Sermão sobre Jó 8.1-6

Publicado em 27 de janeiro de 2009 – 17:41

Para bem aproveitarmos o que está aqui contido no presente capítulo, devemos nos recordar do que já declaramos, a saber, que os amigos de Jó se ocupam com um mau caso, tendo, contudo, bons argumentos e boas razões. É fato que eles o aplicam mal; entretanto, a doutrina em si é santa e útil. Desta sorte, quando tomamos o que é dito aqui genericamente, descobrimos boas proposições. E, com efeito, esta é a principal coisa pretendida por Bildade – sustentar que Deus é justo ao punir os homens, e que não há motivo algum para o acusar. Ora, inqüestionavelmente, toda essa doutrina não somente é boa, mas é ainda um dos principais artigos de nossa fé: não há erro, a não ser pelo fato de Bildade querer aplicar suas palavras à pessoa de Jó. Pois, como já vimos, a intenção do santo personagem não era acusar a Deus, tampouco se levantar contra esse. Queixa-se Jó, porém, de que o mal que suportava era por demais enorme e pesado para ele caso se atentasse à sua fraqueza; no entanto, nunca deixou de glorificar a Deus. Destarte, observamos que Bildade teve um mau caso; sem embargo, o que ele expõe aqui é bom e justo, e devemos recebê-lo, porque é apropriado para a nossa edificação. Como quando ele diz que os que pleiteiam assim contra Deus precipitam-se tal qual o vento no ar.

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