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A Ética Calvinista

A ética calvinista é baseada na revelação. A distinção entre certo e errado não se resolve por meio de uma descoberta empírica da lei natural, como foi o caso de Aristóteles e de Tomás de Aquino, nem pelo formalismo lógico de Kant e, certamente, nem pelo cálculo impossível do utilitarismo do maior bem para maior número, mas pela revelação de Deus nos Dez Mandamentos. Essa revelação vem, primeiro, do ato de Deus de criar o homem à sua própria imagem e dos princípios morais básicos implantados no seu coração, mais tarde violados pelo pecado; segundo, das instruções específicas dadas a Adão e a Noé, que sem dúvida ultrapassavam e expandiam a doação inata; terceiro, da revelação mais compreensiva dada a Moisés; e mais, quarto, dos diversos preceitos subsidiários dados no restante da Bíblia. Embora a igreja medieval conhecesse os dez mandamentos – Pelágio, em sua defesa do livre arbítrio ensinou até mesmo que era possível obedecê-los perfeitamente, e a maior parte da igreja passou a crer que a observação desses preceitos dava mérito para a salvação – Calvino foi quem iniciou um estilo quase completamente novo do uso sistemático dos Dez Mandamentos como base ética. Em suas Institutas, II 8,…
26 de agosto de 2012
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Trabalho e Domínio

É um erro sério, mas comum considerar que o trabalho é um aspecto da maldição. A justificação para essa crença é procurada em Gênesis 3.17-19. Contudo, fica claro nessa passagem que é Adão quem está debaixo da maldição, juntamente com Eva. Porque ambos estão debaixo da maldição de Deus por desobediência, cada aspecto de sua vida reflete essa maldição. Dessa forma, as duas grandes alegrias de Eva deveriam ser, como para todas as mulheres, primeiro, seu deleite na proteção, cuidado e senhorio do seu marido, e, segundo, os filhos. Mas essas duas tornaram-se uma fonte de tristeza e perturbação pelo fato do pecado. Adão foi similarmente amaldiçoado; o trabalho e o domínio era o seu chamado, alegria e privilégio. Agora isso tornou-se repleto de frustração e desapontamento. Dessa forma, foram o labor ou chamado do homem e mulher que, por causa do pecado, os frustrou. Esse trabalho e serviço que deveria ser a alegria e privilégio deles, tornou-se em vez disso um desapontamento e tristeza para eles. O trabalho era central para a criação e natureza do homem. “E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar “(Gn 2.15).…
17 de julho de 2012
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Suborno Bíblico

O presente dado em segredo aplaca a ira, e a dádiva no regaço põe fim à maior indignação. (Provérbios 21:14) Salomão, como o rei de Israel, estava familiarizado com o uso estratégico de presentes. A palavra hebraica traduzida como “presente” – mattawn – aparece três vezes em Provérbios. O contexto de Provérbios 21:14 não é claramente aquele do governo civil. Em Provérbios 19:6 sim: “Muitos se deixam acomodar pelos favores do príncipe, e cada um é amigo daquele que dá presentes”. Provérbios 18:16 pode se referir a governantes civis: “Com presentes o homem alarga o seu caminho e o eleva diante dos grandes”. Grandes pode se referir a governantes civis. Se não, então esses homens têm acesso aos governantes civis.
7 de janeiro de 2012
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Um Texto Esquecido? Eu me pergunto o porquê disso.

Pergunto-me se existe um texto mais negligenciado no Novo Testamento, no atual reavivamento de interesse pela teologia reformada, do que Efésios 5.12. Nas reações aos tabus do antigo fundamentalismo, há certamente um perigo de termos perdido todo senso do que é biblicamente apropriado quando diz respeito a nos envolvermos com o resto do mundo. Eu tive minha própria experiência disso há uns poucos anos, quando sugeri neste blog que talvez não fosse apropriado que cristãos vissem o filme Milk, que era não apenas um relato altamente fictício da vida de Harvey Milk, mas também incluía, de acordo com os resenhistas, cenas sexuais de natureza explícita e inapropriada. Ainda me lembro da tempestade em copo d'água de protestos à medida que vários amantes da cultura cristã deram-me sermões sobre como minha mente fechada não iria impedi-los de usar Milk como um meio de testemunhar aos amigos. Mas nenhum desses evangelistas indignados lidou com Efésios 5.12. “Porque o que eles fazem em oculto até dizê-lo é torpe.” Mais recentemente, a mesma preocupação pública no mundo evangélico com os tratamentos excessivamente explícitos sobre a questão sexo trouxe uma vez mais à minha mente Efésios 5.12. Paulo, sem dúvida, não era legalista. Ele afirmava…
5 de janeiro de 2012
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Vinho e o Irmão Mais Fraco

“Bom é não comer carne”, diz o apóstolo Paulo, “nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça” (Rm 14.21). Essa declaração é frequentemente citada por aqueles que querem fazer da abstinência total um requerimento para o cristão. Eles argumentam que é dever do forte abster-se por consideração ao fraco. Eles dizem, em outras palavras, que mesmo um uso cuidadoso e moderado do vinho contradiz esse princípio apostólico. É a esse argumento que daremos agora a nossa atenção. Fazemos isso propondo duas perguntas. O que Paulo quer dizer por irmão mais fraco nesta passagem? E o que ele quer dizer quando fala sobre fazer esse irmão tropeçar? O fato é que Paulo quer dizer algo muito diferente nesta frase “irmão mais fraco” do que os proponentes da abstinência total querem dizer. Quando falam de um irmão mais fraco, eles querem dizer alguém que tem uma tendência a beber muito. Um homem que tenha sido alcoólatra, por exemplo, e agora está procurando permanecer sóbrio, mediante a prática de abstinência completa, seria um irmão mais fraco, conforme eles usam essa frase. Mas o irmão mais fraco na terminologia de Paulo não é um…
4 de janeiro de 2012
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Neutralidade na Ética

A Bíblia indica que os incrédulos têm pressuposições que são diametralmente opostas às pressuposições dos crentes e essa situação deve levar a conclusões totalmente diferentes com respeito a Deus e sua criação. Dialogarmos com incrédulos em termos de princípios “neutros” ou não religiosos de ética seria confirmar o incrédulo em sua atitude autônoma e de ódio contra Deus e faria de nós mentirosos com respeito à lei natural. Visto que Deus criou todas as coisas por, para e por meio de Cristo (Cl 1.16) e visto que ele sustenta todas as coisas (Cl 1.17; Hb 1.3) seria “impossível interpretar qualquer fato sem uma falsificação básica se tal fato não for considerado em sua relação com Deus o Criador e com Cristo o Redentor”. Se isso é verdade com respeito à botânica, matemática e história, quanto mais é verdadeiro com respeito à ética. É somente na luz de Deus que vemos a luz (Sl 36.9) e, dessa forma, somos informados que o conhecimento do Santo traz entendimento (Pv 9.10). Tentativas de neutralidade nos pressupostos não apenas são epistemologicamente impossíveis, mas são também moralmente desobedientes. Paulo disse que devemos trazer todo pensamento cativo ao senhorio de Cristo (2Co 10.5). Isso significa temer…
26 de dezembro de 2011