aflige, mudamos a conversa e então começamos a murmurar contra ele, esquecendo-nos de todo o louvor que lhe atribuíamos enquanto nos tratava segundo nosso desejo.
4 de janeiro de 2012
TeologiaVida Cristã

Salmos 104.15

15. E vinho que alegra o coração do homem. Nestas palavras somos ensinados que Deus não só provê para as necessidades dos homens e lhes concede o quanto é suficiente para os propósitos ordinários da vida, mas que em sua bondade ele os trata ainda com mais liberalidade ao alegrar seus corações com vinho e azeite. Certamente que a natureza se satisfaria com água como bebida; e portanto a adição de vinho se deve à superabundante liberalidade divina. A expressão, e azeite para fazer luzir seu rosto, tem sido explicada em diferentes formas. Como a tristeza espalha uma sombra melancólica por todo o semblante, alguns fazem esta exposição: Quando os homens desfrutam as comodidades do vinho e do azeite, seus rostos brilham de contentamento. Alguns com uma interpretação mais refinada, porém sem fundamento, conectam isto com as lâmpadas. Outros, considerando a letra mem como sinal de grau comparativo, formam este significado: o vinho faz o rosto dos homens brilhar mais do que quando ungido com azeite. O profeta, porém, não tenho dúvida, fala de unguentos, insinuando que Deus não só dá aos homens o que é suficiente a seu uso moderado, mas que vai além dessas coisas, dando-lhes inclusive seus…
26 de dezembro de 2011