Apologética

27 de julho de 2010

Transgressão: você morrerá

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Escrito por: Vincent Cheung
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“E Jeová Deus ordenou ao homem, dizendo: Coma de toda árvore do jardim; mas, da árvore do conhecimento do bem e do mal, não coma dela; porque no dia em que comer dela, você morrerá” (Gn 2.16,17).

Deus criou o universo, os planetas, a vida vegetal e os animais. Depois disso ele criou o homem e a mulher, e os colocou no Éden para trabalharem no jardim. E Deus lhes deu a ordem de que comessem de toda árvore do jardim, mas não deveriam comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, e se eles comessem dela, com certeza morreriam.

Aqui vislumbramos a essência do relacionamento original entre Deus e o homem. Em primeiro lugar, ele se baseava na comunicação verbal — Deus falava com o homem. Ele falava com o homem usando termos que transmitiam ideias definidas, concretas e abstratas, como identidade pessoal (“você”), o ato de se alimentar, árvores, jardim, conhecimento, bem e mal, tempo (“no dia em que comer”) e morte. Em segundo lugar, este relacionamento era íntimo mas variável. O homem se beneficiava da provisão e da generosidade de Deus, mas ele também agia sob a autoridade divina, que impunha restrições às atividades humanas. O padrão do certo e do errado encontrava-se exclusivamente na autoridade de Deus — não como algo alheio a ele, mas como algo idêntico à sua vontade, e expresso por meio de instruções e ordens.

Algumas tradições teológicas afirmam que a ordem de Deus a Adão envolvia, ou consistia em, uma aliança. Essa aliança compreendia um período de teste para o homem, de modo que se ele se revelasse obediente, herdaria a vida eterna, mas se ele se mostrasse desobediente, herdaria a morte eterna. No entanto, não há indicação de teste nas instruções de Deus a Adão. E inexiste qualquer promessa de promoção a uma vida superior após o período de obediência. Tampouco há qualquer traço do estabelecimento de uma aliança. Essa doutrina é uma invenção humana e deve ser descartada.

De acordo com o relato de Gênesis, Satã assumiu o controle de uma serpente e falou por meio dela, ou ele assumiu a forma de uma serpente e falou. Ele tentou Eva para que transgredisse a ordem de Deus. Eva e o restante da Escritura descrevem mais tarde esse ato como uma tentativa de enganar. Ele mentiu para Eva. As tentações são caracterizadas por falsas doutrinas e falsas promessas.

A tentação envolve persuasão — uma forma de comunicação. Essa comunicação é diferente da causação, e ela não comporta em si mesma o poder da causação. Satã persuadiu Eva a pecar, mas ele não causou o pecado de Eva, pois só Deus detém o poder de controlar a alma humana. Satã tentou Jesus da mesma forma. Ele não poderia fazer Cristo pecar, mas se diz acertadamente que ele tentou Jesus. Portanto, Satã é o tentador, mas não o autor do pecado. A Bíblia o chama de “pai” da mentira, mas o faz em um sentido relacional, pois já se sabe que Satã é apenas uma criatura. Ele é o representante principal do pecado, mas isso não equivale a dizer que ele conta com o poder de causar o pecado em sentido metafísico, pois só Deus detém o poder de causar qualquer coisa neste último sentido.

Certa vez uma pessoa desafiou este entendimento ao se recusar a reconhecer a distinção entre comunicação e causação. A interação comigo foi muito confusa, pois ele aplicava com firmeza as ideias de tentação e persuasão como se elas sempre fossem bem-sucedidas. Para ele, a conclusão era: se Deus não é o tentador, então ele também não pode ser o autor do pecado. No entanto, se ele estiver correto — caso devamos identificar a comunicação com a causação, e a tentação para pecar com a causa do pecado — então ele deve rejeitar o relato bíblico da tentação de Cristo. A Bíblia diz que Satã tentou Jesus, mas ele não pecou. Todavia, se a tentação (persuasão para pecar) deve ser identificada com a causação para que a tentação sempre seja bem-sucedida, então Jesus pecou quando foi tentado, ou ele nunca foi tentado. Pelo fato de essa pessoa sustentar uma definição tão peculiar e estranha sobre a tentação, ele deve dizer que Jesus é pecador ou a Escritura é uma mentira e, assim, se declarar não cristão e se consignar ao fogo do inferno.

Satã mentiu para Eva, e em vez de se apegar à ordem de Deus, ela sucumbiu e comeu do fruto proibido. Ela deu dele a Adão que, mesmo sem ser enganado, também comeu do fruto. Desse modo o homem e a mulher pecaram e, quando o fizeram, passaram por uma mudança e também tiveram o relacionamento com Deus alterado. Como Deus predisse, o espírito deles morreu de imediato — a luz divina se extinguiu — e seu corpo também pereceu com o passar do tempo.

Quando ouviram Deus andando no jardim, eles se esconderam dele. Este é um insight tremendo. A partir daí, todos os pecadores inventaram métodos sofisticados de escapar dessa realidade, ainda que o motivo e o propósito básico permaneçam os mesmos. Eles sentem terror de Deus, e desejam se esconder dele, mas são estúpidos e desonestos demais para admitir essa impossibilidade. Podem ter se tornado ruidosos e confiantes, mas no interior do coração são como franguinhos amedrontados que correm para se ocultar. Eles se apegam à incredulidade, religiões falsas e diversos sistemas de pensamento e estilos de vida para lhes aliviar o medo, calar a consciência e manter a aparência de que realizam algo bom ou espiritual.

Nossa mensagem aos não cristãos começa com isto: Deus é o criador e regente da humanidade, e você tem transgredido o mandamento dele, e com certeza morrerá. Reclame o quanto quiser, mas ele virá acertar as contas com você. Ele vem para pegá-lo e puni-lo. Você pode correr e se esconder, mas ele sabe onde você está e o que fez. Ele o lançará no lago de fogo, de acordo com sua justiça perfeita, e o fará sofrer uma dor extrema e sem fim. Então você gritará, mas não haverá auxílio nem escape. Você implorará pela morte, mas ai de você: já está morto. Ó, não cristão fraco e estúpido, você não pode se salvar. Ó incrédulo, condenado às chamas! Você não deve esperar. Hoje é o dia da salvação. Existe apenas um escape da condenação. Você o deseja? Você o aceitará?

 

Tradução: Rogério Portella



Sobre o Autor

Vincent Cheung
Vincent Cheung é autor de trinta livros e centenas de palestras sobre uma gama de assuntos em teologia, filosofia, apologética e espiritualidade. Através dos seus livros e palestras, ele está treinando cristãos para entender, proclamar, defender e praticar a cosmivisão bíblica como um sistema de pensamento abrangente e coerente, revelado por Deus na Escritura. Vincent Cheung reside em Boston com sua esposa Denise.




 
 

 

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