Category

Apologética

ApologéticaCosmovisõesFilosofia

Van Til Sobre a Antítese

Este artigo foi publicado originalmente no Westminster Theological Journal 57 (1995), 81-102. Traduzido por: Gabriel Pereira de Carvalho Revisado por: Felipe Barnabé Duarte   Como procuramos fazer o melhor uso do pensamento de Cornelius Van Til em nosso próprio tempo, é especialmente importante que nos debrucemos sobre o seu conceito de antítese, a oposição diametral entre crença e descrença e, portanto, entre crença e qualquer compromisso de verdade revelada. O conceito de antítese é uma das maiores preocupações de Van Til, e é esse elemento em seu pensamento que lhe trouxe as críticas mais severas. No atual clima teológico pluralista, parece particularmente difícil traçar linhas suficientemente claras para apoiar o discurso vantiliano sobre antítese: linhas entre tradições denominacionais, entre liberais e conservadores, entre o cristianismo e outras religiões, entre crença e descrença. O universalismo é tomado como certo na teologia liberal contemporânea, e os pensadores cristãos conservadores, se não foram tão longe, tendem, no entanto, a minimizar as diferenças entre eles e os outros. É possível, até mesmo necessário, manter a ênfase de Van Til em nosso tempo e repudiar todas essas tendências de acomodação? Ou Van Til exagerou em seu argumento, inibindo desnecessariamente o ecumenismo bíblico? Ou a verdade…
8 de fevereiro de 2021
ApologéticaCosmovisões

Hagiografias indevidas, a face notável do polímata neerlandês e o caso brasileiro

Este breve texto, acreditamos, trará algumas reflexões sobre a recepção de Kuyper no campo religioso brasileiro e percepções nossas sobre eventuais fragmentações e incorreções na caracterização de sua teologia, em especial no debate teológico brasileiro. Seguimos com a demonstração de um dos exemplos mais claros de como esfacelamentos e adulterações teológicas podem, ao invés de contribuir para o desenvolvimento sociopolítico, promover atrocidades inigualáveis cujos resultados marcam a humanidade de forma indelével. Por óbvio, não esgotaremos nenhum desses temas, para tanto há uma plêiade de obras de referências produzidas por autores reconhecidamente sérios no campo acadêmico que podem ser consultados (algumas referências constaram ao final deste pequeno e despretensioso texto). Algumas das reflexões, mais especialmente a que concerne à questão de Kuyper e sua eventual relação com o Apartheid, surgiram de ideias e excertos de tese doutoral por nós produzida em uma universidade pública. Para os que se debruçam nos estudos das possibilidades da(s) teologia(s) pública(s) no Brasil e internacionalmente, a simples menção de nomes de escol como Abraham Kuyper (1837-1920) traz certo alento, na medida que reconhecemos nele um paradigma possível para construção de aportes teóricos sólidos capazes de dar-nos ferramentas práticas para ação no espaço público. Contudo, a apreensão…
1 de junho de 2020
Apologética

Por que eu creio em Deus – por Jean-Marc Berthoud

A minha alma está apegada ao pó; vivifica-me segundo a tua palavra. Eu te expus os meus caminhos, e tu me valeste; ensina-me os teus decretos. Faze-me atinar com o caminho dos teus preceitos, e meditarei nas tuas maravilhas. A minha alma, de tristeza, verte lágrimas; fortalece-me segundo a tua palavra. Afasta de mim o caminho da falsidade e favorece-me com a tua lei.   Salmo 119.25-29   Eu não estava buscando a Deus. Eu pertencia àquela classe de homens, tão comum hoje, que encontram a justificação de sua existência na intensidade de seus sentimentos. Dotado com uma alta sensibilidade, eu me considerava superior aos pobres mortais, dentre a elite que Stendhal costumava chamar de “os poucos felizes”, os eleitos, os que tem cultura e são inteligentes, cujas vidas não são limitadas pela trivialidade e mediocridade do rebanho comum. Eu não escolhi a Deus. Na verdade, ele não importava para mim. Essa hipótese não era mais necessária para a condição satisfatória da minha psiquê do que foi para o universo mecânico imaginado pelo físico francês Laplace. Outros podiam muito bem se interessar por tais hipóteses. Eu não. E quando o meu irmão mencionou que um amigo em comum tivera uma…
30 de agosto de 2019
ApologéticaCasamento e Família

Sexualidade bíblica, uma explicação simples por P. Andrew Sandlin

Vivemos num tempo de caos e apostasia sexual sem precedentes. A depravação sexual infectou o mundo desde a queda da humanidade, mas hoje nós testemunhamos não só o abandono completo de normas sexuais criacionais, mas também uma justificação teórica extensa desse abandono. O homem moderno deseja a sua depravação sexual e está disposto a inventar uma explicação sofisticada para ela e para como qualquer alternativa à depravação é retrógrada e anormal. Tragicamente, essa perversão de ideias não se limita à cultura pagã-secular, mas envenenou a igreja. Ser um cristão fiel na cultura contemporânea é estar ciente do ensino da Bíblia sobre a sexualidade e viver de acordo com ele. Dar as costas para a ética sexual bíblica é convidar uma vida de dor de cabeça e destruição. Na nossa situação presente, um resumo dos principais pontos do ensino bíblico sobre sexo seria uma contribuição bem-vinda. Dois sexos Primeiro, Deus criou os sexos: dois sexos, e somente dois, homem e mulher (Gn 1.27). Ambos foram criados à imagem de Deus. A mulher enquanto esposa foi modelada a partir do corpo do homem a fim de estar na maior proximidade possível a ele física, espiritual e emocionalmente, e de qualquer outra forma.…
13 de março de 2019
Academia MonergistaApologéticaCosmovisões

Como Fazer Apologética Pró-Vida por Scott Klusendorf

Este é um resumo do curso de Scott Klusendorf sobre Apologética Pró-Vida Avançada, lecionado na Biola University em 2010 (texto completo em inglês aqui, em que os argumentos são desenvolvidos com maior detalhe). Introdução: o apologista pró-vida tem quatro tarefas essenciais: 1) esclarecer a questão, 2) estabelecer um fundamento para o debate, 3) responder as objeções persuasivamente, 4) ensinar e equipar. TAREFA #1: ESCLARECER O DEBATE. Qual é a questão? A natureza do raciocínio moral e o status do nascituro. Alegações de preferência versus alegações morais Preferência (subjetivo): “sorvete de chocolate é melhor do que o de baunilha”. Moral (objetivo): “é errado torturar criancinhas por diversão”. Alegações de preferência são subjetivas. São sobre gostos pessoais. Alegações morais são objetivas. São sobre certo e errado independentemente dos meus gostos. Alegações morais frequentemente são confundidas com alegações de preferência: Exemplo (slogan): “Não gosta de abortos? Não faça!” Tente isso: “Não gosta de escravidão? Não tenha um escravo!” Qualquer um que fizer uma dessas afirmações não entendeu a natureza do raciocínio moral. A moralidade do aborto se resume a uma questão que antecede a todas as outras: Podemos matar o nascituro? Depende. O que é o nascituro? Recorrer à escolha, privacidade, confiar nas…
29 de agosto de 2018
Apologética

5 Perigos para Missionários em Contextos de Honra e Vergonha por Elliot Clark

O Ministério dentro das culturas de honra e vergonha é um tópico amplamente discutido hoje. A maior parte do mundo e especialmente o Oriente, como percebemos, não pensa da maneira que pensamos. De certo modo, eles trabalham em um sistema operacional completamente diferente, o que significa que missionários ocidentais devem adaptar sua linguagem padrão e "codificação" ao apresentar o Evangelho. A consciência cultural é o primeiro passo, embora a adaptação cultural completa não seja o objetivo necessário. Este é o caso em qualquer contexto, ocidental ou não. Perigos inevitáveis ​​espreitam quando alguém tenta contextualizar a mensagem do Evangelho para uma determinada cultura. Assim, enquanto grandes avanços foram feitos no Evangelismo, no que se refere aos contextos de vergonha e honra, o pêndulo proverbial pode ir longe demais. Aqui estão cinco perigos que vejo para aqueles que procuram ministrar em contextos de vergonha e honra. Reconhecê-los nos protegerá da inútil correção exagerada. 1. Desconectar a Honra da Obediência O viés ocidental, sem dúvida, afeta nossa leitura das Escrituras. Você pode ter notado isso em uma interpretação comum de Romanos 3:23. Alguns simplesmente falam de errar o alvo ou de deixar de obedecer perfeitamente à lei de Deus. Mas isso não é exatamente o que Paulo diz. Antes, ele iguala o pecado com…
15 de agosto de 2018
Apologética

Você Consegue Explicar o Evangelho em Três Palavras? Por Russell Moore 

Você consegue explicar o evangelho a um incrédulo usando apenas três palavras? Esse foi o desafio que alguém postou há algumas semanas nas redes sociais. "Não se pode explicar todo o evangelho em apenas três palavras", eu murmurei para mim mesmo. "É por isso que temos um cânon de 66 livros." Quanto mais eu pensava sobre isso, mais minha mente mudava e eu me tornava aberto para aceitar o desafio. Acho que poderia explicar o evangelho em três palavras, desde que eu tivesse tempo para explicar as três palavras. E essas palavras seriam "Senhor Jesus Cristo". 1. Senhor A palavra “Senhor” significaria apontar para a divindade de Deus, o que significa falar de Deus como rei soberano e como pai amoroso. Isso implicaria uma discussão de Deus como Criador, o que significa para nós sermos Suas criaturas. Isso envolveria uma discussão sobre o que Deus nos revelou sobre seu senhorio como Criador. Que ele projetou todas as coisas por e para Jesus Cristo (João 1: 1–5; Colossenses 1:16). Também incluiria nossa situação humana como criadores de ídolos, que consistentemente escolheriam outros senhores, deuses, faraós e césares, pensando que eles seriam melhores para nós, ao mesmo tempo nos isolando de nossa única fonte de vida, o próprio Deus. 2. Jesus…
17 de maio de 2018
Apologética

Um Grupo de Pandas

~ 1 ~ Sou cristão, filósofo/logicista novato e cientista em biologia molecular. Estou lendo seus livros Questões Últimas e Confrontações Pressuposicionais. Neste último, você afirma o seguinte sobre a confiabilidade da ciência: No caso de alguma pessoa ter dificuldade em entender o que é dito acima sobre experimentos científicos, talvez o problema da “afirmação do consequente” seja de compreensão mais fácil. Considere a seguinte linha de argumento: 1. Se X então Y 2. Y 3. Portanto, X Essa forma de raciocínio, chamada de “afirmação do consequente”, é sempre uma falácia formal na lógica; isto é, sabemos que o argumento é inválido simplesmente notando sua estrutura. Só porque Y é verdadeiro não significa que X seja verdadeiro, pois uma quantidade infinita de coisas pode substituir X de modo a ainda termos Y. Correlação não equivale à causação ― mas pode a ciência mesmo descobrir correlação? Assim, se a hipótese é “Se X então Y”, o fato de aparecer Y não faz absolutamente nada para confirmar a hipótese. Se o que você diz sobre a ciência é verdadeiro, isso não me enraivece ou impede de fazer o que eu faço; gostaria, porém, de entender o que você está dizendo. Do meu ponto de vista, quando…
1 de fevereiro de 2016
Apologética

Univocidade: Trueman, Clark e Henry

Carl Trueman é definitivamente um dos melhores teólogos presbiterianos dos nossos dias. Contudo, o exemplo abaixo mostra como mesmo os grandes erram, e erram feio: notion of univocity (that, for example, the word 'good' can be applied to God and humanity in the same qualitative manner) Ele faz o comentário acima ao falar sobre Carl Henry e a influência de Gordon Clark sobre o pensamento de Henry. Mas esse exemplo de univocidade é absolutamente falso, pelo menos no caso de Clark e Henry. Eles eram pelagianos? Ora, nem Pelágio diria isso. Eu, hein! Não sei se foi descuido ou calúnia, mas um exemplo muito mais justo seria “that, for example, the phrase 'God is good' have the same qualitative meaning for God and humanity”. Clark afirmava que uma proposição verdadeira (“Jesus é Deus”, por exemplo) significa a mesma coisa para Deus e o homem. Temos acesso à mesma proposição. O conteúdo é o mesmo, caso contrário não teríamos acesso à verdade, algo que a Escritura claramente afirma. Se temos uma analogia da verdade, e não a própria verdade, então estamos negando o que a Escritura diz. Tudo bem, tudo bem. Você não precisa concordar com isso! Discordar é uma coisa;…
13 de fevereiro de 2014