Vida Cristã

5 de janeiro de 2012
 

Um Texto Esquecido? Eu me pergunto o porquê disso.

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Escrito por: Carl Trueman
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Pergunto-me se existe um texto mais negligenciado no Novo Testamento, no atual reavivamento de interesse pela teologia reformada, do que Efésios 5.12. Nas reações aos tabus do antigo fundamentalismo, há certamente um perigo de termos perdido todo senso do que é biblicamente apropriado quando diz respeito a nos envolvermos com o resto do mundo. Eu tive minha própria experiência disso há uns poucos anos, quando sugeri neste blog que talvez não fosse apropriado que cristãos vissem o filme Milk, que era não apenas um relato altamente fictício da vida de Harvey Milk, mas também incluía, de acordo com os resenhistas, cenas sexuais de natureza explícita e inapropriada. Ainda me lembro da tempestade em copo d’água de protestos à medida que vários amantes da cultura cristã deram-me sermões sobre como minha mente fechada não iria impedi-los de usar Milk como um meio de testemunhar aos amigos. Mas nenhum desses evangelistas indignados lidou com Efésios 5.12.

“Porque o que eles fazem em oculto até dizê-lo é torpe.”

Mais recentemente, a mesma preocupação pública no mundo evangélico com os tratamentos excessivamente explícitos sobre a questão sexo trouxe uma vez mais à minha mente Efésios 5.12. Paulo, sem dúvida, não era legalista. Ele afirmava a livre graça e a liberdade cristã. Todavia, ele escreveu Efésios 5.12. Assim, o que a passagem quer dizer? Bem, quer dizer exatamente o que parece dizer. Você não precisa de uma qualificação de pós-doutorado em Judaísmo do Segundo Templo para entender isso.

Eis aqui como Peter O’Brien explica o versículo (e se você nunca leu Peter O’Brien, compre tudo o que puder dele – um cavalheiro, pastor e exegeta cristão magistral):

“A expressão anterior, ‘as obras infrutuosas das trevas’ (v. 11), é uma declaração geral e poderia incluir pecados feitos abertamente, bem como aqueles cometidos secretamente. Tal descrição foca-se no caráter perverso de tais pecados – eles pertencem ao reino das trevas – e no fato de serem extremamente estéreis. Essas ‘obras’ são os vícios sexuais (talvez até mesmo perversões) mencionados no v. 3, não rituais religiosos pagãos imorais, como alguns têm sugerido. Elas são agora descritas como ‘as coisas feitas em segredo’: aqueles que as cometem (i.e., os ‘desobedientes’ dos vv. 6, 7) não querem que os seus pecados sejam expostos (cf. João 3.20). Mas suas obras tenebrosas são tão repugnantes, Paulo afirma, que é ‘vergonhoso’ até mesmo mencioná-las, quanto mais fazê-las. Ele repudia totalmente esses pecados sexuais, mas deseja transmitir a gravidade do caso sem mencionar os detalhes da depravação. Paulo e seus leitores sabiam quais eram esses pecados, e ele não iria citá-los para não dignificá-los. Em vez disso, ele queria que a luz do evangelho brilhasse na vida dos seus leitores e desejava expor essas obras como aquilo que realmente eram.” (The Letter to the Ephesians, 371-72)

A explicação de O’Brien’s é tão clara como a declaração original de Paulo, embora ele traga belamente à tona o fato de que a luz do evangelho deve ser o foco. O evangelho é luz; ele é verdadeiramente belo. Sem dúvida, é glorioso acordar de manhã e saber que não importa quais sejam as trevas que se escondam em nossos corações, a luz de Cristo é suficiente para dissipá-las. Por que alguém desejaria se deter em qualquer detalhe das obras das trevas, quando poderia gastar tempo refletindo sobre a magnificência de Deus manifesto em carne?

No passado, com frequência fiquei ao lado daqueles que riem do que consideramos tabus ignorantes e pouco sofisticados da antiga geração. Mas agora eu me preocupo com a facilidade com a qual a geração atual fala explicitamente das “obras infrutuosas das trevas” em nome de engajamento cultural, medo de ser considerado ultrapassado ou simplesmente um desejo de desfazer-se dos legalismos dos seus pais na fé. Você pode, afinal, chegar ao céu sem jamais ter visto um filme para adultos ou ter desfrutado uma vida amorosa espetacular.

Aqui está uma pergunta: faria alguma diferença para você, qualquer diferença que seja, na maneira como você fala, naquilo que você assiste, ou na forma como se “envolve culturalmente” se Efésios 5.12 jamais tivesse sido escrito?

 

Fonte: Reformation21 Blog
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – 04 de janeiro de 2011
Revisão: Jazanias Oliveira



Sobre o Autor

Carl Trueman
Carl Trueman
Carl Trueman é professor de Teologia Histórica e de História da Igreja no Seminário Teológico de Westminster na Filadélfia.



 
 

 
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