Doutrina/Teologia

27 de dezembro de 2011

Gemendo com a Criação

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Escrito por: Vincent Cheung
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Gemendo com a Criação

A natureza criada aguarda, com grande expectativa, que os filhos de Deus sejam revelados. Pois ela foi submetida à futilidade, não pela sua própria escolha, mas por causa da vontade daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria natureza criada será libertada da escravidão da decadência em que se encontra para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus.

Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto. E não só isso, mas nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo. (Romanos 8.19-23)

De acordo com o plano de Deus, quando Adão caiu em pecado, arrastou consigo a criação. Como Deus disse ao homem, “maldita é a terra por sua causa” (Gênesis 3.17). O resultado não foi que o homem deveria aprender a cuidar da terra e cooperar com ela para obter sustento a partir dela. Antes, Deus disse que agora a terra haveria de resistir ao homem, tal que o homem teria de subjugar a terra para tomar dela o que precisasse (v.18). Então, após certo tempo o homem morreria e seu corpo voltaria para a terra (v. 19). Quando duas partes lutam sob a maldição de Deus, nenhuma delas sai vencedora. Desde aquele tempo toda a criação gemia por libertação até o tempo de Paulo, e tem continuado a gemer até agora, pois o que ela anseia ainda não veio.

Assim, muito antes de se tornar poluída com garrafas de plástico, a criação já tinha se poluído com pecadores, com não cristãos. Ela não geme porque anseia se livrar das fábricas e dos arranha-céus, mas para ser libertada da escravidão e decadência que lhe sobreveio por causa do pecado. Esse dia é marcado pela revelação dos filhos de Deus, isto é, quando Deus definitivamente vindicar seu povo e completar sua adoção pela redenção de seus corpos, a ressurreição dos santos. A libertação dela está vinculada à salvação de que gozam os cristãos, à “gloriosa liberdade dos filhos de Deus”. O corolário disso é que a criação anseia por se livrar dos não cristãos, de sorte que os mansos herdarão a terra.

Assim, ambientalistas não cristãos fazem uma zombaria da criação, pois são os que causam os sofrimentos dela, não por seus copos sintéticos, mas por sua própria existência! E os cristãos que acompanham os fanáticos não cristãos em seu zelo ambientalista são apenas igualmente provocativos, pois permanecer limpa e viva não é o que a criação almeja. Um prisioneiro pode apreciar alguns livros e revistas de seu advogado de defesa para ajudá-lo a passar o tempo, mas quando o procurador se põe a discutir a literatura com ele, o prisioneiro provavelmente haverá de se queixar que o tempo poderia ser melhor gasto trabalhando no caso em prol de sua liberdade. Um advogado que consente com o que é bom, mas secundário, para distraí-lo do que é melhor e necessário é um mau advogado. Um cristão que consente até mesmo com interesses ambientais legítimos para distraí-lo da promoção da mensagem de Cristo é um mau cristão. Um verdadeiro amigo da criação colocará sempre o evangelho em primeiro lugar.

Alguns cristãos não são muito bons na pregação, na escrita, na oração, no aconselhamento, ou mesmo em conduzir o trânsito no estacionamento da igreja. Eles são quase inúteis quando se trata de algo importante. Se estas pessoas desejam focar a reciclagem, não tenho nenhum problema com isso. Elas podem até mesmo alegar que estão cumprindo o “mandato cultural” e à força tornar isso parte do ministério evangélico a fim de se sentirem melhores com isso, enquanto o resto de nós labuta na verdadeira comissão que Cristo nos deu. Se isto soa muito duro contra aqueles que laboram tão arduamente para melhorar o ambiente, o ponto principal é que a nossa prioridade deve ser promover a mensagem cristã sobre pecado e justiça, sobre condenação e salvação, e sobre a encarnação, crucificação, expiação e ressurreição de Jesus Cristo. Qualquer outro item, não importa quão prático ou desejável seja, não pode ser combinado ou equiparado com isso, e deve assumir um distante segundo lugar.

Hoje em dia, pessoas esfaqueariam seu vizinho até a morte ao invés de permitir que seus gatos e tartarugas passassem fome, mas a própria criação anseia se libertar de pessoas imbecis como essas. Somente os cristãos estão em sintonia com a criação, pois anseiam a mesma coisa — não energia alternativa, quão maravilhosa ela possa ser, mas a consumação da aplicação da redenção. Eles não anseiam a preservação, mas a culminação; não anseiam a perpetuação, mas a consumação. Claro, os não cristãos não partilham dessa preocupação, pois é também o dia em que serão lançados no fogo do inferno. Por essa razão, os não cristãos serão sempre inimigos da criação. Como cristãos, gememos junto com toda a criação não pela salvação dos ursos polares, mas por um ponto final no pecado e pela redenção de nossos corpos.

Jesus Cristo é a única esperança para a humanidade e para a criação. Se a criação pudesse falar, repreenderia alguns de nós por nos colocarmos como seus salvadores. Quanta arrogância! Que negligência da verdade e do dever! Sejam gentis com os animais e sejam bons para a criação. Sou extremamente afeiçoado a animais, e ainda mais afeiçoado a água e ar limpo — mas lembre-se da verdadeira obra do evangelho e ponha isso acima de todas as outras considerações. Não alimente a noção ridícula de que salvar o ambiente é tão importante quanto salvar almas humanas. Certamente, estas não são coisas mutuamente exclusivas, mas são duas coisas diferentes, e uma é claramente mais importante que a outra. Se uma escolha deve ser feita, o ministério do evangelho deve vir sempre em primeiro lugar.

Vá salvar baleias se você quiser — especialmente se você tende a ficar no meu caminho quando tenta trabalho ministerial —, mas não glorifique isso como uma busca heroica. As baleias também gemem para que vocês, fanáticos irritantes, deixem-nas sozinhas e preguem o evangelho aos homens e mulheres de seu círculo de convivência. E se vocês devem aborrecer as baleias porque são maus pregadores (as baleias não precisam saber disto), que ao menos orem, enquanto limpam suas narinas, por aqueles que compartilham da preocupação real da criação. Assim, tanto os pregadores como as baleias lhes serão gratos.

 

Tradução: Marcelo Herberts (outubro/2011)



Sobre o Autor

Vincent Cheung
Vincent Cheung é autor de trinta livros e centenas de palestras sobre uma gama de assuntos em teologia, filosofia, apologética e espiritualidade. Através dos seus livros e palestras, ele está treinando cristãos para entender, proclamar, defender e praticar a cosmivisão bíblica como um sistema de pensamento abrangente e coerente, revelado por Deus na Escritura. Vincent Cheung reside em Boston com sua esposa Denise.




 
 

 
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