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Um grande argumento para a inspiração das Escrituras (J. Gresham Machen)

Eu gostaria apenas de esboçar muito brevemente um grande argumento para a inspiração e autoridade divina da Sagrada Escritura. Não se esqueça de que este não é o único argumento; eu só estou destacando ele a título de exemplo na tarde de hoje.

Esse argumento é encontrado no testemunho de Jesus Cristo. No primeiro século da nossa era, um homem chamado Jesus de Nazaré viveu na Palestina. Nós temos certos relatos da vida dele no Novo Testamento. Eu peço que você os considere pelo menos como documentos históricos. Se você não está pronto ainda para assumir que são a Palavra inspirada de Deus, como eu estou, estude-os ao menos como documentos históricos, de forma honesta.

Uma solução para charadas

Se você estudá-los assim, de forma honesta, você vai ficar impressionado com a figura que eles pintam acerca de Jesus Cristo. Essa figura é evidentemente a figura de uma pessoa real; disso não se pode duvidar. Mas também é a figura de uma pessoa bem estranha. O Jesus dos Evangelhos apresentou reivindicações estupendas e substanciou essas reivindicações com um poder soberano sobre as forças da natureza. Ele parecia comandar a natureza como o Criador da natureza e o Deus da natureza. Ele era claramente uma pessoa sobrenatural.

As evidências para a realidade do Cristo sobrenatural são bem completas, bem maravilhosamente cumulativas, bem profundas e bem convincentes.

Os homens modernos têm tentado separar o sobrenatural do natural na figura de Jesus apresentada nos evangelhos. “Só vamos remover essas vestes sobrenaturais antiquadas da figura”, disseram eles consigo mesmos, “e então teremos uma figura do Jesus autêntico, um grande gênio religioso, e nada mais”. Mas os esforços para fazer essa separação findaram frustrados. O elemento sobrenatural na figura evangélica de Jesus se provou como sendo uma parte integral do todo. Ele não pode ser separado do resto numa forma fácil e artificial. A figura evangélica de Jesus é sobrenatural do começo ao fim.

Alguns mais radicais nos dias de hoje estão chegando à conclusão lógica. Já que o sobrenatural é inseparável do resto, e já que eles não vão aceitar o sobrenatural, eles estão deixando tudo para trás. Eles estão nos dizendo que não podemos ter certeza de nada sobre Jesus. Tal ceticismo é absurdo. Ele nunca vai aguentar o tranco. Vocês não precisam temer, amigos. A figura nos Evangelhos é vívida demais. Ela é incapaz demais de ser inventada. É evidentemente a figura de uma pessoa real.

Então a antiga perplexidade dos homens não salvos na presença de Jesus ainda continua. Jesus não vai deixar os homens para lá. Eles não vão aceitar suas reivindicações estupendas; eles não o aceitarão como Salvador. Mas ele continua a intrigá-los e a desconcertá-los. Ele se recusa a se conformar a suas pequenas molduras. Eles se veem perplexos na sua presença.

Há somente uma fuga dessa perplexidade. É aceitar Jesus, afinal. Negue-se a crer que a figura é verdadeira e tudo é perplexidade e confusão na sua visão da idade mais antiga da igreja; aceite a figura como verdade, e tudo se esclarece. Tudo, então, encaixa-se no seu devido lugar. A solução foi encontrada para resolver a poderosa charada.

O Jesus sobrenatural é assim a chave para um entendimento correto da história cristã primitiva. Mas ele também é a chave para muito mais do que osso. A humanidade se depara com mais charadas do que a charada dos tempos do Novo Testamento. Tudo sobre nós é uma charada: a charada da nossa existência, a charada do universo, a charada da nossa miséria e do nosso pecado. Para todas essas charadas, Jesus, como o Novo Testamento o apresenta, fornece a solução. As evidências para a realidade do Cristo sobrenatural são bem completas, bem maravilhosamente cumulativas, bem profundas e bem convincentes..

A Palavra sobre a Palavra

Mas se formos convencidos por essa evidência, precisamos admitir as consequências. Se formos convencidos de que Jesus é o que o Novo Testamento diz que ele é, então a Palavra de Jesus se torna lei para nós. Não podemos escolher se vamos crer nele quando ele falar. Precisamos crer. A sua autoridade precisa, então, ser decisiva para nós em todas as disputas.

Jesus certamente cria que o Antigo Testamento era a própria Palavra de Deus, e ele certamente colocou essa crença bem no cerne de sua vida como homem.

Em muitas questões, os nossos relatos não registram decisão alguma de Jesus. Mas, em uma questão, a sua decisão é clara. É clara para nós não só depois de sermos convencidos de que os relatos sobre a sua vida são divinamente inspirados e, portanto, sem erro algum, mas também é clara mesmo quando assumimos esses relatos como uma história razoavelmente acurada. Se uma coisa é clara para o historiador, é que Jesus de Nazaré sustentava a veracidade plena das Escrituras do Antigo Testamento; é que Jesus sustentou a visão elevada da autoridade divina do Antigo Testamento que é sustentada por crentes na Bíblia, os quais desprezados hoje em dia.

Isso é admitido até mesmo por aqueles que tem uma opinião baixa da veracidade dos Evangelhos. Jesus, admitem eles, sustentava aquela visão da Bíblia que era geralmente sustentada pelos judeus do seu dia. Eles se lamentam de ter de admitir isso. “Que pena,” dizem eles, “que Jesus, que muito admiramos, foi um homem do seu tempo nesse aspecto!” Mas eles precisam admitir isso, se são acadêmicos de verdade. Jesus certamente cria que o Antigo Testamento era a própria Palavra de Deus, e ele certamente colocou essa crença bem no cerne de sua vida como homem.

Mas, se ele assim apontou para o Antigo Testamento antes dele e fundou a sua vida humana sobre ele, ele também apontou adiante para o Novo. Ele escolheu apóstolos. Ele os dotou com uma autoridade sobrenatural. No exercício dessa autoridade, eles deram os livros do Novo Testamento à igreja. Nenhum homem que crê no que Jesus disse pode, se ele for consistente, deixar de assumir toda a Bíblia como nada menos do que a Palavra de Deus.

Este post é uma adaptação de J. Gresham Machen, Is The Bible Inspired?, (Philadelphia, PA: Westminster Seminary Press, 2017), p. 57–61.

Tradução: Guilherme Cordeiro

Fonte: One Great Argument for the Inspiration of Scripture