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Ética

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Você é escravo do dinheiro e depois morre

Você é escravo do dinheiro e depois morre   Eugene McCarreher   O filme Rede de intrigas (1976), escrito por Paddy Chayefsky e dirigido por Sidney Lumet, é uma sátira brutal e visionária da televisão, prevendo desde o reality show até à extinção da linha que separa o comentarista do repórter, chegando mesmo à transformação do discurso político em entretenimento. O filme é mais lembrado por seu radialista Howard Beale (interpretado por Peter Finch), que incita sua audiência a ir até suas janelas e gritar: “Para mim já chega, eu não vou mais aceitar isso!”. Articulando raiva e frustração generalizada, Beale se torna "o profeta enfurecido das ondas de rádio" e sua estreia na televisão é um sucesso. Mas em uma de suas cenas, ele descobre um acordo de negócios inescrupuloso que havia sido encoberto pela gerência da rede. Seu diretor executivo, Arthur Jensen (Ned Beatty), decide então instruir Beale no caminho das pedras. Depois de levar o profeta à sala de diretoria, Jensen prega um sermão no momento mais malévolo e sinistro do filme: “Não há nações, não há povos. . . existe apenas um sistema holístico dos sistemas. . . um domínio multinacional entrelaçado, interativo e multivariado de…
14 de novembro de 2020
CosmovisõesÉtica

Bavinck sobre o racismo nos Estados Unidos

James Eglinton Herman Bavinck viajou para a América do Norte duas vezes: primeiramente, como um jovem teólogo deslumbrado, em 1892, e mais tarde, numa fase mais madura da vida, em 1908. O objetivo de sua viagem em 1892 era servir como emissário do movimento calvinista que vinha provocando grande repercussão nos Países Baixos desde o final da década de 1870 – um movimento que mais tarde seria conhecido como neo-calvinismo. Embora ele achasse que o público americano não fosse receptivo ao seu calvinismo (“O americano tem muita consciência de si próprio, está bastante ciente de seu poder, sua vontade é demasiado forte, para que seja um calvinista”), ele na maioria das vezes se detinha de julgá-los negativamente. Pelo contrário, ele se apegou firmemente a uma filosofia idealista das viagens. Suas anotações sobre essa jornada começam com:  Viajar é uma arte que é preciso aprender. Movendo-se com facilidade, abrindo os olhos, preferindo a observação . Observando, percebendo e valorando. Nesse ponto de sua vida, ele estava comprometido com a ideia de que viajar seria um desperdício para aqueles que desprezavam o estrangeiro em razão de sua alteridade. Muito melhor, ele pensou, era treinar os olhos para apreciar a felicidade do estrangeiro.…
17 de junho de 2020
ÉticaTeologia

Acerca do litígio entre cristãos

1Co 1.1: Ousa algum de vós, tendo alguma questão contra outro, ir a juízo perante os injustos, e não perante os santos? Aqui ele passa a censurar outro erro entre os coríntios, a saber, a excessiva avidez por litígio, e esse vício era oriundo da ganância. Mas esta repreensão consiste de duas partes. A primeira é que, ao exibirem suas disputas perante os tribunais de incrédulos, estavam dando ao evangelho uma péssima fama e expondo-o ao ridículo público. A segunda é que, embora os cristãos, por um lado, devam enfrentar as injúrias, por outro estavam causando prejuízo a outrem, em vez de se guardarem de envolvimento em problemas de qualquer gênero. Assim, a primeira parte é particular; a segunda, geral. 1. Ousa algum de vós. Esta é a primeira parte da repreensão. Se alguém tem alguma disputa com um irmão, esta deve ser resolvida perante juízes crentes, e não perante incrédulos. Se porventura alguém desejar saber o porquê, já disse que a razão é porque o evangelho cai em descrédito e o nome de Cristo é exposto, por assim dizer, ao escárnio dos ímpios. Pois os ímpios, inspirados por Satanás, se acham em constante alerta, ávidos pela oportunidade de descobrirem…
6 de junho de 2020
CosmovisõesÉtica

Catecismos para a Imaginação por N.D. Wilson

Para que servem as estórias? Pergunte isto a um grupo comum de jovens consumidores de ficção e provavelmente eles não entenderão o que você quer dizer. O que você conseguirá provavelmente são faces surpresas e ombros encolhidos. Então, vamos ser mais específicos. Para que servem os filmes, os programas de TV, as revistas em quadrinhos e os romances? Por que assistir? Por que ler? Por que nós enquanto cultura nos importamos a ponto de gastar bilhões de dólares (e horas) criando e consumindo estórias? A resposta consensual, independentemente se as crianças questionadas são leitoras ativas e vorazes ou absorvedoras meramente passivas do que por acaso está na moda, quase sempre se reduzirá a simplesmente uma única palavra: diversão. Por que nós assistimos? Por diversão. Por que nós lemos? Por diversão. O homem-aranha e o Harry Potter e Jogos Vorazes e The Walking Dead, todos existem por diversão. Crepúsculo é divertido. Ou não. E aí aquela garota está absorta nos livros enquanto aquele garoto escarnece e zomba. Gostos e prazeres pessoais e coletivos são adquiridos como se fossem indisputáveis e autoritativos. Mas a palavra diversão é um rótulo simplista para o que na verdade é uma experiência notável e complexa. Estórias…
19 de agosto de 2019
Casamento e FamíliaDiscipuladoÉticaVida Cristã

Não deixe o seu marido por ela: uma carta a uma adúltera em potencial por Rosaria Butterfield

Cara amiga, Eu agradeço por você ter confiado a mim o seu segredo. Do outro lado da mesa da cozinha nesta tarde, você abriu o seu coração. Quando você casou com o seu namorado do ensino médio com 19 anos, você nunca suspeitaria que chegaria aqui. Agora, com 39 anos, depois de 20 anos de casada, você se diz lésbica. Em lágrimas, você me diz que você “saiu do armário” e que você não olha para trás. Você não teve um caso. Ainda. Mas tem essa mulher que você encontrou na academia. Você malha com ela toda manhã e você envia mensagens para ela o dia todo. Ainda que você seja membro pactual de uma igreja fiel, esteja sob uma pregação sólida e tenha uma boa pose para mostrar às crianças, você tem desprezado o seu marido interiormente já faz um tempo. Ouvir ele ler a Bíblia te faz estremecer. Você não tem momentos íntimos com ele já faz um ano. Você me diz que não aguenta mais. É bom ser lésbica? Você me diz que deixar o seu marido por uma mulher não é um ato de infidelidade. Você me diz que é ser fiel a quem você realmente…
27 de fevereiro de 2019
Ética

Educando para a Liberdade por Peter Leithart

“Educar” vem do latim educare, “guiar para fora”. Toda educação promete um êxodo das trevas da ignorância para a luz do conhecimento. Toda educação proclama liberdade para os cativos. A questão é: que escravidão? Qual liberdade? Não podemos responder definindo escravidão como “o que quer que iniba a minha vontade”, nem liberdade como “o poder de fazer tudo o que eu quiser”. Tais noções absolutistas de liberdade são autocontraditórias. Se a liberdade é limitada por qualquer coisa além da minha vontade e desejos individuais, então a liberdade não é mais absoluta. Mas o desejo é, ele próprio, um limite. Quando eu tenho fome ou sede, eu busco satisfações particulares: comida e bebida. O desejo sexual se impele em direção à gratificação sexual. Os desejos podem ser desviados, reprimidos, mascarados, mas eles retêm a mesma estrutura teleológica. O desejo é ordenado a fins, vinculado a um telos. “Liberdade de fazer o que quer que eu deseje” acaba com essa estrutura. Isso deixa o desejo sem fins. A poeta russa, Vera Pavlova, expressa esse ponto sobre liberdade e desejo concisamente num poema arrebatador. Numa tradução feita pelo seu marido, Steven Seymour, ela escreve: Eu estou amando, logo, sou livre para viver pelo…
24 de outubro de 2018
Ética

Como Deixar a Pornografia Para Trás por Samuel James

Minha irmã mais velha sentou-se à minha frente no Taco Bell e ouviu atentamente. Ela sabia que eu estava mentindo, mas estava preocupada demais para ficar com raiva. Quando ela me questionou sobre a vida dupla que eu estava vivendo, que fora exposta a minha família e amigos, ela calmamente ouviu minhas falsidades e me disse que sabia mais. Por anos eu estive me escondendo sob a identidade de ser um filho de pastor na banda de louvor da igreja enquanto me entregava totalmente à pornografia. Eu estava quebrado, mas não quebrado o suficiente, e ainda tentando suportar uma fachada desmoronando. Como ela cirurgicamente desconstruiu minhas mentiras, sabia que eu estava quebrado. Ela sabia que eu precisava de um caminho para a cura o mais rápido possível. Então olhou para mim e disse algo que ainda ecoa em minha mente oito anos depois: "Eu quero que você busque um estilo de vida radical de arrependimento". Isso me assustou. O que ela quis dizer? Sim, eu sabia que tinha que me arrepender. Sim, Jesus usou essa destruição em minha vida para me mostrar seu Evangelho de forma salvadora pela primeira vez. Eu estava pronto (ou assim eu pensei) para me afastar do meu pecado. A solução parecia bastante óbvia: (1) eu…
7 de setembro de 2018
Ética

Lei da Liberdade por Peter Leithart

Hoje muitos reclamam sobre a negatividade das Dez Palavras. Claro, há alguns mandamentos positivos: lembrar o dia de sábado e honrar pai e mãe. Na maioria das vezes, contudo, é uma lista de “nãos”. Não tenha outros deuses, não sirva a imagens, não carregue o Meu nome levianamente, não mate, furte, cometa adultério, dê falso testemunho ou cobice. Não, não, não. Isso inibe a minha liberdade. Deus diz que Ele tirou Israel da escravidão, mas parece que Ele só substituiu por uma forma diferente de escravidão, escravidão a Deus. Na visão de Deus, o oposto é o caso. Essas palavras não inibem a liberdade. Elas são a “perfeita lei da liberdade” (Tiago). Elas foram dadas a um povo redimido. As Dez Palavras não foram dadas para que Israel pudesse conquistar a sua alforria. As Dez Palavras são dadas a um escravo liberto para ensiná-lo a como viver na liberdade como um filho de Deus. No Egito, os corpos deles pertenciam a Faraó, o tempo deles pertencia a Faraó. Aprendemos no fim de Josué que o Egito tinha conquistado até a devoção religiosa de Israel, o seu coração. No Egito, Israel tinha começado a adorar aos deuses de Egito. Quando Yahweh…
15 de junho de 2018
Ética

C.S. Lewis – Sobre a Masturbação

Data: 3/6/56 Magdalene College Cambridge   Caro Mr. Masson… … eu concordo que todo o papo sobre o “desperdício de fluidos vitais” é bobagem. Para mim, o real mal da masturbação seria que ela toma um apetite que, em seu uso legítimo, leva o indivíduo para fora de si mesmo para completar (e corrigir) sua própria personalidade na de outro (e finalmente em filhos e mesmo netos) e o vira ao contrário: envia o homem de volta para a prisão de si mesmo, para manter ali um harém de noivas imaginárias. E este harém, uma vez admitido, sempre trabalha contra ele escapar e realmente se unir com uma mulher real. Porque o harém está sempre acessível, sempre subserviente, não pede sacrifícios ou ajustes e pode ser dotado com atrações eróticas e psicológicas com que nenhuma mulher real pode competir. Dentre essas noivas sombrias ele é sempre adora, sempre o amante perfeito: nenhuma demanda é feita por seu altruísmo, nenhuma mortificação sequer imposta sobre sua vaidade. No fim, elas se tornam meramente  meio pelo qual ele crescentemente adora a si. Leia o Descent Into Hell de Charles Williams e estude o personagem Mr. Wentworth. E não é só a faculdade de…
18 de abril de 2018
ÉticaVida Cristã

Imagine Jesus Jogando na Loteria

Brincando com o suicídio da alma  Você pode imaginar Jesus jogando na loteria? O que aconteceria na alma de Jesus, quando Ele lesse: “Ganhe vinte e cinco mil reais agora — e dois milhões, depois... Jogue em qualquer lugar, ganhe em qualquer tempo... Para pessoas que não podem esperar para ficar ricas”? Pelo que Jesus realmente espera? O que podemos querer na vida? A loteria é reveladora de muitos motivos ocultos. A loteria é outra oportunidade de transpassar sua alma com muitas aflições. É uma oportunidade de levar seus filhos à ruína. Está sendo promovida além de nossas piores expectativas. Os seus efeitos são e serão terrivelmente destrutivos na vida moral de nossa sociedade. Eis algumas razões por que exorto você a resistir à tentação de jogar na loteria. Estabeleça em sua família a regra de não jogar. Diga não a seus filhos e ensine-os por quê. 1. A Bíblia nos ensina a não querermos ser ricos. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se…
12 de setembro de 2012