UM SERMÃO PREGADO NA MANHÃ DO DIA DO SENHOR,
28 DE JANEIRO DE 1855,
PELO REV. C. H. SPURGEON,
NA CAPELA DE NEW PARK STREET, SOUTHWARK.
“E para o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra.” — Apocalipse 5.10.
“A música tem seus encantos.” Estou certo de que a música sacra os tem, pois senti algo desses encantos enquanto cantávamos, há pouco, aquele hino glorioso. Há uma força na harmonia; há um poder mágico na melodia, que ora enternece a alma até a compaixão, ora a eleva a uma alegria indizível. Não sei como será com algumas pessoas; talvez consigam resistir à influência do canto, mas eu não consigo. Quando os santos de Deus, em coro uníssono, “entoam o cântico solene”, e ouço as doces sílabas que lhes saem dos lábios, acompanhando o compasso e o ritmo, sinto-me elevado; e, esquecendo por algum tempo tudo o que é terreno, alço voo em direção ao céu. Se tamanha é a doçura da música dos santos aqui embaixo, onde há tanta discórdia e tanto pecado a prejudicar a harmonia, quão doce deve ser cantar lá em cima, com querubins e serafins! Oh, que cânticos devem ser aqueles que o Eterno ouve incessantemente em seu trono! Que sonetos seráficos devem brotar, vibrantes, dos lábios de imortais puros, não maculados por pecado algum, não entremeados de gemido algum! Ali eles entoam perpetuamente hinos de alegria e júbilo, jamais interrompidos por um suspiro, um gemido ou uma preocupação mundana. Felizes cantores! Quando me unirei ao vosso coro? Há um de vossos hinos que diz:
“Escutai! Como cantam diante do trono!”
E algumas vezes pensei que podia mesmo “escutar como cantam diante do trono”. Imaginei que conseguia ouvir o coro irromper em toda a sua plenitude, quando ressoava do céu como grandes trovões e como o som de muitas águas; e quase ouvi aqueles acordes retumbantes, quando os harpistas tocavam suas harpas diante do trono de Deus. Ah, mas era apenas imaginação! Não podemos ouvi-los agora; estes ouvidos não estão preparados para semelhante música; estas almas não poderiam permanecer no corpo se ouvíssemos uma única nota desgarrada das harpas dos anjos. Precisamos esperar até chegarmos lá em cima. Então, purificados como a prata sete vezes refinada, livres das impurezas da terra, lavados no precioso sangue de nosso Salvador, santificados pela influência purificadora do Espírito Santo —
“Sem mácula e perfeitos,
Compareceremos diante do trono de nosso Pai,
Com alegrias divinamente grandiosas.”
“Então, cantaremos mais alto que toda a multidão, Enquanto as mansões ressoantes do céu ecoarem Com brados de louvor à graça soberana.”
Nosso amigo João, o apóstolo do Apocalipse tão grandemente favorecido, deu-nos uma única nota do cântico celestial; haveremos de entoá-la e fazê-la ressoar repetidas vezes. Farei soar este diapasão do céu e vos deixarei ouvir uma das notas fundamentais. “E nos fizeste reis e sacerdotes para o nosso Deus; e reinaremos sobre a terra.” Que o grande e gracioso Espírito, a única luz capaz de iluminar as trevas, ilumine minha mente enquanto procuro falar, de maneira breve e apressada, sobre este texto. Nele há três coisas: primeiro, os feitos do Redentor — “e nos fizeste”; segundo, as honras dos santos — “e nos fizeste reis e sacerdotes para o nosso Deus”; e, terceiro, o futuro do mundo — “e reinaremos sobre a terra”.
I. OS FEITOS DO REDENTOR
Primeiro, pois, temos OS FEITOS DO REDENTOR. Aqueles que estão diante do trono cantam acerca do Cordeiro — o Leão da tribo de Judá, que tomou o livro e rompeu seus selos —: “Tu nos fizeste reis e sacerdotes para o nosso Deus”. No céu, eles não cantam:
“Glória, honra, louvor e poder
Sejam dados a nós mesmos para sempre;
Nós fomos nossos próprios redentores! — Aleluia!”
Jamais cantam louvores a si mesmos; não glorificam sua própria força; não falam de seu livre-arbítrio nem de seu próprio poder, mas atribuem sua salvação, do princípio ao fim, a Deus. Perguntai-lhes como foram salvos, e eles respondem: “O Cordeiro nos fez o que somos”. Perguntai-lhes de onde vieram suas glórias, e eles vos dirão: “Foram-nos legadas pelo Cordeiro que morreu”. Perguntai de onde obtiveram o ouro de suas harpas, e eles dirão: “Foi extraído por Jesus das minas da agonia e da amargura”. Perguntai quem pôs as cordas em suas harpas, e eles vos dirão que Jesus tomou cada tendão de seu corpo para fazê-las. Perguntai-lhes onde lavaram suas vestes e as alvejaram, e eles dirão:
“Naquela ‘fonte cheia de sangue,
Extraído das veias de Emanuel’.”
Algumas pessoas na terra não sabem sobre qual cabeça colocar a coroa, mas os que estão no céu sabem. Eles põem o diadema na cabeça certa e cantam perpetuamente: “E ele nos fez o que somos”.
Pois bem, amados, não nos conviria entoar essa mesma nota aqui? Afinal, que temos nós que não tenhamos recebido? Quem nos faz diferentes? Sei, nesta manhã, que sou um homem justificado; tenho plena certeza de que:
“Os terrores da lei e de Deus
Nada podem contra mim;
A obediência e o sangue de meu Salvador
Escondem da vista todas as minhas transgressões.”
Não há um único pecado registrado contra mim no livro de Deus: todos foram apagados para sempre pelo sangue de Cristo e cancelados por sua própria destra. Nada tenho a temer; não posso ser condenado. “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?” Não Deus, pois ele justificou; nem Cristo, pois ele morreu. Mas, se sou justificado, quem me tornou assim? Eu digo: “E ele me fez o que sou”. A justificação, do princípio ao fim, vem de Deus. A salvação pertence somente ao Senhor.
Muitos de vós sois pessoas santificadas, mas não estais perfeitamente santificados; ainda não fostes inteiramente libertos das escórias da terra; ainda tendes outra lei em vossos membros, que guerreia contra a lei de vossa mente; e sempre tereis essa lei enquanto habitardes neste tabernáculo pela fé. Jamais sereis perfeitos em vossa santificação até chegardes lá em cima, diante do solene trono de Deus, onde até mesmo essa imperfeição de vossa alma será removida, e vossa depravação carnal, extirpada pela raiz. Mas, ainda assim, amados, um princípio interior vos foi comunicado; estais crescendo na graça, estais progredindo em santidade. Muito bem, mas quem vos fez alcançar esse progresso? Quem vos redimiu daquela concupiscência? Quem vos resgatou daquele vício? Quem vos ordenou que vos despedísseis daquela prática a que vos entregáveis? Não podeis dizer de Jesus: “E ele nos fez”? Foi Cristo quem fez tudo isso, e ao seu nome sejam honra, glória, louvor e domínio.
Detenhamo-nos por um momento nesse pensamento e mostremos como se pode dizer que Cristo nos fez tais. Quando Cristo fez de seu povo reis e sacerdotes? Quando se pôde dizer: “E nos fizeste reis e sacerdotes para o nosso Deus”?
1. Antes de tudo, ele nos fez reis e sacerdotes, virtualmente, quando assinou o pacto da graça. Muito, muito antes, na eternidade, a Magna Carta dos santos foi escrita pela mão de Deus, e faltava apenas uma assinatura para torná-la válida. Havia uma estipulação naquele pacto segundo a qual o Mediador deveria encarnar-se, viver uma vida de sofrimento e, por fim, suportar uma morte ignominiosa; e bastava uma assinatura, a assinatura do Filho de Deus, para tornar aquele pacto válido, eterno, “em tudo bem ordenado e seguro”. Parece-me vê-lo agora, enquanto minha imaginação representa o sublime Filho de Deus tomando a pena. Vede como seus dedos escrevem o nome; e ali ele permanece, em letras eternas: “O FILHO!” Ó sagrada ratificação do tratado! Ele está marcado e selado com o grande selo de nosso Pai celestial. Ó pacto glorioso, então assegurado para sempre! No momento em que esse maravilhoso documento foi assinado, os espíritos diante do trono — refiro-me aos anjos — poderiam ter começado a cantar, dizendo acerca de todo o corpo dos eleitos: “E fizeste de vós reis e sacerdotes para o vosso Deus”; e, se toda a companhia dos escolhidos pudesse ter passado a existir naquele instante, teria batido palmas e cantado: “Aqui estamos nós, constituídos, por essa mesma assinatura, reis e sacerdotes para o nosso Deus”.
2. Mas ele não parou aí. Não se tratava apenas de concordar com os termos do tratado; no devido tempo, ele cumpriu tudo — sim, até o último jota e til. Jesus disse: “Tomarei o cálice da salvação”; e ele o tomou — o cálice de nossa libertação. Amargas eram suas gotas; fel repousava no fundo; havia gemidos, suspiros e lágrimas naquela mistura vermelha; mas ele tomou tudo, bebeu até a última gota e sorveu inteiramente a terrível bebida. Nada restou. Ele bebeu o cálice da salvação e comeu o pão da aflição. Vede-o enquanto bebe o cálice no Getsêmani, quando o líquido daquele cálice se misturou ao seu sangue e transformou cada gota num veneno escaldante. Observai como os pés ardentes da dor percorrem suas veias. Vede como cada nervo se retorce e se contorce em sua agonia. Contemplai sua fronte coberta de suor; testemunhai as agonias que se sucedem até as profundezas de sua alma. Falai, ó perdidos, e dizei-nos o que significa o tormento do inferno; mas não podeis dizer-nos quais foram os tormentos do Getsêmani. Oh! A profundidade indizível! Havia uma profundidade ainda mais funda quando nosso Redentor inclinou a cabeça, quando se colocou entre a mó superior e a inferior da vingança de seu Pai e quando toda a sua alma foi reduzida a pó. Ah! Aquele Deus-homem que lutava — aquele homem sofredor do Getsêmani! Chorai por ele, santos, chorai por ele; quando o vedes levantar-se daquela oração no jardim e marchar em direção à cruz; quando o imaginais pendurado na cruz durante quatro longas horas, sob o sol escaldante, submerso na ira transitória de seu Pai; quando vedes seu lado jorrando sangue; quando ouvis seu grito derradeiro: “Está consumado!” — e vedes seus lábios inteiramente ressequidos, umedecidos apenas pelo vinagre e pelo fel — ah! Então prostrai-vos diante daquela cruz, inclinai-vos diante daquele sofredor e dizei: “Tu nos fizeste — tu nos fizeste o que somos; nada somos sem ti”. A cruz de Jesus é o fundamento da glória dos santos; o Calvário é o berço do céu; o céu nasceu na manjedoura de Belém; não fossem os sofrimentos e as agonias do Gólgota, não teríamos bênção alguma. Ó santo! Em cada misericórdia, vê o sangue do Salvador; olha para este Livro — ele está aspergido com seu sangue; olha para esta casa de oração — ela está santificada por seus sofrimentos; olha para teu alimento diário — ele foi comprado com seus gemidos. Recebe cada misericórdia como um tesouro comprado com sangue; estima-a porque vem dele; e diz perpetuamente: “Tu nos fizeste o que somos”.
3. Amados, nosso Salvador Jesus Cristo concluiu a grande obra de fazer de nós o que somos mediante sua ascensão ao céu. Se ele não tivesse subido às alturas e levado cativo o cativeiro, sua morte teria sido insuficiente. Ele “morreu pelos nossos pecados”, mas “ressuscitou por causa da nossa justificação”. A ressurreição de nosso Salvador em sua majestade, quando rompeu os laços da morte, foi para nós a garantia de que Deus havia aceitado seu sacrifício; e sua ascensão às alturas não foi senão um tipo e uma figura da ascensão real e efetiva de todos os seus santos, quando ele vier nas nuvens para o juízo e chamar a si todo o seu povo. Observai o Deus-homem enquanto sobe em direção ao céu; contemplai sua marcha triunfal pelos céus, enquanto as estrelas cantam seus louvores e os planetas dançam em solene ordem; vede-o atravessar os campos desconhecidos do éter até chegar ao trono de Deus, no sétimo céu. Ouvi-o então dizer a seu Pai: “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; eis-me aqui, e os filhos que me deste; combati o bom combate, completei a carreira; fiz tudo; cumpri cada tipo; executei cada parte do pacto; não há um único iota que eu tenha deixado por cumprir, nem um til que tenha sido omitido; tudo está feito”. E escutai como cantam diante do trono de Deus quando ele assim fala: “Tu nos fizeste reis e sacerdotes para o nosso Deus; e reinaremos sobre a terra”.
Assim falei brevemente sobre os feitos de nosso amado Redentor. Estes pobres lábios não conseguem falar melhor; este coração débil não consegue elevar-se à altura de tão grandioso tema. Oh! Quem dera estes lábios possuíssem linguagem eloquente e sublime, para que pudessem falar mais dos feitos maravilhosos de nosso Redentor!
“Coroai-o! Coroai-o!
Coroas assentam bem à fronte do Salvador.”
II. AS HONRAS DOS SANTOS
Agora, em segundo lugar, AS HONRAS DOS SANTOS: “E nos fizeste reis e sacerdotes para o nosso Deus”. Os mais honrados de todos os monarcas sempre foram considerados aqueles que tinham direito não apenas à supremacia real, mas também à sacerdotal — aqueles reis que podiam usar, ora a coroa da realeza, ora a mitra do sacerdócio; que podiam tanto manejar o incensário quanto empunhar o cetro; que podiam oferecer intercessão pelo povo e depois governar as nações. Aqueles que são reis e sacerdotes são verdadeiramente grandes; e aqui contemplais o santo honrado não com um título ou um ofício, mas com dois. Ele é feito não apenas rei, mas rei e sacerdote; não apenas sacerdote, mas sacerdote e rei. Dois ofícios são conferidos ao santo de uma só vez: ele é feito monarca sacerdotal e sacerdote régio.
Tomarei, antes de tudo, o ofício real dos santos. Eles são REIS. Não serão reis apenas no céu, mas também são reis na terra; pois, se meu texto não diz isso, a Bíblia o declara em outra passagem: “Vós sois raça eleita, sacerdócio real”. Somos reis já agora. Quero que compreendais isso antes que eu explique a ideia. Todo santo do Deus vivo não apenas tem a perspectiva de ser rei no céu, mas, positivamente, aos olhos de Deus, já é rei; e deve dizer, com respeito a seus irmãos e a si mesmo: “E nos fizeste”, já agora, “reis e sacerdotes para o nosso Deus; e reinaremos sobre a terra”. O cristão é um rei. Ele não é simplesmente semelhante a um rei, mas é um rei, real e verdadeiramente. Contudo, procurarei mostrar-vos em que ele se assemelha a um rei.
Lembrai-vos de sua ascendência real. Quanto alvoroço fazem algumas pessoas por causa de seus avôs e avós e de seus antepassados remotos! Lembro-me de ter visto, no Trinity College, a genealogia de algum grande senhor que remontava até Adão, e lá estava Adão, o primeiro homem, cavando a terra. A genealogia remontava até ele. Naturalmente, não acreditei naquilo. Já ouvi falar de algumas genealogias que vão ainda mais longe. Deixo ao vosso bom senso decidir se acreditais nelas ou não. Uma genealogia na qual se encontram duques, marqueses, reis e príncipes. Oh! Quanto algumas pessoas dariam por uma genealogia assim! Creio, porém, que não é o que nossos antepassados foram, mas o que nós somos, que nos fará resplandecer diante de Deus; que não importa tanto saber que temos sangue real ou sacerdotal nas veias quanto saber que honramos nossa linhagem — que andamos nos caminhos do Senhor e honramos a Igreja e a graça que nos torna dignos de honra. Mas, visto que alguns homens insistem em gloriar-se de sua descendência, eu me gloriarei de que os santos possuem a ascendência mais ilustre de todo o mundo. Falai dos Césares ou dos Alexandres, ou falai-me até mesmo de nossa boa rainha: afirmo que minha ascendência é tão elevada quanto a de Sua Majestade ou a do monarca mais orgulhoso do mundo. Descendo do Rei dos reis. O santo tem boas razões para falar de sua ascendência — pode exultar nela, pode gloriar-se dela —, pois é filho de Deus, positiva e realmente. Sua mãe, a Igreja, é a Noiva de Jesus; ele é um filho do céu, nascido duas vezes, alguém que pertence ao sangue real do universo. A mulher ou o homem mais pobre da terra, se ama a Cristo, pertence a uma linhagem real. Dai a um homem a graça de Deus no coração, e sua ascendência será nobre. Posso desenrolar o pergaminho de minha genealogia e dizer-vos que ela é tão antiga que não tem começo; é mais antiga que todos os registros dos grandes homens reunidos, pois meu Pai existe desde toda a eternidade; portanto, tenho, de fato, uma ascendência verdadeiramente real e antiga.
Além disso, os santos, assim como os monarcas, possuem um séquito esplêndido. Reis e monarcas não podem viajar sem grande aparato. Antigamente, cercavam-se de muito mais magnificência do que hoje; mas, mesmo em nossos dias, vemos bastante disso quando a realeza sai em público. É preciso haver uma raça especial de cavalos, uma carruagem esplêndida e batedores a cavalo, com todos os demais acessórios de uma pompa suntuosa. Sim! E os reis de Deus, a quem Jesus Cristo fez reis e sacerdotes para o seu Deus, também possuem um séquito real. “Oh!”, dizeis vós, “mas vejo alguns deles em farrapos; caminham sozinhos pela terra, às vezes sem ninguém que os ajude ou lhes seja amigo.” Ah! Mas há um defeito em vossos olhos. Se tivésseis olhos para ver, perceberíeis uma guarda de anjos acompanhando constantemente cada membro da família comprada com sangue. Lembrai-vos de que o servo de Elias não conseguia ver coisa alguma ao redor de Elias, até que seu senhor lhe abriu os olhos; então pôde ver que havia cavalos e carros em torno de Elias. Eis que há cavalos e carros ao meu redor. E tu, santo do Senhor, onde quer que estejas, há cavalos e carros. Naquele quarto onde nasci, anjos estavam presentes para anunciar meu nascimento nas alturas. Nos mares da tribulação, quando onda após onda parece passar por cima de mim, os anjos estão ali para erguer minha cabeça; quando eu vier a morrer, quando amigos entristecidos, chorando, me levarem à sepultura, anjos estarão ao lado de meu esquife; e, quando eu for colocado no túmulo, algum anjo poderoso ficará de guarda sobre meu pó e disputará sua posse com o diabo. Por que haveria eu de temer? Tenho uma companhia de anjos ao meu redor e, sempre que saio de casa, os gloriosos querubins marcham à frente. Os homens não os veem, mas eu os vejo; pois “a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem”. Temos um séquito real: somos reis não apenas por nossa ascendência, mas também por nosso séquito.
Observai agora as insígnias e os símbolos da realeza dos santos. Reis e príncipes possuem certas coisas que lhes pertencem por direito próprio. Sua Majestade, por exemplo, tem o Palácio de Buckingham e seus outros palácios, sua coroa real, seu cetro e assim por diante. Mas um santo tem um palácio? Sim, eu tenho um palácio! E suas paredes não são feitas de mármore, mas de ouro; suas bordas são adornadas de carbúnculos e pedras preciosas; suas janelas são de ágata; suas pedras estão assentadas em belas cores; ao seu redor há uma profusão de tudo quanto é precioso; rubis cintilam aqui e ali; sim, as pérolas não passam de pedras comuns dentro dele. Alguns o chamam de mansão; mas também tenho o direito de chamá-lo de palácio, pois sou rei. É uma mansão quando olho para Deus; é um palácio quando olho para os homens, porque é a habitação de um príncipe. Observai onde fica esse palácio. Não sou um príncipe da Índia — não tenho herança alguma numa terra distante com que os homens sonham —, não tenho nenhum Eldorado nem terra de Preste João; mas, ainda assim, tenho um palácio de verdade. Lá está ele, nas colinas do céu; não sei qual é sua posição entre as outras mansões celestiais, mas lá está; e “sei que, se a casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, tenho da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus”.
Os cristãos também têm uma coroa? Oh, sim; mas não a usam todos os dias. Têm uma coroa, mas o dia de sua coroação ainda não chegou. Foram ungidos monarcas, possuem parte da autoridade e da dignidade dos monarcas; mas ainda não são monarcas coroados. A coroa, porém, já está pronta. Deus não precisará ordenar aos ourives do céu que a confeccionem no futuro; ela já está pronta, suspensa na glória. Deus tem “guardada para mim a coroa da justiça”. Ó santo, se abrisses uma porta secreta no céu e entrasses na câmara do tesouro, verias que ela está repleta de coroas. Quando Cortés entrou no palácio de Montezuma, encontrou uma câmara secreta cuja entrada fora fechada com tijolos, e pensou que ali estavam as riquezas do mundo inteiro, tantas eram as coisas diferentes que haviam sido guardadas naquele lugar. Se pudesses entrar no tesouro secreto de Deus, que riquezas verias! “Há tantos monarcas assim”, dirias, “tantas coroas, tantos príncipes?” Sim, e algum anjo resplandecente diria: “Estás vendo aquela coroa? É tua”; e, se olhasses em seu interior, lerias: “Feita para um pecador salvo pela graça, cujo nome era —”; e então mal acreditarias em teus próprios olhos, ao veres teu nome gravado nela. És verdadeiramente um rei diante de Deus, pois tens uma coroa guardada no céu. Quaisquer que sejam as outras insígnias pertencentes aos monarcas, os santos as terão. Terão vestes de brancura; terão harpas de glória; terão tudo quanto convém à sua condição real. Assim, como vedes, somos verdadeiramente monarcas; não monarcas de escárnio, vestidos de púrpura para zombaria e ridicularizados com as palavras: “Salve, rei dos judeus!”, mas monarcas de verdade. “Ele nos fez reis e sacerdotes para o nosso Deus.”
Há outro pensamento aqui. Os reis são considerados os mais honrados entre os homens. São sempre admirados e respeitados. Se alguém dissesse: “Um monarca está aqui!”, a multidão abriria caminho. Eu não inspiraria muito respeito se tentasse passar pelo meio de uma multidão; mas, se alguém gritasse: “A rainha está aqui!”, todos se afastariam para lhe dar passagem. Um monarca geralmente impõe respeito. Ah! Amados, pensamos que os príncipes deste mundo são as pessoas mais honradas da terra; mas, se perguntásseis a Deus, ele responderia: “Meus santos, em quem tenho prazer, esses são os honrados”. Não me faleis de ouropéis e quinquilharias; não me faleis de ouro e prata; não me faleis de diamantes e pérolas; não me faleis de ascendência e posição social; não me venhais pregar sobre pompa e poder; mas, oh! Dizei-me que um homem é santo do Senhor, pois então ele é um homem digno de honra. Deus o respeita, os anjos o respeitam, e um dia o universo o respeitará, quando Cristo vier chamá-lo a prestar contas e disser: “Muito bem, servo bom e fiel; entra no gozo do teu senhor”. Podes desprezar um filho de Deus agora, pecador; podes rir dele; podes dizer que é hipócrita; podes chamá-lo de santarrão, metodista, beato e tudo o que quiseres; mas sabe que esses títulos não exprimem sua dignidade — ele está entre os honrados da terra, e Deus assim o considera.
Mas algumas pessoas dirão: “Gostaria que provasses o que afirmas quando dizes que os santos são reis; pois, se fôssemos reis, jamais teríamos tristezas; os reis nunca são pobres como nós nem sofrem como sofremos”. Quem vos disse isso? Dizeis que, se fôsseis reis, viveríeis despreocupados. Acaso os reis nunca sofrem? Não era Davi um rei ungido? E não foi perseguido como uma perdiz pelos montes? O próprio rei não atravessou o ribeiro de Cedrom, acompanhado de todo o seu povo, chorando enquanto caminhava, quando seu filho Absalão o perseguia? E não era ele monarca quando dormia sobre o chão frio, sem outro leito além da urze úmida? Oh, sim, os reis têm suas tristezas — as cabeças coroadas têm suas aflições. Muitas vezes,
“Inquieta repousa a cabeça que traz uma coroa.”
Não espereis que, por serdes reis, estejais livres de tristezas. “Não é próprio dos reis, ó Lemuel, não é próprio dos reis beber vinho, nem dos príncipes desejar bebida forte.” E muitas vezes é assim. Os santos recebem pouco vinho aqui. Não é próprio dos reis beber o vinho do prazer; não é próprio dos reis participar em abundância da bebida embriagante e dos excessos dos deleites deste mundo. Terão alegria suficiente lá em cima, quando a beberem, nova, no reino de seu Pai. Pobre santo! Detém-te nesse pensamento. Tu és um rei! Suplico-te que não deixes isso escapar de tua mente; antes, em meio à tua tribulação, continua a alegrar-te nessa verdade. Se tiveres de atravessar o túnel escuro da infâmia por causa do nome de Cristo; se fores ridicularizado e injuriado, continua a alegrar-te neste fato: “Sou um rei, e todos os domínios da terra serão meus!”
Mais um pensamento, e terminarei esta parte do assunto. Os reis possuem domínio. Sabeis que sou um homem da quinta monarquia? No tempo de Cromwell, alguns diziam que haviam existido quatro monarquias e que a quinta viria para derrubar todas as outras. Pois bem, jamais desejo fazer o que eles fizeram; mas creio, como eles, que uma quinta monarquia virá. Já existiram quatro grandes impérios que arrogaram para si o domínio universal, e jamais haverá outra monarquia mundial até que Cristo venha. Jesus, nosso Senhor, será Rei de toda a terra e governará todas as nações num glorioso reinado espiritual ou pessoal. Os santos, por serem reis em Cristo, têm direito ao mundo inteiro. Aqui estou eu nesta manhã, com minha congregação diante de mim. Algumas pessoas dizem: “Fica no teu lugar e prega”, e já ouvi o conselho: “Não saias de tua paróquia”. Mas Rowland Hill costumava dizer que nunca havia saído de sua paróquia em toda a vida; sua paróquia era a Inglaterra, a Escócia e o País de Gales, e ele nunca saía dela. Suponho que essa seja minha paróquia e a paróquia de todo ministro do evangelho. Quando vemos uma cidade cheia de pecado e iniquidade, o que devemos dizer? Aquela cidade é nossa; iremos tomá-la de assalto. Quando vemos uma rua ou algum bairro populoso onde as pessoas são muito más e perversas, devemos dizer: “Aquela viela é nossa; iremos conquistá-la”. Quando vemos uma casa onde as pessoas não querem receber o evangelho, devemos dizer: “Aquela casa é nossa; iremos atacá-la”. Não iremos com o braço forte da lei; não pediremos ao policial nem ao governo que nos ajudem; mas levaremos conosco “as armas da nossa milícia”, que “não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas”. Iremos e, pelo Espírito de Deus, venceremos. Há uma cidade onde as crianças correm pelas ruas sem instrução; iremos buscar essas crianças — sequestrá-las para Cristo. Teremos uma escola dominical. Se forem moleques maltrapilhos que não possam frequentar uma escola dominical, teremos uma escola para crianças maltrapilhas. Há uma parte do mundo cujos habitantes estão mergulhados na ignorância e na superstição: enviaremos um missionário até eles. Ah! Aqueles que não gostam do empreendimento missionário não conhecem a dignidade do santo. Falai da Índia; falai da China; “É minha”, diz o santo. Todos os reinos da terra são nossos. “A África é minha bacia de lavar — triunfarei sobre a Ásia. São minhas! São minhas!” “Quem me conduzirá à cidade fortificada?” Não és tu, ó Senhor? Deus nos dará o reino de Cristo. Toda a terra é nossa; e, pelo poder do Espírito Santo, Bel se encurvará, Nebo se abaixará, os deuses dos pagãos, Buda e Brama, serão derrubados, e todas as nações se curvarão diante do cetro de Cristo. “Ele nos fez reis.”
Nosso segundo ponto, sobre o qual serei muito breve, é: “Ele nos fez reis e SACERDOTES”. Os santos não são apenas reis, mas também sacerdotes. Entrarei diretamente no assunto, sem preâmbulo algum.
Somos sacerdotes porque os sacerdotes são pessoas divinamente escolhidas, e nós também o somos. “Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão.” Mas nós temos essa vocação e eleição; todos fomos ordenados para ela desde a fundação do mundo. Fomos predestinados a ser sacerdotes e, no decorrer do tempo, recebemos um chamado especial e eficaz, ao qual não podíamos resistir e ao qual não resistimos, e que finalmente nos venceu de tal maneira que nos tornamos, de uma só vez, sacerdotes de Deus. Somos sacerdotes por instituição divina. Quando dizemos que somos sacerdotes, não falamos como certos grupos que se dizem sacerdotes, pretendendo com isso arrogar para si uma distinção. Sempre me oponho — e devo declará-lo enfaticamente — a chamar de sacerdote um clérigo ou qualquer homem que pregue. Não somos sacerdotes mais do que vós. Todos os santos são sacerdotes. Mas um homem levantar-se e dizer que é sacerdote num sentido em que aqueles a quem prega não o são é uma falsidade. Detesto a distinção entre clero e laicato. Gosto do sacerdotalismo bíblico, pois nele o ofício ou trabalho sacerdotal pertence ao povo, que é todo constituído de sacerdotes; mas abomino qualquer outro sacerdotalismo. Todo santo do Senhor é sacerdote no altar de Deus e tem o dever de adorar a Deus com o santo incenso da oração e do louvor. Somos sacerdotes, cada um de nós, se fomos chamados pela graça divina; pois assim somos sacerdotes por instituição divina.
Além disso, somos sacerdotes porque desfrutamos de honras divinas. Ninguém, a não ser um sacerdote, podia entrar para além do véu; havia um átrio dos sacerdotes no qual ninguém jamais podia entrar, exceto os chamados. Os sacerdotes possuíam certos direitos e privilégios que os outros não tinham. Santo de Jesus! Herdeiro do céu! Tu possuis privilégios elevados e honrosos, dos quais o mundo nada sabe! Já estiveste para além do véu, em comunhão com Cristo? Já estiveste no átrio da casa do Senhor, no átrio dos sacerdotes, onde ele te ensinou e se manifestou a ti? Já estiveste? Sim, sabes que já; desfrutas de acesso constante ao trono de Deus: tens o direito de aproximar-te e contar tuas aflições e tristezas aos ouvidos de Jeová. O pobre mundano não pode chegar ali; o pobre filho da ira não tem Deus algum a quem contar suas tribulações. Não pode entrar para além do véu; nem deseja fazê-lo; mas tu podes; podes aproximar-te dos ouvidos de Deus, balançar o incensário diante do trono e apresentar tua petição em nome de Jesus. Os outros não possuem essas honras divinas. Tu és divinamente honrado e divinamente abençoado.
Então, uma última observação, para concluir: temos um serviço divino a realizar; e, como desejo que todos vós, nesta manhã, transformeis esta capela num único e grande altar — como desejo fazer de todos vós sacerdotes em atividade, e deste lugar um templo para o sacrifício —, considerai atentamente vosso serviço. Todos sois sacerdotes porque amais seu querido nome e tendes um grande sacrifício a oferecer; não uma propiciação por vossos pecados, pois esta já foi oferecida de uma vez por todas, mas um sacrifício de santa ação de graças neste dia. Oh! Quão doce é aos ouvidos de Deus a oração de seu povo! Esse é o sacrifício que ele aceita; e, quando o hino santo de seu povo se eleva em direção ao céu, quão agradável é aos seus ouvidos, pois então ele pode dizer: “Minhas hostes de sacerdotes estão oferecendo sacrifícios de louvor”. E sabeis, amados, que há um ponto no qual a maioria de nós falha em nossas ofertas diante de Deus? Oferecemos nossas orações, apresentamos nossos louvores; mas quão pouco sacrificamos de nossos bens ao Senhor! Eu havia pensado, nesta manhã, visto que desejo tornar-vos extraordinariamente generosos, em tomar como meu texto: “Honra ao SENHOR com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares”; e havia pensado em mostrar que nossos bens pertencem ao Senhor, que temos a obrigação de consagrar-lhe uma porção nada pequena deles e que, se assim fizéssemos, poderíamos esperar prosperidade até mesmo em nossos negócios terrenos, pois ele encheria nossos celeiros e faria nossos lagares transbordarem de vinho. Contudo, considero desnecessário pregar um sermão para a coleta — pensei que seria melhor falar-vos de vossa honra e dignidade, e então contribuireis com o que quiserdes, pois o único livre-arbítrio de que gosto é o das ofertas voluntárias. Permiti, amados, algumas palavras. Deus disse em sua Palavra que deveis honrá-lo com vossos bens. Como sacerdote do Senhor, não sacrificarás alguma coisa ao Senhor neste dia? Temos diante de nós um grande objetivo: precisamos de mais espaço para as multidões que vêm ouvir o evangelho. Parece importante que, quando tamanha multidão se reúne, ninguém tenha de ir embora. Não deveríamos bendizer a Deus por virem? Houve um tempo em que éreis realmente poucos, e o clamor era: “Quem creu em nossa pregação?” Mas Deus nos concedeu grande êxito; o ministério neste lugar foi abençoado com a conversão de um número considerável de almas; tenho agora, nesta capela, muitos casos de corações quebrantados e espíritos contritos; sem dúvida, há muitos outros de que não tenho conhecimento, e creio que o bendito Espírito os manifestará no devido tempo. Oh! Não vos entristece que alguém tenha de afastar-se da voz do ministério — que alguém que venha aqui tenha de ir embora, talvez para passar o dia do Senhor em pecado? Não sabeis para onde essas pessoas precisam ir quando não conseguem entrar entre estas paredes. O fato é que chegamos à resolução de ampliar esta capela, para que haja acomodações para um número maior de pessoas. Agora, ó sacerdotes, sacrificai ao Senhor. Que os sacerdotes edifiquem a casa do Senhor; que aqueles que adoram no santuário tomem hoje a colher de pedreiro; que sejam assentados a argamassa e os tijolos, e que esta casa mais uma vez se encha da glória do Senhor e de uma congregação numerosa.
III. O FUTURO DO MUNDO
Agora, devo concluir com O FUTURO DO MUNDO. “Reinaremos sobre a terra.” Não tenho muito tempo para isso, e imagino que se espere que eu vos fale sobre o milênio e o reinado pessoal de Cristo. Não o farei de modo algum, porque nada sei a respeito. Já ouvi muitas pessoas falarem sobre o assunto; e, se alguém me mostra um livro sobre o milênio, digo: “Não posso lê-lo por enquanto”. Recentemente, um bom homem escreveu um livro sobre o assunto, e um cavalheiro o recomendou com tanta insistência que, por cortesia, não pude deixar de comprá-lo; mas promovi-o à região aristocrática da biblioteca, às fileiras superiores, e ali ele repousa tranquilamente. Não me considero capaz de percorrer os labirintos desse assunto, e não creio que o respeitabilíssimo autor seja capaz de fazê-lo. É um assunto tão obscuro, e já li tantas opiniões diferentes a seu respeito, que tudo isso não passa de uma fantasmagoria para mim. Creio em tudo o que a Bíblia diz acerca de um futuro glorioso, mas não posso pretender traçar mapas de todas as eras. Apenas isto considero um fato positivo: os santos reinarão um dia sobre a terra. Essa verdade me parece bastante clara, quaisquer que sejam as diferentes opiniões sobre o milênio. Atualmente, os santos não reinam de maneira visível; são desprezados. Antigamente, foram expulsos para os antros e cavernas da terra; mas está chegando o tempo em que os reis serão santos, e os príncipes, os chamados de Deus — em que as rainhas serão as amas, e os reis, os aios da Igreja de Cristo. Está chegando a hora em que o santo, em vez de ser desonrado, será honrado; e os monarcas, outrora inimigos da verdade, se tornarão seus amigos. Os santos reinarão. Terão a maioria; o reino de Cristo prevalecerá; não será derrubado — este não será mais o mundo de Satanás —, mas voltará a cantar, com todas as suas estrelas irmãs, o cântico incessante de louvor. Oh! Creio que está chegando um dia em que os sinos do dia do Senhor espalharão música pelas planícies da África — em que a selva densa e profunda da Índia verá os santos de Deus subindo ao santuário; e estou certo de que as multidões incontáveis da China se reunirão em templos construídos para a oração e, como vós e eu fizemos, cantarão ao eternamente glorioso Jeová:
“Louvai a Deus, de quem procedem todas as bênçãos.”
Dia feliz! Dia feliz! Que venha depressa!
Agora, para concluir, uma inferência muito prática. Sois reis e sacerdotes para o vosso Deus. Quanto, então, devem os reis dar à coleta desta manhã? Falai assim a vós mesmos: “Sou um rei; darei como um rei dá a outro rei”. Agora, prestai atenção: nada de contribuições insignificantes! Não esperamos que reis inscrevam seus nomes por quantias irrisórias. Além disso, sois sacerdotes. Pois bem, sacerdote, pretendes oferecer um sacrifício? “Sim.” Mas não sacrificarias um cordeiro de perna quebrada nem um novilho defeituoso, não é verdade? Não escolherias o melhor do rebanho? Muito bem, então escolhe as melhores moedas da rainha e oferece, se puderes, ovelhas de lã dourada. Perdoai-me por insistir neste assunto. Quero que esta capela seja ampliada; vós também quereis; estamos todos de acordo quanto a isso; estamos todos remando no mesmo barco. Fixei meu objetivo em cinquenta libras, e preciso consegui-las, e hei de consegui-las hoje, se possível. Espero que não me decepcioneis. Não se trata de uma causa minha, mas de meu Mestre — em outras ocasiões, contribuístes generosamente — não tenho receio quanto a vós —, mas espero apresentar-me no próximo domingo pela manhã com a animadora notícia de que todas as cinquenta libras foram arrecadadas; e então creio que meu ânimo estará tão elevado que, com a ajuda de Deus, ousarei prometer-vos um dos melhores sermões que sou capaz de pregar.
Tradução: Equipe Monergismo

