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Por que o homem e a mulher não são iguais

Glenn T. Stanton

É claro que os cristãos conservadores creem que mulheres e homens não são iguais. Sabemos que cremos em coisas assim, porque as elites de fora da nossa fé (hoje celebrando o Dia da Igualdade da Mulher) regularmente nos dizem que sim. Como poderíamos esquecer?

Eles têm razão, mas do modo errado. As pessoas civilizadas percebem (mesmo quando não percebem que percebem) que macho e fêmea não são iguais. G. K. Chesterton, com sua espirituosidade de virar a mesa, acertou em cheio em seu ensaio “O romance da parcimônia”:

Lembro-me de uma ávida e artística senhora perguntar-me, em sua sala de estar enorme e verde, se eu acreditava em camaradagem entre os sexos e, em caso de resposta negativa, por que não. Repeli o intento de dar a óbvia e sincera resposta: “Porque, se eu viesse a tratar-lhe como um camarada, em dois minutos seria expulso da casa.” 

Assim é. As mulheres criam, moldam e mantêm a cultura humana. As boas maneiras existem porque as mulheres existem. Homens dignos ajustam sua conduta quando uma mulher entra na sala. Tornam-se criaturas melhores. A civilização surge e perdura porque as mulheres têm expectativas quanto a si mesmas e quanto àqueles ao seu redor.

Esta não é apenas uma ideia conservadora ou tradicionalista.

A Gail Collins, do New York Times, disse à NPR sem rodeios que a conclusão primordial mais importante de seu brilhante livro America’s Women (que repousa fielmente à esquerda, atrás da mesa de Leslie Knope, em todos os episódios de Parks and Recreation) é que a influência mais poderosa e importante que as mulheres exerceram sobre a fundação, o crescimento e o sucesso de nossa nação foi esta: elas fazem os homens se comportarem. Todas as suas outras contribuições importantes são secundárias.

Collins fornece exemplos da história. Eis um deles: os investidores britânicos de Jamestown — que enviaram apenas homens para estabelecer o empreendimento, para que não se distraíssem — não estavam vendo o retorno esperado sobre seu investimento. Mandaram um agente investigar, e descobriu-se que os homens não estavam trabalhando. Segundo o relatório de um certo Sir Thomas Dale, os homens se ocupavam, em “seus labores diários e costumeiros, jogando boliche nas ruas”. Esse hábito mantinha o assentamento, explica Collins, “uma longa e barulhenta festa de fraternidade, sem a comida”. A solução dos investidores? Começaram a atrair jovens mulheres em idade de casar para partirem rumo às colônias com ofertas de passagem gratuita e atraentes enxovais. Supunham que esposas talvez transformassem esses garotos de fraternidade do “amanhã a gente trabalha” em homens diligentes, laboriosos, produtivos. E transformaram. Uma coisa levou à outra, e, presto: a nação mais próspera e trabalhadora da história do mundo. Não apenas por causa das mulheres, mas por meio do poder socializador de esposas e mães.

Os antropólogos há muito reconhecem que o problema social mais fundamental que toda comunidade precisa resolver é o do homem desvinculado. Se suas energias sexuais, físicas e emocionais não forem governadas e dirigidas de modo pró-social e domesticado, ele se tornará o câncer mais maligno da aldeia. Esposas e filhos, nessa ordem, são o único remédio bem-sucedido jamais encontrado. O serviço militar vem em um bem distante segundo lugar. O economista George Akerlof, vencedor do Prêmio Nobel, explica que “os homens assentam a vida quando se casam; se deixam de se casar, deixam de assentar a vida”, porque “com o casamento, os homens assumem novas identidades que mudam seu comportamento”. Isso não parece funcionar com casais masculinos do mesmo sexo em relacionamentos de longo prazo.

Maridos e pais se tornam cidadãos melhores, mais seguros, mais responsáveis e mais produtivos, sem rival entre seus pares em qualquer outro status relacional. Maridos tornam-se companheiros melhores, tratando suas esposas melhor em toda medida importante — segurança física e emocional, provisão financeira e material, respeito pessoal, fidelidade, abnegação em geral, etc. — em comparação com namorados, estejam eles apenas se relacionando ou coabitando. Maridos e pais desfrutam de prêmios significativamente mais baixos de seguro de saúde, de vida e de automóvel do que seus pares solteiros, por uma razão estritamente pragmática. As seguradoras não são sentimentais em relação aos maridos. Os maridos pagam prêmios mais baixos porque são criaturas diferentes em termos de hábitos, valores, comportamento e saúde em geral.

É por isso que O Senhor das Moscas, de Golding, é uma história não tanto sobre a natureza sombria da humanidade quanto sobre o isolamento do masculino em relação ao feminino. Se houvesse apenas algumas meninas confiantes entre aqueles garotos, sua conclusão talvez tivesse sido mais A Cidadela dos Robinsons.

Homem e mulher não são iguais. Ele deve à mulher aquilo que é. Esse dificilmente é o único poder dela, mas está entre os seus mais formidáveis. O cristianismo sempre soube disso. O Salvador do mundo escolheu vir até nós por meio de uma esposa e mãe. É por isso que você encontra o que encontra no próprio centro, na posição honrada e singular, naquele teto superlativo de certa capela célebre.

A mulher é a força viva mais poderosa do globo. Ela cria, molda e sustenta a civilização humana. O primeiro passo para enfraquecer seu poder é convencê-la de que ela precisa superar sua feminilidade. Isso, ironicamente, é precisamente o que as vertentes mais vocais do feminismo têm defendido. Sim, a mulher deve ter igualdade no local de trabalho, na política e na esfera pública. Mas torná-la mais parecida com o homem para alcançar isso, e julgar sua feminilidade um empecilho à sua ascensão, é inverter exatamente as coisas. É tratá-la como muito menos do que ela realmente é.


Fonte: https://firstthings.com/why-man-and-woman-are-not-equal/

Tradução: Francisco Batista de Araújo