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Como Fazer Apologética Pró-Vida por Scott Klusendorf

Este é um resumo do curso de Scott Klusendorf sobre Apologética Pró-Vida Avançada, lecionado na Biola University em 2010 (texto completo em inglês aqui, em que os argumentos são desenvolvidos com maior detalhe). Introdução: o apologista pró-vida tem quatro tarefas essenciais: 1) esclarecer a questão, 2) estabelecer um fundamento para o debate, 3) responder as objeções persuasivamente, 4) ensinar e equipar. TAREFA #1: ESCLARECER O DEBATE. Qual é a questão? A natureza do raciocínio moral e o status do nascituro. Alegações de preferência versus alegações morais Preferência (subjetivo): “sorvete de chocolate é melhor do que o de baunilha”. Moral (objetivo): “é errado torturar criancinhas por diversão”. Alegações de preferência são subjetivas. São sobre gostos pessoais. Alegações morais são objetivas. São sobre certo e errado independentemente dos meus gostos. Alegações morais frequentemente são confundidas com alegações de preferência: Exemplo (slogan): “Não gosta de abortos? Não faça!” Tente isso: “Não gosta de escravidão? Não tenha um escravo!” Qualquer um que fizer uma dessas afirmações não entendeu a natureza do raciocínio moral. A moralidade do aborto se resume a uma questão que antecede a todas as outras: Podemos matar o nascituro? Depende. O que é o nascituro? Recorrer à escolha, privacidade, confiar nas…
29 de agosto de 2018
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Acertando as nossas contas morais por Joseph Mizzi

“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Coríntios 5.21) Eu me pergunto o que se passava pela cabeça de Onésimo, um escravo fugitivo, enquanto ele viajava de volta para o seu mestre, de Roma até a cidade grega de Colossos. “Ele vai me receber graciosamente? Ou ele vai me punir como normalmente acontece quando escravos fugitivos são pegos?” A sua única esperança era uma pequena carta escondida na sua capa.  Onésimo fugiu do seu mestre, Filemom, depois de ter possivelmente furtado dinheiro dele. Ele acabou em Roma, onde encontrou o apóstolo Paulo e se tornou cristão. Paulo sabia que Onésimo deveria retornar ao seu mestre para consertar seus erros. Então Paulo lhe deu uma carta pedindo que Filemom o recebesse de volta: “Se, portanto, me consideras companheiro, recebe-o, como se fosse a mim mesmo. E, se algum dano te fez ou se te deve alguma coisa, lança tudo em minha conta” (Filemom 1.17-18) Paulo dá a Filemom uma razão dupla pela qual ele deveria perdoar e receber o seu servo. Paulo pede ao mestre para perdoar o seu servo e promete pagar quaisquer dívidas. “Lança tudo em minha…
27 de agosto de 2018
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Justiça por Joseph Mizzi

“Porque os simples ouvidores da lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados” (Romanos 2.13) Vamos dizer que eu sou acusado diante de um magistrado por direção imprudente e velocidade acima do limite. O meu advogado argumenta que eu passei no meu teste de direção, possuo uma carteira de habilitação válida e que estou plenamente familiarizado com o código de trânsito, incluindo o limite de velocidade. Ademais, eu nem sempre dirijo de forma imprudente e tem outros motoristas que são bem piores do que eu. Isso salvaria a minha pele? Dificilmente! Pelo contrário, já que eu conheço a lei tão bem, eu sou ainda mais responsável. Tendo ignorado as regulações de trânsito, eu tenho ainda mais culpa por ter transgredido a lei. Todos conhecemos a lei de Deus. O preceitos morais da lei estão escritos na nossa consciência. Sabemos que é errado furtar porque não queremos que ninguém tome os nossos bens. Sabemos que é errado mentir porque queremos que os outros nos digam a verdade. Ademais, muitos de nós que foram criados numa família cristã, aprendemos os Dez Mandamentos e o ensinamento moral da Bíblia desde a nossa infância. Temos…
13 de agosto de 2018
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O Significado da Justificação por Joseph Mizzi

“O que justifica o perverso e o que condena o justo abomináveis são para o Senhor, tanto um como o outro.” (Provérbios 17.15) Nós naturalmente ficamos indignados diante da injustiça. Deus, que é perfeitamente justo, detesta a injustiça ainda mais do que nós. O papel do juiz é simples: eles devem ser justos e imparciais. “Em havendo contenda entre alguns, e vierem a juízo, os juízes os julgarão, justificando ao justo e condenando ao culpado” (Deuteronômio 25.1). Depois de considerar a evidência, o juiz deve decidir se o acusado é culpado de violar a lei. Se sim, ele deve prolatar uma sentença condenatória. O juiz deve condenar o perverso. Por outro lado, se o acusado tivesse cumprido o padrão da lei, o juiz deveria justificá-lo. Ele deveria pronunciar um reconhecimento dele como justo e livrá-lo de qualquer penalidade. Isso é justiça. Pelo contrário, é uma injustiça flagrante quando um juiz “justifica o perverso” ou “condena o justo”, como às vezes acontece nos tribunais humanos. “O que justifica o perverso e o que condena o justo abomináveis são para o Senhor, tanto um como o outro” (Provérbios 17.15). Podemos ter certeza de que isso nunca vai acontecer no tribunal de Deus.…
10 de agosto de 2018
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Carta a um Aspirante a Teólogo: Como falar realmente de Deus por Kevin J. Vanhoozer

Agosto de 2018 Tive o prazer de receber sua carta perguntando sobre o melhor caminho para se tornar um teólogo. Deixe-me confessar logo: eu ainda estou caminhando. Meu cartão de visita deve me identificar não como professor ou pesquisador, mas como perpétuo aluno de teologia, embora, se fosse assim, você provavelmente não estaria escrevendo para mim. Preciso destacar o ponto: a teologia não é um trabalho das nove às cinco, nem uma carreira. Conhecer e falar verdadeiramente de Deus é uma vocação que requer mais do que qualificações acadêmicas ou profissionais. A imagem que você deve ter em mente não é o professor com uma jaqueta de tweed, mas sim os discípulos que largaram tudo para seguir Jesus. Tornar-se um teólogo significa seguir a Palavra de Deus, onde ela conduz com toda a sua mente, coração, alma e força. Deixe-me dizer mais algumas coisas sobre o que é teologia e por que isso é importante, apenas para ter certeza de que estamos na mesma página. Teologia é o estudo de como falar verdadeiramente de Deus e de todas as coisas em relação a Deus. Mas os teólogos não podem abordar o objeto de seu estudo da maneira como os biólogos estudam as criaturas vivas ou os geólogos a…
25 de julho de 2018
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Pronomes pessoais de preferência por Jeffery J. Ventrella

E VÓS quem dizeis que eu sou: “pronomes pessoais de preferência”, ética, linguagem e o evangelho  A pressão aumenta no campus, na esfera pública e na igreja: ou se usa o pronome que “afirme a identidade de gênero” de alguém ou se é considerado, na melhor das hipóteses, “ofensivo” ou até um preconceituoso intolerante, na pior das hipóteses. E, no contexto cristão, isso frequentemente é visto como dando um “passaporte” para afirmar o indivíduo com dificuldades trans ou então arriscar bloquear permanentemente uma “conversa sobre o evangelho” . A questão é quase a seguinte: “se vocês, cristãos certinhos, ao menos tivessem a decência de usar o pronome de preferência da pessoa, então os portões dos céus se abririam sem demora”. Como devemos lidar com essa situação bem real e crescentemente proeminente? A questão do uso pronominal é meramente uma questão de gentileza e cortesia interpessoal? Vamos começar com um experimento mental: Se alguém chama o seu carro de “água” é uma coisa. Todavia, se ele colocar a “água” dele na garagem dele e fechar a porta, seguro em sua suposta autonomia noética de que a sua “água” está na garagem, o que vai acontecer quando ele reabrir a porta? Ele…
16 de julho de 2018
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Doze características de uma imaginação escriturística por W. David O. Taylor

Quem é o artista que nos ajudará a imaginar formas de conservar a criação e a cultura? Como a arte pode conservar o que é bom numa sociedade? Como a arte informada por sensibilidades especificamente “conservadoras” pode contribuir ao florescimento humano? Embora a resposta à primeira pergunta possa ser relativamente direta, a segunda levanta outra pergunta. Para parafrasear Tertuliano: Pode vir algo de bom para as artes do conservadorismo? A resposta a esta última pergunta é: depende. Depende de como construímos o conservadorismo e que relacionamento supomos existir entre uma sensibilidade conservadora e a geração e experiência das obras de arte. Se você ouvir ao debate público sobre essas questões, você verá duas abordagens identificáveis. Alguns creem que um ethos conservador deve influenciar diretamente os meios, o estilo, o conteúdo e a recepção da arte, resultando, espera-se, num fazer artístico que se assemelha ao cânon “ocidental” de arte (ou em alguns casos, a uma arte America-friendly). Outros argumentam que não há uma conexão direta entre o conservadorismo e a escolha dos meios, estilo, conteúdo ou recepção e que todos os tipos de obra de arte podem contribuir para o florescimento de uma sociedade. Quando a arte se alinha com a…
31 de maio de 2018
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Fator Melquisedeque? por Daniel Strange

Fator Melquisedeque?   Retornamos ao encontro de Abrão com Melquisedeque em Gênesis 14. Ninguém menos do que Von Rad nota que “tal avaliação positiva e tolerante de um culto cananeu fora de Israel não tem paralelos no Antigo Testamento”. Eu lidei em algum detalhe com essa passagem em outro lugar, especialmente na medida em que este exemplo do “santo pagão” por excelência do Antigo Testamento é usado por evangélicos como Clark Pinnock como uma forte evidência para apoiar o inclusivismo religioso. Embora não proponham um inclusivismo tão forte quanto o de um Pinnock, há uma série do que podem ser chamadas de leituras “provisionalistas” deste encontro, leituras que compartilham a visão de que Deus deu uma provisão para a adoração genuína de Melquisedeque (sob o nome de uma divindade cananinta), ainda que a aceitação de Deus desse culto fosse provisória. O que devemos responder a essas leituras provisionalistas e ao encontro misterioso em si? Ao invés de isolar o incidente, é importante vê-lo em seu contexto circundante, tanto em Gênesis quanto dentro do cânon, e como parte da narrativa contínua da história redentiva. Quando isso é feito, então as leituras mais provisionalistas se revelam cada vez mais improváveis. Primeiro, embora…
10 de maio de 2018
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Meditações sobre mediações: escapando a imediaticidade do pornográfico (Alastair Roberts)

Nos últimos dias, eu tive o privilégio de descobrir o álbum recente de Andrew Gregory, The Song of Songs (disponível para download gratuito aqui). Mais conhecido por ser um membro da Gregory Brothers, a família por trás do fenômeno do Youtube, Autotune the News, foi uma surpresa agradável descobrir que Andrew tem o segundo emprego de ser um compositor-cantor sério, que se conecta com Sufjan Stevens e o Welcome Wagon. A sua última oferta é uma interpretação moderna rica e orquestrada de Cantares de Salomão, uma obra feita em cinco anos e com amor. Andrew descreve ter escrito inteiramente Cantares de Salomão, colocando códigos no formato de cores para partes que ele já tinha completado, partes que precisava desenvolver mais e partes que iria deixar de fora. Qualquer um familiarizado com o texto bíblico ficará impressionado com a clareza de sua voz na obra final de Andrew. Cantares de Salomão por muito tempo me foi particularmente fascinante. Todavia, ouvir uma apresentação sensível das palavras do texto bíblico dentro de uma linguagem musical contemporânea adicionou uma nova dimensão às minhas experiências anteriores do texto. Eu fiquei chocado, num grau maior do que antes, pelos fortes contrastes que existem entre os amantes…
25 de abril de 2018
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Murray contra os dispensacionalistas

Uma boa parte da má compreensão concernente à relação entre a lei e o crente flui de um erro bíblico-teológico de proporções bem mais amplas do que uma interpretação errônea da afirmação de Paulo em Romanos 6.14. É uma interpretação errônea da economia e aliança mosaicas em relação à nova aliança. Pensa-se que na aliança mosaica há uma estreita antítese ao princípio da promessa incorporado na aliança abraâmica e também ao princípio da graça que vem à efervescência na nova aliança, e que esse princípio antitético que governa a aliança e dispensação mosaicas é o da lei em contraste tanto à promessa quanto à graça.1 Pensa-se, portanto, que a aliança mosaica é o exemplo mais notável das obras da lei em oposição às provisões da promessa e da graça. É fácil ver como tal interpretação da economia mosaica afetaria radicalmente a nossa construção não só da própria economia mosaica, mas também da aliança abraâmica, por um lado, e da nova aliança, por outro; o mosaico ficaria em estreita antítese a ambos tanto com respeito ao princípio constitutivo quanto ao governante. E o contraste entre a lei e a graça que encontramos no Novo Testamento naturalmente seria interpretado como um contraste…
28 de março de 2018