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Diálogos de domingo [sumário do livro]

Eis o sumário de um futuro lançamento da Editora Monergismo, Diálogos de domingo: Uma introdução às categorias da vida, de Andrei Pleșu e Gabriel Liiceanu. Tradução de Elpídio Mário Dantas Fonseca. Conferência com o texto romeno: Cristina Nicoleta Mănescu Fonseca.

Prefácio

Da esperança

Um programa universal de expectativa: “No entanto, tudo vai dar certo” — Pode ser que vivamos em virtude de uma inconsciência cor-de-rosa — Uma crença desarrazoada no destino do mundo — Mas se não existir a morte? — O pecado do desespero — Apostamos sempre na metade cheia da garrafa — A esperança não pode ser imaginada senão num fundo da falta — No Paraíso a esperança já não tem sentido — Que podes fazer em última instância por um homem desesperado: abraçá-lo — Quantas pessoas têm a competência do diálogo com o invisível?

Da estupidez

“O homem é estúpido, fenomenalmente estúpido” — O problema da estupidez não é o problema do estúpido, mas do inteligente atento às derrapagens da estupidez — Entre cultura e estupidez não há necessariamente uma contradição — Quanto deve a estupidez às nossas opções afetivas? — O estúpido é alguém que crê que sabe — a estupidez, uma espécie de fast-food metafísico — O que leva a que tantas pessoas possam ser estupidificadas? — O esforço desesperado de pensar com tua cabeça

Da inveja e ódio

A estagnação no ódio não resolve as coisas — Da tristeza que de regra acompanha o ódio — A corrente completa: inveja-ódio-crime — Os herdeiros de Caim, os herdeiros de Abel — É mais rentável admirares e amares do que invejares e odiares — A inveja não visa nunca a um ser inferior a ti — Onde cresce a pobreza, aí é garantido o ódio — O ódio como sintoma do bom êxito

Do medo

João sem medo é apenas um personagem de contos de fadas — Estamos vivos, portanto temos medo — Do “tremur viaţa mé” [temo por minha vida] aos grandes medos do Ocidente — Linga Purana: Quando os covardes atacarão os corajosos e os ladrões se tornarão reis — Vacas loucas, pássaros gripados, porcos empestados — O medo de teu semelhante — Por que desapareceu em nossos dias “O temor de Deus!”? — Quanto não se pode fazer numa sociedade amedrontada! — Cenário com um tigre, com um fantasma e com Deus

Da calúnia

A calúnia nasceu na cidadela — Sócrates, o primeiro grande caluniado da cultura europeia — Sujidade, difamação, denegrimento — Uma maneira pérfida de tirar proveito do que se chama a “liberdade de imprensa” — Há necessidade não apenas da boca que calunia, mas do ouvido que crê — O caluniador, o caluniado e o consumidor de calúnia — A calúnia: quando sai fumaça sem fogo — As pessoas preferem sempre uma mentira suculenta a uma verdade débil

Os desconhecidos

Os que sustentam o mundo em seus ombros — O mundo não é levado nas costas por vedetes — O conceito de “jumentalidade”. Do esplendor daquele que carrega a carga — Pequeno inventário dos “guardadores do mundo” — Mulheres, aradores e soldados — Dos mestres-escolas — Do monge medieval ao artista contemporâneo — O esplendor e a miséria do anonimato — Securistas e forunistas — Como pomos na balança o elogio do anonimato com a dignidade do nome? — Um pouco de onomástica: de Valdana a Nonoleta — Entre a cadência da vida e o movimento de dança

Da soberba

As inflamações do nosso eu — Uma revista em que os autores se assinam com um número — O pecado do orgulho — Fanfarrões, gascões e olteanos — Se te sentes já com um pé no paraíso, arriscas-te a perder a salvação — Quando fazes um bem a alguém, esquece-o imediatamente. Quando te fazem a ti um bem, não o esqueças nunca — O orgulhoso é o único habitante de seu eu — Estamos condenados a nós mesmos — Do bom encontro com o nosso eu — A lição de Kirilov. A afirmação suprema do eu: a supressão dele — Algo acerca do suicídio

O milagre dos encontros

Que não possas imaginar a tua vida sem certos encontros — Somos a soma de nossos encontros — Encontrei-me com Noica quando ele punha uma galocha — Tipos de encontros — Há por acaso uma relação entre encontro e espera? — A bola hermafrodita. O mito europeu da “metade” que tem de ser encontrada — Qualquer encontro é uma resposta a uma pergunta que tu tens de fazer a ti mesmo

Do amor

Uma palavra abusada? — Da hipérbole do amor à realidade dele — O eros em chinelas e o céu tornado teto — Romeu e Julieta? Ou “seu” Leonida e Efimiţa? — O elogio da intermitência — A asa do deus Eros bate indistinta em todo vivente — A “geometria da passionalidade”: sexualidade, erotismo, amor — Eros e biblioteca — Ruptura de nível — As pessoas olham para os apaixonados como uns loucos — O amor é o encontro entre dois escravos e dois senhores

Da educação

Um ser não encerrado — Somos o nosso próprio tema — O homem não educado anda à toa — Entre analfabetismo e a inflação de diplomas — Viver sem o pavor da grosseria do outro — Acerca da “proteção dos animais” em alguns manuais romenos: como separar com uma pequena pinça a cabeça de um escaravelho de seu corpo ou como injetar ácido azótico numa minhoca — O retrato ideal de um aluno que termina o liceu — Há algo mais “útil” do que uma sociedade formada de seres civilizados? — Sobre que valor se construiu a “parte de cima” da humanidade? — Com a alma um pouco menos surrada

Por que lemos?

Viveu-se até tarde sem livros — Um intelectual define-se pelo que faz quando não lê — Podes ler muito e estupidamente — Sem livros não podem viver senão os animais e os santos — Os livros são as ferramentas de viver — Não é mal, de quando em quando, te livrares de ti — Quando um livro se torna medicamento e quando, veneno? — Como se pode reduzir o stress em 68% — Os livros são a maneira de as pessoas terem asas

Como falamos?

Os romenos estão abaixo do nível da língua que falam — Os acentos das palavras portam consigo um mistério — “Marina viu eu ontem” e mim viu Marina ontem  — A doença nacional do “ca şi” — Biserica ca şi Catolică — Romglês: “Eu te lovo — E tu me lovas — “Proliferar injetivas” — Com cada palavra estropiada afundamos uma inteira — Uma fala à toa trai um pensamento à toa — Do mal uso das palavras ou uso de uma maneira de fazer mal às almas

Canalhas e velhacos

Por que existe no mundo o mal? — A velhacaria eterna e a velhacaria que faz história — A logística do mal — Tudo o que é pior em nós — O velhaco significa uma mancha para além da possibilidade de ser tirada — O canalha tem certa envergadura — Em que medida sabem os canalhas que são canalhas?

A tolerância e o intolerável

O que acontece quando a nossa tolerância se encontra com a insensibilidade dos outros? — Estamos condenados a viver lado a lado — Quando saio à rua, a primeira palavra que me vem à mente é “crime” — Tribos, tribos… — De onde se aperta o tubo de pasta de dente: de baixo, ou da metade? — Somente o elefante pode ser tolerante com os ratos — O direito de não tolerar o intolerante — Quando sucumbimos sob a hipérbole da própria tolerância — As pessoas não podem tolerar-se umas às outras como grupo

Da morte

Faz sete mil anos que a humanidade civilizada não aprendeu a morrer — Nascemos com uma condenação à morte, no bolso — “Quando era jovem, a morte estava no Polo Norte. Agora está em Otopeni” A vida não vem nunca no pacote com um sentido — O sentido da morte é dar à vida um sentido — Graças a Jesus já não morremos como condenados

As parábolas do mal e do juízo

Por que, em lugar do discurso direto, “o discurso em parábolas” —  O juízo áspero de si — É necessário que os canalhas do mundo permaneçam não julgados até o Juízo Final? — A espreita do Diabo em cada um dentre nós — Deus nos deixa totalmente sozinhos com o nosso mal nos braços — Que ligação há entre “cizânia” e “joio”?

As parábolas de extravio e reencontro

Um ato de arrependimento — O amor não é uma moeda de troca — A condição do homem decaído é a condição da ovelha extraviada, da dracma perdida, do filho pródigo — Jesus veio para o doente, não para o saudável — E era todo apenas amor — “Vem, filho, o mais perto que puderes e o resto do caminho eu o farei” — Syncháreté moi! Alegrai-vos comigo! — A alegria de reencontrar

Do riso e humor

Ao longo da história se riu diferentemente — Que significa ter humor? — Loreley se apoiava no cotovelo? Ou na mão? — À margem de uma mala vazia: há também gosto em matéria de humor — O riso tem prazo de validade — Quando não se ri? — Só os que sabem levar na brincadeira o que todo o mundo leva a sério podem levar a sério o que todo o mundo leva na brincadeira — o escárnio entre os romenos — Como se estraga uma piada — Das coisas inatuais