Vida Cristã

5 de julho de 2012
 

Piedade Prática

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Escrito por: Arthur W. Pink
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“Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tiago 1.22). É motivo de gratidão, de muita gratidão, quando se percebe que o Espírito Santo iluminou o entendimento de alguém, dissipando a névoa do erro, estabelecendo-o na verdade. Contudo isso é só o começo. As Escrituras Sagradas são proveitosas não apenas para “o ensino”, mas também para “a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Timóteo 3.16). Repare bem na ordem: antes que estejamos prontos para sermos educados “na justiça” (agir corretamente), há muito em nossa vida que Deus “reprova”, e que nós temos de “corrigir”. Isso é assim por necessidade, porque antes da conversão tudo em nossa vida estava errado, pois tudo o que fazíamos era para gratificar a nós mesmos, sem nem mesmo pensar em Deus, nem nos preocupávamos com a Sua honra e glória. Por isso, a primeira grande necessidade, e a fundamental obrigação de cada novo convertido não é estudar os tipos do Antigo Testamento, nem confundir a cabeça com profecias, mas diligentemente examinar as Escrituras com o propósito de encontrar o que agrada e o que desagrada a Deus, o que Ele proíbe e o que Ele ordena.

Se você de fato se converteu, então o seu primeiro interesse tem de ser ordenar todos os detalhes da sua vida — em casa, na igreja, no mundo — de forma agradável a Deus. E na prática isso significa fazer o seguinte: “cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem” (Isaías 1.16,17); “Aparta-te do mal e pratica o que é bom” (Salmo 34.14, cfe. 37.27). Antes de se poder construir, tem de ser feita uma demolição (Eclesiastes 3.3). É necessário ocorrer um esvaziamento de si mesmo, antes de haver um enchimento do Espírito. É preciso desaprender, antes que haja verdadeira aprendizagem. E é necessário haver um ódio pelo “mal” antes que haja o amor ao “bem” (Amós 5.15, cfe. Romanos 12.9).

Aquilo que determinará em grande parte a medida da bênção que o jovem cristão experimentará na vida, é o grau em que ele aplica as Santas Escrituras na prática, regulando seus pensamentos, desejos, e ações, por meio das suas advertências e incentivos, suas proibições e preceitos. Como Governador moral deste mundo, Deus repara em nossa conduta, e mais cedo ou mais tarde manifesta o Seu desagrado contra nossos pecados, e Sua aprovação ao andar reto, conferindo a medida de prosperidade que é melhor para nosso bem e para a Sua glória. Em guardar os Seus mandamentos “há grande recompensa” (Salmo 19.11) nesta vida (1 Timóteo 4.8).

Oh! Quantas bênçãos — espirituais e temporais — muitos cristãos perdem por causa de conduta negligente e desobediente (veja Isaías 48.18)! A coisa trágica é que, em vez do jovem cristão estudar diligentemente a Palavra de Deus a fim de descobrir todos os detalhes da vontade divina para ele, ele faz de tudo menos isso. Muitos se atracam a alguma “obra pessoal” ou alguma forma de “trabalho” cristão, ao passo que a própria vida permanece cheia de coisas desagradáveis a Deus! A presença dessas coisas desagradáveis na vida atrapalham a bênção de Deus sobre a sua alma, corpo e atividades temporais; e é necessário dizer-lhe: “os vossos pecados afastam de vós o bem” (Jeremias 5.25). A palavra de Deus para o Seu povo é a seguinte: “desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2.12).

Mas como é raro encontrar esse “temor e tremor” em nossos dias! Em vez disso, encontra-se auto-estima, auto-confiança, vanglória e segurança carnal. Há outros que se entregam ao diligente estudo da doutrina, mas em geral falham em perceber que a doutrina da Escritura não é uma série de proposições intelectuais, mas é “a doutrina que é segundo a piedade” (1 Timóteo 6.3 — Versão Revista e Corrigida). A “doutrina” ou o “ensino” da santa Palavra de Deus não nos é concedida para instruir nossa cabeça, mas para regular todos os detalhes da nossa vida diária; e isso “a fim de ornarem, em todas as coisas, a doutrina de Deus, nosso Salvador” (Tito 2.10). Mas isso pode ocorrer somente através da constante leitura da Palavra com um propósito dominante — descobrir o que Deus proíbe e o que Ele ordena; através da nossa freqüente meditação naquilo que lemos; e por meio da oração fervorosa suplicando graça sobrenatural que nos capacite a obedecer. Se o jovem convertido não cria logo o hábito de trilhar o caminho da prática da obediência a Deus, ele não será ouvido por Ele quando fizer as suas orações!

1 João 3.22 expõe claramente uma das principais condições para termos nossas orações atendidas, e para a qual temos de constantemente buscar graça: “e aquilo que pedimos dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável”. Mas se, ao invés de nos submetermos às santas exigências de Deus, seguirmos nossas próprias inclinações, ser-nos-á dito o seguinte: “as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Isaías 59.2). Isso é extremamente solene. Há uma diferença enorme entre ter ou não acesso prático a Deus!

Quando o jovem cristão trilha um caminho de auto-gratificação, ele não só reduz as próprias orações a palavras vazias, mas também traz sobre si mesmo o castigo de Deus, e tudo lhe vai mal na vida. Essa é uma das razões porque, nestes dias difíceis, muitos cristãos sofrem tanto quanto os pobres homens mundanos: Deus Se desagrada dos seus caminhos, e não Se mostra forte em seu favor (2 Crônicas 16.9). A solução é humilhar-se verdadeiramente de coração diante do Senhor, com tristeza piedosa, verdadeiro arrependimento, confissão genuína, com a firme determinação de consertar os nossos caminhos; e então (e não antes disso) fé que conta com a misericórdia de Deus e uma paciente expectação de que Ele vai operar maravilhas por nós, se agora trilharmos o caminho da plena submissão a Ele.

 

Tradução: Helio Kirchheim



Sobre o Autor

Arthur W. Pink
Arthur Walkington Pink (1886-1952) nasceu na Grã-Bretanha e imigrou para os Estados Unidos para estudar no Instituto Bíblico Moody. Pastoreou igrejas no Colorado, na Califórnia, no Kentucky, e na Carolina do Sul, antes de se tornar um professor itinerante da Bíblia em 1919. Ele retornou à sua terra natal em 1934, estabelecendo residência na Ilha de Lewis, na Escócia, em 1940, permanecendo lá até sua morte em 1952.



 
 

 
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