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Cosmovisões

Cosmovisões

«O tédio das análises de cosmovisão» por Jake Meador

Ontem, num episódio do podcast “The Briefing”, o Dr. Al Mohler, do Seminário Batista do Sul, fez algumas reflexões sobre a morte do renomado físico Stephen Hawking. Você pode ler a transcrição completa da faixa de oito minutos usando o link acima. Eis o resumo do episódio que o próprio Mohler disponibilizou na página do Facebook, que, creio eu, é bastante sugestivo do que ele falou no seu programa:   Cremos que Stephen Hawking e todo seu brilhantismo simplesmente evidenciavam o fato de que ele era um ser humano criado à imagem de Deus, mas um ser humano que morreu sem Deus. Essa é a grande tragédia, mas não é o que provavelmente leremos nos obituários. Antes, o que veremos é um mundo secular tentando encontrar uma razão secular para celebrar um pensador secular e dizer algo relevante sobre o sentido de sua vida. Ao final de seus esforços, a cosmovisão secular não pode apresentar sequer um argumento para explicar por que a vida de Stephen Hawking (ou a minha, ou ainda a sua) foi em algum momento relevante. Apenas a cosmovisão bíblica pode responder a essa questão, e ela o faz de forma bastante profunda.   O que me…
30 de julho de 2021
ApologéticaCosmovisõesFilosofia

Van Til Sobre a Antítese

Este artigo foi publicado originalmente no Westminster Theological Journal 57 (1995), 81-102. Traduzido por: Gabriel Pereira de Carvalho Revisado por: Felipe Barnabé Duarte   Como procuramos fazer o melhor uso do pensamento de Cornelius Van Til em nosso próprio tempo, é especialmente importante que nos debrucemos sobre o seu conceito de antítese, a oposição diametral entre crença e descrença e, portanto, entre crença e qualquer compromisso de verdade revelada. O conceito de antítese é uma das maiores preocupações de Van Til, e é esse elemento em seu pensamento que lhe trouxe as críticas mais severas. No atual clima teológico pluralista, parece particularmente difícil traçar linhas suficientemente claras para apoiar o discurso vantiliano sobre antítese: linhas entre tradições denominacionais, entre liberais e conservadores, entre o cristianismo e outras religiões, entre crença e descrença. O universalismo é tomado como certo na teologia liberal contemporânea, e os pensadores cristãos conservadores, se não foram tão longe, tendem, no entanto, a minimizar as diferenças entre eles e os outros. É possível, até mesmo necessário, manter a ênfase de Van Til em nosso tempo e repudiar todas essas tendências de acomodação? Ou Van Til exagerou em seu argumento, inibindo desnecessariamente o ecumenismo bíblico? Ou a verdade…
8 de fevereiro de 2021
CosmovisõesÉticaGoverno e Política

Você é escravo do dinheiro e depois morre

Você é escravo do dinheiro e depois morre   Eugene McCarreher   O filme Rede de intrigas (1976), escrito por Paddy Chayefsky e dirigido por Sidney Lumet, é uma sátira brutal e visionária da televisão, prevendo desde o reality show até à extinção da linha que separa o comentarista do repórter, chegando mesmo à transformação do discurso político em entretenimento. O filme é mais lembrado por seu radialista Howard Beale (interpretado por Peter Finch), que incita sua audiência a ir até suas janelas e gritar: “Para mim já chega, eu não vou mais aceitar isso!”. Articulando raiva e frustração generalizada, Beale se torna "o profeta enfurecido das ondas de rádio" e sua estreia na televisão é um sucesso. Mas em uma de suas cenas, ele descobre um acordo de negócios inescrupuloso que havia sido encoberto pela gerência da rede. Seu diretor executivo, Arthur Jensen (Ned Beatty), decide então instruir Beale no caminho das pedras. Depois de levar o profeta à sala de diretoria, Jensen prega um sermão no momento mais malévolo e sinistro do filme: “Não há nações, não há povos. . . existe apenas um sistema holístico dos sistemas. . . um domínio multinacional entrelaçado, interativo e multivariado de…
14 de novembro de 2020
CosmovisõesÉtica

Bavinck sobre o racismo nos Estados Unidos

James Eglinton Herman Bavinck viajou para a América do Norte duas vezes: primeiramente, como um jovem teólogo deslumbrado, em 1892, e mais tarde, numa fase mais madura da vida, em 1908. O objetivo de sua viagem em 1892 era servir como emissário do movimento calvinista que vinha provocando grande repercussão nos Países Baixos desde o final da década de 1870 – um movimento que mais tarde seria conhecido como neo-calvinismo. Embora ele achasse que o público americano não fosse receptivo ao seu calvinismo (“O americano tem muita consciência de si próprio, está bastante ciente de seu poder, sua vontade é demasiado forte, para que seja um calvinista”), ele na maioria das vezes se detinha de julgá-los negativamente. Pelo contrário, ele se apegou firmemente a uma filosofia idealista das viagens. Suas anotações sobre essa jornada começam com:  Viajar é uma arte que é preciso aprender. Movendo-se com facilidade, abrindo os olhos, preferindo a observação . Observando, percebendo e valorando. Nesse ponto de sua vida, ele estava comprometido com a ideia de que viajar seria um desperdício para aqueles que desprezavam o estrangeiro em razão de sua alteridade. Muito melhor, ele pensou, era treinar os olhos para apreciar a felicidade do estrangeiro.…
17 de junho de 2020
ApologéticaCosmovisões

Hagiografias indevidas, a face notável do polímata neerlandês e o caso brasileiro

Este breve texto, acreditamos, trará algumas reflexões sobre a recepção de Kuyper no campo religioso brasileiro e percepções nossas sobre eventuais fragmentações e incorreções na caracterização de sua teologia, em especial no debate teológico brasileiro. Seguimos com a demonstração de um dos exemplos mais claros de como esfacelamentos e adulterações teológicas podem, ao invés de contribuir para o desenvolvimento sociopolítico, promover atrocidades inigualáveis cujos resultados marcam a humanidade de forma indelével. Por óbvio, não esgotaremos nenhum desses temas, para tanto há uma plêiade de obras de referências produzidas por autores reconhecidamente sérios no campo acadêmico que podem ser consultados (algumas referências constaram ao final deste pequeno e despretensioso texto). Algumas das reflexões, mais especialmente a que concerne à questão de Kuyper e sua eventual relação com o Apartheid, surgiram de ideias e excertos de tese doutoral por nós produzida em uma universidade pública. Para os que se debruçam nos estudos das possibilidades da(s) teologia(s) pública(s) no Brasil e internacionalmente, a simples menção de nomes de escol como Abraham Kuyper (1837-1920) traz certo alento, na medida que reconhecemos nele um paradigma possível para construção de aportes teóricos sólidos capazes de dar-nos ferramentas práticas para ação no espaço público. Contudo, a apreensão…
1 de junho de 2020
Cosmovisões

O que são religiões não cristãs? Por que elas existem?

O que são religiões não cristãs? Por que elas existem? (Jeremy Bouma com Daniel Strange) Um excerto de “A rocha deles não é como a nossa Rocha”  Essas duas questões estão no cerne da disciplina de teologia das religiões. Elas também estão no cerne do novo livro de Daniel Strange  A rocha deles não é como a nossa Rocha. Sua obra inteligente, cautelosa e biblicamente fiel preenche uma lacuna crucial na avaliação evangélica sobre o papel de outras religiões. Nela, ele busca explicar e defender esta definição de religião que responde as nossas perguntas: “A partir do pressuposto de uma revelação bíblica epistemologicamente autoritativa, as religiões não cristãs são respostas humanas idólatras à revelação divina soberanamente direcionadas, variadas e dinâmicas, estando por detrás delas forças demoníacas enganadoras. Sendo antiteticamente contra, mas parasiticamente dependentes de, a cosmovisão cristã, as religiões não cristãs são “cumpridas subversivamente” no evangelho de Jesus Cristo” (p. 239 do original) Leia o excerto abaixo para ter noção do valor da obra de Strange e ver ideias ainda mais valiosos sobre a razão e a natureza das religiões não cristãs Porque a rocha deles não é como a nossa Rocha (Deuteronômio 32.31, ARA) Da perspectiva da fides quaerens intelletum (fé…
16 de setembro de 2019
CosmovisõesÉtica

Catecismos para a Imaginação por N.D. Wilson

Para que servem as estórias? Pergunte isto a um grupo comum de jovens consumidores de ficção e provavelmente eles não entenderão o que você quer dizer. O que você conseguirá provavelmente são faces surpresas e ombros encolhidos. Então, vamos ser mais específicos. Para que servem os filmes, os programas de TV, as revistas em quadrinhos e os romances? Por que assistir? Por que ler? Por que nós enquanto cultura nos importamos a ponto de gastar bilhões de dólares (e horas) criando e consumindo estórias? A resposta consensual, independentemente se as crianças questionadas são leitoras ativas e vorazes ou absorvedoras meramente passivas do que por acaso está na moda, quase sempre se reduzirá a simplesmente uma única palavra: diversão. Por que nós assistimos? Por diversão. Por que nós lemos? Por diversão. O homem-aranha e o Harry Potter e Jogos Vorazes e The Walking Dead, todos existem por diversão. Crepúsculo é divertido. Ou não. E aí aquela garota está absorta nos livros enquanto aquele garoto escarnece e zomba. Gostos e prazeres pessoais e coletivos são adquiridos como se fossem indisputáveis e autoritativos. Mas a palavra diversão é um rótulo simplista para o que na verdade é uma experiência notável e complexa. Estórias…
19 de agosto de 2019
CosmovisõesTeologia

10 coisas que você precisa saber sobre a Bíblia como literatura – Leland Ryken

A ideia da Bíblia como literatura não começa na era moderna. Como fiz carreira como defensor da Bíblia como literatura por meio século, adotei a estratégia de primeiro limpar do terreno as concepções equivocadas e só depois fazer a defesa positiva da importância de ler e interpretar a Bíblia preservando sua natureza literária. Uma vez que a expressão “bíblia como literatura” entrou em cena em meados do século XX, é compreensível que evangélicos tenham receio da ideia. Contudo, grandiosos baluartes teológicos do passado, como Agostinho, Lutero e Calvino, jamais duvidaram de que a Bíblia tivesse qualidades literárias.   Ver a Bíblia como literatura não é necessariamente um sinal de liberalismo teológico. Como os eruditos bíblicos liberais estão mais inclinados que os conservadores a adotar abordagens literárias da Bíblia, é fácil associar tais abordagens ao liberalismo teológico; no entanto, não há conexão necessária entre eles. Começo meu curso de literatura na Bíblia com a leitura de dez declarações de autores bíblicos sobre a natureza singular da Bíblia – sua inspiração, sua infalibilidade e assim por diante. Em seguida, digo que, para mim, um estudo literário da Bíblia começa onde começa qualquer outro estudo dela – afirmando como verdade tudo que a…
31 de julho de 2019
CosmovisõesTeologia

10 coisas que você precisa saber sobre poesia – Leland Ryken

Deus espera que você compreenda e aprecie poesia. Esta não é uma declaração tão polêmica quanto parece. Sabemos que Deus espera que compreendamos e apreciemos poesia porque cerca de um terço da Bíblia está em forma poética. Para começar, temos livros poéticos como os Salmos e os Cantares de Salomão. Depois, temos os livros proféticos, em que grandes porções são expressas de forma poética. Além disso, há o livro de Apocalipse, vazado sobretudo em imagens e símbolos. E, ademais, as epístolas estão saturadas de imagens e metáforas.   Jesus é um dos poetas mais famosos do mundo. Como Jesus nunca se proclamou poeta, não costumamos pensar nele como tal, mas esta é uma omissão. Os discursos de Jesus valem-se muitíssimo da linguagem poética: “vós sois a luz do mundo”; “eu sou o pão da vida”. Adicionalmente, os ditos de Jesus são altamente aforísticos, e a beleza verbal é um elemento eminente da poesia. Assim, se começarmos com o fato de que os discursos e os ditos de Jesus estão entre os mais famosos do mundo, e acrescentarmos nossa consciência de que essas declarações são altamente poéticas na forma, é apropriado pensar em Jesus como um poeta famoso.   A poesia…
29 de julho de 2019
Cosmovisões

O estreitamento da mente calvinista

James B. Jordan Era uma vez algo como uma linha de pensamento calvinista. Existia em meus tempos de juventude, mas aparentemente desapareceu, de modo considerável, nos últimos anos. Mas permita-me explicar meu ponto. Quando me tornei calvinista, nos idos de 1970, comprei uma penca de livros. Nos anos seguintes, comprei mais alguns. Deixe-me listar alguns dos títulos; somente passe os olhos por eles:   C. Gregg Singer (presbiteriano), A Theological Interpretation of American History (1964), 300 páginas. E. L. Hebden Taylor (episcopal calvinista), The Christian Philosophy of Law, Politics, and the State(1969) , 650 páginas. Taylor, Evolution and the Reformation of Biology (1967). Taylor, Reformation or Revolution  (1970) 630 páginas. Herman Dooyeweerd (reformado neerlandês), No crepúsculo do pensamento ocidental (1968). Dooyeweerd, A New Critique of Theoretical Thought  (4 volumes, 1953), cerca de 2000 páginas. Dooyeweerd, The Christian Idea of the State (1968). J. M. Spier, An Introduction to Christian Philosophy  (1966). Spier, Christianity and Existentialism  (1953). David H. Freeman, A Philosophical Study of Religion  (1964), 270 páginas. H. van Riessen, The Society of the Future (1952), 320 páginas. Francis N. Lee, Communist Eschatology  (1974),1200 páginas. Rousas J. Rushdoony, The Messianic Character of American Education  (1968), 400 páginas. Rushdoony, The Mythology of Science  (1967). Rushdoony, The Nature of the American System (1965). Rushdoony, The Myth…
15 de fevereiro de 2019