ApologéticaCosmovisõesGoverno e PolíticaReforma

Por que sou um pós-milenarista feliz

A certa altura do ano 2000, tive contato com um carregamento perigoso cheio de literatura antagônica. Devorei tudo tão rapidamente que as únicas perguntas que tive depois foram alguma coisa como “o que teremos para o jantar?” e “pode me servir mais, por favor?”. Continuo devorando literatura antagônica, e realmente espero que o resultado não seja eu me tornar rabugento, e sim encontrar formas criativas de inculcar aquelas bênçãos na minha comunidade. Então, já que estamos falando disso, permita-me responder às especulações entre alguns dos estudiosos da teologia dos dois reinos. Eles afirmam consistentemente que embora Jesus tenha autoridade sobre todas as coisas, essa autoridade não realiza ou tem por intenção realizar uma mudança no meio cultural. Eu, como um gentil antagonista, afirmo o exato oposto: o reino de Jesus é abrangente, e tudo o que ele toca é transformado. O reino não é limitado a uma esfera, tampouco as coisas celestiais devem ser severamente diferenciadas das coisas da terra. E de novo, para não repetir o óbvio, a cidade terrena não é a Babilônia, tampouco vivemos com esse sentimento perpétuo de exílio e peregrinação apenas existindo, em busca da cidade porvir. Afirmamos que o povo de Deus está indo…
8 de outubro de 2021
TeologiaVida Cristã

«Para o bem do mundo», de James K. Smith

O convite para ser o editor-chefe da Image chegou até a mim como um chamado. Por muitos anos, tive o pressentimento de que o capítulo seguinte de minha vida seria um trabalho na intersecção entre arte e fé. Tendo formação na filosofia, percebi há muito que a imaginação estava no âmago do ser humano – algo que aprendi de meu professor Calvin Seerveld e de filósofos como Heidegger e Ricoeur. O diálogo mantido com pintores, poetas e romancistas ao longo dos últimos três anos tem me sido uma alegria. Mas tenho uma confissão a fazer: grande parte da conversa sobre “arte e fé” me é frustrante. Digo isso com moderação, mas também com franqueza. Quando tento esclarecer a raiz de minha frustração, creio que chego a algo assim: muito da arte celebrada por cristãos parecem mais inclinadas a nutrir a fé, ao passo que estou interessado na arte feita por pessoas de fé e que é dada para o bem do mundo. O modo mais acertado de dizer isso é que não tenho interesse na arte que é uma sub-cultura, criada para um enclave. Estou interessado antes na arte que é criada para a vida do mundo. Não a arte…
8 de setembro de 2021
IgrejaTeologiaVida Cristã

«Dez maneiras de ajudar seus filhos a amar e permanecer na Igreja», por Wes Bredenhof

  Se você tem filhos e está em uma igreja fiel que prega o evangelho, não gostaria que eles amassem essa igreja e permanecessem nela? Venho sugerir uma lista com maneiras para auxiliar os pais cristãos a ajudarem seus filhos a fazer isso. Devo dizer que compartilho isso em primeiro lugar porque, se sua igreja for fiel, o evangelho está em jogo. É de vital importância para nossos filhos permanecer em uma igreja onde o evangelho de Cristo é proclamado por meio da Palavra e dos Sacramentos. Os filhos são discipulados para Cristo na igreja. Mas, nunca podemos tomar isso como certo. Em segundo lugar, escrevo isso para me lembrar de como é importante discipular meus próprios filhos. Também devo dizer que nunca há qualquer garantia de que seus filhos permanecerão na igreja, ou que eles responderão às promessas do evangelho. Você pode fazer tudo certo, mas o Espírito Santo precisa regenerar o nosso coração, e o coração de nossos filhos também. É tudo pela graça. Porém, sob uma perspectiva humana, se você fizer uma, algumas ou todas essas dez coisas, certamente aumentará as chances de seus filhos permanecerem e amarem sua igreja focada no evangelho.   Seja positivo sobre…
13 de agosto de 2021
ReformaTeologia

«Herman Bavinck: cem anos atrás» por James Eglinton

Cem anos atrás, neste dia, nas primeiras horas da manhã, Herman Bavinck (1854-1921), o grande teólogo neocalvinista, faleceu. Um século depois, sua obra está experimentando um interesse renovado e notável por parte da igreja e da academia, e sua influência se estende para bem além de seu lar reformado neerlandês. Qual é o motivo dessa fascinação internacional de sua vida e obra? Bavinck certamente foi um teólogo excepcional. Em 2021, muitos pastores e teólogos apreciam as ideias clássicas sobre a vida da mente cristã: desejamos ser hábeis nos idiomas da Bíblia e da Antiguidade, ser exegeticamente rigorosos, ter grande articulação com as doutrinas, ser cultural e psicologicamente perspicazes e cristalinos em nossas exposições. No caso de Bavinck, esses instintos clássicos se combinavam a uma educação e instrução clássicas que já não mais existem – razão pela qual ele fazia teologia de um modo com que a maioria de nós só poderia sonhar. E, para coroar tudo isso, é claro, Bavinck teologizava com uma incrível generosidade de espírito. Mesmo quando polêmico, ele jamais era desagradável. Ele estendia sua amizade a seus oponentes, e levava a sério as perspectivas deles. Desse modo, ele continua a atrair um público, e mesmo fora do…
5 de agosto de 2021
Cosmovisões

«O tédio das análises de cosmovisão» por Jake Meador

Ontem, num episódio do podcast “The Briefing”, o Dr. Al Mohler, do Seminário Batista do Sul, fez algumas reflexões sobre a morte do renomado físico Stephen Hawking. Você pode ler a transcrição completa da faixa de oito minutos usando o link acima. Eis o resumo do episódio que o próprio Mohler disponibilizou na página do Facebook, que, creio eu, é bastante sugestivo do que ele falou no seu programa:   Cremos que Stephen Hawking e todo seu brilhantismo simplesmente evidenciavam o fato de que ele era um ser humano criado à imagem de Deus, mas um ser humano que morreu sem Deus. Essa é a grande tragédia, mas não é o que provavelmente leremos nos obituários. Antes, o que veremos é um mundo secular tentando encontrar uma razão secular para celebrar um pensador secular e dizer algo relevante sobre o sentido de sua vida. Ao final de seus esforços, a cosmovisão secular não pode apresentar sequer um argumento para explicar por que a vida de Stephen Hawking (ou a minha, ou ainda a sua) foi em algum momento relevante. Apenas a cosmovisão bíblica pode responder a essa questão, e ela o faz de forma bastante profunda.   O que me…
30 de julho de 2021
IgrejaTeologiaVida Cristã

21 Máximas para Pastores Desanimados por Douglas Wilson

1. O ministério é um trabalho árduo e exigente. “Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus” (Lucas 9.62). Em 2 Timóteo 2.3-6, o apóstolo Paulo compara a obra do ministério a três vocações, e todas elas envolvem uma grande quantidade de suor - soldados, atletas e agricultores. O chamado ao ministério não é para florzinhas, e se florzinhas podem fazer isso, não é ministério. 2. O ministério é uma obra sacrificial. “Irmãos, não vos maravilheis se o mundo vos odeia” (1 João 3.13). Não me lembro de nada sobre isso no Seminário… Há muitos sacrifícios envolvidos, mas um dos principais sacrifícios é o da reputação. É claro que, em certo sentido, todo pastor precisa ter um bom testemunho dos de fora (1 Timóteo 3.7). Todo líder cristão precisa ser um homem honrado, mas se você quiser ser fiel, há um certo tipo de respeitabilidade que você pode muito bem dar um beijo de despedida agora. Charles Spurgeon disse assim: “Quanto mais proeminente você for no serviço de Cristo, mais certo será o alvo da calúnia. Há muito tempo, disse adeus a minha reputação. Eu a…
22 de julho de 2021
Teologia

À Mão Direita por Peter Leithart

Quarenta dias depois de ressuscitar dos mortos, Jesus ascendeu ao céu para tomar o Seu lugar à destra do Pai (At 1.3), cumprindo a promessa do Salmo 110.   O Salmo é padronizado como três conjuntos de sete cláusulas. Os versos 1-2 constituem a primeira sequência, os versos 3-4 a segunda, e os versos 5-7 a terceira. Este padrão alude à semana da Criação, sugerindo que a investidura do Senhor à mão direita é o início de uma Nova Criação. A primeira e a última seção começam com o nome Yahweh e uma referência à "mão direita" de Yahweh (vv. 2, 5), e ambas incluem referências ao poder do rei para conquistar seus inimigos (vv. 1-2, 5 -6). O nome "Yahweh" é usado três vezes (vv. 1, 2, 4).   Ao traduzir duas palavras diferentes com uma mesma palavra, as traduções em inglês tornam o primeiro versículo deste Salmo mais obscuro do que no hebraico. Em hebraico, o primeiro "SENHOR" é Yahweh, o Nome pactual de Deus, enquanto o segundo é Adon ou Adonai, que não é um nome, mas um título, que é usado como um título para mestres humanos ou mesmo maridos (Gn 18.12; 19.2; 40.1; Rt 2.13;…
18 de maio de 2021
Teologia

Eleitos, mas livres?

O texto abaixo, de Felipe Sabino, Eleitos, mas livres?, foi publicado em A sistemática da vida: Ensaios em honra a Heber Carlos de Campos, publicado em 2015 pela Editora Monergismo.    
22 de fevereiro de 2021
ApologéticaCosmovisõesFilosofia

Van Til Sobre a Antítese

Este artigo foi publicado originalmente no Westminster Theological Journal 57 (1995), 81-102. Traduzido por: Gabriel Pereira de Carvalho Revisado por: Felipe Barnabé Duarte   Como procuramos fazer o melhor uso do pensamento de Cornelius Van Til em nosso próprio tempo, é especialmente importante que nos debrucemos sobre o seu conceito de antítese, a oposição diametral entre crença e descrença e, portanto, entre crença e qualquer compromisso de verdade revelada. O conceito de antítese é uma das maiores preocupações de Van Til, e é esse elemento em seu pensamento que lhe trouxe as críticas mais severas. No atual clima teológico pluralista, parece particularmente difícil traçar linhas suficientemente claras para apoiar o discurso vantiliano sobre antítese: linhas entre tradições denominacionais, entre liberais e conservadores, entre o cristianismo e outras religiões, entre crença e descrença. O universalismo é tomado como certo na teologia liberal contemporânea, e os pensadores cristãos conservadores, se não foram tão longe, tendem, no entanto, a minimizar as diferenças entre eles e os outros. É possível, até mesmo necessário, manter a ênfase de Van Til em nosso tempo e repudiar todas essas tendências de acomodação? Ou Van Til exagerou em seu argumento, inibindo desnecessariamente o ecumenismo bíblico? Ou a verdade…
8 de fevereiro de 2021
EditoraVida Cristã

Medo e o futuro

por R. J. Rushdoony   Bom dia, amigos. Quando governado pelo medo, o homem se torna incapaz tanto de viver no presente quanto de encarar o futuro. Seus dias são marcados pela constante incapacidade de enfrentar a realidade do tempo e pela relutância em gozar a vida hoje. A vida é vivida, não no mundo real, mas num reino de fantasia que não tem relação com a causalidade e ainda menos com a verdade sobre si mesmo. Este homem está constantemente sonhando com um futuro ideal, em que todos os fardos lhe serão tirados dos ombros, todos os problemas resolvidos e todas as responsabilidades substituídas por prazeres e recompensas imerecidas. Todas essas pessoas sonham ardorosamente com o futuro, mas na verdade têm medo tanto da vida quanto do futuro, porque não estão dispostos a conformar-se consigo mesmas como criaturas submetidas a Deus. Fantasias acerca do futuro muitas vezes assumem uma importância política tremenda, da qual o comunismo marxista é um exemplo contemporâneo especialmente óbvio. O sonho marxista de um mundo sem estado, sem crime, sem pecado, sem problemas é a fantasia de homens doentes que têm medo da verdade divina acerca deles mesmos e estão tentando criar um mundo em…
29 de janeiro de 2021