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Sermões

Nossos primeiros sete anos

Por C. H. SPURGEON

(Da revista The Sword and the Trowel, abril de 1876)

Não se deve esperar que escrevamos a história de nosso próprio ministério: essa tarefa deve ser deixada a outras penas, caso se julgue que vale a pena escrevê-la. Não poderíamos transformar estas páginas numa autobiografia, nem seria muito apropriado pedir a outra pessoa que escrevesse a nosso respeito; por isso, apresentaremos simplesmente os fatos, sem adornos, e alguns trechos das observações de outros.

Num dos últimos domingos de dezembro de 1853, C. H. Spurgeon, então com dezenove anos de idade, pregou na Capela de New Park Street, atendendo a um convite que, para sua grande surpresa, o afastou de um povo afetuoso em Waterbeach, perto de Cambridge, para ocupar um púlpito em Londres. A congregação não passava de um punhado de pessoas. A capela pareceu muito grande ao pregador, e muito sombria, mas ele se apoiou no Senhor e transmitiu sua mensagem com base em Tiago 1.17. Já naquela primeira noite houve uma melhora, e o lugar parecia mais alegre; o texto foi: “Não têm mácula”.

Atendendo a pedidos insistentes, C. H. Spurgeon concordou em pregar em Londres no primeiro, terceiro e quinto domingos de janeiro de 1854, mas, antes do último desses domingos, já havia recebido um convite, datado de 25 de janeiro, para ocupar o púlpito durante seis meses, em caráter probatório. A resposta a esse convite encontra-se na íntegra em Sketches of Nonconformity in Southwark, do sr. Pike.

O período probatório de seis meses nunca chegou a ser cumprido, pois não havia necessidade. O lugar estava ficando cheio, as reuniões de oração eram cheias de poder e as conversões se sucediam. Em 12 de abril, foi encaminhada aos diáconos uma solicitação de reunião extraordinária, assinada por cinquenta membros do sexo masculino; e, segundo o livro de atas da igreja, em 19 de abril resolveu-se por unanimidade “que estendamos ao nosso irmão, o reverendo C. H. Spurgeon, um convite dos mais cordiais e afetuosos para que assuma imediatamente o pastorado desta igreja, e oramos para que os frutos de seu ministério sejam reconhecidos como obra de Deus, mediante um derramamento do Espírito Santo e um avivamento da religião em nosso meio; que seu ministério seja frutífero na conversão de pecadores e na edificação dos que creem”.

A esse convite só havia uma resposta possível, e assim ele foi aceito por meio de uma carta datada de 28 de abril de 1854, escrita do número 75 da Dover Road e também reproduzida no livro do sr. Pike, que pode ser adquirido de nossos editores.

Em pouquíssimo tempo, a congregação cresceu tanto que, à noite, quando os lampiões a gás estavam acesos, a capela se assemelhava ao Buraco Negro de Calcutá. Certa noite, em 1854, o pregador exclamou: “Pela fé, ruíram as muralhas de Jericó, e pela fé esta parede dos fundos também há de cair”. Ao final do sermão, um diácono idoso e prudente observou-lhe, em tom um tanto autoritário: “Que nunca mais o ouçamos falar disso”. “O que o senhor quer dizer?”, perguntou o pregador. “Quando estiver feito, o senhor não ouvirá mais falar disso; portanto, quanto mais cedo começarem a fazê-lo, melhor.” Realizou-se uma reunião, iniciou-se uma arrecadação e, no devido tempo, os espaços ocupados pelas salas auxiliares e pela escola foram incorporados à capela, enquanto uma nova sala de aula foi construída ao longo de uma de suas laterais, com janelas que podiam ser abaixadas para permitir que os que estivessem sentados na escola ouvissem o pregador. Enquanto essas obras eram realizadas, os cultos foram celebrados no Exeter Hall, de 11 de fevereiro a 27 de maio de 1855. Nessa época, começaram a aparecer nos jornais pequenas notícias anunciando que a Strand ficava congestionada pelas multidões que se reuniam para ouvir um jovem no Exeter Hall. Comentários nada lisonjeiros apareceram em vários periódicos, e com isso a multidão só aumentou. Caricaturas como “Enxofre e melado” adornavam as vitrines dos vendedores de gravuras, as histórias mais ridículas circulavam e as mentiras mais cruéis eram inventadas; mas todas essas coisas cooperavam para o bem. O grande Senhor abençoava cada vez mais a palavra para a conversão dos ouvintes, e o Exeter Hall permaneceu lotado durante todo o período de nossa permanência ali.

ENXOFRE E MELADO.

Quanto a New Park Street, voltar para lá, mesmo depois da ampliação, era como tentar colocar o mar dentro de um bule de chá. Ficamos mais apertados do que nunca. Recusar a entrada a muitas centenas de pessoas era uma necessidade habitual, quando não constante, e os que conseguiam entrar não ficavam em situação muito melhor, pois a aglomeração era extrema, e o calor, algo terrível até de recordar. Nossos inimigos continuavam a tornar nosso nome cada vez mais conhecido por meio de panfletos baratos e cartas publicadas nos jornais, tudo contribuindo para aumentar a multidão. Surgiram outras caricaturas, entre elas “Peguem-nos vivos!”.

Em junho de 1856, estávamos novamente no Exeter Hall, pregando ali à noite e na capela pela manhã; mas isso se mostrou inconveniente, de modo que, em agosto, iniciou-se uma arrecadação de fundos para a construção de uma casa de oração maior. Nesse meio-tempo, os proprietários do Exeter Hall comunicaram que não podiam alugar continuamente seu salão a uma única congregação, e por isso começamos a procurar outro lugar. Muito oportunamente, acabara de ser concluído um grande salão no Royal Surrey Gardens, destinado aos grandiosos concertos de M. Jullien; e, com certo temor diante da magnitude do empreendimento, conseguimos reservar esse salão para as noites de domingo.

PEGUEM-NOS VIVOS!

Encontramos o seguinte registro no livro de atas da igreja: “Dia do Senhor, 19 de outubro de 1856. Na noite deste dia, em conformidade com a resolução aprovada na reunião da igreja de 6 de outubro, a igreja e a congregação reuniram-se para ouvir nosso pastor no Salão de Concertos do Royal Surrey Gardens. Um número muito grande de pessoas (cerca de 7.000) estava reunido naquela ocasião, e o culto teve início da maneira habitual, com cânticos, leitura das Escrituras e oração. Contudo, logo depois que nosso pastor começou a orar, ocorreu um tumulto (provocado, segundo se supõe, por algumas pessoas mal-intencionadas que agiam em conluio), e toda a congregação foi tomada por um pânico repentino. Isso provocou uma correria terrível em direção às portas, sobretudo nas galerias. Várias pessoas, seja pela precipitação imprudente com que tentavam sair, seja pela enorme pressão da multidão que vinha atrás delas, caíram sobre os degraus de pedra da escadaria noroeste e foram pisoteadas pela multidão que as comprimia. O lamentável resultado foi a morte de sete pessoas, enquanto outras vinte e oito foram levadas aos hospitais com contusões e ferimentos graves. Nosso pastor, sem saber que havia ocorrido alguma morte, permaneceu no púlpito, procurando por todos os meios ao seu alcance acalmar o temor do povo, e conseguiu fazê-lo em medida bastante considerável. Quando tentou retomar o culto, verificou-se que as pessoas estavam agitadas demais para ouvi-lo, de modo que o culto foi encerrado, e os que ainda permaneciam no local se dispersaram tranquilamente. Esse lamentável acontecimento produziu efeitos gravíssimos sobre o sistema nervoso de nosso pastor. Ele ficou completamente prostrado durante alguns dias e foi obrigado a cancelar seus compromissos de pregação. Contudo, pela grande misericórdia de nosso Pai celestial, recuperou-se o suficiente para ocupar o púlpito de nossa própria capela no domingo, 31 de outubro, e aos poucos recobrou a saúde e o vigor habituais. ‘Louvado seja o nome do Senhor!’

“A igreja deseja registrar esse acontecimento em suas atas e deixar consignada sua devota gratidão a Deus porque, nessa triste calamidade, foram preservadas as vidas de seu amado pastor, dos diáconos e dos membros; e também sua esperança de que nosso Pai celestial faça resultar desse mal aparente a maior soma possível de bem real e duradouro.”

Foi assim que nossa igreja encarou essa grande aflição; mas nós, além da dor indizível de toda a catástrofe, tivemos de suportar as acusações perversas da imprensa. Daremos apenas um exemplo, extraído de um jornal popular que há muito tempo nos é bastante amistoso, razão pela qual não mencionaremos seu nome. Nos dias de sua ignorância, ele escreveu: “O sr. Spurgeon é um pregador que lança a condenação eterna sobre a cabeça de seus ouvintes pecadores. Há homens que, extraindo seus preceitos das Sagradas Escrituras, procuram atrair as almas extraviadas ao caminho correto com palavras amáveis e admoestações brandas; o sr. Spurgeon prefere agarrá-las pelo nariz e, à força de intimidação, obrigá-las a abraçar a religião. Erijamos uma barreira contra as intromissões e blasfêmias de homens como Spurgeon, dizendo-lhes: ‘Até aqui chegarás e não passarás’; encontremos algum meio poderoso de dizer aos milhares que agora necessitam de esclarecimento: este homem, em sua própria opinião, é um cristão justo, mas, na nossa, não passa de um charlatão vociferante. Não somos puritanos rigoristas nem sabatistas em nossas opiniões; mas manteríamos separados, muito separados, o teatro e a igreja — acima de tudo, colocaríamos nas mãos de todo homem de bom senso um chicote para expulsar da sociedade os autores de blasfêmias tão vis como as que, na noite de domingo, por cima dos gritos dos mortos e dos moribundos, mais alto que os lamentos de miséria dos mutilados e sofredores, ressoaram da boca do sr. Spurgeon no Salão de Concertos do Surrey Gardens”.

Criou-se um fundo para socorrer as pobres vítimas e, para evitar qualquer receio de novo pânico, o pregador resolveu realizar o culto pela manhã, embora esse seja o período do dia menos favorável a grandes congregações. A multidão, contudo, veio e continuou vindo durante três longos anos. Vieram pessoas de todas as classes, tanto das mais altas como das mais baixas. Temos diante de nós uma lista dos membros da nobreza que frequentaram o Salão de Concertos, mas, como sua presença nunca nos causou grande exultação, nem nos interessava vê-la anunciada aos quatro ventos, não reproduziremos seus nomes. Alegria muito maior nos trouxe o fato de que centenas de pessoas vieram e foram levadas a buscar o Senhor e a encontrar nele a vida eterna.

Uma carta famosa, assinada Habitans in Sicco e datada de Broad Phylactery, Westminster, apareceu nessa época no Times e, como se sabia que fora escrita por um eminente erudito, causou uma impressão muito favorável. Parte da carta dizia o seguinte:

“Quero ouvir Spurgeon; vamos lá.” Ora, como sou tido por partidário da Alta Igreja, respondi: “O quê! Ir ouvir um calvinista — um batista! — um homem que deveria envergonhar-se de estar tão perto da Igreja e, ainda assim, permanecer fora de seus limites?”. “Não importa; venha ouvi-lo.” Pois bem, fomos ontem de manhã ao Salão de Concertos, no Surrey Gardens. […] Imaginem uma congregação de 10.000 almas afluindo ao salão, subindo às galerias, murmurando, zumbindo e enxameando — uma imensa colmeia de abelhas —, ansiosas, a princípio, por conseguir os melhores lugares e, por fim, qualquer lugar que fosse. Depois de esperar mais de meia hora — pois, se alguém deseja conseguir um assento, precisa chegar pelo menos com essa antecedência —, o sr. Spurgeon subiu à sua tribuna. Ao burburinho, à agitação e ao tropel da multidão sucederam-se uma comoção discreta e intensa e um murmúrio de devoção, que pareciam percorrer de uma só vez, como uma corrente elétrica, o peito de cada um dos presentes; e, por meio dessa corrente magnética, o pregador nos manteve firmemente cativos durante cerca de duas horas. Não é meu propósito apresentar um resumo de seu discurso. Basta dizer, quanto à sua voz, que sua potência e seu volume são suficientes para alcançar cada pessoa naquela vasta assembleia; quanto à sua linguagem, que não é empolada nem vulgar; quanto ao seu estilo, que ora é familiar, ora declamatório, mas sempre feliz e muitas vezes eloquente; quanto à sua doutrina, que nem o calvinista nem o batista aparecem na linha de frente da batalha que o sr. Spurgeon trava, com animosidade implacável e com as armas do evangelho, contra a irreligião, a falsa piedade, a hipocrisia, o orgulho e aqueles pecados secretos do coração que tão facilmente assediam o homem na vida cotidiana; e, para resumir tudo numa palavra, basta dizer, quanto ao próprio homem, que ele nos transmite uma convicção absoluta de sua sinceridade.

Mas não escrevi tanto sobre a falta de alimento espiritual de meus filhos quando ouviam os resmungos do arcebispo de ——, e sobre o banquete que eu próprio desfrutei no Surrey Gardens, sem desejar extrair uma conclusão prática dessas duas histórias e tirar delas uma lição moral. Eis um homem que não é mais calvinista do que muitos párocos da Igreja Estabelecida, que “se curvam e murmuram”, como diz o velho Latimer, ao recitar sua liturgia e seu texto — eis um homem que afirma ser necessária ao batismo a imersão completa de adultos, ou algo dessa natureza. Esses são seus erros doutrinários; mas, se eu fosse o capelão examinador do arcebispo de ——, diria: “Com a permissão de Vossa Graça, eis um homem capaz de pregar com eloquência, capaz de encher com sua voz a maior igreja da Inglaterra e, o que é mais importante, de enchê-la de gente. E, com a permissão de Vossa Graça, temos aqui duas igrejas na metrópole, a Catedral de São Paulo e a Abadia de Westminster. Que acha Vossa Graça de convidar o sr. Spurgeon, esse calvinista e batista herético, capaz de atrair 10.000 almas atrás de si, para simplesmente experimentar sua voz, numa manhã de domingo, na nave de uma dessas igrejas?”.

Enquanto isso, prosseguia a arrecadação de fundos para um novo edifício e, em janeiro de 1858, havia £6.100 disponíveis; em janeiro de 1859, a quantia chegara a £9.639, dos quais £5.000 foram reservados para pagar o terreno perto de Elephant and Castle. Continuamos avançando com perseverança, o pastor arrecadando pessoalmente, ou por meio de seus sermões, grande parte do dinheiro, viajando para os mais diversos lugares com esse propósito; os amigos escoceses, em especial, prestando sua ajuda; até que, em janeiro de 1860, depois do lançamento da pedra fundamental, tínhamos em mãos £16.868, ou mais da metade da quantia necessária, de modo que o terreno já estava pago, e as parcelas devidas ao construtor vinham sendo quitadas conforme necessário. A pedra fundamental do Tabernáculo Metropolitano foi lançada com grande regozijo em 16 de agosto de 1859, por sir Morton Peto; mas, como um relato completo de todos os acontecimentos pode ser adquirido de nossos editores, diremos pouco a esse respeito. Sentimo-nos, contudo, obrigados a mencionar a providência singular que colocou o sr. Spicer e outros amigos no Conselho da Companhia dos Peixeiros, possibilitando assim a aquisição do terreno; em seguida, o fato de que a companhia tinha condições de vender a propriedade em caráter definitivo; e, ainda, que o falecido sr. William Joynson, de Mary Cray, depositou a quantia necessária para custear uma lei do Parlamento que autorizasse a companhia a realizar a venda, caso se verificasse que ela não possuía poderes legais para fazê-lo. Singularmente feliz também foi a circunstância de que um cavalheiro de Bristol, que nunca ouvira o pastor pregar, contribuiu, não obstante, com a quantia nada desprezível de £5.000 para a construção. Somente a eternidade poderá revelar toda a generosidade e liberalidade abnegada demonstradas pelo povo cristão em relação a esse empreendimento — tão gigantesco, pelo menos para nós naquela época, que jamais teríamos conseguido levá-lo a cabo sem o auxílio divino. Uma de nossas maiores misericórdias foi o fato de que nosso amado irmão William Higgs era o responsável pela construção e nos tratou com generosidade ilimitada durante todo o empreendimento. Hoje ele é um digno diácono de nossa igreja.

Em dezembro de 1859, deixamos o Salão de Concertos do Surrey. Pagávamos à companhia uma quantia elevada pela realização de nosso culto matutino, e essa era a única receita da qual se distribuíam dividendos. Os proprietários propuseram abrir os jardins para diversões nas noites do Dia do Senhor, e ameaçamos rescindir nosso contrato de locação caso o fizessem. Isso impediu o mal por algum tempo, mas, por fim, prevaleceram os elementos menos nobres e, acreditando que os “prazeres” dominicais seriam lucrativos, anunciaram que os jardins seriam abertos aos domingos; por isso, consideramo-nos obrigados, por uma questão de honra, a deixar o lugar, e assim fizemos. Algum tempo depois, um incêndio quase destruiu o edifício, e o que dele restou foi transformado em hospital durante anos. Em 18 de dezembro de 1859, iniciamos nossa terceira e mais longa permanência no Exeter Hall, que terminou em 1º de março de 1861. Algumas das observações que fizemos ao deixar aquele lugar podem ser convenientemente citadas aqui.

“Na providência de Deus, nós, como igreja e como povo, temos sido obrigados a peregrinar muitas vezes. Esta é nossa terceira permanência entre estas paredes. Agora ela está prestes a terminar. Em todas as épocas e circunstâncias, houve alguma força que nos impeliu a mudar: às vezes, uma imposição da consciência; outras vezes, uma imposição da alegria, como nesta ocasião. Estou certo de que, quando fomos pela primeira vez ao Salão de Concertos do Surrey, Deus foi conosco. Satanás também foi, mas fugiu diante de nós. Aquela terrível calamidade, cuja impressão jamais poderá ser apagada de minha memória, revelou-se, na providência de Deus, um dos meios mais extraordinários de atrair a atenção do público para os cultos especiais, e não tenho dúvida de que — por mais terrível que tenha sido a catástrofe — ela se tornou mãe de uma multidão de bênçãos. O mundo cristão observou o exemplo, viu o êxito que se seguiu, imitou-o; e, até hoje, tanto no teatro como na catedral, a palavra de Cristo é pregada onde nunca antes havia sido pregada. Em cada uma de nossas mudanças, tivemos motivos para reconhecer a mão de Deus, e aqui de maneira especial; pois muitos moradores do West End vieram ouvir a palavra neste lugar, os quais provavelmente não teriam empreendido uma viagem para além do rio. Aqui a graça de Deus quebrantou corações endurecidos; aqui almas foram renovadas, e os errantes, reconduzidos ao caminho. ‘Tributai ao Senhor, filhos de Deus, tributai ao Senhor glória e força. Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome.’ E agora seguimos para a casa que Deus, de maneira tão especial, nos concedeu, e neste dia eu gostaria de orar como Moisés: ‘Levanta-te, Senhor, e dissipados sejam os teus inimigos, e fujam diante de ti os que te odeiam’.”

Sob a data de 6 de janeiro de 1861, encontra-se em nossos registros a seguinte declaração solene, assinada pelo pastor e pelos principais amigos: “Esta igreja necessita de pouco mais de £4.000 para poder inaugurar o Novo Tabernáculo inteiramente livre de dívidas. Ela humildemente pede a Deus essa misericórdia temporal e crê que, por amor de Jesus, sua oração será ouvida e a dádiva concedida. Em testemunho do que, firmamos a presente”.

Agora, observe o leitor que, em 6 de maio do mesmo ano, o pastor e muitos amigos também apuseram suas assinaturas a outro testemunho, redigido nos seguintes termos: “Nós, os membros abaixo assinados da igreja que até recentemente prestava culto na Capela de New Park Street, mas que agora se reúne no Tabernáculo Metropolitano, em Newington, desejamos, com o coração transbordante, tornar conhecida e registrar a benignidade de nosso Deus fiel. Pedimos com fé, mas nosso Senhor excedeu nossos desejos, pois não apenas nos foi concedida toda a quantia, mas isso aconteceu muito antes do que esperávamos. Verdadeiramente o Senhor é bom e digno de louvor. Envergonhamo-nos de nós mesmos por alguma vez termos duvidado dele e oramos para que, como igreja e como indivíduos, sejamos capacitados a confiar no Senhor em todo o tempo, com plena confiança, de modo que, em tranquilidade, possamos conservar nossas almas. Ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo oferecemos louvor e ações de graças, e com nosso selo atestamos que Deus é verdadeiro”.

Depois de cerca de um mês de cultos inaugurais, dos quais se pode obter um relato completo junto a nossos editores, iniciamos as atividades regulares no Tabernáculo, em maio de 1861, estando todo o edifício livre de dívidas, e demonstrando as contas que haviam sido recebidas £31.332, 4 xelins e 10 pence, e que exatamente a mesma quantia fora gasta. Verdadeiramente, servimos a um Deus gracioso.

Charles Haddon Spurgeon no púlpito da Capela de New Park Street.

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