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Calvino

ÉticaTeologia

Acerca do litígio entre cristãos

1Co 1.1: Ousa algum de vós, tendo alguma questão contra outro, ir a juízo perante os injustos, e não perante os santos? Aqui ele passa a censurar outro erro entre os coríntios, a saber, a excessiva avidez por litígio, e esse vício era oriundo da ganância. Mas esta repreensão consiste de duas partes. A primeira é que, ao exibirem suas disputas perante os tribunais de incrédulos, estavam dando ao evangelho uma péssima fama e expondo-o ao ridículo público. A segunda é que, embora os cristãos, por um lado, devam enfrentar as injúrias, por outro estavam causando prejuízo a outrem, em vez de se guardarem de envolvimento em problemas de qualquer gênero. Assim, a primeira parte é particular; a segunda, geral. 1. Ousa algum de vós. Esta é a primeira parte da repreensão. Se alguém tem alguma disputa com um irmão, esta deve ser resolvida perante juízes crentes, e não perante incrédulos. Se porventura alguém desejar saber o porquê, já disse que a razão é porque o evangelho cai em descrédito e o nome de Cristo é exposto, por assim dizer, ao escárnio dos ímpios. Pois os ímpios, inspirados por Satanás, se acham em constante alerta, ávidos pela oportunidade de descobrirem…
6 de junho de 2020
História da Igreja

10 Marcas Distintivas da Pregação de João Calvino

No livro João Calvino: amor à devoção, doutrina e glória de Deus (Editora Fiel), editado por Burk Parsons, há um capítulo intitulado O Pregador da Palavra de Deus, escrito por Steven Lawson. Aqui está um resumo desse capítulo, delineando o que Steven Lawson sugere ser as dez marcas distintivas da pregação de Calvino.  1. A pregação de Calvino era bíblica em seu conteúdo. “O reformador se manteve firme no principal fundamento da Reforma — sola Scriptura (somente a Escritura)… Calvino acreditava que o pregador não tinha nada a dizer além das Escrituras.” (pp. 96-97) 2. A pregação de Calvino seguia um padrão sequencial. “Durante o ministério de Calvino, o seu procedimento era pregar sistematicamente sobre livros inteiros da Bíblia… Na manhã dos domingos, Calvino pregava o Novo Testamento; à tarde, o Novo Testamento e os Salmos; e, em semanas alternadas, pregava o Antigo Testamento todas as manhãs da semana. Servindo-se desse método consecutivo, Calvino pregou quase todos os livros da Bíblia.” (pp. 97-98) 3. A pregação de Calvino era direta em sua mensagem. “Quando expunha as Escrituras, Calvino era notoriamente direto e centrado no ensino principal. Ele não iniciava sua mensagem com uma história cativante, uma citação estimulante ou uma…
16 de agosto de 2013
História da Igreja

Calvino publica as Institutas

"Cada folha de grama e cada cor no mundo foram criadas com o objetivo de nos alegrar", escreveu um homem acusado, muitas vezes, de promover um cristianismo sem alegria. Aqueles que o conheciam bem respeitavam sua piedade e não teriam ficado surpresos com essas palavras que foram escritas de próprio punho. Certamente, João Calvino era bastante disciplinado e, após tomar uma decisão, permanecia firme naquela direção. Seus estudos na área de Direito desenvolveram seu talento para o pensamento lógico, o que ele transpôs para seus estudos na área de Teologia. Em uma "breve conversa" ocorrida em algum momento do ano 1533, "Deus me conquistou e levou meu coração à mansidão", disse Calvino. Aparentemente, ele teve contato com os textos de Lutero. Calvino rompeu com o catolicismo, saiu de sua terra natal, a França, e estabeleceu seu exílio na Suíça. Em 1536, aos 27 anos, Calvino publicou a primeira edição das Institutas da religião cristã, uma teologia sistemática que claramente defendia os ensinamentos da Reforma. Impressionado com os escritos de Calvino, Cuilherme Farei, reformador genebrino, persuadiu-o a vir e a ajudar na implantação da Reforma naquele país. Ali, Calvino assumiu pesada carga de trabalho. Pastoreou a igreja de St. Pierre e…
10 de julho de 2013
ApologéticaTeologia

Epistemologia Religiosa de Calvino nas Institutas

O presente artigo tem a finalidade de apresentar aos leitores, introdutoriamente, alguns aspectos fundamentais da concepção de Calvino a respeito da natureza e características do conhecimento de Deus e do autoconhecimento. A fim de atingir esse objetivo, atenção especial é dada aos elementos constitutivos da epistemologia religiosa de Calvino, como, por exemplo, a relação entre os conceitos de fé, vontade e razão à luz de um registro pré-lapsário e pós-lapsário.  
25 de fevereiro de 2012
TeologiaVida Cristã

Esposo Santificado e Filhos Santos

Comentário sobre 1 Coríntios 7.14 14. Porque o esposo descrente é santificado pela esposa. Paulo resolve uma dificuldade que poderia deixar os crentes preocupados. A intimidade conjugal é singular, porque a esposa é a metade do homem e ambos se tornam uma só carne; e o esposo é a cabeça da esposa e ela é a companheira do esposo em todas as formas. Assim, aparentemente é impossível a um homem crente viver com uma esposa descrente, ou vice-versa, sem que haja contaminação numa relação tão íntima. Paulo, pois, aqui declara que esse matrimônio não é em nada menos santo e legítimo, e que não deve pairar qualquer temor de haver contaminação, como se a esposa fosse poluir o esposo. Além disso, lembremo-nos de que ele aqui não está falando de novos contraentes conjugais, e, sim, da manutenção daqueles que já consumaram o contrato. Porque onde se indaga se um homem crente se casaria com um homem descrente, então este conselho se faz relevante: “Não vos ponhais em jugo desigual entre os incrédulos, porque não há harmonia entre Cristo e Belial!” . Mas o homem que já está casado não mais tem a liberdade de escolha; por essa razão se torna…
26 de janeiro de 2012
TeologiaVida Cristã

Sermão sobre Jó 8.1-6

Para bem aproveitarmos o que está aqui contido no presente capítulo, devemos nos recordar do que já declaramos, a saber, que os amigos de Jó se ocupam com um mau caso, tendo, contudo, bons argumentos e boas razões. É fato que eles o aplicam mal; entretanto, a doutrina em si é santa e útil. Desta sorte, quando tomamos o que é dito aqui genericamente, descobrimos boas proposições. E, com efeito, esta é a principal coisa pretendida por Bildade – sustentar que Deus é justo ao punir os homens, e que não há motivo algum para o acusar. Ora, inqüestionavelmente, toda essa doutrina não somente é boa, mas é ainda um dos principais artigos de nossa fé: não há erro, a não ser pelo fato de Bildade querer aplicar suas palavras à pessoa de Jó. Pois, como já vimos, a intenção do santo personagem não era acusar a Deus, tampouco se levantar contra esse.
4 de janeiro de 2012
TeologiaVida Cristã

Sermão sobre Jó 1.9-12

Embora o Diabo aqui esteja fazendo seu mister, que é o de perverter todo o bem, acusando falsamente a Jó, como se este fosse um hipócrita, sem embargo, ele descobre o mal que existe voluntariamente nos homens, ao qual somos inclinados por natureza. Pois, como é astuto e velhaco, sabe bem de que lado nos atacar. Reparemos então que aqui o diabo revela um vício pelo qual estamos todos manchados até que Deus nos cure dele por sua graça: isto é, que nos períodos de prosperidade conseguimos bendizer a Deus. Contudo, se esse nos aflige, mudamos a conversa e então começamos a murmurar contra ele, esquecendo-nos de todo o louvor que lhe atribuíamos enquanto nos tratava segundo nosso desejo.
4 de janeiro de 2012
BiografiasHistória da Igreja

A Teologia de João Calvino

As concepções teológicas do reformador João Calvino (1509-1564) estão contidas na sua vasta obra, especialmente em seu opus magnum, a Instituição da Religião Cristã ou Institutas. 1. AS INSTITUTAS No prefácio da 1ª Edição das Institutas (1536), Calvino afirmou o seguinte: Pretendi apenas fornecer algum ensino elementar através do qual qualquer pessoa que tenha sido tocada por um interesse na religião pudesse ser educada na verdadeira piedade. E fui especialmente diligente nessa obra por causa do nosso próprio povo da França. Vi muitos deles com fome e sede de Cristo, mas muito poucos imbuídos com até mesmo um pequeno conhecimento dele. Que é isto que propus, o próprio livro testifica através de sua forma de ensino simples e até mesmo rudimentar. Essa primeira edição tinha apenas seis capítulos, que tratavam dos seguintes temas: (1) A lei: exposição do Decálogo; (2) A fé: exposição do Credo dos Apóstolos; (3) A oração: exposição da Oração Dominical; (4) Os sacramentos; (5) Os cinco falsos sacramentos; (6) A liberdade cristã, o poder eclesiástico e a administração política. Na 2ª edição das Institutas (1539), o reformador passou a ter outro objetivo em mente: Minha intenção nesta obra foi preparar e treinar de tal modo na leitura da Palavra Divina os aspirantes à teologia…
13 de novembro de 2011
História da Igreja

João Calvino: o Reformador Suíço

Introdução Quando Karl Barth estava preparando uma série de palestras sobre João Calvino, ele escreveu a um amigo: Calvino é uma catarata… falta-me completamente os recursos, as ventosas, até mesmo para assimilar esse fenômeno, isso para não falar sobre a sua apresentação satisfatória. O que recebo é apenas um pequeno e tênue jorro e o que posso dar em retorno, então, é apenas uma porção ainda menor desse pequeno jorro. Eu poderia feliz e proveitosamente assentar-me e passar o resto de minha vida somente com Calvino. Impossível alguém questionar a asserção de que João Calvino é o maior reformador de todos os tempos. Mais livros têm sido escritos sobre ele e sua teologia do que sobre qualquer outra figura na história da igreja. Todos aqueles que nos últimos 450 anos têm estimado as doutrinas da graça reivindicam Calvino como seu líder espiritual. E todos os que confessam uma teologia inteiramente bíblica e incorporada em todos os grandes credos dos séculos XVI e XVII chamam a teologia deles de calvinismo. Além das próprias Escrituras Sagradas, há poucos livros, se os há, que têm exercido a influência nos séculos subseqüentes mais do que as Institutas da Religião Cristã têm exercido até o presente. Não…
27 de janeiro de 2010
Academia Monergista

A Imagem de Deus no Homem segundo Calvino

No quinto século antes de Cristo, o filósofo sofista grego Protágoras (c. 480-410 a.C.), disse: "O homem é a medida de todas as coisas, das que são enquanto são, e das que não são enquanto não são”. A Renascença se caracteriza pela tentativa de vivenciar este conceito. Neste período houve uma "virada antropológica". Deus cedeu lugar ao homem, deixando de ser o centro das atenções; o "homem virtuoso" passou a ocupar o trono da história. "O homem pelo homem para o homem"; este é, de certa forma, o lema implícito do Humanismo Renascentista. Este "antropocentrismo refletido", se retrata no homem renascentista, profundamente otimista no que se refere à sua capacidade; ele se julga em plenas condições de planejar o seu próprio futuro, sua existência individual, aproximar-se da perfeição; tudo está em suas mãos, nada lhe escapa. Marcílio Ficino (1433-1499), considerava o homem como uma "síntese de todas as maravilhas do universo"; ou, na sua expressão, "copula mundi" ("Nexo do mundo"). O homem passou a ser considerado como o centro do mundo, a imagem completa de todas as coisas; o livro da natureza.
15 de fevereiro de 2009