EditoraVida Cristã

Medo e o futuro

por R. J. Rushdoony   Bom dia, amigos. Quando governado pelo medo, o homem se torna incapaz tanto de viver no presente quanto de encarar o futuro. Seus dias são marcados pela constante incapacidade de enfrentar a realidade do tempo e pela relutância em gozar a vida hoje. A vida é vivida, não no mundo real, mas num reino de fantasia que não tem relação com a causalidade e ainda menos com a verdade sobre si mesmo. Este homem está constantemente sonhando com um futuro ideal, em que todos os fardos lhe serão tirados dos ombros, todos os problemas resolvidos e todas as responsabilidades substituídas por prazeres e recompensas imerecidas. Todas essas pessoas sonham ardorosamente com o futuro, mas na verdade têm medo tanto da vida quanto do futuro, porque não estão dispostos a conformar-se consigo mesmas como criaturas submetidas a Deus. Fantasias acerca do futuro muitas vezes assumem uma importância política tremenda, da qual o comunismo marxista é um exemplo contemporâneo especialmente óbvio. O sonho marxista de um mundo sem estado, sem crime, sem pecado, sem problemas é a fantasia de homens doentes que têm medo da verdade divina acerca deles mesmos e estão tentando criar um mundo em…
29 de janeiro de 2021
CosmovisõesÉticaGoverno e Política

Você é escravo do dinheiro e depois morre

Você é escravo do dinheiro e depois morre   Eugene McCarreher   O filme Rede de intrigas (1976), escrito por Paddy Chayefsky e dirigido por Sidney Lumet, é uma sátira brutal e visionária da televisão, prevendo desde o reality show até à extinção da linha que separa o comentarista do repórter, chegando mesmo à transformação do discurso político em entretenimento. O filme é mais lembrado por seu radialista Howard Beale (interpretado por Peter Finch), que incita sua audiência a ir até suas janelas e gritar: “Para mim já chega, eu não vou mais aceitar isso!”. Articulando raiva e frustração generalizada, Beale se torna "o profeta enfurecido das ondas de rádio" e sua estreia na televisão é um sucesso. Mas em uma de suas cenas, ele descobre um acordo de negócios inescrupuloso que havia sido encoberto pela gerência da rede. Seu diretor executivo, Arthur Jensen (Ned Beatty), decide então instruir Beale no caminho das pedras. Depois de levar o profeta à sala de diretoria, Jensen prega um sermão no momento mais malévolo e sinistro do filme: “Não há nações, não há povos. . . existe apenas um sistema holístico dos sistemas. . . um domínio multinacional entrelaçado, interativo e multivariado de…
14 de novembro de 2020
LivrosTeologia

Escrevendo com luz

O texto abaixo, de Emilio e Tércio Garofalo, Escrevendo com luz, foi publicado no Coram Deo, a vida perante Deus: ensaios em honra a Wadislau Gomes, publicado em 2017 pela Editora Monergismo.
21 de julho de 2020
Teologia

Implicações práticas da esperança pós-milenista

O pós-milenismo é uma doutrina que incute esperança no futuro. Outras visões escatológicas dirão, sem dúvida, que também oferecem uma visão de esperança no futuro. Mas a esperança futura do pré-milenismo e do amilenismo não diz respeito à era atual. Parece uma era futura que será introduzida pelo retorno de Cristo. Nenhuma dessas visões tem esperança no triunfo de Cristo, seu evangelho ou seu povo na era atual. Cada uma delas vê um declínio para o cristianismo e o aumento da falsa religião do mal como a história futura do mundo que antecede o retorno de Cristo. O pós-milenismo não apenas espera ansiosamente a vitória do povo de Deus no final da história, mas também antecipa a vitória de Cristo e de seu povo antes da Segunda Vinda. Essa esperança pós-milenista exerce uma influência profunda sobre aqueles que a ela se apegam e afeta a maneira como vêem a vida e o ministério. Faz com que seus adeptos sejam orientados para o futuro - vivam hoje em vista do futuro triunfo para o Reino de Deus neste mundo.   Implicações específicas da esperança pós-milenista   Pessoal. Sua visão escatológica determinará como você vê o mundo e seu papel como servo…
15 de julho de 2020
Igreja

A Igreja de Cristo sem Cristo

por Peter J. Leithart   Brad Dourif como Hazel Motes, pregador da Igreja Sem Cristo, do romance Sangue Sábio, de Flannery O’Connor.   Seguindo John McWhorter, escrevi recentemente sobre a religião do Antirracismo. Tara Isabella Burton a chama de religião da justiça social. Estamos falando, em muitos aspectos, sobre a mesma coisa: uma nova religião que é um arremedo de ortodoxia cristã.  “A justiça social é uma religião”, escreve Burton em Strange Rites, que oferece a seus adeptos uma concepção coerente sobre o mundo, propósito, sentido, comunidade e rituais. Ela triunfa onde as outras fés falharam: “Ela reencantou um mundo ateu” (p. 177). Burton elabora:   Ela pega os diversos pressupostos do institucionalismo - sua priorização do eu, das emoções e da identidade; sua suspeita da autoridade, infligida pelo movimento do Novo Pensamento; sua visão utópica de um mundo melhor que, como a fênix, renasce das cinzas do mundo antigo - e os une numa narrativa visionária de resistência política e renovo moral (p. 178).   A religião da justiça social tem uma teoria sobre o eu e o pecado original: “Somos fundamentalmente tábulas rasas, cujas identidades opressivas e oprimidas nos são violentamente impostas pela sociedade” (p. 179). Nessa teologia…
9 de julho de 2020
LivrosTeologia

Ler ficção é bom para pastor

O texto abaixo, do rev. Emilio Garofalo Neto, Ler ficção é bom para pastor: o lugar da leitura ampla e variada na formação do pregador, foi publicado no Coram Deo, a vida perante Deus: ensaios em honra a Wadislau Gomes, publicado em 2017 pela Editora Monergismo.
6 de julho de 2020
CosmovisõesÉtica

Bavinck sobre o racismo nos Estados Unidos

James Eglinton Herman Bavinck viajou para a América do Norte duas vezes: primeiramente, como um jovem teólogo deslumbrado, em 1892, e mais tarde, numa fase mais madura da vida, em 1908. O objetivo de sua viagem em 1892 era servir como emissário do movimento calvinista que vinha provocando grande repercussão nos Países Baixos desde o final da década de 1870 – um movimento que mais tarde seria conhecido como neo-calvinismo. Embora ele achasse que o público americano não fosse receptivo ao seu calvinismo (“O americano tem muita consciência de si próprio, está bastante ciente de seu poder, sua vontade é demasiado forte, para que seja um calvinista”), ele na maioria das vezes se detinha de julgá-los negativamente. Pelo contrário, ele se apegou firmemente a uma filosofia idealista das viagens. Suas anotações sobre essa jornada começam com:  Viajar é uma arte que é preciso aprender. Movendo-se com facilidade, abrindo os olhos, preferindo a observação . Observando, percebendo e valorando. Nesse ponto de sua vida, ele estava comprometido com a ideia de que viajar seria um desperdício para aqueles que desprezavam o estrangeiro em razão de sua alteridade. Muito melhor, ele pensou, era treinar os olhos para apreciar a felicidade do estrangeiro.…
17 de junho de 2020
ÉticaTeologia

Acerca do litígio entre cristãos

1Co 1.1: Ousa algum de vós, tendo alguma questão contra outro, ir a juízo perante os injustos, e não perante os santos? Aqui ele passa a censurar outro erro entre os coríntios, a saber, a excessiva avidez por litígio, e esse vício era oriundo da ganância. Mas esta repreensão consiste de duas partes. A primeira é que, ao exibirem suas disputas perante os tribunais de incrédulos, estavam dando ao evangelho uma péssima fama e expondo-o ao ridículo público. A segunda é que, embora os cristãos, por um lado, devam enfrentar as injúrias, por outro estavam causando prejuízo a outrem, em vez de se guardarem de envolvimento em problemas de qualquer gênero. Assim, a primeira parte é particular; a segunda, geral. 1. Ousa algum de vós. Esta é a primeira parte da repreensão. Se alguém tem alguma disputa com um irmão, esta deve ser resolvida perante juízes crentes, e não perante incrédulos. Se porventura alguém desejar saber o porquê, já disse que a razão é porque o evangelho cai em descrédito e o nome de Cristo é exposto, por assim dizer, ao escárnio dos ímpios. Pois os ímpios, inspirados por Satanás, se acham em constante alerta, ávidos pela oportunidade de descobrirem…
6 de junho de 2020
ApologéticaCosmovisões

Hagiografias indevidas, a face notável do polímata neerlandês e o caso brasileiro

Este breve texto, acreditamos, trará algumas reflexões sobre a recepção de Kuyper no campo religioso brasileiro e percepções nossas sobre eventuais fragmentações e incorreções na caracterização de sua teologia, em especial no debate teológico brasileiro. Seguimos com a demonstração de um dos exemplos mais claros de como esfacelamentos e adulterações teológicas podem, ao invés de contribuir para o desenvolvimento sociopolítico, promover atrocidades inigualáveis cujos resultados marcam a humanidade de forma indelével. Por óbvio, não esgotaremos nenhum desses temas, para tanto há uma plêiade de obras de referências produzidas por autores reconhecidamente sérios no campo acadêmico que podem ser consultados (algumas referências constaram ao final deste pequeno e despretensioso texto). Algumas das reflexões, mais especialmente a que concerne à questão de Kuyper e sua eventual relação com o Apartheid, surgiram de ideias e excertos de tese doutoral por nós produzida em uma universidade pública. Para os que se debruçam nos estudos das possibilidades da(s) teologia(s) pública(s) no Brasil e internacionalmente, a simples menção de nomes de escol como Abraham Kuyper (1837-1920) traz certo alento, na medida que reconhecemos nele um paradigma possível para construção de aportes teóricos sólidos capazes de dar-nos ferramentas práticas para ação no espaço público. Contudo, a apreensão…
1 de junho de 2020