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Lucas G. Freire

Teologia

Confessionalidade e Distinção

Uma igreja que se diz protestante mas que rejeita todas as confissões da igreja e que diz acreditar “só na bíblia” descarta a própria base histórica para se dizer protestante. As boas confissões da igreja, tais como o Credo apostólico, o Credo Atanasiano, as Três Formas de Unidade e os Padrões de Westminster são exposições fieis do conteúdo das Escrituras e tem servido a Igreja de Cristo ao longo de toda a história, desde o tempo em que Israel declarava conjuntamente a sua confissão de fé (Dt. 6). As boas confissões provam todas as suas declarações a partir da bíblia e declaram que a bíblia é a única regra infalível. Os Testemunhas de Jeová dizem acreditar na bíblia também. Mas eles rejeitam as confissões da igreja porque as confissões e credos afirmam coisas como por exemplo a doutrina da Trindade. As confissões servem como um resumo da fé histórica da igreja e são símbolos da igreja porque a distinguem de falsos movimentos. A Declaração da Calcedônia, por exemplo, distingue a igreja cristã dos falsos movimentos contra a doutrina da Trindade. As confissões também auxiliam a liderança da igreja a disciplinar deslizes no ensino. A igreja confessional não permite ensino que…
26 de abril de 2012
ApologéticaCosmovisões

Ideia de Origem e Crítica Teórica

Nota: O texto que se segue foi estimulado pela entrevista ao matemático John Lennox publicada pelo Estado de S. Paulo em Abril de 2009. O texto da entrevista pode ser lido na página do dito jornal. — O pensamento teórico e a formação histórica de uma cultura são necessariamente influenciados de forma considerável por ideias acerca da Origem da existência, da unidade e da diversidade das coisas. Uma cosmovisão e uma matriz de pensamento teórico se definem em termos da inclinação pessoal tácita ou explícita em relação ao conteúdo desse conjunto de ideias transcendentais. Sem pressupor qualquer resposta a essas questões, o pensamento teórico jamais é possível. Daí ser esse relacionamento algo de cunho transcendental: trata-se da condição de possibilidade para algo. Contudo, isso não quer dizer que todo pressuposto acerca da Origem lhe atribui transcendência de forma ativa. Por exemplo, o humanismo modernista e o humanismo pós-moderno querem sempre localizar o conteúdo das suas ideias transcendentais em coisas ou modalidades imanentes ao cosmos. Em suma: as ideias de Origem podem ser transencentes ou imanentes, mas seu caráter é sempre transcendental no sentido de possibilitar o pensamento teórico. Tudo isso pode ser resumido numa simples afirmação: qualquer teoria pressupõe uma…
25 de abril de 2012
ApologéticaCosmovisões

Contra o Seqüestro do Esporte Moderno

Nota do autor: Este texto foi encomendado pela recém-criada revista “Preço do Sistema” (Nov. 2009) e traz uma reflexão breve sobre as cosmovisões que direcionaram o desenvolvimento histórico do esporte olímpico e uma crítica à “estatização” do esporte associado como uma invasão da soberania de esfera. —– Todo mundo sabe que existe uma grande diferença entre as Olimpíadas modernas e a sua instituição “xará” da antigüidade clássica. O abismo entre uma coisa e outra não é somente quantitativo (por exemplo, há hoje um maior número de competidores e de esportes do que na Grécia antiga). Pelo contrário, as diferenças mais interessantes são de natureza qualitativa. Considere, como ilustração, o status relativamente independente do esporte nos nossos dias: será que as coisas sempre foram assim? A resposta deve ser negativa. É claro que houve um tempo em que certas áreas da vida, como o lazer, por exemplo, eram pouco diferenciadas daquilo que se considerava o “motor” cultural. No caso das Olimpíadas originais, é curioso notar como a prática da competição refletia um dos princípios-chave da civilização grega: os jogos eram parte de um festival religioso e público dedicado a Zeus. Ou seja, dependiam necessariamente do contexto à sua volta, e realizá-los…
24 de abril de 2012