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Propriedades das duas Cidades ― a Terrestre e a Celeste

  Dois amores fizeram as duas cidades: o amor de si até ao desprezo de Deus ― a terrestre; o amor de Deus até ao desprezo de si ― a celeste. Aquela glorifica-se em si própria ― esta no Senhor; aquela solicita dos homens a glória ― a maior glória desta consiste em ter Deus como testemunha da sua consciência; aquela na sua glória levanta a cabeça ― esta diz ao seu Deus:             Tu és minha glória, tu levantas a minha cabeça; aquela nos seus príncipes ou nações que subjuga, e dominada pela paixão de dominar ― nesta servem mutuamente na caridade: os chefes dirigindo, os súbditos obedecendo; aquela ama a sua própria força nos seus potentados ― esta diz ao seu Deus:             Amar-te-ei, Senhor, minha fortaleza; por isso, naquela, os sábios vivem como ao homem apraz ao procurarem os bens do corpo, ou da alma, ou dos dois: e os que puderam conhecer a Deus não o glorificaram como Deus, nem lhe prestaram graças, mas perderam-se nos seus vãos pensamentos e obscureceram o seu coração insensato. Gabaram-se de serem sábios, (isto é, exaltando-se na sua sabedoria sob o império do orgulho) tornaram-se loucos ― e substituíram a…
15 de março de 2013
ApologéticaCosmovisões

Considerações sobre a Filosofia da Idéia Cosmonômica

O filósofo reformado Herman Dooyeweerd acaba de ser introduzido no mercado literário brasileiro, através da publicação, pela editora Hagnos, de sua obra In the twilight of the western thought, em português, intitulada: No crepúsculo do pensamento. Este será, para muitos leitores, o primeiro contato com a obra deste profícuo pensador. O presente ensaio visa apresentar duas características fundamentais do pensamento de Dooyeweerd, que auxiliarão o leitor a se aproximar de sua obra: diálogo e antítese. O objetivo não é tanto fornecer uma chave de leitura conceitual para o contato com a obra de Dooyeweerd, mas, de forma muito resumida, mostrar como estas duas características marcantes da construção de seu edifício teórico-filosófico devem incentivar e nortear nossa aproximação de seu pensamento. Nos daremos por satisfeitos se conseguirmos, por meio desta breve apresentação, apontar a relevância do pensamento de Dooyeweerd, para a construção de uma biocosmovisão biblicamente orientada, e promover a aproximação coerente de seu pensamento.
12 de julho de 2012
Apologética

Lógica Pressuposicional

Preciso dizer isso de novo. Sou um aprendiz lerdo. Dãr! Ora, após 30 anos pensando que era pressuposicionalista, o Dr. Greg Bahnsen mudou a minha mente. Eu estava perto, mas não o suficiente. Há duas coisas que desafiam todo pensamento: infalibilidade e onisciência. Exemplo: Premissa 1: A mente grega (humanista) gostar de fazer conclusões, achar respostas. Premissa 2: A mente hebraica (não humanista) está interessa no processo, não em conclusões. Conclusão: Você deve ler as Escrituras com a mente hebraica, não com a mente humanista e, portanto, você não deve fazer conclusões. É sério! Há pessoas que creem e ensinam esse tipo de “lógica”. Mas o que aconteceu? Essa proposição anti-grega e anti-conclusão fez uma conclusão. Dãr! Toda alegação de “saber” algo é ao mesmo tempo uma alegação de conhecer exaustivamente, saber infalivelmente. De outra forma a alegação de conhecimento é mera retórica. Isso é o porquê conceitos como infalibilidade ou onisciência não são opções: eles são conceitos inescapáveis. Logicamente, essas alegações não podem ser negadas; elas estão implícitas em toda declaração. Quando pergunta o famoso “por quê” várias vezes, você chega à fonte de qualquer declaração — as pressuposições, o local da infalibilidade e a onisciência. Você não precisa…
11 de julho de 2012
Apologética

O Dia em que o Avião de Francis Schaeffer Quase Caiu

Uma vez eu estava voando à noite no Atlântico Norte. Foi em 1947, e eu estava voltando da minha primeira visita à Europa. Nosso avião, um desses DC4 antigos com dois motores em cada asa, estava a dois ou três minutos no meio do Atlântico. De repente, dois motores numa asa pararam. Eu já tinha voado muito, e por isso eu pude sentir os motores com problemas. Eu me lembro de pensar: “Se eu for afundar no oceano, seria melhor eu pegar o meu casaco”. Quando eu peguei, eu disse à aeromoça: “Tem algo errado com os motores”. Ela foi um pouco mordaz e disse: “Vocês sempre acham que há algo errado com os motores”. Eu dei de ombros, mas peguei meu casaco. Tão logo sentei, as luzes se acenderam e um co-piloto muito agitado saiu da cabine. “Nós estamos em apuros”, ele disse. “Vistam rapidamente seus coletes salva-vidas”. Assim, nós descemos, e caímos e caímos, até que, no meio da noite sem lugar, pudemos ver as ondas se quebrando debaixo de nós na escuridão. E enquanto nós estávamos descendo, eu orei. De forma bastante interessante, uma mensagem de rádio tinha sido transmitida, um S.O.S. que foi receptado e retransmitido…
2 de julho de 2012
Apologética

Ciência e Fé Cristã podem conversar?

A glória de Deus é encobrir as coisas, mas a glória dos reis é esquadrinha-las. (Provérbios 25.2) Hoje alguém me perguntou ressabiado se é possível fazer a fé cristã e ciência conversarem. Nada estranho! Afinal, de modo geral, para o nosso tempo, fé em Deus é fé em Deus, e ciência é ciência. Aliás, talvez a maioria das pessoas em nossos dias, contraponha o pensamento cientifico não apenas ao conhecimento de Deus, mas à fé, em geral, como se houvesse uma contradição necessária entre ambos, e uma conversa entre eles fosse algo impossível. Se a pergunta fosse quanto a contradição entre ciência e fé, a resposta voltaria imediatamente em forma de outra pergunta: E quando foi que elas deixaram de se falar? Mas como a pergunta qualificou a fé, o diálogo continua. Apesar deste status quo contemporâneo, à luz de uma cosmovisão cristã não existe uma contradição necessária entre o conhecimento científico e o conhecimento de Deus, isto é, elas não são necessariamente inimigas. Pelo contrário, de acordo com a revelação bíblica, o mundo foi trazido à existência por Deus, e, portanto, está repleto de traços autorais dele. Nas palavras de Davi: Os céus proclamam a glória de Deus e…
29 de junho de 2012
ApologéticaTeologia

Religião e Ciência

A ciência empírica ocidental moderna tem certamente sido o desenvolvimento intelectual mais impressionante desde o séc. XVI. A religião tem marcado presença desde há bastante mais tempo, é claro, e está hoje em crescimento, talvez como nunca o esteve antes. (É verdade que há a tese do secularismo, segundo a qual a ciência e a tecnologia, por um lado, e a religião, por outro, estão inversamente relacionadas: à medida que a primeira cresce, a segunda diminui. Contudo, o ressurgimento da religião e da crença religiosa em muitas partes do mundo levantam dúvidas consideráveis a esta tese.) A relação entre estas duas grandes forças culturais tem sido tumultuosa, multifacetada e confusa. Este artigo concentrar-se-á na relação entre ciência e as religiões teístas: cristianismo, judaísmo, islamismo, sendo o teísmo a crença de que há uma pessoa imaterial todo-poderosa, omnisciente e perfeitamente boa que criou o mundo, criou os seres humanos “à sua imagem,” e a quem devemos reverência, obediência e fidelidade. A maior parte deste artigo aplicar-se-á também às variedades monoteístas e henoteístas de budismo e hinduísmo. Há muitos problemas e questões importantes nesta área; este artigo concentrar-se-á apenas em alguns deles. A questão que talvez mais salte à vista é se…
12 de junho de 2012
ApologéticaCosmovisões

Ideia de Origem e Crítica Teórica

Nota: O texto que se segue foi estimulado pela entrevista ao matemático John Lennox publicada pelo Estado de S. Paulo em Abril de 2009. O texto da entrevista pode ser lido na página do dito jornal. — O pensamento teórico e a formação histórica de uma cultura são necessariamente influenciados de forma considerável por ideias acerca da Origem da existência, da unidade e da diversidade das coisas. Uma cosmovisão e uma matriz de pensamento teórico se definem em termos da inclinação pessoal tácita ou explícita em relação ao conteúdo desse conjunto de ideias transcendentais. Sem pressupor qualquer resposta a essas questões, o pensamento teórico jamais é possível. Daí ser esse relacionamento algo de cunho transcendental: trata-se da condição de possibilidade para algo. Contudo, isso não quer dizer que todo pressuposto acerca da Origem lhe atribui transcendência de forma ativa. Por exemplo, o humanismo modernista e o humanismo pós-moderno querem sempre localizar o conteúdo das suas ideias transcendentais em coisas ou modalidades imanentes ao cosmos. Em suma: as ideias de Origem podem ser transencentes ou imanentes, mas seu caráter é sempre transcendental no sentido de possibilitar o pensamento teórico. Tudo isso pode ser resumido numa simples afirmação: qualquer teoria pressupõe uma…
25 de abril de 2012
ApologéticaCosmovisões

Contra o Seqüestro do Esporte Moderno

Nota do autor: Este texto foi encomendado pela recém-criada revista “Preço do Sistema” (Nov. 2009) e traz uma reflexão breve sobre as cosmovisões que direcionaram o desenvolvimento histórico do esporte olímpico e uma crítica à “estatização” do esporte associado como uma invasão da soberania de esfera. —– Todo mundo sabe que existe uma grande diferença entre as Olimpíadas modernas e a sua instituição “xará” da antigüidade clássica. O abismo entre uma coisa e outra não é somente quantitativo (por exemplo, há hoje um maior número de competidores e de esportes do que na Grécia antiga). Pelo contrário, as diferenças mais interessantes são de natureza qualitativa. Considere, como ilustração, o status relativamente independente do esporte nos nossos dias: será que as coisas sempre foram assim? A resposta deve ser negativa. É claro que houve um tempo em que certas áreas da vida, como o lazer, por exemplo, eram pouco diferenciadas daquilo que se considerava o “motor” cultural. No caso das Olimpíadas originais, é curioso notar como a prática da competição refletia um dos princípios-chave da civilização grega: os jogos eram parte de um festival religioso e público dedicado a Zeus. Ou seja, dependiam necessariamente do contexto à sua volta, e realizá-los…
24 de abril de 2012
ApologéticaCosmovisões

Um Ensaio Crítico sobre os Ídolos da Modernidade (Parte 1)

O artigo visa proporcionar uma análise crítica do processo de desenvolvimento histórico-cultural, com foco específico na Modernidade, a partir de um paradigma que transcenda o domínio dos paradigmas filosóficos, históricos e sociológicos vigentes. Dentro de uma perspectiva biblicamente orientada (teorreferente), o artigo pretende discernir esse desenvolvimento históricocultural muito mais à luz de seu estatuto religioso central do que à luz de qualquer outro fator, remontando às suas raízes religiosas e demonstrando a relação de determinação entre o eu fundamentalmente religioso das pessoas que participaram da dinâmica social moderna e os desdobramentos histórico-culturais ocorridos na Modernidade. Isso será feito através de um inventário crítico dos principais ídolos deste período presentes nas obras de alguns dos mais destacados representantes filosóficos da Modernidade.
2 de abril de 2012
ApologéticaCosmovisões

Herman Dooyeweerd: uma apresentação panorâmica

O pensamento reformacional de Herman Dooyeweerd ainda é relativamente desconhecido no Brasil. O presente artigo pretende remediar essa situação, contribuindo para torná-lo um pouco mais conhecido e despertar o interesse em futuros estudos sobre a Filosofia da Idéia Cosmonômica, como é comumente conhecido esse sistema teórico de pensamento. Contudo, esta apresentação panorâmica em hipótese alguma pretende dar conta do horizonte geral do pensamento dooyeweerdiano, visto ser esta uma tarefa de fôlego destinada a um trabalho de maior envergadura. A proposta aqui apresentada presta-se apenas a proporcionar um vislumbre geral da vida e do pensamento desse autor, do ambiente onde floresceu o seu pensamento, o neocalvinismo holandês ou calvinismo kuyperiano, e do que representou a sua obra, sobretudo para a fé reformada. As idéias e análises de Dooyeweerd sempre estiveram arraigadas numa biocosmovisão calvinista, sendo, por isso, contribuições profundas e inestimáveis para a academia cristã-reformada.
25 de fevereiro de 2012