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O porquê sou protestante – por Carl Trueman

O porquê sou protestante Carl Trueman A semana que precede o 31 de outubro, o período tradicional para lembrar-se da Reforma, é também o momento do ano quando aprecio refletir sobre o porquê sou protestante. Conforme os anos passam, ser um protestante torna-se mais e mais fácil para mim. O Papa Francisco é, afinal de contas, um auxílio contínuo para isso. Com seu aparente desejo de transformar a Igreja Católica Romana em uma forma padrão de protestantismo liberal (um pouco mais colorido, porém), seu programa é menos que convincente para qualquer um que, para tomar de empréstimo uma frase de Newman, aprofundou-se na história. Embora jamais possamos saber a verdade acerca de sua suposta negação recente da divindade de Cristo, o fato é que o boato é um testemunho plausível da falta de entendimento teológico que caracterizou seu pontificado desde o início. Desde os dias gloriosos da Renascença não houve na Igreja Católica um Papa que tenha tornado o protestantismo ortodoxo tão atrativo. É claro, o protestantismo tem seus próprios problemas. A miríade de magistérios dos milhares de ministérios paraeclesiásticos produzem insignificantes esferas de influência para uma infinidade de minipapas evangélicos. E a ortodoxia doutrinária é artigo de luxo: um…
30 de outubro de 2019
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Qual é a punição pelo pecado?

Resposta: Castigo eterno. A próxima pergunta que a maioria faz é: por quê? Por que o inferno tem que durar para todo o sempre? A resposta é o que distingue o cristianismo bíblico de todas as outras religiões do mundo. O caráter de Deus Deus nos revela na Bíblia que ele é autoexistente, independente e que é a autoridade final e o juiz sobre todas as coisas. Em suma, ele é Deus. Ele mesmo criou a tudo e a todos por si próprio. Como se dá com o restante da criação, a humanidade foi criada para o prazer de Deus. O padrão dele é inflexível e seu caráter é sem pecado (Gn 1.1; Sl 50.6; At 17.24-29; Cl 1.16). A pena do pecado Como resultado do seu caráter perfeito e inabalável, Deus não tolera imperfeição. Quando nós, sendo criação de Deus, falhamos em fazer o que ele manda, ou fazemos o que ele proíbe, sua reação é a de ira implacável. Deus é um Deus eterno, com perfeição eterna, expressada nos termos de sua justiça e santidade. Uma só infração, por menor que achemos que ela seja, traz consigo o ônus eterno de uma pena eterna. Por isso, em sua…
6 de setembro de 2019
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Qual destes não é um atributo de Deus?

a. Santo b. Justo c. Amoroso d. Condescendente   Resposta: d. É sempre polido deixar que outro fale por nós, e com Deus não é diferente. Deus explicou claramente o porquê Ele não está disposto a condescender; ao mesmo tempo, porém, continua amoroso e perdoador. Veja abaixo uma explicação inteligível...   Deus — o objeto de toda adoração   Sendo eternamente perfeito, justo e amoroso, Deus é digno de receber a adoração de todos. Sua supremacia exige o culto de Sua criação (Salmo 96).   Humanidade — unida na rebelião   Claramente o mundo não é perfeito. Isso se dá porque todos nós rejeitamos a autoridade de Deus em favor da nossa própria (Rm 1.21-26). A independência para com Deus é pecado. Ela está arraigada em um coração que se recusa a se submeter à autoridade de Deus e, portanto, rebela-se contra Ele. Da perspectiva de Deus, a rebelião é ofensiva porque ela busca uma autoridade humana ou própria (Rm 3.10-12, 23).   Deus não permitirá que continuemos em rebelião   Essa ira que evoca rebelião ocasiona o julgamento de Deus; julgamento que agora se expressa em termos de morte, enfermidade e incapacidade de ganhar o favor dEle, e por…
4 de setembro de 2019
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Por que Jesus é tão inflexível?

Na Bíblia lemos Jesus repetidas vezes explicando que é ele o meio exclusivo de se obter perdão. Jesus não dá espaço para qualquer outro caminho para Deus: a vida, o perdão, o amor, a alegria e o céu só são encontrados nele. Segundo Jesus, qualquer outro 'caminho' não é um caminho, absolutamente, mas sim um blefe; Jesus reivindica nada menos do que exclusiva autoridade e competência para salvar os pecadores (Jo 14.6; Mt 7.13-14).   Por que então Jesus é tão inflexível?   porque... há um único Deus   A Bíblia ensina que não existem muitos deuses, mas sim somente um. Desse único Deus foi criado tudo o que está criado. Esse mesmo Deus sustenta agora todas as coisas com seu próprio poder e soberania. As pessoas podem afirmar que há outros deuses, entretanto, Deus responde dizendo que isso não é verdade. Deus não tolera competidores (Is 44.6-8).   porque... os padrões de Deus são altos   Deus criou todas as coisas para si mesmo, para que lhe dessem prazer. O padrão dele é inflexível. Ele exige perfeição absoluta. A maneira pela qual essa se manifesta é amando a ele com todo o nosso coração, alma, intelecto e poder. Essa…
2 de setembro de 2019
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O Sínodo de Dort [John R. de Witt]

Os cristãos, em todas as partes do mundo, estão celebrando este ano o 350º. aniversário da convocação do Sínodo de Dort. Para a maioria das pessoas o nome nem é mesmo familiar, talvez por ter alguma relação com o rio Maas e a provinciana cidade holandesa de Dort. Na mente daqueles que já o ouviram, muito freqüentemente o que restou é algo do ódio há tanto relacionado com o Sínodo, em razão das calúnias de seus inimigos. Não obstante, quando a Reforma era ainda jovem e os homens amavam ardentemente as doutrinas da graça, o nome de Dort era famoso em todo o mundo protestante. William Cunningham vai longe em dizer: “O Sínodo de Dort, representando quase todas as igrejas reformadas, e contendo uma grande proporção dos teólogos do mais alto nível, erudição e caráter, tem direito a maior medida de respeito e deferência do que qualquer outro concílio registrado na história da Igreja” . Isto é de fato um grande elogio! Mas há muitos grandes nomes na história que em algum tempo significaram muito, mas que agora não têm nenhum significado prático. Então, alguém poderia perguntar por que deveríamos estar preocupados com uma assembléia eclesiástica esquecida pela maioria dos…
18 de julho de 2019
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No fundo do mundo está a Palavra: Martinho Lutero por Michael Laffin

Aprendendo a provar a Palavra de Deus com Martinho Lutero Há muitas boas razões para ler Martinho Lutero, especialmente neste ponto da história quando estamos celebrando o aniversário de quinhentos anos das suas célebre teses pregadas na porta do castelo em Wittenberg. Lutero é evidentemente uma figura histórica de suma importância, um grande formador da língua alemã e um grande teólogo, cada um desses sendo uma boa razão para lê-lo. Mas a coisa mais importante que podemos aprender lendo Lutero hoje é o que pode acontecer quando colocamos a Palavra de Deus em primeiro lugar, até mesmo no nosso entendimento da vida pública. Para Lutero, a Palavra de Deus é a realidade fundamental de que todo o resto se segue. E isso inclui a realidade tangível, material. A criação, para Lutero, nomeia o tempo e o espaço que é sustentado pela presença pessoal contínua da Palavra, que cumpre o que ela diz. Mesmo os pássaros e peixes “não são nada senão nomes na regra divina da linguagem”, como ele coloca de forma tão bela em suas Palestras em Gênesis. É essa ênfase na primazia da Palavra eficaz que Oswald Bayer chama de “a descoberta da Reforma” de Lutero. Essa descoberta…
22 de outubro de 2018
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Sola Scriptura: o que isso quer, e o que não quer, dizer por P. Andrew Sandlin

No 500º aniversário da Reforma protestante, é proveitoso rever os cinco solae da Reforma, dos quais o sola Scriptura pode ser o mais bem-conhecido. O que isso quer, e o que não quer, dizer? Não é autoridade exclusiva Sola Scriptura não quer dizer que a Bíblia é a nossa única autoridade. A Bíblia deixa claro que Deus estabelece autoridades humanas subordinadas: autoridades válidas sob a sua autoridade soberana. Deus, por assim dizer, delega a certas instituições a execução da sua vontade. É por isso que Deus diz em Romanos 13 que se resistirmos à autoridade civil, resistimos à autoridade de Deus. Vivemos num tempo obcecado com autonomia individual. Autonomia significa “lei para si”. A nossa era é profundamente resistente a qualquer tipo de autoridade externa. Vivemos numa cultura de rebeldes. Isso inclui aversão à autoridade civil (como a polícia), autoridade familiar, autoridade eclesiástica, autoridade do empregador, autoridade dos professores e muito mais. Críticos sociais frequentemente declaram que a nossa sociedade é cética com todas as instituições. Isso na verdade é só outra forma de dizer que as pessoas são ressentidas com a autoridade. É obviamente o que acontece com a nossa sociedade mais ampla: desrespeito à polícia, desobediência aos professores,…
17 de outubro de 2018
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Por que o ministro deve ser homem? por Doug Wilson

Já que o feminismo de repente virou um assunto em alta aqui, eu pensei em postar uma amostro meu pequeno livro intitulado Por que o ministro deve ser homem? Comece com o pano de fundo Qualquer discussão da ordenação de mulheres obviamente vai girar em torno das afirmações paulinas diretas na questão e vamos certamente gastar a maior parte do nosso espaço aqui. Mas as instruções paulinas não foram entregues num vácuo e quando ele faz seus apelos fora da sua situação imediata, ele faz esses apelos ao Antigo Testamento, fundamentando os seus apelos tanto na história registrada ali quanto na lei dada ali. É um lugar comum dentre as feministas que a Bíblia é um livro patriarcal e normalmente se fala nisso como se fosse algo ruim. Deixando juízos de valor de lado, essa avaliação parece correta. Os patriarcas de Israel são Abraão, Isaque e Jacó, todos homens. Jacó, renomeado como Israel, tinha doze filhos que se tornaram os progenitores das doze tribos. Em toda a história de Israel, houve apenas uma rainha que governara sem um rei e ela era uma usurpadora e tirana (2Rs 11.1). Desde de Arão, o primeiro sumo sacerdote em Israel, até o último…
15 de outubro de 2018
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Mas que inferno! (De verdade), por Peter Leithart

Mas que inferno! (De verdade).   Na última semana de março deste ano, o Drudge Report citou uma entrevista com o Papa Francisco com um título em caixa alta típico de tabloides: O PAPA DECLARA QUE O INFERNO NÃO EXISTE. O papa supostamente teria dito a Eugenio Scalfari que “aqueles que não se arrependem e, portanto, não podem ser perdoados desaparecem. Não existe inferno, existe o desaparecimento de almas pecaminosas”.  O Vaticano rapidamente desmentiu a notícia. A entrevista não foi uma entrevista. A citação não foi uma citação. Os leitores não deveriam assumir que a não entrevista continha as reais palavras do papa. Não ligue; nada digno de nota aí.  Eu não posso inferir conclusões sobre as visões do papa, mas não seria surpreendente se ele cresse em alguma forma do que é chamado pelos teólogos de “aniquilacionismo”, a visão de que aqueles que se recusem a arrepender e crer são varridos da existência.  Outros católicos são simpáticos a formas de aniquilacionismo. No seu livro Decreation , Paulo Griffiths cautelosamente argumenta que a aniquilação é um fim possível para os seres humanos. Os condenados sofrem durante o estado intermediário, entre a morte e o juízo final. Mas, diz Griffiths, eles…
9 de maio de 2018
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Lutero e o Começo da Reforma

“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; pois o querer o bem está em mim, mas não o realizá-lo. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero.” — Romanos 7.18-19 Protestantes ao redor do mundo celebram hoje sua distinção da Igreja Católica Romana com orgulho e regularidade. Todavia, quantos conhecem verdadeiramente a história por detrás da separação? O antigo adágio “você não pode saber para onde está indo se não souber de onde veio” pode não soar verdadeiro em toda situação, mas o estado doloroso da ortodoxia bíblica nas igrejas protestantes hoje demonstra o valor desse antigo provérbio. Os eventos que culminaram na Reforma do século dezesseis ocorreram em resposta ao tratamento e entendimento distorcido da Palavra de Deus na Igreja Católica Romana daquela época. Martinho Lutero foi o homem que desafiou o status quo errante e ascendeu a chama que queima até hoje. I. As Raízes da Reforma a. A frase em latim post tenebras, lux (“após trevas, luz”) resume o mote da Reforma do século 16. Essas “trevas” referem-se ao entendimento do cristianismo bíblico pela igreja, que se desenvolveu gradualmente durante a idade das trevas…
31 de outubro de 2012